sábado, 13 de setembro de 2008

Confessions on the keyboard

Eu já:

1) Caí dentro de uma vala, de carro, num posto de gasolina;
2) tomei mais de um pé na bunda;
3) saí de casa no domingo à noite com um vinho e um saca-rolhas na bolsa para seqüestrar uma pessoa a 40km de distância;
4) botei direto na tomada da parede uma impressora laser novinha que era 110V;
5) pensei que fiz vestibular pra coisa errada.

Em todos os casos, não houve danos materiais graves; ninguém se feriu; não houve arrependimentos.

Where the streets have no fucking name

Na verdade naquela ocasião de Trancoso eu já achei o show do U2 meio mala. Como disse o André, meio pau mole. Como diz meu compadre Tomate, sem paudurescência. Foi um saco ver o show ao vivo com intervalos programados. E o pior foi que entre um bloco e outro entrava o chatinho do Zeca Camargo. Mala! Muito mais mala que o Bono.

De qualquer forma, uma impressão do show ao vivo na TV em 2006 que se confirmou hoje no cinema foi a de quando o Bono começa a falar os nomes de todos os países da América Latina, naquele tom meio messiânico, querendo dizer que todos têm que se unir e blá blá blá. "México!" - e aplausos tímidos. "Bolívia!" - e aplausos tímidos. "Argentina!" - e uma puta vaia: "uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu"

Hahaha

Bono, meu bem, é o seguinte: nós, brasileiros, somos pedantes. E pronto.

Mais sobre o U2

Sim, há quilômetros o que falar sobre eles.

A turnê registrada no filme que está em cartaz ocorreu em 2006. Em 2006 o U2 veio para o Brasil. E em 2006 eu fiz uma viagem de carro pelo litoral que foi uma das experiências mais intensas que já vivi. Embora, hoje entenda, tenha sido talvez a primeira das diversas tentativas de manter uma história que já estava fadada ao fracasso havia algum tempo.

Bom. U2 estaria em São Paulo dias tal e tal. Eu sempre organizei os schedules das viagens e para essa específica, a dos sonhos, de carro, eu dei um jeito de incluir São Paulo no dia tal para conciliar as férias e o show (que só eu fazia questão de ir).

Pois aconteceu como está rolando agora com a Madonna: tudo muito difícil, filas, cambistas cobrando 1000% em cima do valor original. A querida Thais, meu porto seguro em São Paulo, sentenciou por telefone: "Aninha, eu já desisti de comprar. Posso investigar um jeito de conseguir dois ingressos pra você".

Thais é uma pessoa generosa, e se disse isso é porque realmente a parada tava braba.

Bom, eu ia estar em férias, de carro, no litoral da Bahia. Desencanei total. Mudei o schedule e bola pra frente. Mente aberta, coração tranqüilo.

Lembro que estávamos em Caraíva quando rolou o show dos Stones no Rio. O povo todo ia pra um lugar onde tinham instalado um telão (Caraíva não tem luz elétrica, só com gerador, e bem restrita) para olhar Mr. Jaeger e seus amiguinhos carquéticos. Eu e Frank nem tchuns.

Depois de Caraíva fomos para Trancoso. Depois de jantar e de dar uma volta no Quadrado, voltamos para a pousadinha fofa à beira-mar onde tínhamos nos hospedado. Liguei a TV logo que entramos no apê e a Globo estava passando, ao vivo, o primeiro show do U2 no estádio do Morumbi.

O frigobar tinha mais ou menos oito latinhas de Skol. Que está longe de ser a minha cerveja favorita.

Assisti ao show sozinha. O frigobar amanheceu vazio. E o Frank até hoje não gosta muito de falar nesse assunto.

At a place called vertigo

Depois de algumas investidas malsucedidas, finalmente fui assistir ao filme do U2 em 3D.

Sou fã assumida do U2 e estou longe de ter elementos para fazer uma crítica consistente. Dentro do espírito despretensioso do blog, vou me limitar a algumas sensações inevitáveis:

1) A produção em 3D de fato é algo sensorialmente interessante; mas depois do terceiro minuto a gente assimila e esquece.

2) Banda boa com quase 30 anos de estrada: não dá pra negar que eles são isso, independentemente de ser fã ou não. Mas ainda não consegui resolver se gostei mais desse filme ou do "Rattle and Hum", 80% PB, película, que assisti no extinto cine Carlitos em 1990, primeiro ano de faculdade. Quando eu tiver assistido a "U2 3D" pela quinta vez talvez eu tenha algum tipo de opinião a respeito.

3) The Edge tem uma puta cara de irlandês. Toca guitarra como quem respira. Chega a ser meio blasée. E usa praticamente um instrumento diferente para cada música.

4) Acabei tendo que concordar com o André: o som do cinema é muito baixo. Podia aumentar uns cinco pontinhos pra vibe ficar melhor.

5) Bono Vox já foi mais bonito. Bono Vox é narigudo. Bono Vox é um péssimo instrumentista. Bono Vox está meio velhinho. Bono Vox está meio careca. Bono Vox é baixote, gordote e mala com seus discursos humanitários que ninguém quer ouvir. Mas Bono Vox tem um puta vozeirão. E sim, eu ainda beberia uma Heineken com Bono Vox.

Sabadão 2

De tudo o que estava previsto, só a agropecuária e o almoço em família se confirmaram.

Não é ótimo? =D

Sabadão

Dia de sacolão, agropecuária (a ração dos monstrinhos dá só pra hoje), supermercado e almoço com a família (André passa o find aqui).

Mas se tudo der certo, hoje à tarde fecho um frila que já tá ficando sem graça de tão atrasado...

Fui!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Saudades

1) do seu Egídio
2) das minhas duas avós
3) do traquinas Basquiat
4) do velho Giba
5) do tempo do colégio

Não rolou

Hoje fui trabalhar mais cedo, de armadura, preparada para uma peleia que se anunciava.

Desperdicei a armadura. Foi um dos dias de trabalho mais calmos desde o início de agosto. Só não sei se isso é bom ou ruim.

De qualquer forma, como diz o Maurício, alvíssaras à sexta-feira! =D

[Uma sexta-feira tem outro significado quando não se trabalha mais em redação...]

Esperando uma resposta...

...que não chega.

Saco. =(

Filmão

No início da manhã era ópera. Agora o tio da banquinha de livros e discos usados da feira da praça botou Frank Sinatra pra tocar. Impossível não ficar meio besta. E estranhamente otimista.

Pensando com minhas pantufas numa manhã cinzenta

Bem que na vida podia ter um dispositivo equivalente ao botão direito do mouse: a gente clica e a solução adequada para o problema aparece ali, óbvia e eficaz, como num passe de mágica.

Piadinhas de compreensão restrita

1) a maldição da Guinness
2) "vamos embora, vamos embora"
3) "o cara tem que respeitar o cara"
4) água mineral de 510 ml
5) "toca o pau que o negócio é fechar"

Fidel

Só explicando quem é meu despertador de quatro patas. Fidel é meu boxer de 4 anos, filho-do-meio, elemento que provoca um saudável desequilíbrio na matilha composta pela perfeita Lola dos olhos de mel, que tem 6 anos, e a viralatíssima cheia de ginga Sebastiana, 2. É grandalhão, brutamontes, desastrado, carente e mimado. E lindo, é claro. Detesta motos (mesmo que o tio dele esteja em cima), pede colo (são 35kg, minha gente), gosta de limpar as bochechonas no meu jeans (principalmente quando é aquele que eu acabei de tirar do varal e vestir) e adora queijo (sou contra dar comida normal para cachorro, mas essa mania quem colocou nãããão fui eeeeeeeeu!!). É um privilegiado da sua espécie: nunca teve nem pulga, nunca passou fome, nunca foi maltratado. Um playboy, digamos assim.

Desde que era filhotinho, raríssimas exceções, Fidelzinho me acorda pontualmente às 7h todos os dias. Sempre digo que para cachorro é uma grande vantagem não precisar saber que dia é sábado, domingo ou feriado, mas nesse caso a vantagem canina desfavorece a humana que vos escreve.

[Cabe salientar que cachorro mimado dorme dentro de casa. Acho que deu pra sacar, né?]

[A foto foi feita pelo Áthila em 21/6/2008, no dia do aniversário do tio do Fidel]

Elas voltaram

Tem coisas que só acontece com quem mora numa casa com muitas árvores mesmo. Comentei ali embaixo sobre as ameixas amarelas que estão atraindo um monte de passarinhos. Lindo. Bucólico. Sou uma privilegiada. Etc. Só que hoje uma espécie bem mais barulhenta resolveu se antecipar ao meu despertador bochechudo de quatro patas e começou a fazer a maior algazarra no pé de ameixa... gralhas! Azuis, enormes, escandalosas e madrugadoras. Não eram nem 6h e elas gritavam a ponto de me fazer desistir de esticar o soninho até as 7h. Tá, é lindo. Mas às vezes me dá uma coisa e penso em comprar uma espingardinha de pressão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A curiosidade move o mundo... né?

Gastão (beijo, querido!) me mandou a crônica de hoje do LFV na Zero Hora... caiu feito uma luva entre minhas reflexões recentes. Não resisto. Lá vai:

A doença da curiosidade

Santo Agostinho escreveu que entre as tentações, uma das mais perigosas era a “doença da curiosidade”, que nos levava a tentar descobrir os segredos da natureza, “aqueles segredos que estão além da nossa compreensão, que em nada nos beneficiarão e que o Homem não deve tentar saber”. Foi, em outras palavras, o mesmo conselho que Deus deu a Adão e Eva no Paraíso, advertindo-os a não comer o fruto da árvore do saber para não contrair a doença. Eva – sempre elas – não se agüentou e comeu o fruto proibido. Resultado: o Homem perdeu o paraíso da ignorância satisfeita e está, desde então, tentando descobrir que diabo de lugar é este em que o meteram, esta bola girando entre outras bolas num espaço imensurável, sem manual de instrução. Santo Agostinho e outros tentaram nos convencer a aceitar os limites da fé como os limites do conhecimento. Tentar compreender mais longe só nos traria perplexidade e angústia e nenhum benefício. Mas a doença já estava adiantada demais.


A fase mais aguda da doença da curiosidade chegou com a inauguração, esta semana, num subterrâneo na fronteira da Suíça com a França, do tal acelerador gigante que jogará prótons contra prótons em condições inéditas para tentar reproduzir a origem de tudo, liberar uma subpartícula atômica que até agora só existe em teoria e chegar mais perto de descobrir como funciona o Universo. Quer dizer, os descendentes de Adão e Eva pretendem levar a rebeldia do casal ao máximo e espiar por baixo do camisolão de Deus. Segundo alguns, o que o novo acelerador também pode trazer é um castigo terminal pela desobediência humana: o desaparecimento num buraco negro não só dos cientistas envolvidos e de alguns suíços e franceses na superfície, mas do mundo todo. Com você e eu, que não temos nada a ver com a história, atrás.

O cataclismo é improvável, mas mesmo que a insubmissão do Homem não seja punida, resta a outra questão posta por Santo Agostinho, a do benefício. Que proveito, salvo para a vaidade científica, trará descobrir o que pretendem? Quanto mais se sabe sobre o funcionamento do Universo mais aumentam a perplexidade e a angústia por não se saber mais, por jamais se poder compreender tudo – pelo menos não com este cérebro que mal compreende a si mesmo.

Mas a toxina daquela fruta era forte e ainda age no organismo. E a doença é incurável.

Engenhocas de filmes que eu gostaria de ter

1) o apagador de memória recente dos Homens de Preto;
2) a moto do Batman;
3) a casa high-tech do Homem de Ferro (eu só trocaria a Gwyneth Paltrow pela Claudete);
4) o R2D2;
5) as garras do Wolverine.

Não é a primeira vez que eu faço isso...

Estava meio atrasada para meu compromisso de trabalho e o semáforo do Koxixo's estava na última bolinha verde. Instintivamente pisei um pouquinho mais para passar no sinal amarelo. Consegui. Mas na hora saquei que devo ter sido fotografada pelo duende do radarzinho a uns 95 por hora. Raios. Agora é só esperar o correio trazer a confirmação do vacilo.

[Reflexão para a vida: Agora já foi. O negócio é manter a mente aberta e o coração tranqüilo; pagar a multa e seguir dirigindo alegremente. Simples assim.]

Salvação capilar

Escova inteligente da L'Oreal com menos de 0,2% de formol, no salão da Juna: 180 reais.

Um bom corte levemente repicado para dar movimento: 45 reais.

Acordar penteada de manhã e passar o dia inteirinho com o cabelo solto, sem recorrer a presilhas nem dar chilique mesmo em dia de chuva: não, não tem preço.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Confissões de uma pé na tábua

I put millions of miles under my heels
And still too close to you I feel

[I am the Highway, Audioslave]

Outshined

looking california
and feeling minnesota

[adoro... um crássico]

Onde você estava em 11 de setembro de 2001?

Muitas rodadas de chope já devem ter acontecido em torno de respostas para essa pergunta. Em 11 de setembro de 2001 eu morava no Itacorubi, no apartamento que eu e Frank tínhamos comprado juntos. Era meio de semana e eu estava na redação do jornal fechando um caderno especial; Frank em casa fazendo um churrasco para os amigos do Léo, que estava de aniversário, auxiliado pelo Alan e pela Angelita (sempre eles). Na redação, naquele meio de manhã, estávamos eu, meu querido amigo Edson Rosa e o repórter Cristiano Vogel (que hoje virou Policial Militar). A TV sempre ficava ligada na Band, com volume baixo. Até que apareceu aquela imagem. Ficamos os três atônitos. Lembro que liguei para o Frank:

- Liga a TV pra ver essa imagem, é impressionante!

Ninguém sabia o que estava acontecendo, e em pouco tempo todas as TVs estavam transmitindo aquela loucura ao vivo. Pouco depois Frank me ligou e enquanto conversávamos ele gritou:

- Olha! Bateu outro!

Eu:

- Não, estão reprisando a imagem...

Mas nada. Era mesmo o segundo avião atingindo em cheio o World Trade Center.

Todos nós vamos morrer velhinhos... e certamente sem jamais esquecer desse dia.

Quero ver de novo

Outro dia fui adoravelmente interceptada no caminho de volta pra casa para assistir ao filme Nome Próprio, que ficou pouquíssimo tempo em cartaz no Beiramar Shopping. Tinha lido alguma coisa sobre o desempenho da atriz Leandra Leal, que ganhou o prêmio de melhor atriz em Gramado com a personagem principal, Camila, mas entrei no cinema sem grandes expectativas. Descobri que o filme dirigido por Murilo Salles era baseado na obra de Clarah Averbuck, jovem escritora gaúcha sobre quem já tinha visto algumas referências bacanas, dona de textos densos e intensos. Os dilemas da personagem principal, uma menina que vai para São Paulo com o namorado e se envolve em um monte de enrascadas, teclando compulsivamente em seu blog, bebendo todas e horrorizando, à primeira vista parecem exagero de uma maluquete perdida no mundo. Mas confesso que me identifiquei com dois ou três dos muitos chiliques que a Camila deu ao longo das duas horas de filme... Que saia logo em DVD para eu ver de novo!

No coração da cidade

É uma delícia, aliás, trabalhar em pleno centrão da cidade. Em dias de feira os barulhos da praça são muito interessantes. O dono da banca de livros vende também discos usados - cds e de vinil. Geralmente toca jazz, chorinho, música francesa. Pode ser muita viagem minha, mas a união desse astral de praça com o prédio antigo e glamouroso, cheio de vidraças enormes, às vezes faz com que eu me sinta personagem de filme italiano.

[Se bem que outro dia o som que tocava era "Iron Man", Black Sabbath, na versão original. O que também não deixa de ter seu glamour...]

Presentinhos

Aniversário à vista, resolvi "me dar" três presentinhos hoje: um celular novo (que saiu de graça em função do meu bônus) e dois livros clássicos da banquinha de usados-em-perfeito-estado da feira da praça 15: "O Processo", Franz Kafka, e "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley. O do Kafka me lembra as aulas da faculdade e o do Huxley, as do mestrado.

Reflexões matutinas

Bom mesmo é acordar bem cedo, tomar um café bem-passado, cumprir em 30 minutos a primeira tarefa de trabalho do dia, voltar pra cama e dormir até depois das nove, embalada pela algazarra dos passarinhos que estão aproveitando as ameixas maduras.

[Vou aproveitar essa vibe antes do início da jornada dupla... tá acabando!]

Projetos, sempre

Quero ir a:
1) Cuba
2) Barra Grande (BA)
3) Lençóis (MA)
4) Rocas (tá, é difícil, mas querer eu posso)
5) algum lugar a definir no Pacífico

Quero voltar a:
1) Noronha
2) Boipeba (BA)
3) Salvador (2 a 3x por ano com finalidade terapêutica, se deus quiser)
4) Aparados da Serra (aqui pertinho)
5) Casa Valduga (com tempo)

Eduardo Galeano

Ok, o blog é para eu escrever. Mas não resisto à tentação de postar alguns textos que eu queria ter escrito. Aqueles que eu leio e releio e não canso nunca. E sempre encontro uma coisa nova.

Vamos começar então pelo Eduardo Galeano - por mais inusitado que possa parecer, um texto que tem futebol como tema. [Quem me conhece sabe do meu desprezo por futebol... assunto para posts futuros, quiçá.]

"Algum de seus muitos irmãos batizou-o de Garrincha, que é o nome de um passarinho inútil e feio. Quando começou a jogar futebol, os médicos o desenganaram: diagnosticaram que aquele anormal nunca chegaria a ser um esportista. Era um pobre resto de fome e de poliomielite, burro e manco, com um cérebro infantil, uma coluna vertebral em S e as duas pernas tortas para o mesmo lado.

Nunca houve um ponta direita como ele. No Mundial de 58, foi o melhor em sua posição. No Mundial de 62, o melhor jogador do campeonato. Mas ao longo de seus anos nos campos, Garrincha foi além: ele foi o homem que deu mais alegria em toda a história do futebol.

Quando ele estava lá, o campo era um picadeiro de circo; a bola, um bicho amestrado; a partida, um convite à festa. Garrincha não deixava que lhe tomassem a bola, menino defendendo sua mascote, e a bola e ele faziam diabruras que matavam as pessoas de riso: ele saltava sobre ela, ela pulava sobre ele, ela se escondia, ele escapava, ela o expulsava, ela o perseguia. No caminho, os adversários trombavam entre si, enredavam nas próprias pernas, mareavam, caíam sentados.

Garrincha exercia suas picardias de malandro na lateral do campo, no lado direito, longe do centro: criado nos subúrbios, jogava nos subúrbios. Jogava para um time chamado Botafogo, e esse era ele: o Botafogo que incendiava os estádios, louco por cachaça e por tudo que ardesse, o que fugia das concentrações, pulando pela janela, porque dos terrenos baldios longínquos o chamava alguma bola que pedia para ser jogada, alguma música que exigia ser dançada, alguma mulher que queria ser beijada.

Um vencedor? Um perdedor com boa sorte. E a boa sorte não dura. Bem dizem no Brasil que se merda tivesse valor, os pobres nasceriam sem cu.

Garrincha morreu sua morte: pobre, bêbado e sozinho."

(GALEANO, Eduardo. "Garrincha". In: Futebol ao sol e à sombra. 2.ed. Porto Alegre : L&PM, 2002.)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobre pensar com os dedos

Falando em cócegas na ponta dos dedos, fiquei pensando em como é engraçado esse processo cerebral que observo entre nós, jornalistas. No ano passado eu estava em pleno surto de tendinites e não podia fazer repouso de jeito nenhum. Deadline apertadíssimo e quilômetros de texto para escrever. O primeiro médico, alopata, mandou tomar um remédio muito punk. Não quis - corticóide, longe de mim. Apelei para um homeopata-acupunturista-ortomolecular e pedi algum tipo de Voltaren do bem para passar a dor e eu poder trabalhar. Minhas mãos estavam inviáveis: o anular esquerdo não servia para nada, o que também atingia o mindinho, justamente ele que eu uso para digitar o "a". O indicador da mão direita, inchadíssimo, não esticava e eu tinha que clicar o mouse com o dedo anular, porque o médio também estava comprometido pela inflamação severa.

A situação era tão ruinzinha, mas tão ruinzinha, que mesmo o médico superzen disse que eu precisaria de duas coisas: remédio forte e repouso.

- Não posso, doutor. Tenho um trabalho enorme para entregar e não posso atrasar.

- Mas minha filha, não podes ditar o texto para alguém escrever?

- Não, doutor. Eu preciso pensar com a ponta dos dedos.

E assim ele me deu um remédio forte e eu escrevi a minha parte inteirinha de um guia gastronômico, praticamente só com dois dedos de cada mão. Até que ficou direitinho. =)

Eu me rendo

Não foram poucas as vezes em que pensei em começar um blog. Lembro certinho de uma época em que eu já tinha tudo pensado - nome, perfil, identidade, linha temática... algo meio sério demais talvez. Na mesma época, duas grandes amigas começaram seus blogs. Pensei: poxa, sem graça, vai parecer que estou copiando todo mundo. Sempre fui quieta, e quieta continuei, voyeur na blogosfera, desbravando textos que eu me orgulharia de ter escrito e acompanhando as idéias de queridos amigos menos tímidos do que eu. Mas ultimamente tenho sentido cócegas na ponta dos dedos. Já estou grandinha, e resolvi então começar essa pequena aventura. Tomara que dê certo.

Em tempo: abandonei total com essa onda de linha temática. Vou adotar o estilo dos blogs de que mais gosto - despretensioso, solto e relaxado. Vamos ver se consigo.