terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma quase não-venda

O infortúnio da Aline com seus óculos escuros - especificamente a situação em que o produto que ela quer está na loja, mas na caixa, e por isso inacessível - me fez lembrar um quase-infortúnio que passei na compra de uma Melissa. Eu provei alguns modelos e me apaixonei pela Doc Dog, que estava na vitrine. A 36 ficou apertada, a 37 ficou perfeita, quanto é, quero levar a verde. "Ah, mas eu não posso te vender essa porque ela ainda não está no sistema. Nem devia ter ido para a vitrine". Meu mundo caiu. Por sorte não sou do tipo barraqueira, olhei pra vendedora rindo e disse que estava me sentindo num filme do Woody Allen: um produto na vitrine, provado e aprovado, e ela não ia fazer a venda? Rapidinho se deu um jeito: ela registrou a venda com outro modelo do mesmo preço e depois, quando o modelo que eu levei estivesse no sistema, ela simularia uma troca. Que bom que a menina foi hábil - até porque no fim das contas eu levei duas Melissas. Acho que o vendedor da Aline podia tomar umas aulinhas com ela...

Matracas

Tati passou uma semana viajando.
Aproveitamos a manhã livre e combinamos uma praia.
Meu livro não saiu de dentro da bolsa.
E eu me atrasei pro trabalho.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mais livros


Aproveitei a dica quentíssima da Adri e comprei hoje os Contos Completos da Virginia Woolf. O preço normal da edição (Cosac Naify), com capa dura e projeto caprichadíssimo, é de quase R$ 70, mas na Siciliano está por R$ 26. Eu namorei um monte esse livro na época do Natal, mas como estava meio caro deixei pra depois. Bola dentríssimo. Fiquei tão feliz que resolvi comemorar almoçando um combinado de salmão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Nós e os livros

Prosseguindo com a brincadeira iniciada pelo Rogerinho e encaminhada pelo Maurício...

1. Livro que marcou sua infância: os infantis do Monteiro Lobato, como "Reinações de Narizinho", "A Chave do Tamanho" e todos os outros (que inclusive preciso resgatar na casa da minha mãe)
2. Livro que marcou sua adolescência: "1968 - O ano que não terminou", do Zuenir Ventura, que li no segundo ano do segundo grau.
3. Autor que mais admira: Virginia Woolf
4. Autor contemporâneo: José Saramago
5. Leu e não gostou: sofri uma decepção especial com "On The Road", do Jack Kerouac. Persisti até o fim e não entendi por que é tão incensado. Achei a história simplória e o texto, pobre. Mas ainda pretendo dar uma segunda chance a ele.
6. Lê e relê: "Rota 66" e "Abusado", do Caco Barcellos, e "A Sangue Frio", do Truman Capote.
7. Mania: sublinhar a lápis os trechos de que gosto mais.

Passo a bola pra frente: André, Marie e Aline.

Agora vai

Passados os festejos intensos, começo o ano planejando uma dieta de desintoxicação à base de arroz integral e suco de laranja. E o retorno à academia. E o firme propósito de só admitir chopinhos e happy hours nos dias de sexta a domingo.

[Dilema: se pintar um convite irrecusável, como recusar? Oh my god.]

Traquinagens caninas

Quando cheguei em casa ontem, depois da festa de aniver da mami, parecia que tinha nevado no meu quintal. Meus queridos filhotes resolveram antecipar o Dia de Reis e desmontar por conta deles a decoração de Natal. O alvo foi o fofo Papai Noel de pelúcia que era o enfeite da porta. Está morto e enterrado. Deus o tenha.

[Mas admito que é melhor isso do que gambá. Quando eu chego em casa e tem gambá morto, afe, é um horror.]

Lagoinha, a missão


Maurício deu uma insistida para que eu integre a expedição combinada para dia 10. Não sei se terei joelhos para tanto. De qualquer forma, aproveitando a insônia, vai mais uma fotinha feita no dia 27, pra animar a galera. Tomara que o tempo abra.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

...e o selo Mãe de Cachorro vai para...


...o Dauro, a Regininha, a Aline, a Giorgia, o Frank, a Marie e o Caio.
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Este é o selo Mãe de Cachorro!
Você o recebeu como homenagem por seu amor aos animais e ao usá-lo em seu site/blog, passará a fazer parte da família Mãe de Cachorro, uma confraria de pessoas do bem e que fazem a diferença para um mundo melhor para humanos e animais.

Nem todos são propriamente mães ou pais de cachorro, mas são amigos queridos que eu sei que amam os bichos!
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[Querem saber mais? Cliquem aqui.]


Quem disse que acabou?

Fim de ano sempre é uma comilança, uma bebelança e uma festança para a maioria das pessoas que conheço. Só que para a maioria das pessoas que conheço esse circuito termina depois do Réveillon. Aqui em casa não. Porque no dia 3 de janeiro é aniver da mami. E o aniver da mami sempre é comemorado com festa. Amanhã, portanto, lá vamos nós de novo. Haja fígado. E abraço. E gargalhada.

[A gente finge que reclama, mas é uma delícia. A foto foi feita em 2007, quando dona Conceição soprou 60 velinhas e a festa foi uma megaprodução que teve até camiseta.]

Familiares incompatíveis

Otto é o cãozinho dachshund da minha mãe. E Gisa é a gatinha do Mano e da Jaque, meu irmão mais velho e minha cunhada. Depois de passar alguns dias comigo e a mãe aqui em casa, hoje Otto voltou para seu apê, onde Mano, Jaque e Gisa continuam em férias até amanhã. Todos os cuidados para que o canino e a felina fiquem separados são tomados com rigor. Mas, há pouco, alguns segundos de descuido fizeram com que eles ficassem frente a frente. Furdunço. Otto ignorou a pata machucada e saiu correndo atrás da Gisa. Que, por sua vez, triplicou de tamanho e riscou uma caixa inteira de fósforos enquanto batia em ricochete com as quatro patas pelas paredes do apartamento. Sobrou pra mim a tarefa de segurar a Gisa (tenho talento para conter gatos ariscos) enquanto o Mano mandava o Otto sair do quarto. Juntei-a pelas axilas. Ela esperneou. Minha linha da vida da mão direita ganhou uns oito centímetros, atravessando o pulso. Espero que, em pleno 2 de janeiro, isso seja um bom sinal.

Back to Frogville

Primoroso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E foi-se 2008

Tou com uma preguiça danada de fazer balanço do ano que passou. Resumidamente: passei por uns perrengues brabos que me derrubaram, mas levantei sozinha ("esse remédio universal que é o trabalho", como diz o Saramago), reencontrei minha alegria e minha leveza e posso dizer que a maior parte do ano foi movida a coisas boas (apesar das ruins que sempre se permeiam com as boas). Muito boas. Gente nova, trabalho novo. As pessoas fundamentais que ficaram. O valor de tudo o que eu tenho. E a retomada dos projetos (eu não vivo sem projetos). O blog e as amizades bacanas que dele decorrem. A terapia (não, eu não quero alta). Depois de alguns anos me sentindo num marasmo, parece que em 2008 as coisas aconteceram de forma super acelerada. Cheguei a me assustar com isso algumas vezes. Mas adorei. Espero que 2009 tenha tanto movimento quanto 2008. E tantas surpresas. Boas, é claro.

Mania feia

Rangaceira boa, bebida idem, música idem. Vestido novo, galera bacana. Mas ontem aconteceu de novo: sono incontrolável e saída à francesa direto para o berço. Me disseram que a festa rolou até quase quatro da manhã e que as sobremesas estavam maravilhosas. Que bom que sobrou um pouquinho.

Dois pontinhos

Reza a lenda familiar que foi meu avô Zeca o primeiro da família a se casar com uma moça de origem não-alemã. Então ele era um Lückmann (com dos enes mesmo) que se uniu a uma Ferreira de Souza. E entre os primos do meu avô tem alguns Nienkötter, Lehmkul (nessa grafia tenho dúvida) e Loch. Já pelo lado da minha mãe, meu avô Martins, que morava na Lagoa, casou-se com minha avó Abreu, que morava no Rio Tavares. E pelo que minha mãe conta, há um ramo de parentes com sobrenome Veras. É uma misturança danada de nomes que revela uma misturança danada de sangues. Por isso é que eu digo que sou uma perfeita vira-latas, embora em função das normas patriarcais do registro civil eu carregue o sobrenome de origem alemã - que na verdade eu acho que é a minha menor parte. Herdei inclusive o erro de registro do meu pai - lá em 1944 o escrivão bobeou e seu Egídio, o primogênito do meu avô, virou um Lückman com um ene só. Ao longo do tempo teve outras diferenças de registro, como por exemplo o pessoal do tio Norberto, irmão do meu avô, que é Lüchmann. Lembro até que há na família quem defenda que o nome original é assim mesmo, com cê-agá, e que o cê-ká é que é equivocado. Anyway, meu nome ficou como ficou e mesmo não sendo propriamente complicado, na maioria das vezes preciso soletrá-lo - laranja, uva, caqui, kiwi, maçã, abacaxi, nêspera. Ok, nêspera é meio pesado, pode ser nectarina também. E com dois pontinhos em cima do u, por favor. Apesar da reforma ortográfica.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Som do Gil, voz da Gal

Não encontrei o áudio... se alguém tiver, me manda?

Quando a gente tá contente
Tanto faz o quente, tanto faz o frio, tanto faz
Que eu me esqueça do meu compromisso
Com isso ou aquilo que aconteceu dez minutos atrás
Dez minutos atrás de uma idéia já deu
Pra uma teia de aranha crescer e prender
Sua vida na cadeia do pensamento
Que de um momento pro outro começa a doer

Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá

Quando a gente tá contente
Gente é gente, gato é gato
Barata pode ser um barato total
Tudo que você disser deve fazer bem
Nada que você comer deve fazer mal
Quando a gente tá contente
Nem pensar que está contente
Nem pensar que está contente a gente quer
Nem pensar a gente quer, a gente quer
A gente quer, a gente quer é viver

[Feliz 2009 pra todo mundo!]

domingo, 28 de dezembro de 2008

Noronha? Não, Floripa mesmo

Faz bem mais de dez anos que estive pela primeira vez na Lagoinha do Leste. Mas dar de cara com esse visual depois de duas horas de caminhada difícil sempre dá um nozinho na garganta. É ou não é um sonho?

[Conheço cinco das dez praias classificadas como as melhores do Brasil pelo Guia de Praias 2009. Acho que sou uma privilegiada. E coloquei como meta conhecer pelo menos mais uma da lista até o final de 2009.]

sábado, 27 de dezembro de 2008

Destruída, mas feliz

Feriadão de Natal passado em família tem tido programação intensa, pecadinhos gastronômicos, biritas de crasse, horários desregulados, praião e muita gargalhada. Só tenho ligado o computador para botar as caixas de som a balançar. E hoje especificamente passei 12 horas na rua, numa caminhada pancadona até a Lagoinha do Leste - ida pelo Matadeiro, volta pelo Pântano do Sul, com direito a almojanta no Arante. Arrebentei meu joelho - escrevo este post com um saquinho de gelo em cima do pobrezinho tão maltratado. Mas sobrevivi. E dá licença que vou ligar o som.

[aguardem as fotos]

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pensando bem

O problema não é errar. O erro em si. O problema é errar e persistir no erro. Quem tem grandeza e caráter também erra, mas tem humildade para admitir o erro e repará-lo. Pois eu soube que a pessoa que me aborreceu na sexta-feira também ficou muito triste depois do episódio infeliz. Hoje nos encontramos rapidamente na saída do trabalho e trocamos votos de feliz Natal. Acho que vamos poder voltar a sorrir um pro outro. A vida, afinal, é bela.

Que alívio

Peço licença à Andréa, super autoridade no assunto, para recomendar um produtinho que conquistou seu espaço na minha nécessaire de verão. Como não tinha em casa nenhum creme específico para usar depois da exposição ao sol, recorri a esse creminho de lavanda e camomila, da linha Softlotion da Johnson&Johnson, para manter hidratadas as minhas áreas-rosbife depois do torrão de sábado. Pois olha que melhorei bastante e não vou descascar. Mil vantagens: é cheiroso, baratinho, fácil de achar em qualquer supermercado e tem uma textura ótima. Adorei.

Amy às avessas

Tentaram mandar Amy Winehouse para a reabilitação e todo mundo sabe o que ela respondeu - e um dos resultados disso foi o incensadíssimo e premiado hit "Rehab", no não menos incensado e premiado álbum "Back to Black".

Pois comigo foi o contrário: minha psicoterapeuta quis me dar alta. I said no, no, no. E marquei a próxima sessão para a primeira semana de janeiro.

[Aliás, acho que dizer no, no, no foi um dos grandes aprendizados de 2008.]

domingo, 21 de dezembro de 2008

Lindos

Ou eu saía pra pegar o celular e tentava voltar a tempo de registrar a linda cena numa daquelas fotinhos ruinzinhas de 1.2 megapixel, ou ficava olhando e registrava a imagem só nas minhas retinas. Optei pela alternativa 2. Lola, Sebastiana e Fidel ficaram uns 3 minutos bebendo água juntos no pote amarelo. Quem tem cachorro em casa sabe que isso é raro. E lindo.

"O verão é a verdade do sol"

Achei o tal texto sobre o qual falo no post abaixo: é do Rubem Braga. Viva o gúgol, o oráculo dos nossos tempos.


Chegou o verão, e há o que sempre houve: casais que estremecem, confusões conjugais e extra, ansiedade esparsa, caju e abacaxi, viagens bruscas, suaves delírios, telefonemas esquisitos, noitadas vãs. Tudo isso é o verão, e o verão é a verdade do sol. Queimam-se as mulheres. Umas se fazem cor de cobre, outras se doiram, em outras repontam discretamente sardas ao longo do corpo, como estrelas ao crepúsculo. Reparem bem esta comparação: é obviamente ruim mas é tipicamente de verão, e o verão em si não é mau, nem bom. É a nossa profunda, verdadeira verdade.

Viva o verão

Fatos marcantes aconteceram na minha vida ao longo deste ano nas épocas de mudança de estação. Pois o verão acaba de chegar, e é muito bem-vindo. Lembro de um texto que li há muito tempo que dizia que o verão não é mau, nem bom, e sim a nossa mais verdadeira verdade. E hoje cedo enquanto passava hidratante nas minhas áreas-rosbife e lamentava não poder ir à praia, pensei em duas listas especiais sobre o verão.

Coisas que eu adoro nessa estação:

1) Ir à praia, é óbvio;
2) sandalinhas baixinhas e vestidinhos soltos;
3) os corpos mais visíveis;
3) dias longos e noites quentes;
5) a sensação de estar em férias mesmo não estando.

E as coisas que eu não gosto:

1) Congestionamentos no trânsito, na fila do pão, na escada rolante do xópin, no banheiro do bar, nos restaurantes (gente demais por tudo, em suma);
2) garçons se jogando na frente dos carros com o cardápio dos restaurantes, na avenida das Rendeiras (e a moda já pegou aqui no Norte da Ilha);
3) gente tosca que deixa lixo na praia (muita cara de pau);
4) turista que acha que só porque é turista pode tudo, como sair gritando pelado de madrugada, ouvir axé ou música gauchesca no último volume com o porta-malas do carro aberto ou fazer churrasco de fogo de chão no terreno em frente à minha casa (essa última cena surreal aconteceu no verão passado);
5) não estar em férias, mesmo tendo a sensação de que estou (snif).

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sabedoria baiana

Meu querido tio Beto sempre me diz que banho de mar e água de coco curam qualquer coisa. E se ontem fiquei de mau humor por causa de uma palhaçada que fizeram comigo, devo dizer depois desse praião, desse marzão, de umas gargalhadas e de dois copos de água de coco: tou nova. A vida é bela.

[Apesar de eu estar parecendo um rosbife.]

Um post sem foto

Recomendação do tatuador: não pegar sol na tatuagem por um período de 20 a 30 dias após o procedimento. Hoje ela fez quatro semanas no meu ombro, e lá fui eu estreá-la à beira do mar de Jurerê. Nela, bloqueador 50. No corpo branquelo, sem nem vestígio da marca de biquíni do ano passado, filtro 15. Resultado, depois de quatro horas estatelada e fofocando na areia: pareço um rosbife. Mais uma vez recebi o atestado de colonice: pés rosa. Respeitável público, este post vai sem foto, ok? hahahah

Lições:

1) devia ter passado bloqueador 50 no corpo todo;
2) devia ter ido para a praia mais cedo e não ao meio-dia; ou
3) devia ter ido para a praia depois das 16h, e não ao meio-dia;
4) devia ter reaplicado o filtro solar mais vezes;
5) devia ter ficado embaixo do guarda-sol.

E viva o hidratante... ai ai ai. Mas fora as seqüelas leves, foi um excelente primeiro dia de praia da temporada. Que venham os outros. =D

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Palavrinha do dia: grandeza

Tem aquele ditado que diz algo tipo "quanto mais eu conheço as pessoas, mais eu gosto dos gatos". Permitam-me sutis adaptações: posso até não chegar a conhecer realmente uma pessoa até cair na real, mas quando caio na real isso me faz consolidar minha admiração por aquelas que realmente conheço. E, é claro, minha admiração e amor incondicional pelos meus cachorros. Minhas pessoas e meus cachorros jamais me darão sapatadas.
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puxa pelo nariz
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solta pela boca
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Pronto, passou. Bora dormir cedo pra ir pra praia amanhã.

[Tati, beijo!]

Aquelas coisas inexplicáveis que fazem todo sentido

Caco Barcellos esteve em Florianópolis lançando o livro-reportagem "Abusado" uns dias antes do meu aniversário, em setembro de 2003. Frank aproveitou bem o ensejo e me presenteou com um exemplar autografado do livro, no qual o mestre Caco escreveu algo como "Para Ana Paula, muito obrigado por apreciar o meu trabalho. Um abraço, Caco Barcellos". Mas nem precisava ser autografado para eu pirar tanto no livro, onde ele conta a história do traficante carioca Marcinho VP e com isso me ensinou muita coisa sobre uma realidade cheia de complexidades do país onde vivo. Devorei o calhamaço de quase 600 páginas em algumas viagens de ônibus entre casa e trabalho. E aquele mesmo exemplar foi lido por mais umas dez pessoas - da família, amigos e colegas do trabalho.

Eu tenho o hábito de passar pra frente livros que já me serviram e que podem ser úteis para outras pessoas. Mas alguns eu guardo embrulhados em papel dourado, e o do Caco era um desses. Só que um dia fui à minha estante procurá-lo, e... cadê? Sumiu. Imaginei que devia estar emprestado. Disparei telefonemas, e-mails e scraps de Orkut para todas as pessoas para quem possivelmente ou impossivelmente eu poderia tê-lo emprestado. Não tive o retorno que esperava. E foi assim que meu exemplar autografado do livro do Caco Barcellos misteriosamente sumiu, levado daqui da minha estante por mãos de alguém que não faço a mínima idéia de quem seja. Isso já faz uns três anos, no mínimo.

Enviuvei do livro. Estive com exemplares novos nas mãos em várias livrarias, mas nunca tive coragem de comprar. Já cheguei a anunciar, perto de datas festivas, que queria um novo de presente, mas nunca ninguém teve coragem de me dar. Cansei de espichar o olho para as novas edições expostas nas livrarias, mas nunca levei nenhuma pra casa. Era como se eu estivesse procurando um substituto para um bicho de estimação que morreu - considerando que os bichos de estimação são sempre insubstituíveis.

O mundo deu suas voltas, muitas voltas aceleradas inclusive, e eu entrei para o amigo secreto organizado pela Cris-Fiona entre 12 blogueiras de vários lugares do país, com a mediação do bem-sacado http://www.amigosecreto.com.br/. A querida Fi, com quem eu vinha trocando contatos pelos nossos blogs e pelo bazar dela, conseguiu reunir um grupo muito bacana. No site cada uma preenchia seu perfil e indicava uma lista de presentes que gostaria de ganhar. Eu fiz uma lista grandinha, versátil e com uma boa dose de cara de pau: pedi perfume de 300 reais, secador de cabelo com emissor de íons, cadeira de praia e uma chaleira vermelha. Pedi também alguns cds, alguns dvds e alguns livros... entre eles o do Caco. Mas não tornei pública a minha história triste com o livro perdido.

No fim das contas a minha amiga secreta era a própria Fiona - o que adorei, já que isso veio reforçar uma amizade que a distância está sendo construída de um jeito muito bacana. Fui ao correio buscar minha caixinha e quando senti o peso do pacote deu um frio na barriga. Pensei de cara "não acredito, a Fi me mandou o 'Abusado'." Entrei no carro e travei uma batalha com aqueles durex indescoláveis com que o pessoal dos correios veda as encomendas Sedex. Depois de esfaquear a caixa com a chave do carro, me deparei com uma caixinha de chocolates chamados "Gotas de Felicidade"; por cima, embrulhado em papel de seda branco, o dvd da Amy Winehouse gravado em Londres (uhú!); e por baixo, o lastro da caixa... ele. Um exemplar reluzente da 19a edição de "Abusado". No meio de tudo, uma cartinha manuscrita da Fiona, transbordante de bom humor, delicadeza e carinho.

Ela pensou em me mandar a felicidade em gotas, mas na verdade mandou felicidade em baldes. O autógrafo material do Caco não sei onde foi parar, mas ficou guardado no meu coração. E o meu exemplar novo vai ser novamente devorado, mas dessa vez não a caminho do trabalho. Meus planos para ele envolvem biquíni, cadeira de praia e guarda-sol. Adorei essas últimas voltas que o mundo deu.

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[Felicidade em baldes pra cá, felicidade em baldes pra lá: a minha amiga secreta era a Bárbara, que pediu um dos livros recém-lançados da Stephenie Meyer. Mandei-lhe logo os dois, com mais um par de ingressos para a pré-estréia, hoje, do filme "Crepúsculo", baseado em um dos livros. Todo dia a caminho do trabalho eu passo por uns três outdoors do filme e fico imaginando que lá em São Paulo a Bárbara também está feliz com o presente que eu mandei.]

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Um beijo pra Fiona



Balada diurna em Jurerê, com tempinho nubla-faz-sol-nubla-de-novo, sempre com muito vento. Cenário perfeito pra gente inaugurar os vestidos do Bazar da Fiona! Tati no modelo rosa outonal com folhinhas caindo e eu no rodadíssimo e confortabilíssimo e fofíssimo roxo com verde. Super dia. Fiona, ontem nós fomos assim. E a mulherada que estava conosco na festa vai invadir teu bazar...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Palavrinha do dia: preguiça

Acho que é por isso que esse bichinho é chamado de "preguiça": não propriamente por se mover devagar, mas por ter essa carinha fofa e sorridente. Porque eu acho que a preguiça sorri. Para mim, hoje, pelo menos, tá sorrindo demaaaaaaais...

Sempre que eu comento sobre essa dificuldade eventual de acordar de manhã - o que inevitavelmente dá uma certa culpinha - minha mãe fala que nessa época do ano está mesmo todo mundo cansado, e que meu problema é esse: cansaço, e não preguiça. Hoje ela não está aqui, mas certamente faria esse comentário. Até acho que ela não está errada - afinal, foi um ano intenso. E hoje enquanto tentava acordar e o colchão me puxava de volta comecei a fazer um balanço do ano pensando no que publicaria aqui no blog. Vou deixar a empreitada pra depois, não porque tenha muita coisa, mas porque hoje as mãos estão pesaaaaaaaaadas...
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[Bom, vou passar um café para o dia começar. E bom dia para todo mundo! =D]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

...até descarregar o tambor

Acabo de ouvir Lenine e banda cantando a ótima "O Atirador", em transmissão ao vivo pelo celular do André, que está no show em Curitiba, no Teatro Guaíra. No ano passado, na turnê do álbum acústico, André e eu assistimos juntos ao show desse pernambucano que eu amo aqui no Floripa Music Hall, de camarote - num golpe de sorte do destino. Algumas coisas mudaram nas nossas vidas entre o ano passado e hoje, mas tanto eu quanto o André continuamos curtindo muito o cara. Tanto que hoje ele está lá, a duas quadras do novo endereço na nova cidade, assistindo ao novo show, e eu agora única humana aqui no mesmo endereço, mas igualmente cheia de novidades em comparação com um ano atrás. Estamos os dois mais felizes e o Lenine continua embalando nossas trilhas sonoras. Como infelizmente não poderei ir ao show de amanhã aqui em Floripa, posto a foto que tiramos no ano passado, gentilmente presenteada pelo querido Cris Prim, colega dos tempos da faculdade na UFSC.

[Nem sei se precisa legenda, mas o cara com camisa do Glenn Hughes é o André, meu irmão caçula, o do meio é o Lenine e a da direita com a lata em posição sou euzinha.]

Antídotos contra o tédio de congestionamento

1) Transporte solidário/carona para a amiga: garante boas risadas enquanto assuntamos e lemos o horóscopo da Marie Claire com as previsões para 2009, entre outros temas relevantes dessa prestigiosa publicação de origem francesa;

2) música: tem que ser animada e boa de cantar alto. Hoje foi Funk Como le Gusta. Mas não pode ter vergonha dos carros vizinhos e tem que cantaaaaaaar mesmo;

3) telefone celular: tá, é infração falar enquanto dirige, mas como a fila fica parada praticamente o tempo todo dá pra ligar pra mãe, pra amiga, marcar horário no salão ou avisar o chefe que vai atrasar por causa do trânsito;

4) observar o comportamento das pessoas: nessa minha recente experiência de filas e filas, tou juntando uma série de cases que talvez virem posts;

5) nutrientes: sempre é bom ter uma garrafinha de água e comidinhas como bombons Raffaello ou barrinhas Nutry de coco com chocolate. Distraindo as mandíbulas o tempo passa mais rápido.

Mas justiça seja feita: hoje gastei duas horas só na ida. Na volta, pista liberada. Antes da chuva, é claro.

E amanhã? Wish me luck.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tudo continua a lesma lerda

George é um tartarugo ancião - tem cerca de 85 anos - que ao que tudo indica é o último de sua espécie. Ele vive sua vida solitária em Galápagos, o arquipélago do Pacífico onde Charles Darwin colheu as bases para sua Teoria da Evolução. Consta também que o tartarugo George move-se à estonteante velocidade de 30 metros por hora.

Pois eu senti uma incrível empatia com George, hoje, voltando do Centro para minha casa no Norte da Ilha - em cujo caminho tinha uma pedra. É, tinha uma pedra. Tiraram a tal da pedra e todos os seus caquinhos. Anunciaram que iam liberar a rodovia, parcialmente, monitorando o trânsito para evitar congestionamentos. Eu acreditei. Parei na ponta da fila às 20h55. Saí lá do outro lado às 22h25.

George, pelo menos, mora em Galápagos. Eu continuo morando em Frogville. Haja saco.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Minha irmã desgarrada

No meio do tumulto que foi minha volta pra casa no final de semana do dia 22, quando eu estava em Curitiba, deu enchente, a BR-101 ficou toda quebrada, não passava nada, etc, etc, etc, e eu consegui comprar uma passagem de avião na madruga, olha só com quem eu dei de cara na livraria Laselva do aeroporto de Curitiba: Janine, minha irmã desgarrada, que voltava de Belrizonte e estava em conexão. Foi ótimo porque o vôo atrasou e nós botamos a vida em dia entre alguns cappuccinos enormes e os cigarrinhos dela. Janie, nem te mandei a foto ainda, mas vai ela postada aqui junto com um beijo. E a patinha, tá melhor? hahaha

Hecatombes fashion

Fui ao shopping Iguatemi comprar um presentinho de amigo secreto e acabei almoçando por lá. A praça de alimentação estava bem cheia. Enquanto eu esperava pacientemente que chamassem a senha que me conduziria à minha picanha premium com brócolis e arroz à grega, fiquei dando uma sacada no estilo das pessoas. Especificamente no caso das mulheres, observei que a moda - pelo menos a moda das vitrines e confecções possíveis - impõe algumas aberrações estéticas. Que, no entanto, são usadas como se fossem bonitas. Alguns casos:

1) Calça fusô com vestido por cima: socorro. Mil vezes socorro. Esse modelo não fica bem em ninguém, nem em quem tem pernas estilo Ana Hickmann. Eu acho que as mulheres deviam fazer uma convenção e combinar para sempre que as calças desse tipo devem ficar restritas às academias e/ou outros ambientes onde se pratica atividade física. E sempre com tênis e complementos esportivos. Vestidinho com fusô e sapatilha deve ser confortável, mas é feio. Fusô de cor clara em perna grossa, então, é o fim da linha;

2) blusa curtinha e justinha em cinturinhas de ovo: óbvio que eu sou contra a ditadura da magreza. Mas uma blusa mais soltinha fica muito melhor em quem está com gordurinhas sobrando na barriga. E as batinhas estão na moda, poxa vida;

3) estampa de oncinha: não dá. Definitivamente não dá. Em qualquer peça, em qualquer cor e tamanho. Não rola;

4) tamanco lindo com salto de madeira e, sobre ele, uma juca que anda de joelho dobrado: amiga, você quer arrasar em cima do salto? Então treine em casa. Ou leve uma rasteirinha na bolsa pra quando cansar - porque sapato de salto sempre cansa. Mas andar de joelho dobrado nããããão dá;

5) tudo combinandinho demais: passou uma moça muito "bem apessoada" que, no entanto, de tão combinandinha, era o maior hecatombe de todos. Ela estava com um vestido azul-marinho, sapato de saltinho vermelho de verniz, cinto vermelho de verniz precisamente da cor do sapato, bolsa vermelha de verniz precisamente da cor do sapato e do cinto, e... óculos vermelhos idem! E unhas pintadas num tom que devia ser Gabrielle da Colorama - ou seja, vermelhíssimas. A alça da bolsa era... dourada!!! Azul com vermelho é ok, mas tudo tem limite, né?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um domingo de sol como há muito não fazia



Consegui ontem passar para o lado de cá da pedra. Não foi fácil. Mas estava com saudade de casa, da mãe e dos filhotes, então encarei as duas horinhas paradas no trânsito com uma paciência que geralmente não tenho. Hoje o dia ensolarado me inspirou a botar a cachorrada no chuveiro. Estão os três limpinhos e cheirosos, aproveitando o sol no gramado. Aproveitei para fazer umas fotos novas deles. Lá em cima, Fidel e Lola emparelhados, à espreita de alguma coisa na frente de casa. Embaixo, um sorriso da Sebastiana pra vocês, à sombra do pé de jaca.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Otto


Privilegiada que sou, estou desde domingo à noite no apartamento de minha mãe, na Carvoeira, para me poupar dos congestionamentos monstruosos provocados pela queda da barreira na SC-401. Na verdade fizemos uma troca: ela foi pra casa onde moro no Norte da Ilha e eu fiquei no apê. Isso incluiu também uma troca de cachorros: ela está com meus amados Lô, Fi e Bá. E eu estou com o Otto. The runner. Meu irmão caçula.

Ficar em casa com o Otto implica algumas responsabilidades, como descer com ele pela manhã para um passeio mais longo pelas imediações da UFSC e mais duas ou três vezes por dia até a frente do prédio. Essa função, que executo com prazer, me fez lembrar que foi o Otto o grande responsável por consolidar a minha vocação cachorreira. Ele ainda era um tisco quando chegou aqui em casa, dado de presente à minha mãe, há nove anos. Cresceu, chegou nos 15 quilos (bastante para um dachshund) e, na opinião do Dr. David, veterinário dele, deve chegar tranqüilamente até os 14 ou 16 anos de idade. Eu acredito no prognóstico: com suas caminhadas diárias, ele é o sujeito mais sarado da minha família - o que inclusive o ajuda a contornar o problema de coluna, típico de cachorrinhos dessa raça.

Otto é um gentledog. O modus operandi do passeio é determinado por ele, que indica os momentos adequados para botar ou tirar a guia, pára nos cruzamentos esperando que eu diga "vamos" para atravessar a rua e só admite fazer *número 2* em locais escondidinhos e gramados - nunca, jamais, em calçadas.

E é ele o verdadeiro dono da casa: tem carta branca para subir na cama da minha mãe e em todos os sofás - devidamente cobertos com forros que são lavados semanalmente; tem brinquedos, suas inseparáveis bolinhas na maioria, espalhados por todos os cômodos (com exceção do quarto do André, onde ele raramente entra); sua cama king size tem lugar fixo na sala de TV.

Teimoso e inteligente, sabe com quem pode folgar e até onde pode folgar. E contribui para a estatística que indica que os dachshunds são os cães com maior índice de mordedura do próprio dono - coisa que ele fez uma ou duas vezes com minha mãe, em momentos de extremo stress e mau humor. Mas tenho certeza de que mesmo tendo feito isso, minha mãe é a pessoa que ele mais ama no mundo. Mesmo com meu empenho em manter a rotina dele o mais parecida possível com o normal, é muito perceptível que ele sente falta dela. Hoje quando chegamos do passeio, cumpri o ritual de botar comida e colocar água fresca no pote; ele ficou me olhando com uma cara meio desconsolada e não comeu. Combinamos então que hoje à noite ou amanhã bem cedo nós vamos para a praia e ele vai reencontrar a mamãe. Acho que ele entendeu, porque enquanto escrevo este post ele está aqui do lado, dormindo estatelado e tranqüilo no melhor sofá da casa.

É o que eu sempre digo: na minha família, a expressão "vida de cão" tem um significado totalmente diferente.
---
[A foto foi feita pelo André, que não necessariamente perdeu o posto de filho caçula quando o Otto chegou: minha mãe consegue a proeza de ter dois filhos caçulas. Tanto que muitas vezes ela troca os nomes de um e de outro. O André até que não se importa com isso, mas eu percebo que o Otto fica extremamente ofendido.]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mais um poema de Drummond


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

[Para quem, como eu, mora no Norte da Ilha.]

[Foto de Daniel Conzi no Diário Catarinense de ontem.]

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Wordless

Nossa, desde sábado sem postar. É que sou assim mesmo: tem alguns períodos em que fico sem palavras. Mas, em compensação, o que penso... affe

sábado, 29 de novembro de 2008

Achei

Finalmente encontrei o livro "Um teto todo seu", da Virginia Woolf, que andava procurando já fazia um tempo. O título está esgotado na editora e hoje consegui uma edição de 1985 num sebo de Porto Alegre, através do maravilhoso site Estante Virtual. Tomara que chegue lo-gooooo!!!

"Cegos da razão": Saramago em entrevista à Folha


Saramago evoca tragédia das chuvas: "Onde está Deus em Santa Catarina?"
Fernanda Brambilla
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Sabatinado pelo jornal "Folha de S. Paulo" nesta sexta-feira, o escritor português José Saramago evocou a
tragédia causada pelas chuvas em Santa Catarina nos últimos dias, que deixaram 100 mortos.

Questionado se sua concepção de Deus tinha mudado após um período em que esteve enfermo, Saramago foi direto: "Onde está Deus em Santa Catarina?", perguntou o escritor, único português a ter sido coroado com o prêmio Nobel de literatura. "Nós nunca vimos Deus. É uma criação da Igreja. Nós acreditamos em Deus quando nos é conveniente."

De acordo com o escritor, a humanidade é causadora das tragédias que a afligem. "Tenho a consciência de que o mundo está errado. E não são apenas as guerras, porque as guerras são a mando de alguns, mas matamos por gosto, por prazer. Se nos perguntarmos quantos delinqüentes existem no mundo - seria um número fabuloso. A verdade é que estamos cegos da razão", disse, e desculpou-se pelo que chamou de "catastrofismo". "A história da humanidade é um caos contínuo."Saramago também não poupou críticas à Bíblia. "A Bíblia é um desastre. Demorou 2.000 anos para ser escrita e isso foi feito por homens", provocou o escritor. "A Bíblia só tem maus conselhos - assassinatos, incestos..."

Em tom de brincadeira, foi além. "Foi a Igreja que inventou Deus. Deus, o Diabo, e até o purgatório, que hoje em dia está um pouco desqualificado", disse.

Saramago se definiu como um "comunista hormonal". "Uma vez me perguntaram se mesmo depois do fim da União Soviética, da queda do Muro de Berlim, eu continuava comunista. Mas as teorias de Marx explicam a destruição de hoje. Na hora eu pensei em responder: 'E depois da Inquisição, você consegue continuar católico?'", questionou, sob aplausos da platéia.

"Da mesma forma em que tenho ar para respirar, tenho um hormônio que me obriga a ser comunista. Pode chamar de fatalidade biológica."
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A matéria no site da Folha está aqui. Quem me passou a dica de leitura foi o Frank. E o crédito da foto é Tuca Vieira/Folha Imagem.

Mantra

O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.
O transtorno para mim é pequeno demais.

etc.

[Depois de passar três horas enrolando no Centro antes de ir pra casa e mesmo assim levar quase duas horas pra chegar por causa da queda da barreira na SC-401.]

Puxa pelo nariz.
Solta pela boca.

Pronto, passou. Vou dormir. [Tenho cama.]

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Solidariedade também com os bichos

Várias entidades protetoras dos animais estão mobilizadas para socorrer e alimentar os animais domésticos também vitimados pela enchente. Vale colaborar com dinheiro, ração ou medicamentos. Todas as informações estão no blog da Ana Corina, uma das minhas ídolas da blogosfera.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Campanha


A campanha é aberta a toda a comunidade.
[Clique na imagem para ampliar.]

Tristeza e alegria

Saramago é um visionário: a alegria e a tristeza podem andar unidas, não são como a água e o azeite.

[Do "Ensaio sobre a Cegueira"]

Somos privilegiados

Na prática, na prática, os transtornos provocados na minha vida por essa catástrofe toda são pequenos demais. Estava viajando e voltei pra casa de avião; minha família ficou bem; os amigos e conhecidos que moram nas cidades mais atingidas estão em segurança e não perderam nada; minha casa não teve nem goteira. A única coisa que pode ser considerada um transtorninho é a dificuldade de ir e vir com a queda da barreira na SC-401 - na prática, isso representa cerca de uma hora a mais gasta no percurso de ida e de volta para o Centro: posso ir pelo desvio de Cacupé ou, quando nessa via está congestionada, optar pelo Rio Vermelho, que é um caminho longo mas sempre flui.

Todos os amigos com quem converso têm uma sensação semelhante à que tenho: somos privilegiados. Moramos em casas seguras e nos deslocamos de carro; numa eventual roubada, podemos recorrer ao cartão de crédito (para comprar uma passagem de avião parcelada, como foi o meu caso, por exemplo). Na prática, pouco de nossa vida se altera em função da catástrofe. Podemos ficar felizes com isso.

Mas é muito, muito triste acompanhar o noticiário, ver as imagens daquelas pessoas que perderam tudo, gente amontoada em canoas deixando suas casas com o que conseguem carregar, com crianças, com animais de estimação. Gente chorando a morte de filhos e irmãos soterrados pela lama. Fiquei destruída com uma senhora que falou para o repórter "minha casa era uma morada boa, senhor, tinha até portão eletrônico", em frente aos destroços da casa que ela deve ter construído com sacrifício e, possivelmente, financiamento. A nós, privilegiados, nos resta colaborar dividindo o que é possível com essas pessoas - o que será sempre muito pouco. E esperar que os recursos de doações em dinheiro e das verbas liberadas pelo governo cheguem às pessoas certas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A inveja é uma merda

É engraçado. Enquanto eu digo e reafirmo que o processo de tattoo no ombro esquerdo re-al-meeeeeeente não doeu, eis que o direito, esse invejoso, resolveu ter mais uma tendinite. Ele, sim, tá doendo pra caramba. Acho que de tanto eu virar o pescoço para o esquerdo, de tanto as pessoas olharem para o esquerdo e de tanto eu cuidar do esquerdo com pomadinha, sabonete de glicerina e curativo, o direito resolveu dizer "ei, eu também quero. E eu sou mais importante porque tu és destra. Logo, se eu inflamar, não vais conseguir fazer nada direito - e nem cuidar do meu irmão-colorido-esquerdo".

Vingativo, esse meu ombro direito. Então estou de novo de castigo - atestado médico, recomendação de repouso (longe do computador ai ai ai), gelo (que eu deteeeesto) e antiinflamatório pancadão. Mas um dia, ah, um dia eu volto pra academia, dou o devido reforço na musculatura e esse assunto vai rarear aqui no meu bloguinho. Vou ter uma conversa com meu ombro direito e explicar pra ele que, mesmo sendo o outro mais bonito, eu amo os dois por igual. E quem sabe não me empolgo e logo enfeito ele também com alguma representação do fundo do mar que inclua uma tartaruga e um cavalo-marinho amarelo. =)

Por enquanto... hasta la vista, baby. Amanhã eu volto.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vejo flores em você


Sakuras e arabescos. Adorei. E nem doeu.

Viva - e estampada

Enquanto meu estado natal que eu tanto amo vivia essa loucura toda eu estava na capital do estado vizinho, a 1.800 metros de altitude, com clima quente, sol e em segurança. Fiz minha tattoo maravilhosa numa sessão de quatro horas e meia, sábado à tarde, ao som de Rolling Stones, Raul Seixas, Manu Chao e outros sons malucos que o Marcelo Marzari colocou para embalar o trabalho-com-bate-papo. Precisei voltar pra Floripa de avião e foi uma decisão acertadíssima, dadas as condições da BR-101. Estou guardando no meu HD vários dropes sobre o fim de semana para postar aqui, mas no momento preciso liberar o cafofo pro André desempenhar sua função de correspondente de enchente para a Gazeta do Povo - ele veio pra Floripa no sábado à tarde e não conseguiu embarcar de volta pra Curitiba hoje de manhã. Logo, permanecerei sumida mais um pouquinho.

Beijos e abraços pra todos que me ligaram/escreveram para saber se eu e minha famiglia estávamos bem. Graças a deus, todos estamos.

Ah, sim, as fotos da tattoo também vão ter que ficar pra mais tarde. A paciência é uma virtude, minha gente hihihihi.

Fui.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E parodiando Cazuza

Em Frogville, só as rãs são felizes.

Viver em Frogville já tá chato demais da conta

Por isso vou fazer uma viagenzinha rápida hoje e volto no domingo. Sem notebook. Sumirei, portanto, por uns diazinhos, sem que isso signifique o risco de eu ter morrido afogada no meu quintal-brejo.

Mas voltarei. Estampada, espero. Wish me luck.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

All that you can't leave behind

[Inspirada pelo Maurício, mas adaptando a idéia à moda deste modesto bloguinho, cuja dona é uma virginiana e logo adora listas]

Filmes que eu escolheria caso fosse condenada a ficar um ano numa solitária, e só pudesse levar cinco DVDs:

1) O Filho da Noiva;
2) Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças;
3) E.T., o Extraterrestre;
4) Fale com Ela;
5) Chocolate.

[e avançando um pouco no devaneio]

Álbuns que eu escolheria caso fosse condenada a ficar um ano numa solitária, só pudesse levar cinco CDs e fosse proibida de levar o MP3 carregado:

1) All that you can't leave behind, U2;
2) qualquer um que eu pegasse aleatoriamente do Ben Harper;
3) qualquer um que eu pegasse aleatoriamente do Lenine;
4) Audioslave, o primeiro deles;
5) Buena Vista Social Club (aquele feito a partir do filme).

[e indo além]

Livros que eu etc etc etc

1) Ulisses (James Joyce);
2) Abusado (Caco Barcellos);
3) Ofício de Cartógrafo (Jesús Martín-Barbero);
4) qualquer uma das coletâneas de tirinhas do Níquel Náusea (Fernando Gonzales);
5) A Sangue Frio (Truman Capote).

[pirando na onda já]

Marcas de cerveja que eu poderia escolher para manter no freezer da minha solitária caso fosse condenada a ficar lá assistindo os mesmos cinco filmes, ouvindo os mesmos cinco CDs e lendo os mesmos cinco livros durante um ano:

1) Heineken;
2) Guinness;
3) Erdinger Pikantus;
4) Eisenbahn Strong Golden Ale;
5) Stella Artois.

[Maurício, quero tuas respostas]

Pobres moças

Tenho sentido pena das moças que fazem a previsão do tempo nos telejornais. Como produzir um texto diferente se a notícia é sempre a mesma? Acho que o nome do quadro deveria mudar para "constatação do tempo".

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

I just don't know what to do with myself

A banda é meio freak, mas eu curto esse som.

Like a summer rose needs the sun and rain
I need your sweet love to beat love away


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Que venga el verano

No verão de 2006 escrevi minha qualificação pro mestrado.

No verão de 2007 escrevi a dissertação inteirinha.

No verão de 2008 comecei a minha parte de um livro-reportagem (que só ficou pronto em junho, trampo pacas).

E se o frila que fui negociar hoje de manhã der certo, vai ser mais um verão com manhãs passadas dentro do escritório, com persianas baixas e ar-condicionado ligado.

De qualquer forma, vou comprar uns dois biquínis novos. Porque deus é pai, porque o mar fica ali a 500 metros e porque ainda haverá sábados e domingos felizes. Muito mais do que nos verões passados, aliás.

domingo, 16 de novembro de 2008

Aquelas coisas que não têm preço

Adoro peixe. Frito, ensopado, em isca, em posta, na moqueca, assado. De todos, o que mais me emociona é o salmão. De preferência, cru. Com shoyu e cebolinha verde, é de fechar o comércio. Mas preparar salmão cru é coisa pra profissionais.

Amadora que sou, peguei o filezão maravilhoso que comprei sábado de manhã na melhor peixaria da cidade (que fica no caminho da minha casa). Éramos só eu e mãe pra almoçar, então fracionei o bichinho em duas partes: congelei a mais grossa e resolvi preparar a parte mais fina no forno. Não requer prática, tampouco habilidade (como diz um amigo meu): deitei o filé com a pele para baixo numa travessa, salpiquei sal marinho (esfregando bem, já que não ia dar tempo de deixar marinando), polvilhei um pouco de pimenta-do-reino moída na hora e lavei com suco de limão. Daí acrescentei um bocadinho de alecrim, outro bocadinho de sálvia (ambos desidratados) e uma pitada de sementinhas de endro (que eu adoro).

Enquanto isso, mãe descascou algumas batatas e fez a salada do jeito que aprendemos com a Soninha: misturando as batatas cozidas com três ovos (também cozidos) picados grosseiramente, salsa fresquinha (viva a horta) e azeite de oliva. Pra colorir ainda mais a mesa, desbravamos as possibilidades da minha geladeira de solteira e chegamos a uma salada de rúcula, alface, manga e kani kama.

Não sei quanto tempo o salmão ficou no forno, já que naquele início de tarde em que mãe e filha cozinhavam juntas ninguém olhou para o relógio. Fomos apenas preparando as coisas como numa engrenagem, enquanto eu faço isso tu cuidas daquilo, dá licença, Fidelzinho (os cachorros sempre espalhados na cozinha enquanto o almoço fica pronto), e o tempo foi passando e a comida foi ganhando forma. Tudo preparado tendo apenas a intuição como guia e o bate-papo descompromissado como trilha sonora. Num restaurante qualquer, esse cardápio para duas pessoas não teria saído por menos de R$ 100. Do jeito que aconteceu, realmente entra pra lista de coisas da vida que não têm preço.

Vale dizer: estava tudo uma delícia.

sábado, 15 de novembro de 2008

Palavrinha do dia: escolhas

O que eu tenho e vivo hoje é resultado das escolhas que eu fiz. E isso vale para todo mundo. Ou seja, o que cada um tem e vive é resultado das escolhas que fez. Simples assim. Perceber isso me deixou mais leve. A vida é bela.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Blue skies smiling at me (II)

A cor do céu ainda é como eu lembrava. Impressionante como revê-lo me deixou estranhamente otimista. Jardineiro agendado para domingo, meu quintal vai voltar a ficar bonito. Minha mãe vem para o final de semana e estamos combinando ajeitar algumas coisas em casa, para esperar as festas de fim de ano. Quando saí para o trabalho, os cachorros estavam preguiçosamente estatelados no gramado. Lola, em especial, fica muito feliz em dias de sol. Eu também. Vesti uma blusa alaranjada em homenagem ao astro-rei e segui alegremente pela SC-401 fazendo planos. E confiante de que todas as energias ruins vão se dissipar, estão se dissipando. Feliz com tudo o que eu tenho - é tanta coisa! - e com tudo o que ainda vou ter. Nothing but blue skies from now on.

Mesmo que volte a chover.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Xô, coisa ruim

Não custa tentar. Resolvi seguir a dica da Rafa no comentário do post abaixo e fiz uma lista de algumas coisas negativas das quais quero me afastar. E fiz outra lista com as coisas boas que quero que se concretizem. Por enquanto isso fica no arquivo de posts impublicáveis, mas quem sabe daqui a um ano eu não faço um balanço do que rolou...

Mente aberta, coração tranqüilo. E força na peruca!

Rafa, beijo pra ti!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Palavrinha do dia: paciência

Aquela que, como Lenine me ajudou a entender, eu finjo ter. Não sei até quando.

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
a vida não pára.

Enquanto o tempo acelera e pede pressa,
eu me recuso, faço hora, vou na valsa,
a vida é tão rara.

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
e a loucura finge que isso tudo é normal
eu finjo ter paciência.

O mundo vai girando cada vez mais veloz,
a gente espera do mundo e o mundo espera de nós
um pouco mais de paciência.

Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber? A vida é tão rara, tão rara

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma,
até quando o corpo pede um pouco mais de alma,
eu sei: a vida não pára.

Eu finjo

Santo Agostinho costumava dizer que “a recompensa da paciência é a paciência”. De fato, aquele que persevera, que cultiva a paciência, tende a conseguir os objetivos que almeja. Entretanto, mais importante do que conseguir algo externo que se deseja, o melhor de tudo é que desenvolver a paciência tornará você uma pessoa muitíssimo mais virtuosa, Ana. O quinto hexagrama do I Ching surge lembrando que é preciso esperar um pouco. Você já inaugurou o movimento de conquista, já pôs as engrenagens em andamento, agora lhe resta esperar pacientemente que a planta brote. Justamente por isso, é importante que você não se permita levar por inseguranças infundadas, nem tampouco por uma tola ansiedade. Dê tempo ao tempo e tenha fé. As coisas acontecerão conforme você deseja, mas você precisará saber esperar e com o tempo perceberá que esta espera trouxe apenas prazer e felicidade. Muita paz de espírito advém de quando aprendemos a desenvolver as importantes virtudes da paciência. Siga em frente, com fé.

Ok, podem me dizer que é bobagem, que essas coisas de internet são um embuste, etc, etc, etc. Mas já faz muito tempo - muito tempo - que eu jogo o IChing no Personare e essa mensagem acima se repete. E se repete, e se repete, e se repete. E eu finjo que tenho paciência. Mas estou começando a perder. Puxa pelo nariz. Solta pela boca.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Sabedoria popular


Meu avô materno era pescador artesanal na Lagoa. Minha mãe sempre conta que ele dizia que quando chovia na lua nova de agosto, isso era o início de um período chuvoso de sete luas novas. [Vale dizer que eu não o conheci; eu estava de oito meses na barriga da minha mãe quando vô Waldemiro morreu. Por isso as histórias que eu sei dele sempre têm a mãe ou os tios como mediadores. Mas eu acho que adoraria aprender as coisas todas que ele sabia.]

Resolvi folhear as páginas da agenda pra trás em busca de alguma anotação que me ajudasse a lembrar se na lua nova de agosto estava chovendo ou não. Precisei fazer uma equação entre agenda de papel e e-mails (viva o gmail) para lembrar que... sim, estava chovendo no dia 1o. de agosto, primeiro dia de lua nova daquele mês. O que me deu certeza disso foi uma troca de e-mails feita com um amigo que estava no Nordeste por esses dias - ele tirando onda por causa do sol e do calor, e eu reclamando da chuvarada. Bingo.

Bem, então se choveu na lua nova de 1o. de agosto, reza a sabedoria popular que o tempo instável vai durar até... fevereiro. E viva a TV a cabo. E viva o pay-per-view.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

the warning voice

I've got you under my skin
I've got you deep in the heart of me
So deep in my heart you're really a part or me
I've got you under my skin

I try so not to give in
I say to myself this affair never gonna go so well
But why should I try to resist when baby I know so well
That I've got you under my skin

I'd sacrifice anything come what might
For the sake of holding you near
In spite of the warning voice
That comes in the night
It repeats and it shouts in my ear
Don't you know, blue eyes, you never can win
Use your mentallity, wake up to reality

And each time that I do just the thought of you
Makes me stop before I begin
Cause I've got you under my skin


Letra de Cole Porter eternizada por Frank Sinatra (e na gravação que eu tenho, com Bono Vox). Hoje lembrei de novo dessa música e ela voltou a habitar minha cabeça. Ela e the warning voice. Oh céus.

domingo, 9 de novembro de 2008

Saludos

Cumprimentos (de chegada ou de despedida) de que eu gosto:

1) Um abracinho (Clarah Averbuck);
2) buenas e me espalho! nos pequenos dou de prancha, nos grandes dou de talho (capitão Rodrigo na obra de Érico Veríssimo);
3) hasta la vista, baby (o Exterminador do Futuro);
4) sinto privá-los de minha doce companhia (eu, na redação do jornal);
5) you say goodbye, I say hello... hello, hello... I don't knot why you say goodbye - I say hello (os besouros)

sábado, 8 de novembro de 2008

Relendo Machado

Capítulo XXXII - Olhos de ressaca

(...) - Deixe ver os olhos, Capitu.

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada". Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora na contemplação creio que lhe deu outra idéia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade, do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve.

.

Bom, é esse o trecho de "Dom Casmurro" em que Bentinho define os olhos de Capitu como "olhos de ressaca", num sentido bem diferente da minha interpretação no post abaixo. Quem me alertou para o fato de que a ressaca do Machado de Assis não era a ressaca que eu estava pensando foi a Adri, que está estudando essa obra no mestrado. Então achei bom, até para o autor não se revirar na sepultura, publicar aqui essa observação: os olhos da Capitu são como uma ressaca do mar; já os meus, eu continuo achando que são meio como os do Garfield - algo do tipo "me passei um pouco ontem, acabei de acordar e continuo com sono". Sem ofensa a Machado e à Capitu.

Em tempo: com essa, peguei o embalo e resolvi reler Dom Casmurro. Adri, beijo pra ti. =)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Hangover eyes


Às vezes eu acho que tenho olhos de ressaca, como imagino que seriam os da Capitu (do Machado). Nessa foto que o André fez lá no apê dele, em Curitiba, acho que era o caso. Ao fundo, com a luz estourada, o Passeio Público. E na minha mão direita, a xícara de café acabando. Mas tinha mais na garrafa. Recém-passado. A vida é bela.

Mano

Ele fez um recital de formatura no último sábado. Não pude ir. Mas o André foi e fez a foto. Mano tá se formando em Belas Artes, já engatilhando o mestrado. E cheio de alunos, o que é o mais lindo de tudo.

Oh my god

No fundo da máquina de lavar roupas encontrei uma nota de R$ 20. A tirinha prateada saiu todinha. Será que perdi vintão?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Cansei

Eu voltei pra casa abaixo dessa chuvarada do final do dia/início da noite pensando em contar aqui que:

1) Quando estava indo embora do Cefet, minha sandália arrebentou quando eu estava a cinco passos do carro. Por sorte, o gentlemen Rafa, que estava carregando umas tranqueiras para mim, me socorreu com o guarda-chuvas e me ajudou a chegar pulando até o carro, abrir o porta-malas e pegar a sapatilha que providencialmente mantenho por lá para eventualidades como essa;

2) ofereci ao Rafa uma carona até o Terminal, mas acho que se tivesse ido a pé ele chegaria em menos tempo, porque o trânsito estava infernal (mas vale o papo, né?);

3) resolvi ir do Terminal para casa pela Mauro Ramos, que estava completamente parada. Troquei o cd do ACDC pelo do Ben Harper pra aliviar o clima. Na segunda música do CD, Tati me liga com o conselho do dia: cara, não vai pro Norte agora porque a SC tá uma meleca, alagada, cheia de gente parando, chovendo forte pra caramba (ela mora no Norte também e tinha acabado de passar pelo perrengue);

4) consegui então entrar na General Bittencourt e seguir pela Hercílio Luz e praça dos Bombeiros até o Beiramar Shopping, onde talvez para compensar algum stress eu resolvi jantar light: double cheeseburguer com batata frita e suco de laranja do Bob's (sendo que o suco de laranja tem nada de laranja, é pura água com açúcar). Culpa da chuva, pensei;

5) pra matar tempo, paguei adiantado uma prestaçãozinha e fui dar uma olhada nas lojas. Uma sandalinha meia-boca na promoção estava por R$ 149. Hã? Na promoção, moça? No, thanks. Tentei então encontrar a Melissa perfeita para meu vestido novo. As moças da loja derrubaram as prateleiras e nenhuma era a Melissa perfeita. Botei meu nome na lista de espera para quando chegasse o modelo na numeração e cor que eu quero. Por pouco a chuva não me obrigou a fazer mais um rombinho no cartão de crédito.

Eu vim pensando em contar isso tudo. Mas cansei, simplesmente cansei de reclamar da chuva. Acho que vou começar a fazer de conta que não chove mais. Simples assim.

Tudo tem explicação científica

Se eu ainda tivesse aulas de física, hoje é um dia em que eu argumentaria veementemente com o professor: em algumas manhãs - como quando a gente acorda com gripe (é o caso) ou ressaca - a gravidade equivale a bem mais do que 9,8m/s. Difícil desgrudar da cama em decorrência disso. Afe.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Se um dia parar de chover...

...providências urgentes a tomar:

1) Banho caprichado nos filhotes, com posterior aplicação de bisnaguinhas contra parasitas;
2) contato com o jardineiro para cortar a grama antes que o Ibama considere o meu quintal como área de mata atlântica em estado primário de regeneração;
3) botar o carro pra lavar e encerar (com cera em pasta);
4) passar graxa branca no portão;
5) fazer o pé pra poder andar de sandalinha com pé bonitinho.

E mais uma se o André vier no find:

6) um churrasco, porque a churrasqueira já tá ficando triste de tão vazia.

Dois livros


O incansável pessoal do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul lança nesta quarta-feira, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro "Jornalismo ambiental: desafios e reflexões", organizado pela professora Ilza Girardi e pelo colega Reges Schwarb. O material reúne os textos que foram apresentados no ano passado, no II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado lá mesmo em Porto. E como eu apresentei trabalho no evento, sou uma das autoras desse livro, com o texto que produzi a partir da minha dissertação de mestrado. Infelizmente não poderei participar do lançamento, marcado para as 18h30, mas quem estiver por lá pode dar uma passadinha. Mais informações aqui.

E por coincidência, na quarta-feira passada foi lançado outro livro do qual sou co-autora: "Besc: reestruturação de valor", uma reportagem produzida a partir de um projeto muito bacana do meu amigo e meio-chefe Jacques Mick, na qual contamos como esse banco estadual saiu do quadro de prejuízo e da lista de privatizações do governo FHC, tendo sido mantido público com a incorporação [em curso] pelo Banco do Brasil. Eu ainda não tinha feito a propagandinha aqui porque não consegui buscar as fotos do evento de lançamento, promovido pela Quorum. Mas aproveitando o ensejo, tá falado e as fotos ficam pra depois.

domingo, 2 de novembro de 2008

Faltou contar essa

Essa eu já contei pra várias pessoas presencialmente, mas faltou contar aqui no blog.

Well. Todos sabem que agora eu trabalho no Cefet-SC, concursada, efetiva e tals. E aconteceu há uns dias a Semana Nacional da Ciência e Tecnologia, ocasião em que o Cefet-SC monta um tipo de feira tecnológica ali no Largo da Alfândega (coração da cidade, pra quem não conhece Floripa).

Eu estava no estande do setor de EAD (educação a distância). Logo na frente do nosso estande estava o pessoal da Eletrotécnica. Esse era um dos mais visitados da feira, porque tinha um monte de engenhocas legais. Uma das sensações era um aparelho esquisito que tinha uma esfera de metal e que gerava eletricidade estática (acho que é isso). As pessoas colocavam a mão na tal da esfera e o cabelo ficava arrepiado. Engraçadésimo. A molecada das escolas que visitava a feira se divertia pra valer com aquele troço.

E o moço bonito do estande me olhava, me olhava, e eu percebia, e todo mundo fazia que nada era nada. E eu comentava com o Rafa, meu novo amigo de infância que estava comigo no nosso estande, que morria de medo de choque elétrico. E que jamais colocaria a mão naquele troço de metal porque imaginava que aquilo dava choque.

Até que no terceiro dia de feira eu 'invadi' o estande vizinho para bater umas fotos dos alunos da EAD/UAB (Universidade Aberta do Brasil) que vieram de seis municípios-pólo para participar do encontro. E o moço bonito do estande vizinho me disse "hoje tu vem aqui", apontando pro negócio que arrepiava o cabelo dos adolescentes. "Nem que me pague", respondi, rindo.

Pois o movimento na feira por fim diminuiu e ficamos eu e a Dálete, minha nova amiga de infância que estava comigo no nosso estande, batendo papo e olhando blogs legais. O moço bonito do estande vizinho uma hora olhou pra mim e fez um sinal de "vem cá". "Nem que me pague, morro de medo de choque", respondi. A Dálete me lançou um olhar fulminante e me sentenciou falando pelo meio dos dentes: "Vai lá, Ana. A-gooooraaa!!!"

Fui. Vergonha. Mão, metal e tals. Ligou a máquina. Meu cabelo... ficou exatamente do jeito que estava. Absolutamente nããããão arrepiou!

O moço bonito não se conformou. Eu mandei "ah, eu pago quase 200 reais pra deixar meu cabelo liso... e tu achas que ele vai arrepiar por qualquer coisa?"

Hahahaha

Bom, de fato o tratamento químico para alisar é bom. Mas depois disso eu não vi mais o moço bonito. Nem na feira e nem no Cefet.

Infelizmente.

Lennon & McCartney

If I fell in love with you
Would you promise to be true
And help me understand?
Cause I've been in love before
And I found that love was more than just holdin' hands

If I give my heart to you
I must be sure
From the very start that you
Would love me more than her [him]

If I trust in you, oh, please
Don't run and hide
If I love you too, oh, please
Don't hurt my pride like her [him]

Cause I couldn't stand the pain
And I would be sad
If our new love was in vain

So I hope you see that I
Would love to love you
And that she [he] will cry
When she [he] learns we are two

Colete novo

Voltando de um delicioso e divertidíssimo almoço em família na casa das Gomes Ambros, que me acolheram amavelmente como agregada, resolvi passar no Imperatriz para comprar umas coisinhas que enchessem a geladeira - que estava uma igreja. Salada verde, umas frutas, ovos e umas cervejinhas já eram o suficiente para que ela voltasse a ser digna de uma casa habitada. Mas antevendo a preguiça de fazer almoço amanhã, cometi a estupidez de acrescentar à cestinha uma lasanha que sei que é horrorosa e um daqueles pratos prontos da Sadia - que até são gostosos, mas de sadios não têm nada.

Enquanto estava na fila do caixa, observei que o Fulano ainda estava lá. Ele continua usando o colete "Estou aprendendo", mas também está menos atabalhoado - e eu já tinha constatado isso em outras vezes em que estive no supermercado. Pelo jeito vai conseguir o emprego.

Daí olhei pra minha cestinha. A despeito das frutas, observei a meia dúzia de Kaiser Gold (a R$ 1,19, uma pechincha) e as duas porcarias congeladas. Quero mandar fazer o colete: "Eu não aprendo nunca". Para ocasiões como essa. E para outras.

Anyway, trouxe as coisas pra casa e bola pra frente. Um dia eu deixo de comer comida ruim congelada. Já sobre a cerveja, não me garanto...

Comprinhas

As melhores dos últimos tempos:
1) O note Toshiba;
2) os coturnos da loja Túnel do Rock, em Curitiba;
3) o motor para o portão (em tempo de chuva é o que há);
4) o vestido roxo com verde no Bazar da Fiona;
5) a bolsa Everlast com luvinha de box pendurada.

Próximas, se tudo der certo:
1) A tatuagem (já agendada);
2) um biquíni;
3) uma cadeira de praia;
4) um par novo de Crocs;
5) uma câmera fotográfica.

Confessions on the keyboard - segunda rodagem

Pequenos pecados particulares:

1) Eu como a gordura da picanha; [gula]
2) 'ignoro' deliberadamente qualquer vendedor de coisas inúteis ou distribuidor de panfletos nos semáforos (se estou de óculos escuros me faço de surda; ou então faço cara de paisagem e deixo o cara falando sozinho como se eu não estivesse vendo nada). E me divirto com isso; [soberba]
3) já fiquei com alguém que tinha namorada, mesmo sabendo disso (a história não prosperou e eu juro que não me arrependo, embora não ache isso exemplar e nem pretenda repetir a empreitada. Vale dizer que isso aconteceu há bastante tempo); [luxúria]
4) já me achei a moça mais linda da festa (mas não dei bandeira); [soberba de novo]
5) já achei que escrevo melhor que a média das pessoas (inclusive muita gente que achava que sabia escrever hahahaha). [soberba de novo, ai meu deus]

sábado, 1 de novembro de 2008

Sonhos (cretinos) de consumo

Não tem razão prática nenhuma, mas eu adoraria ter:

1) Um grampeador de talão de cheques que nem aqueles do Banco do Brasil (que não têm utilidade nenhuma a não ser grampear talões de cheques);
2) um isqueiro Zippo (eu não fumo);
3) uma máquina de choquinhos de fisioterapia (eu tenho medo de choque mas um lado meu adora aqueles choquinhos);
4) uma maquininha de babyliss (eu prefiro meu cabelo liso);
5) um cortador de lacres de vinho (utensílio totalmente dispensável, mas eu acho legal).

Não são só os cachorros


Gatos também são tudo de bom. Essa é a Gisa numa sacola da Luigi Bertolli.

Recado para quem ama gatos e quer/conheça alguém que queira adotar um: a Aline e o Gu estão procurando dono para um fofucho bebê que eles salvaram da morte há uns dias. Com delivery para a Grande Florianópolis e castração garantida. Conviver com gatos é uma experiência memorável. Eu recomendo.

Lindona da tia


Gisa apareceu de sopetão na porta do apê do Mano e da Jaque, em Curitiba, há pouco mais de um ano. Envolta numa aura de mistério e com o charme característico dos felinos. Ficou para nos alegrar. Eu e ela nos divertimos bastante durante os quatro dias em que estive por lá. Na foto [de celular] ela está fazendo gracinha entre o meu colchão e o canto da parede onde esconde seus ratinhos de pelúcia.





Esses moços, pobres moços


Alguém precisa explicar para esses moços que três amigas juntas numa casa noturna movida a rock and roll podem estar apenas querendo curtir o som, dançar, conversar, rir e beber umas Heinekens de leve. Três amigas juntas numa casa noturna movida a rock and roll não necessariamente são moças em ritual de caça. São moças que trabalham, têm seus compromissos, pagam suas contas e numa noite de sexta-feira podem estar querendo apenas comemorar a vida. Eu, Tati e Pam nos divertimos pra valer ontem. E foi muito engraçado ter que traçar estratégias para fugir das malas que se apresentavam com aquele papinho sem graça. Carismáticos como uma unha encravada. A imagem clichê é que as mulheres solteiras são desesperadas. O que eu vi ontem foi um monte, mas um monte de homens solteiros, sem graça e sem atitude matando cachorro a grito. Deuzolivre.

Tati e Pam, super companheiras: que a força esteja conosco! =D

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Me corrijam se eu estiver errada...


...mas acho que a Heineken longneck tem um gosto melhor do que a de lata.

Meus guris


Rimos um monte lembrando de piadas antigas. Da direita pra esquerda, nós em ordem cronológica: Mano, eu e André. No meu colo, a queridíssima Gisa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um estar em mim

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e canto e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond de Andrade)

Para seu Egídio, que há 14 anos se ausentou de nossas vidas. E mesmo assim continua sempre conosco.

Dropes sobre o feriado*

Quatro dias passeando à toa e dando risada com meus irmãos em Curitiba. Alguns devaneios sobre esse período:

Estranho pacas - No domingo depois do almoço, Mano sentiu um mal-estar e foi ao médico. Acabou passando a noite internado porque a dor que ele estava sentindo, desconfiaram os médicos, poderia ser uma apendicite. Como esse tipo de problema demanda uma cirurgia feita às pressas, decidiu-se pela internação por precaução. Mas no fim não era nada e segunda cedo ele estava novinho em folha. Mas o esquisito foi que na segunda de manhã recebi uma ligação, no celular, de uma queridíssima ex-colega do Besc perguntando se eu estava bem de saúde. Ela não disse, mas imagino que tenha sonhado algo ruim comigo. E o André, no mesmo dia, recebeu um e-mail de uma amiga de São Paulo dizendo que tinha sonhado com ele e perguntando se estava tudo bem. Well. Felizmente estávamos todos bem. Mas por via das dúvidas, enquanto saracoteava pelo comércio do Centro eu olhava até pra cima antes de atravessar aqueles cruzamentos malucos.

Hecatombe - Curitiba é conhecida por suas calçadas irregulares, esburacadas, com pisos despadronizados - a despeito de ser uma cidade planejada e arquitetonicamente interessante. Curitiba é conhecida também por ser um lugar onde as pessoas se vestem de maneira bastante formal. Mas alguém tinha que dizer pras moças de Curitiba que os saltos finos são absolutamente incompatíveis com as calçadas irregulares. Vai andar pelo centro, moça? Please, usa uma rasteirinha ou um salto anabela médio. As moças de Curitiba parecem ter feito uma convenção onde combinaram que passa a ser elegante andar de salto com o joelho dobrado. Coisa horrorosa. Nunca vi tantas.

10 centímetros - Resolvi provar um vestido indiano vermelho que estava numa vitrine. Lindo, mas comprido demais. A moça da loja se esmerou: dá pra diminuir a alça, dá pra tirar o último babado... Não, moça, o vestido é perfeito. Eu é que devia ter uns 10 centímetros a mais de perna. Provei outro. Comprimento legal, um pouco acima do joelho. Suuuuuper rodado. Rodado a ponto de eu me sentir um bujãozinho de gás com sainha. Ficou lindo!, disse a moça. Discordei: moça, pra esse vestido ficar perfeito eu devia ter uns 10 centímetros a menos de quadril. Provei o terceiro. Colorido e lindo. Com um decote no melhor estilo dressed to kill. Ah, ficou perfeito, disse a moça. Não, moça. Faltaram uns 10 centímetros a mais de peito. Mas no fim logrei êxito e comprei dois vestidinhos de verão compatíveis com meu corpicho ombro-estreito-peito-pequeno-cintura-fina-bunda-grande-perna-grossa-e-curta. Afinal, havia vestidos imperfeitos na loja.

Coisa triste - Meus dois irmãos moram (cada um no seu apê) no centrão-centrão da cidade, a alguns passos do Teatro Guaíra (onde o Mano trabalha) e do Passeio Público. Ontem de manhã resolvi ver se esse último lugar fazia jus ao nome para um passeio. Morri de pena da quantidade de aves nativas e exóticas presas nos viveiros. Que não são pequenos, é verdade. Mas pra uma ave que pode voar qualquer viveiro é sempre pequeno. E a tela é uma linha tênue demais as separando da vida livre. Fiquei triste especialmente com as gaivotas (gaivotas!!!) presas e com um casal de gralhas azuis. Nunca mais vou reclamar das gralhas que me acordam ao nascer do sol para comer as frutas aqui de casa.

Coisa linda - Todas as regiões da cidade são cheias de canteiros de flores. Com amores-perfeitos, petúnias, lírios, prímulas, cravinhos. Isso e os parques de Curitiba são um show de civilidade. Como estava um final de semana incrivelmente quente - e sem chuva, sim, sem chuva! - no domingo à tarde os parques estavam cheios de gente andando de bike, caminhando, correndo ou simplesmente batendo papo e namorando.


*Inspirados nos "Dropes da semana" da Regininha.

De volta a Frogville...

...essa terra onde as pessoas estão criando guelras entre os dedos. Saco. =(

domingo, 26 de outubro de 2008

Meus ursinhos

As minhas lembranças mais remotas da infância têm necessariamente a presença de um, ou do outro, ou dos dois. Com isso percebo que foi a partir da relação com meus dois irmãos que passei a tomar consciência da minha própria existência. Estou desde ontem de manhã em Curitiba, essa cidade cosmopolita que os dois escolheram para viver. Se, como diz o Bono Vox, home is where the heart is, hoje eu posso dizer que tenho duas cidades para chamar de lar. Porque quando estou em Floripa, meu coração fica aqui um pouquinho também com eles. E enquanto estou aqui, tudo o que eu quero é esse clima de aconchego, cosquinha e gargalhada. Como quando éramos crianças.

Nando Reis e a alma feminina

Não sou fã do Nando Reis a ponto de comprar cds ou baixar músicas, mas acho algumas letras dele super delicadas. Outro dia no congestionamento da saída do xópin Beiramar (sexta-feira...) tocou no rádio "Dentro do mesmo time", uma gracinha. Lembrei de um dos meus primeiros posts...

Escolhe o esmalte meticulosamente
Por ver razões na cor, que irão se explicar
Pra tudo funcionar simplesmente
Como gesto espontâneo, invulgar
E depois da cor
O que virá?