Podem falar mal da televisão em linhas gerais, mas eu adoro as boas surpresas que o zapping pode proporcionar. Explico.
Ontem, depois das nove da noite, lá estava eu aplicada na minha malhação. No treino novo tenho que fazer 35 minutos de atividade aeróbica com batimentos de até 145. Empolerei-me no transport (aqueles aparelhos que são meio uma bicicleta, meio uma corrida) e pluguei meus fones de ouvido ao monitor de tv (na minha academia cada equipamento de aeróbico tem sua própria tv, o que é muito legal).
Zapeando, tirei obviamente da novela da Globo e passei pelos principais canais de séries, entrevistas, etc. Na HBO2 me deparei com um programa do Elvis Costello, tipo uma Oprah do rock, no qual os entrevistados da vez eram Bono Vox (antes de se quebrar - hehe) e The Edge. Sou fã meio desnaturada, mas sou fã. Fiquei por ali. Algumas impressões:
1) Permitam-me ser tiete, mas adoro a voz do Bono either singing or talking. Tanto ele quanto Edge falam um inglês muito bonito - sem aquele forte acento dos irlandeses, mas classudo e bem pronunciado - a ponto de ser facilmente compreendido por quem estuda um pouco como eu.
2) Momento bonitinho: Bono comenta que começou a namorar a atual mulher, Ali, sua companheira há 30 anos e mãe de seus quatro filhos, no mesmo mês em que formou o U2 com os três amigos. "Foi um mês em que as coisas deram certo pra mim". Não é fofo?
3) Costello pergunta sobre alguma música da banda que eles julgam ter sido "injustiçada" pelo mercado (não foi bem esse o termo, mas a ideia é essa). Edge menciona "Faraway, so close", do álbum Zooropa, de 1993, feita para a trilha do filme de mesmo nome, de Wim Wenders - uma alegoria maluca de anjos que zelam pelas pessoas na Terra, até que um deles resolve "cair" e se tornar humano. Acho estranho que seja uma música pouco badalada, porque é uma das minhas prediletas. No clipe, Bono & cia. representam anjos tais como os do filme e chegam a se deparar com Natassja Kinski - a "anja" Raphaela do filme, no-jeeeeeenta de tão linda.
4) Àquela pergunta clichê "quais os segredos para ser uma grande banda por tanto tempo", The Edge apresenta uma resposta bem Edgar Morin: a soma dos quatro músicos em si não representa nada, é o que surge da relação que torna a banda uma grande banda. O todo é mais que a soma das partes. Isso vale pra tanta coisa. Parece óbvio, mas é legal pensar nisso depois de tanto tempo com a ciência cartesiana nos reafirmando que um mais um é dois e pronto.
5) No fim das contas fiquei um pouco além dos meus 35 minutos no exercício, para assistir ao programa até o final. Quando desliguei, observei que nas tvs em volta o pessoal estava assistindo à novela da Globo ou aos reprises dos jogos da Copa. Fiz meus alongamentos pensando que, claro, cada um sabe de si e nada contra quem prefere a novela ou o futebol. Mas saber usar o controle remoto também pode ser um ato de inteligência.
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã
sábado, 26 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Junho, 22
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