O único episódio do recém-finado verão que talvez mereça registro foi o ocorrido em 22 de janeiro, quando mais uma daquelas enxurradas estranhésimas desabaram sobre o Norte da Ilha (que, cada vez mais me convenço, é outro planeta). A rua começou a alagar, do sentido do mar para minha casa. Prevenida com a única enchente que já se havia abatido sobre meu pedacinho de chão, pedi a opinião do sempre atento hunny:
- Não sei. Mas acho que se a água chegar nesse piso aqui (apontei com o dedão do pé no segundo piso cerâmico da varanda), a gente foge pra casa da minha mãe.
Ele olhava a chuva forte caindo pesado e começou a observar que os vizinhos da parte mais baixa da rua começavam a estacionar seus carros ali na frente de casa. E a água subindo.
Cinco minutos depois da minha sentença, o sempre ágil hunny começou a suspender as coisas de dentro de casa: estabilizador, sofá, máquina de lavar roupa, os calçados que sempre deixo pra guardar amanhã.
Nem forrei o banco do carro: indiquei a meus amados Lola, Fidel e Sebastiana a porta traseira do Clio novinho e eles rapidamente se pirulitaram lá pra dentro. Catei o notebook, entrei no carro e assim empreendemos nossa fuga. Eu com minhas chinelas Crocs, camiseta batidinha do IF-SC e um short jeans nada a ver, no Clio; o sempre zeloso hunny em seu Sandero, e todos nós desviando de poças e buracos durante o trajeto até a casa da minha mãe - onde, incrível, não caía um pingo de chuva.
Lá chegamos, o susto passou, liguei para a vizinha da casa ao lado e estava tudo bem - a água tinha subido por alguns instantes, mas logo escoou. Voltamos para casa e tudo estava em ordem.
Refletindo depois do episódio, fiquei tentando entender por que diabos eu peguei o computador e não me dei conta de separar uma muda de roupa. Ou os óculos de grau. E nem sei se é o caso de Freud explicar.
Depois dessa, vale ressaltar, comprei um par de botas sete léguas. Estilosas, até.
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã
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domingo, 20 de março de 2011
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Bom dia, flor do dia!
Não tenho saído de casa sem olhar o site da estação de meteorologia da RBS. Tem informações detalhadas de temperatura, chuva e sensação térmica, o que é muito bom pra quem acorda ainda de noite e vai passar o dia todo na rua.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
O frio e o twitter
Outro dia um twit do @gastaocassel sobre o frio de renguear cusco - e minha dúvida sobre o significado da expressão - rendeu o tema de uma coluna na Zero Hora. Hoje a celebridade do dia é o @valdson, que está mostrando ao vivo a nevasca em São Joaquim - e até teve coragem de botar o nariz na rua, quando atingiu 5 mil espectadores, fato devidamente registrado pela antenadíssima @ABaldissarelli. É ou não é um barato esse Twitter?
sábado, 17 de julho de 2010
Sábado, frio, chuvisco
Cama até depois das 11, preguiça, almoço sem horário. Namorado, preguiça. Aquecedor ligado, cachorros em seus edredons, cobertor nos joelhos. Meu casaco Kenny, always. Heineken, chandelle mousse. Zapping na tv a cabo. Manicure caseira, cor nova. Sopa, mais Heineken e mais chandelle mousse. "Orgulho e preconceito" pela 86a. vez. E ainda são apenas 10 da noite. Adoro esse friozinho. There's no place like home.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Sobrevivente
E embora eu tenha tido a sorte de me incomodar pouquíssimo com o temporal medonhento de ontem, durante a madrugada de ventania foi impossível não lembrar o perrengue por que passei há pouco mais de um ano, quando outra chuva dessas que a gente ainda enquadra como fora do normal provocou, pela primeira vez em 30 anos, uma enchente na minha casa. Recorri ao arquivo do blog e confesso que consegui dar umas risadas com os posts - este e este. E vale dizer que não, eu não voltei pra terapia depois daquilo tudo.
Em outro planeta


Parece mentira, mas ontem à noite eu praticamente não vi chuva. Saí da UFSC às 19h30 abaixo de uma garoa muito fina, abasteci o carro num posto da Trindade e vim direto para o Norte da Ilha praticamente sem ligar o limpador de pára-brisa. O vento estava muito forte a ponto de balançar o carro, mas chuva, mesmo, era pouquíssima. Quando cheguei em casa dei de cara com um galho imenso caído bem em frente ao portão da garagem. Levei um susto, mas logo constatei que tanto a casa quanto os meus cachorros estavam inteiros - eles, tadinhos, juntinhos na caminha que preparei no fundo da garagem ao sair, imaginando que seria um dia de muito frio e umidade.
Ventava muito e pelo Twitter - que ferramenta maravilhosa! - eu ficava sabendo que a situação na região central ia se encaminhando para o caos. Muitos bairros ficaram sem luz, alagamentos, desabamentos, gente sem saber como voltar pra casa. As rajadas de vento eram muito fortes por aqui e minha preocupação, evidentemente, era com mais quedas de árvores, já que são muitas aqui ao meu redor. Mas felizmente meu transtorno ficou só naquele pedaço de galho no meio do caminho.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Um Papai Noel sem rosto
Não se preocupem, porque o título do post não anuncia nenhum texto crítico ao consumismo mordaz desta época. A ideia é só contar que o enfeite de porta fofo, barato e novinho que eu comprei para este ano - uma meia de feltro com um bonequinho de Papai Noel de cara bem rechonchuda - foi devidamente transformado em brinquedo pelos meus três amados cachorrinhos no mesmo dia em que foi pendurado. Isso foi antes de eu viajar, e o extermínio de mais este enfeite de porta me fez perder o pique com decorações de Natal este ano.
Mas ontem me curei. Depois de um dia ultrasobrecarregado, que envolveu reunião de trabalho bem cedo, saída com a família, supermercado, salão (eu também mereço uma pet shop) e até batida de carro (nada grave), isso tudo abaaaaixo de uma chuuuuuuva chatééééésima, entrei no clima total: passava um pouco das 22h quando fui para a cozinha fazer pudim de leite. Enquanto o dito cujo assava, embrulhei os presentinhos que vou levar hoje para a family na casa de mamy, desencaixotei os enfeites de Natal e coloquei todos em seus devidos lugares. O que sobrou do enfeite estraçalhado - só a meia - ficou no corredor. Montei minha mini-árvore de moça solteira (daquelas de 50cm de altura) com bolinhas e laços vermelhos, outros enfeitinhos dourados, ao lado do menino Jesus (não é exatamente um presépio, mas é a intenção), com muitas luzinhas, tudo sobre a mesinha antiga de madeira que pertenceu a minha bisavó. E pronto, como num passe de mágica minha casinha ficou com cara de Natal e cheiro de pudim assando.
Mas ontem me curei. Depois de um dia ultrasobrecarregado, que envolveu reunião de trabalho bem cedo, saída com a família, supermercado, salão (eu também mereço uma pet shop) e até batida de carro (nada grave), isso tudo abaaaaixo de uma chuuuuuuva chatééééésima, entrei no clima total: passava um pouco das 22h quando fui para a cozinha fazer pudim de leite. Enquanto o dito cujo assava, embrulhei os presentinhos que vou levar hoje para a family na casa de mamy, desencaixotei os enfeites de Natal e coloquei todos em seus devidos lugares. O que sobrou do enfeite estraçalhado - só a meia - ficou no corredor. Montei minha mini-árvore de moça solteira (daquelas de 50cm de altura) com bolinhas e laços vermelhos, outros enfeitinhos dourados, ao lado do menino Jesus (não é exatamente um presépio, mas é a intenção), com muitas luzinhas, tudo sobre a mesinha antiga de madeira que pertenceu a minha bisavó. E pronto, como num passe de mágica minha casinha ficou com cara de Natal e cheiro de pudim assando.
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domingo, 27 de setembro de 2009
Uma carona em Frogville
Não são só os cachorros que gostam de passear de carro. Explico.No trânsito da SC-401, ontem, em torno das 20h15. Mó chuva. Jogo pra pista da direita, pego o celular e ligo para hunny:
- Oi. Já estás no shopping?
- Oi. Estou quase chegando...
- Hum. É que eu estou com um problema ridículo. Tem uma perereca grudada no vidro do carro, no meu lado, e quando eu for abrir o vidro pra entrar no estacionamento do shopping ela vai pular aqui pra dentro.
- Tá. Me espera na entrada então.
Eu havia notado a presença da minha inusitada caroneira logo que tirei o carro da garagem. A cena é engraçada e aproveitei para tirar umas fotos da maria gasolina. E segui meu caminho, imaginando que com a chuva e o vento ela resolveria sozinha pular fora dali. Mas descobri que as pererecas têm inteligência superior: logo que o carro ganhou velocidade, ela se acomodou quietinha sob a calha da porta do carro, bem no alto do vidro, e ficou ali até chegarmos no Floripa Shopping, onde hunny e eu nos encontraríamos para um filminho de domingo.
Como bom mané da gema, hunny é hábil na lida com esse tipo de bichinho. Catou um saco plástico no carro e tentou convencer a viajante a desgrudar do vidro. Ela relutou um pouco, mas logo se rendeu e foi transportada com segurança para o jardim do shopping. Espero que ela faça novos amiguinhos e seja feliz em sua nova casa.[Na foto de cima, minha caroneira logo que estacionei na frente do shopping. Na de baixo, o resgate.]
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Minha sopa de letrinhas
Saindo do trabalho depois desse dia modorrento de tão frio, resolvi dar um pulo no supermercado que fica do ladinho da escola pensando em me aventurar numa sopa como aquelas que mamy faz, com carne e legumes. Claro que eu não consigo fazer assim i-guaaaaaaalzinha à dela, mas estou chegando perto. Cestinha na mão, fui ao açougue e pedi uma pecinha de músculo, bem limpinha. Deu 1kg, o que é bastante, mas congelei metade. Lavar, descascar e cortar legumes é demorado e chato, ainda mais lidar com água nesse tempo frio, então comprei um pacotinho daqueles legumes orgânicos embalados a vácuo. Precisava ainda de um carboidrato, e não tenho mais arroz integral pronto (pra cozinhar junto com o restante das coisas ia demorar pacas). Investiguei a prateleira de massas e escolhi um macarrão de letrinhas. Yes!
Foi assim: panela de pressão. Caminha de cebola picadinha, frita no óleo de canola. Carne cortada em cubos grandes para uma primeira selada. Sal marinho, pimenta moída na hora (comprei um mix de cinco pimentas que é da hora). Refogada geral. Água fervendo, acho que mais ou menos um litro e meio. Panela fechada, pressão por 20 minutos. Medinho. Tira a pressão da panela. Alívio. Panela no fogo de novo, agora aberta. Legumes primeiro. Quando a cenoura está quase no ponto, entram as letrinhas. Vou dizer, minha gente: ficou demais. E é tão simples!
Foi assim: panela de pressão. Caminha de cebola picadinha, frita no óleo de canola. Carne cortada em cubos grandes para uma primeira selada. Sal marinho, pimenta moída na hora (comprei um mix de cinco pimentas que é da hora). Refogada geral. Água fervendo, acho que mais ou menos um litro e meio. Panela fechada, pressão por 20 minutos. Medinho. Tira a pressão da panela. Alívio. Panela no fogo de novo, agora aberta. Legumes primeiro. Quando a cenoura está quase no ponto, entram as letrinhas. Vou dizer, minha gente: ficou demais. E é tão simples!
terça-feira, 16 de junho de 2009
Bloomsday
Vejo no blog da professora Regina que hoje é dia de James Joyce, o escritor irlandês talvez mais aclamado do mundo - e o clima adivinhou, porque com essa chuvinha até parece mesmo estarmos na Irlanda. Enquanto bebo meu brazilian coffee (é cedo demais para um irish) e observo na lista de e-mails a quantidade de abacaxis que terei que descascar no trabalho, lembro que foi "Ulisses", a obra-prima de Joyce, o último presente que dei a meu pai. É a oitava edição publicada pela editora Civilização Brasileira, traduzida pelo Antônio Houaiss (o cara do dicionário?!).
Pai e eu conversamos uma vez sobre esse livro e ele comentou ter vontade de ler - sabia que era um texto árido, mas ele, bom escritor e bom leitor que era, gostaria de encarar. Na época não tinha essa de comprar pela Internet (e obviamente Estante Virtual ainda era idéia de ficção científica), então eu fui a pezito mesmo com minha bolsa de pesquisa na carteira procurar o livro para ele. Rodei bastante, me estressei com um livreiro famoso local, também já falecido, que queria cobrar praticamente o valor da minha bolsa por um exemplar velho e fedorento esquecido no sótão da livraria. Persisti mais um pouco na busca e achei o tal exemplar da Civilização Brasileira, novinho e a um preço possível para uma estudante, na Livros & Livros. Levei para seu Egídio como presente de aniversário, naquele dia primeiro de setembro de 1994. Dois meses depois ele se foi. O livro ficou comigo, marcado na página 19.
Espero hoje à noite poder fazer um brinde de Guinness a Joyce e a seu Egídio. Mas antes tenho que sair de dentro das pantufas, passar pelo chuveiro e encarar Frogville, que hoje tem muito de Dublin. Bom dia pra todo mundo.
Pai e eu conversamos uma vez sobre esse livro e ele comentou ter vontade de ler - sabia que era um texto árido, mas ele, bom escritor e bom leitor que era, gostaria de encarar. Na época não tinha essa de comprar pela Internet (e obviamente Estante Virtual ainda era idéia de ficção científica), então eu fui a pezito mesmo com minha bolsa de pesquisa na carteira procurar o livro para ele. Rodei bastante, me estressei com um livreiro famoso local, também já falecido, que queria cobrar praticamente o valor da minha bolsa por um exemplar velho e fedorento esquecido no sótão da livraria. Persisti mais um pouco na busca e achei o tal exemplar da Civilização Brasileira, novinho e a um preço possível para uma estudante, na Livros & Livros. Levei para seu Egídio como presente de aniversário, naquele dia primeiro de setembro de 1994. Dois meses depois ele se foi. O livro ficou comigo, marcado na página 19.
Espero hoje à noite poder fazer um brinde de Guinness a Joyce e a seu Egídio. Mas antes tenho que sair de dentro das pantufas, passar pelo chuveiro e encarar Frogville, que hoje tem muito de Dublin. Bom dia pra todo mundo.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Nem desabrigada, nem desalojada
E nem desamparada. Só exausta. Mas feliz por ter podido tomar um banhão quente depois da faxina. E de novo me sentindo privilegiada porque o que me aconteceu, comparando com tantas outras pessoas, não foi tão ruim assim. E com esperança de que agora pare de chover.
Pensa que acabou??? Nããão, não acabou!!!
Professora Regina que me desculpe, eu até acho os batráquios uns bichinhos simpáticos, mas a sensação de acordar de madrugada e atochar os pezinhos recém-saídos do edredom numa poça de água ge-laaaaaaada é deveras desagradável. Não era sonho: a poça era no meu quarto, tinha uns 15cm de profundidade e o diâmetro da lâmina d'água devia ter uns... hm... 5 mil metros quadrados. Oh my god. Meu saudoso pai comprou esta casa que hoje chamo de lar há quase 30 anos, e olha que nesses 30 anos já choveu horrores em Frogville, mas pela primeiríssima vez a água invadiu o lado de cá da porta da sala. Depois de três segundos atônita, catei o celular e liguei pra quem? Pra quem? Pra hunny, of course. Pergunta estúpida: "quê que eu faço? Tou com medo de acender a luz". Sim, porque afinal de contas eu sou uma sequelada de choques elétricos. Hunny disse para eu não acender luz nenhuma, desligar os disjuntores e esperá-lo. Passei pela sala. Filhotes empoleirados nos sofás, tadinhos, assustadésimos. Foram inclusive os latidos do Fidel que me despertaram - com meu soninho pesado era capaz de eu acordar boiando no colchão de mola, embaixo do pé de jaca.
Atendendo a pedidos, vou abrir um parágrafo.
Com a água na altura dos tornozelos - e olha que o único par de calçados que eu consegui juntar entre todos os que boiavam pela casa foi um tamanco Arezzo anabela com 10cm de plataforma - juntei-me aos filhotes no sofá empapado e fiquei aguardando hunny, com medo de transitar no meio do brejo do quintal com os pezinhos assim expostos a bichos & nojeiras. Lembrei então de uns tênis Adidas que eu ganhei há um tempo, de um modelo feito para praticantes de rafting, todo emborrachado e com um sistema de drenagem na sola. Perfect. Localizei os ditos cujos, calcei-os mas não precisei ir até o portão a pé quando hunny chegou, já que por pura sorte eu tinha deixado acionado o disjuntor exclusivo do portão. Yes. We can.
- Ana, é muita água. Três ruas pra lá, tá tudo embaixo d'água. Não tem o que fazer.
Oh my god. Ele tinha deixado o carro na esquina e caminhado até o portão com a água na metade da canela (não são canelas pequenas). Eu já estava avaliando a possibilidade de catar computador, uma muda de roupas e os filhotes e fugir pra casa da minha mãe quando observamos um pé das minhas havaianas novas boiando porta afora. Sinal de que, apesar de a chuva continuar, a água estava baixando. Hunny trouxe então o carro para dentro do pátio-brejo e sentamos na porta de casa, bebendo um vinho tinto, à luz de velas, para esperar a água baixar. Há circunstâncias mais favoráveis para se beber um vinho tinto à luz de velas com esse tipo de ser, mas tudo bem. E a água foi baixando. Depois de mandar pra fora grande parte do que estava acumulado dentro de casa, conseguimos dormir um pouco. Oito horas da manhã e hunny partiu, pobrezinho, meu heroi, para um dia cheio de compromissos profissionais e familiares. Eu já avisei no trabalho que virei uma flagelada e estou apenas no início de um dia repleto de rodos, esfregões e muuuuuuuuita água sanitária.
Graças a deus o modem da NET não molhou.
E estou pensando seriamente em ligar pra Vanessa para pedir mais uma sessão.
Atendendo a pedidos, vou abrir um parágrafo.
Com a água na altura dos tornozelos - e olha que o único par de calçados que eu consegui juntar entre todos os que boiavam pela casa foi um tamanco Arezzo anabela com 10cm de plataforma - juntei-me aos filhotes no sofá empapado e fiquei aguardando hunny, com medo de transitar no meio do brejo do quintal com os pezinhos assim expostos a bichos & nojeiras. Lembrei então de uns tênis Adidas que eu ganhei há um tempo, de um modelo feito para praticantes de rafting, todo emborrachado e com um sistema de drenagem na sola. Perfect. Localizei os ditos cujos, calcei-os mas não precisei ir até o portão a pé quando hunny chegou, já que por pura sorte eu tinha deixado acionado o disjuntor exclusivo do portão. Yes. We can.
- Ana, é muita água. Três ruas pra lá, tá tudo embaixo d'água. Não tem o que fazer.
Oh my god. Ele tinha deixado o carro na esquina e caminhado até o portão com a água na metade da canela (não são canelas pequenas). Eu já estava avaliando a possibilidade de catar computador, uma muda de roupas e os filhotes e fugir pra casa da minha mãe quando observamos um pé das minhas havaianas novas boiando porta afora. Sinal de que, apesar de a chuva continuar, a água estava baixando. Hunny trouxe então o carro para dentro do pátio-brejo e sentamos na porta de casa, bebendo um vinho tinto, à luz de velas, para esperar a água baixar. Há circunstâncias mais favoráveis para se beber um vinho tinto à luz de velas com esse tipo de ser, mas tudo bem. E a água foi baixando. Depois de mandar pra fora grande parte do que estava acumulado dentro de casa, conseguimos dormir um pouco. Oito horas da manhã e hunny partiu, pobrezinho, meu heroi, para um dia cheio de compromissos profissionais e familiares. Eu já avisei no trabalho que virei uma flagelada e estou apenas no início de um dia repleto de rodos, esfregões e muuuuuuuuita água sanitária.
Graças a deus o modem da NET não molhou.
E estou pensando seriamente em ligar pra Vanessa para pedir mais uma sessão.
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Uma quarta com cara de segunda que bem poderia ser sexta
Amanheceu chovendo. Desmarquei meu compromisso no Centro por total preguiça de encarar trânsito caótico. Fiz almoço, mas deixei o arroz pegar no fundo. Tudo bem. Saí de casa em cimíssima da hora, sem secar o cabelo, com o tanque do carro no mico. Parei no meio do caminho e mandei encher o tanque. Na hora de pagar, a maquininha do cartão encrencou. Ninguém sabia como fazer para achar o meu abastecimento no sistema e muito menos como emitir minha nota. Os dez minutos de imbroglio foram suficientes para me passar ao status de "atrasada", que passou a ser escrito em bold quando parei na avenida Beira-mar congestionada. Depois de 30 minutos para cumprir o percurso praça Celso Ramos - IFSC, consegui entrar no estacionamento pensando que enfim tinha chegado. Ledo engano. Nunca tinha visto o pátio daquela escola tão cheio. E nunca tinha conseguido uma vaga mais na putaqueopariu. Choviam cântaros. Peguei carona no guardachuvão do meu colega Oscar, que estava chegando na mesma hora e tinha estacionado duas vagas antes de putaqueopariu. Ele me deixou mais ou menos seca no corredor que me conduziria ao relógio ponto para registrar minha chegada - atrasada em bold. Quando finalmente cheguei no meu setor, comecei a baixar uns arquivos pesados de um professor que enfim mandava seu material após uns 10 dias de atraso. No bom do processo, puf. Faltou luz. Oh my god. Cerca de uma hora depois a energia voltou, mas até entrar o servidor (onde está absolutamente TUDO indispensável) e até a conexão à Internet ser restabelecida, já eram mais de 16h e eu morrendo de fome. Fui à cantina e pedi um queijo quente. Estavam limpando a chapa, ia demorar. Tudo bem. Comi um salgado assado péssimo, com um suco de laranja ok. Pelo menos a companhia de hunny, como sempre, era excelente. De volta ao meu setor, consegui imprimir o material necessário para a reunião das 17h. Daí em diante as coisas aparentemente voltariam ao prumo. Ledo engano. Saí do meu setor às 19h05 para encontrar hunny, que me daria uma carona em seu carro até a distante vaga na putaqueopariu onde estava meu carro. Mas hunny tinha acabado de saber que o cara que cumpre sua função no período noturno não iria trabalhar. Ou seja, ele teria que ficar de plantão até as 23h. Oh my god. Despedi-me de hunny, registrei minha saída no maledeto relógio do ponto eletrônico e, guarda-chuva na mão, caminhei até a vaga na putaqueopariu. Não sabia se chorava ou se gritava quando vi que um bostinha de um Corsa verde tinha me trancado. E minha terapia marcada para dali a 10 minutos. Recorri novamente a hunny, que entregou a chave de seu carro na minha mão e disse "vai". Fui. Depois da sessão, voltei à escola para devolver o carro de hunny, que já tinha descoberto quem era o mala do Corsa verde e solicitado elegantemente que o dito cujo NUNCA MAIS FAÇA ISSO, principalmente quando o carro trancado for o da namorada dele. Senti-me o máximo da pessoa protegida. Encarei, agora em meu próprio carrinho, um trânsito ainda pesado na SC-401 cheia de trechos de aquaplanagem. Cheguei em casa, recolhi os filhotes friorentos ao aconchego do lar. Enquanto falava no telefone com minha mãe, puf. Faltou luz de novo. Oh my god. Juntei todas as velas que consegui encontrar, fiz um sanduíche e comecei a me amorcegar para dormir. Mas quando a luz voltou, tive que vir para o computador para contar essa epopéia. Não pela lengalenga toda, mas pelo fato do dia: Vanessa conseguiu me convencer de que estou bem, obrigada. E me deu alta da terapia.
Pronto, passou. Agora vou dormir.
Pronto, passou. Agora vou dormir.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
Thank you, Alanis
Alguns dropes sobre a experiência do show de ontem:1) Alanis Morissette é uma fofa: extremamente simpática, interage com o público sem ser forçada e sem engrisar palavras decoradas em português. Ela sorri aquele sorriso enorme, gesticula e se comunica. Tem de fato aquela voz inacreditável e trabalha com uma excelente banda. Nos sons mais pesados, dança feito uma porra louca no palco, chacoalhando a cabeleira e denunciando algumas de suas melhores fontes de inspiração. Showzaço que valeu cada centavo, cada minuto de empenho e cada pingo de chuva que caiu em cima de mim. Isso me leva ao item 2;
2) começou a chover forte em Jurerê cerca de uma hora antes de o show começar. Mas eu e meu gentil acompanhante combinamos de não arredar pé do bom local que tínhamos conseguido na pista. E a chuva caiu batida nessa hora antes do show e nas duas horas seguintes, até Alanis despedir-se sugestivamente com "Thank you" e sair do palco. Eu nunca na minha vida tinha tomado tanta chuva na cabeça. Qualquer pessoa com um pouquinho de mau humor ficaria incomodada com isso. Mas nós achamos o máximo e rimos muito da situação. E isso me leva ao item 3;
3) a música que eu mais queria ouvir era "Head over feet", que postei logo ali embaixo, por todo um contexto particular. E foi uma das primeiras do show. Adorei e cantei junto, assim como outras mais conhecidas como "You oughta know", cuja letra a Ana Corina nos forneceu em comentário no post anterior. Entre uma música e outra refleti que a segunda já foi cheia de significados para mim, mas agora é apenas uma música legal. E a primeira, que antes era apenas uma música bonitinha, agora virou uma música especial. Nada como um dia após o outro. Nada como as voltas que o mundo dá. E isso me linka ao item 4;
4) sim, eu estava muito bem acompanhada no show por um cavalheiro que se esmerava para me proteger da chuva e me erguia nos braços sempre que Alanis vinha para nosso lado do palco. Vi Alanis bem de pertinho. E isso animava ainda mais a cantar, cantar e cantar gritado, porque cantar em show sem gritar não tem graça nenhuma. Isso, acrescentado ao contexto da chuva, me conduz ao item 5;
5) estou sem voz. Vou fazer um chá com mel e já volto.
[Como não levei câmera, tomei a liberdade de copiar uma fotinha beeem pequenininha do Guto Kuerten, do Diário Online. Ela e outras podem ser vistas em tamanho maior clicando aqui.]
sábado, 17 de janeiro de 2009
Mais uma manhã de sábado em Frogville
Acordei, tomei as três xícaras de café de praxe enquanto zapeava pela internet. Bati um papo com a Tati no msn. Fiz cafuné nos filhotes, que pelo terceiro sábado consecutivo escaparam do banho (estão uns sachês). Resolvi pensar no almoço - seremos quatro pessoas. Temperei o salmão com sal, limão, pimenta-do-reino e sálvia. Cobri com filme plástico e devolvi pra geladeira para marinar. Tirei o camarão do freezer. Tem comida suficiente. Bebida suficiente. Mas confesso que como hoje ninguém tem hora pra nada, vou voltar pra cama e dormir mais meia horinha porque excepcionalmente a chuva tá uma delíiiiiicia...
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Dias melhores virão
A previsão é de mais um final de semana de chuva em Frogville. Com isso, Dauro [o não-organizador da parada] acaba de anunciar que nosso passeio para a Lagoinha será mais uma vez adiado. Vai então mais uma fotinha daquele lugar nojento - pra gente não esquecer como é um dia de sol.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Antídotos contra o tédio de congestionamento
1) Transporte solidário/carona para a amiga: garante boas risadas enquanto assuntamos e lemos o horóscopo da Marie Claire com as previsões para 2009, entre outros temas relevantes dessa prestigiosa publicação de origem francesa;
2) música: tem que ser animada e boa de cantar alto. Hoje foi Funk Como le Gusta. Mas não pode ter vergonha dos carros vizinhos e tem que cantaaaaaaar mesmo;
3) telefone celular: tá, é infração falar enquanto dirige, mas como a fila fica parada praticamente o tempo todo dá pra ligar pra mãe, pra amiga, marcar horário no salão ou avisar o chefe que vai atrasar por causa do trânsito;
4) observar o comportamento das pessoas: nessa minha recente experiência de filas e filas, tou juntando uma série de cases que talvez virem posts;
5) nutrientes: sempre é bom ter uma garrafinha de água e comidinhas como bombons Raffaello ou barrinhas Nutry de coco com chocolate. Distraindo as mandíbulas o tempo passa mais rápido.
Mas justiça seja feita: hoje gastei duas horas só na ida. Na volta, pista liberada. Antes da chuva, é claro.
E amanhã? Wish me luck.
2) música: tem que ser animada e boa de cantar alto. Hoje foi Funk Como le Gusta. Mas não pode ter vergonha dos carros vizinhos e tem que cantaaaaaaar mesmo;
3) telefone celular: tá, é infração falar enquanto dirige, mas como a fila fica parada praticamente o tempo todo dá pra ligar pra mãe, pra amiga, marcar horário no salão ou avisar o chefe que vai atrasar por causa do trânsito;
4) observar o comportamento das pessoas: nessa minha recente experiência de filas e filas, tou juntando uma série de cases que talvez virem posts;
5) nutrientes: sempre é bom ter uma garrafinha de água e comidinhas como bombons Raffaello ou barrinhas Nutry de coco com chocolate. Distraindo as mandíbulas o tempo passa mais rápido.
Mas justiça seja feita: hoje gastei duas horas só na ida. Na volta, pista liberada. Antes da chuva, é claro.
E amanhã? Wish me luck.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Tudo continua a lesma lerda
George é um tartarugo ancião - tem cerca de 85 anos - que ao que tudo indica é o último de sua espécie. Ele vive sua vida solitária em Galápagos, o arquipélago do Pacífico onde Charles Darwin colheu as bases para sua Teoria da Evolução. Consta também que o tartarugo George move-se à estonteante velocidade de 30 metros por hora.Pois eu senti uma incrível empatia com George, hoje, voltando do Centro para minha casa no Norte da Ilha - em cujo caminho tinha uma pedra. É, tinha uma pedra. Tiraram a tal da pedra e todos os seus caquinhos. Anunciaram que iam liberar a rodovia, parcialmente, monitorando o trânsito para evitar congestionamentos. Eu acreditei. Parei na ponta da fila às 20h55. Saí lá do outro lado às 22h25.
George, pelo menos, mora em Galápagos. Eu continuo morando em Frogville. Haja saco.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Minha irmã desgarrada
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