Posso estar errada, é claro. Mas acho que se a internet prejudica seu relacionamento, o problema não é a internet.
Pronto, falei.
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Sorriso amarelo tinha a sua avó
Ontem fiz a primeira avaliação do tratamento de clareamento dental que estou fazendo com a Dra. Tatiana (séria, hein, Tati? hehe). Em duas semanas minha arcada superior ficou dois tons mais clara. O procedimento é simples, mas exige disciplina: toda noite tem que dormir com uma moldeirinha onde se aplica o gel no espaço de cada dente. É engraçado dormir com o sorriso plastificado com aquele troço que parece material de garrafa de refrigerante. Mas quem já usou aparelho ortodôntico tira de letra. Eu já tinha notado leiga e empiricamente que o resultado estava ficando bom, mas ontem tivemos a comprovação científica do 'felômeno'. Detalhe: eu sou dependente de café e de suco de uva integral, duas coisas que tendem a escurecer os dentes, mas mesmo assim está funcionando moooooooento bem.
Frescura? Pode ser. Mas tou a-do-ran-do! =D
Frescura? Pode ser. Mas tou a-do-ran-do! =D
terça-feira, 23 de setembro de 2008
"Um mistério grande como o mundo"
Era 26 de maio quando o Gastão (sempre ele) me encaminhou esse texto do LFV. Nem vou me dar ao trabalho aqui de ficar comentando como ele é cheio de significados. Na época eu me sentia um pouco overdue - parecia a metáfora perfeita para a minha condição. Pois lembrei desse texto hoje após responder ao e-mail de um amigo querido que está passando por uma fase assim. Compartilho então mais esse texto que eu queria ter escrito, torcendo para que logo ele, esse amigo, sinta-se na condição de arrived.
Missing
Joseph Conrad costumava acompanhar as informações sobre o tráfego marítimo nos jornais. Procurava notícias de barcos que conhecia ou em que tivesse trabalhado nos seus tempos de marinheiro. Encontrar o nome de um barco que tripulara na mocidade devia ser como descobrir o nome de uma antiga namorada numa crônica social, casada com outro. Mas o mais pungente nos relatos diários de partidas e chegadas, para Conrad, era o aparecimento da ominosa palavra "overdue" - atrasado - junto ao nome de um barco. Estar "overdue" era estar à beira de um grande alívio ou de uma grande tragédia, pois só uma de duas palavras substituiria o temido adjetivo no noticiário: "arrived", chegado, finalmente, ou "missing", desaparecido.
Havia um tempo predeterminado para um barco "overdue" passar a ser descrito como "missing", e o progresso de uma condição a outra dava à leitura de um simples registro comercial a mesma sensação de um emocionante folhetim diário. Na falta de notícias de uma chegada ou de uma tragédia comprovada, não havia um tempo predeterminado para o epíteto "missing" ser abandonado. Ele perdurava ao lado do nome do barco como uma sombra, dia após dia, e o barco permanecia desaparecido, nas palavras de Conrad, "num mistério grande como o mundo". Ou pelo menos como o mar.
Hoje os perigos do mar continuam os mesmos mas qualquer caíque sabe sempre exatamente onde está, e pode transmitir sua localização e sua condição em segundos. E mesmo quem não enfrenta os mares misteriosos pode dizer o espaço que ocupa na paisagem com precisão. Então, por que esta sensação de estarmos "overdue" em algum indefinível porto seguro do qual partimos e cujo caminho de volta nunca mais reencontramos, perdidos num mistério cada vez maior?
Ao contrário dos nossos barcos, continuamos sendo matéria de especulação literária. Há uma crise não só de velhas certezas ideológicas e morais mas de velhas certezas científicas também, e não passa dia em que não se descubra que o Universo não é nada do que se pensava, ontem. Não admira que as pessoas cada vez mais renunciem ao racional - que, afinal, nos deu o satélite rastreador mas nos deixou mais desorientados do que antes - e busquem o místico, o tribal e o maluco. Na falta de instrumentos precisos para mapear a angústia apela-se de novo para entranhas de pássaros, deuses selvagens e a anulação dos sentidos.
No tempo de Joseph Conrad os barcos guiavam-se pelos astros e pela força magnética, que os primeiros elizabetanos que a estudaram a fundo chamavam de alma da Terra. Mesmo longe de qualquer porto ou socorro, ou de qualquer redenção para a sua culpa, nenhum herói embarcado de Conrad tinha razão para duvidar das estrelas sobre a sua cabeça ou da bússola à sua frente, ou dificuldade em identificar seu lugar no mundo.
Missing
Joseph Conrad costumava acompanhar as informações sobre o tráfego marítimo nos jornais. Procurava notícias de barcos que conhecia ou em que tivesse trabalhado nos seus tempos de marinheiro. Encontrar o nome de um barco que tripulara na mocidade devia ser como descobrir o nome de uma antiga namorada numa crônica social, casada com outro. Mas o mais pungente nos relatos diários de partidas e chegadas, para Conrad, era o aparecimento da ominosa palavra "overdue" - atrasado - junto ao nome de um barco. Estar "overdue" era estar à beira de um grande alívio ou de uma grande tragédia, pois só uma de duas palavras substituiria o temido adjetivo no noticiário: "arrived", chegado, finalmente, ou "missing", desaparecido.
Havia um tempo predeterminado para um barco "overdue" passar a ser descrito como "missing", e o progresso de uma condição a outra dava à leitura de um simples registro comercial a mesma sensação de um emocionante folhetim diário. Na falta de notícias de uma chegada ou de uma tragédia comprovada, não havia um tempo predeterminado para o epíteto "missing" ser abandonado. Ele perdurava ao lado do nome do barco como uma sombra, dia após dia, e o barco permanecia desaparecido, nas palavras de Conrad, "num mistério grande como o mundo". Ou pelo menos como o mar.
Hoje os perigos do mar continuam os mesmos mas qualquer caíque sabe sempre exatamente onde está, e pode transmitir sua localização e sua condição em segundos. E mesmo quem não enfrenta os mares misteriosos pode dizer o espaço que ocupa na paisagem com precisão. Então, por que esta sensação de estarmos "overdue" em algum indefinível porto seguro do qual partimos e cujo caminho de volta nunca mais reencontramos, perdidos num mistério cada vez maior?
Ao contrário dos nossos barcos, continuamos sendo matéria de especulação literária. Há uma crise não só de velhas certezas ideológicas e morais mas de velhas certezas científicas também, e não passa dia em que não se descubra que o Universo não é nada do que se pensava, ontem. Não admira que as pessoas cada vez mais renunciem ao racional - que, afinal, nos deu o satélite rastreador mas nos deixou mais desorientados do que antes - e busquem o místico, o tribal e o maluco. Na falta de instrumentos precisos para mapear a angústia apela-se de novo para entranhas de pássaros, deuses selvagens e a anulação dos sentidos.
No tempo de Joseph Conrad os barcos guiavam-se pelos astros e pela força magnética, que os primeiros elizabetanos que a estudaram a fundo chamavam de alma da Terra. Mesmo longe de qualquer porto ou socorro, ou de qualquer redenção para a sua culpa, nenhum herói embarcado de Conrad tinha razão para duvidar das estrelas sobre a sua cabeça ou da bússola à sua frente, ou dificuldade em identificar seu lugar no mundo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Saudade presencial
São tantas as pessoas com quem converso por e-mail, msn, orkut, blog, e só isso. Gente que escreve "poxa, que saudade!" E é saudade mesmo. Saudade de ver, conversar diretamente, abraçar. Com a Cris, amiga querida que fiz no mestrado, comentei outro dia: parece que a gente nem mora na mesma cidade! Fiquei pensando na quantidade de pessoas de quem queria matar a saudade numa agradável conversa de boteco. Não vou nominar todos aqui, mas certamente seria uma lista diferente do meu padrão de cinco itens. E para dar conta disso tudo eu precisaria de mais que um barril... não é ótimo???
Adiei
Resolvi deixar pra depois o início da leitura do livro sobre Amy Winehouse. De repente fiquei sem paciência para chiliques de moças de 20 e poucos anos. Mas vai passar. Sei que vai passar.
Plano de fuga
Duas tarefas do dia já riscadas na agenda às 8h da manhã, SC-401 afora a caminho do trabalho. Dia lindo, nem frio, nem quente. Pensei que eu poderia mesmo era seguir direto pela Beira-mar, passar a ponte, uma BR, depois outra, a serra, o planalto, o oeste, a fronteira, seguir adiante, subir, subir, subir a cordilheira, e depois descer, descer, descer, até chegar em algum lugar onde eu pudesse descobrir o que é que tem no oceano Pacífico.
Daí liguei a seta pra esquerda e contornei a praça com destino à avenida Mauro Ramos. Mas vou passar na banca da Catedral pra comprar um mapa da América do Sul. Ah, isso vou.
Daí liguei a seta pra esquerda e contornei a praça com destino à avenida Mauro Ramos. Mas vou passar na banca da Catedral pra comprar um mapa da América do Sul. Ah, isso vou.
domingo, 21 de setembro de 2008
Ganhei e adorei
"Amy Winehouse - Biografia", do jornalista Chas Newkey-Burden. Ok, ela tem só 25 anos e já tem uma biografia escrita. Mas curto muito o som da Amy e acho que quem canta e compõe como ela deve ter uma vida interessante, independentemente dos escândalos.
"Sonetos", da poeta portuguesa Florbela Espanca. Que também teve, na sua época, uma vida intensa, cheia de conflitos, amores, desamores e extravazamentos disso tudo com palavras. E que morreu jovem e deprimida, aos 27 anos.
Ainda não li, mas já adorei ambos.
"Sonetos", da poeta portuguesa Florbela Espanca. Que também teve, na sua época, uma vida intensa, cheia de conflitos, amores, desamores e extravazamentos disso tudo com palavras. E que morreu jovem e deprimida, aos 27 anos.
Ainda não li, mas já adorei ambos.
Recuerdos
Hoje passei boa parte do dia dando uma arrumada geral no meu escritório: arquivando material de trabalhos concluídos, jogando tranqueiras fora, tirando pó, botando papelada nas suas devidas pastas - ou no lixo. Muita coisa foi pro lixo reciclável.
Para instalar o computador da minha mãe no canto da bancada que antigamente era o meu canto, precisei mexer na monstruosa caixa de fotos. Evitei bravamente ceder à tentação de abri-la e ficar explorando seu conteúdo, porque sempre que isso acontece o trabalho acaba ficando pra depois. Mas não resisti e dei só uma mãozada, pegando algumas fotos antigas que estavam unidas por um elástico de dinheiro.
Coisa mais linda do mundo. A maioria eram fotos de um aniversário meu, imagino que em 2000 ou 2001, aqui em casa. Lauro, filho do Maurício e da Cris, tinha no máximo uns 2 aninhos e aparece fazendo farra com o pai nas árvores. No bolo tem também fotos da minha querida Thais, nós duas numa gargalhada gostosa com o morro da Lagoinha do Leste ao fundo. Tem casais de amigos que já não estão juntos, assim como outros casais que continuam lindamente unidos e com a família aumentando - como o Dauro, que aparece pensativo embaixo de uma das pitangueiras, com o cabelo todinho preto!! Minha então sogra, dona Célia, que já não está conosco, sempre sorridente e conversando. Eu com minha camiseta do Kenny, meu primeiro boné do projeto Tamar e com um tênis azul da Adidas que eu adorava. André-meu-irmão e André Gassen (que também é um pouco meu irmão) de cabelo comprido, Tati de cabelo bem mais escuro, o Uno vermelho do Frank estacionado na frente da parreira. Meu casaco Kenny ainda era novo. Tinha cachorros nos visitando também naquele dia: o aristocrático Barthes, basset-round do Gastão e da Soninha, e a doce Caia, que já foi pro céu dos cachorros e que era a fila brasileiro mais linda do mundo, da Angelita.
Mas cortei a viagem e fiz o que tinha que fazer: instalei o computador da dona Conceição, que há de sair de sua condição de excluída digital, e instalei também a multifuncional HP do André que por ora está comigo. Essa rápida pegada no bolinho de fotos me fez perceber que tenho, sim, muito material para escanear, perpetuar e compartilhar.
E sim, Frank, nós realmente vivemos muitas horas legais juntos e temos muitos amigos do car***o. Vida longa para todas as nossas amizades - inclusive a nossa!
Para instalar o computador da minha mãe no canto da bancada que antigamente era o meu canto, precisei mexer na monstruosa caixa de fotos. Evitei bravamente ceder à tentação de abri-la e ficar explorando seu conteúdo, porque sempre que isso acontece o trabalho acaba ficando pra depois. Mas não resisti e dei só uma mãozada, pegando algumas fotos antigas que estavam unidas por um elástico de dinheiro.
Coisa mais linda do mundo. A maioria eram fotos de um aniversário meu, imagino que em 2000 ou 2001, aqui em casa. Lauro, filho do Maurício e da Cris, tinha no máximo uns 2 aninhos e aparece fazendo farra com o pai nas árvores. No bolo tem também fotos da minha querida Thais, nós duas numa gargalhada gostosa com o morro da Lagoinha do Leste ao fundo. Tem casais de amigos que já não estão juntos, assim como outros casais que continuam lindamente unidos e com a família aumentando - como o Dauro, que aparece pensativo embaixo de uma das pitangueiras, com o cabelo todinho preto!! Minha então sogra, dona Célia, que já não está conosco, sempre sorridente e conversando. Eu com minha camiseta do Kenny, meu primeiro boné do projeto Tamar e com um tênis azul da Adidas que eu adorava. André-meu-irmão e André Gassen (que também é um pouco meu irmão) de cabelo comprido, Tati de cabelo bem mais escuro, o Uno vermelho do Frank estacionado na frente da parreira. Meu casaco Kenny ainda era novo. Tinha cachorros nos visitando também naquele dia: o aristocrático Barthes, basset-round do Gastão e da Soninha, e a doce Caia, que já foi pro céu dos cachorros e que era a fila brasileiro mais linda do mundo, da Angelita.
Mas cortei a viagem e fiz o que tinha que fazer: instalei o computador da dona Conceição, que há de sair de sua condição de excluída digital, e instalei também a multifuncional HP do André que por ora está comigo. Essa rápida pegada no bolinho de fotos me fez perceber que tenho, sim, muito material para escanear, perpetuar e compartilhar.
E sim, Frank, nós realmente vivemos muitas horas legais juntos e temos muitos amigos do car***o. Vida longa para todas as nossas amizades - inclusive a nossa!
Recomendo enfaticamente
Não precisa entender, não precisa explicar, basta sentir. É uma enxurrada de sensações diferentes, muitas vezes perturbadoras, que ocorrem na gente durante as quase duas horas do espetáculo "Pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente", do grupo Cena 11, que assisti ontem e rola hoje de novo no teatro do CIC. É um espetáculo com estética crua e contemporânea, pesado em muitos momentos, mas muito intenso. Fiquei impressionada com o preparo físico dos bailarinos e sobretudo com a confiança que eles precisam ter uns nos outros. E adorei a participação da border collie em algumas cenas.
Vale dizer: é um espetáculo de dança, mas não adianta ir ao teatro esperando assistir a uma historinha ou a algo que tenha significado objetivo e explícito. Talvez seja por isso que ontem tanta gente foi embora antes do final.
Vale dizer: é um espetáculo de dança, mas não adianta ir ao teatro esperando assistir a uma historinha ou a algo que tenha significado objetivo e explícito. Talvez seja por isso que ontem tanta gente foi embora antes do final.
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