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domingo, 20 de março de 2011

What really matters

O único episódio do recém-finado verão que talvez mereça registro foi o ocorrido em 22 de janeiro, quando mais uma daquelas enxurradas estranhésimas desabaram sobre o Norte da Ilha (que, cada vez mais me convenço, é outro planeta). A rua começou a alagar, do sentido do mar para minha casa. Prevenida com a única enchente que já se havia abatido sobre meu pedacinho de chão, pedi a opinião do sempre atento hunny:

- Não sei. Mas acho que se a água chegar nesse piso aqui (apontei com o dedão do pé no segundo piso cerâmico da varanda), a gente foge pra casa da minha mãe.

Ele olhava a chuva forte caindo pesado e começou a observar que os vizinhos da parte mais baixa da rua começavam a estacionar seus carros ali na frente de casa. E a água subindo.

Cinco minutos depois da minha sentença, o sempre ágil hunny começou a suspender as coisas de dentro de casa: estabilizador, sofá, máquina de lavar roupa, os calçados que sempre deixo pra guardar amanhã.

Nem forrei o banco do carro: indiquei a meus amados Lola, Fidel e Sebastiana a porta traseira do Clio novinho e eles rapidamente se pirulitaram lá pra dentro. Catei o notebook, entrei no carro e assim empreendemos nossa fuga. Eu com minhas chinelas Crocs, camiseta batidinha do IF-SC e um short jeans nada a ver, no Clio; o sempre zeloso hunny em seu Sandero, e todos nós desviando de poças e buracos durante o trajeto até a casa da minha mãe - onde, incrível, não caía um pingo de chuva.

Lá chegamos, o susto passou, liguei para a vizinha da casa ao lado e estava tudo bem - a água tinha subido por alguns instantes, mas logo escoou. Voltamos para casa e tudo estava em ordem.

Refletindo depois do episódio, fiquei tentando entender por que diabos eu peguei o computador e não me dei conta de separar uma muda de roupa. Ou os óculos de grau. E nem sei se é o caso de Freud explicar.

Depois dessa, vale ressaltar, comprei um par de botas sete léguas. Estilosas, até.

Bye bye, verão

Desde os primórdios deste irresponsável diário público eu passo os verões reclamando - da chuva, do trânsito, dos turistas, da cidade que lota e ferve na ilusão da retina; das enchentes, dos desmoronamentos, dos congestionamentos, do rio do Brás desaguando na praia e espalhando fedor; dos vendedores que me oferecem passeio de escuna em portunhol (eu tenho cara de francesa, meu bem, mas sou daqui, entendesse?! aliás, eu MORO aqui); dos turistas de países vizinhos que não sabem o que é via preferencial; da mídia provinciana que se ocupa de listar a presença de celebridades (omg) no bairro vizinho.

Não sei se meus cinco ou seis leitores notaram, mas este verão optei por posts praticamente monossilábicos. Porque já ia ficar com fama de reclamona contumaz. Então, que seja bem-vindo o outono. E, modestamente, seja bem-vinda eu de volta.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pequenas coisas de 2010

1) No dia a dia: academia três vezes por semana. Sem nhém nhém nhém.

2) No quintal: mudas de butiá, de graviola, de grumixama, de limão, de araçá roxo.

3) Na matilha: muitos pelos brancos no focinho de Linda Lô. Exames geriátricos com excelentes resultados. A dona do quintal ainda reina.

4) No coração: meu galego tomando conta geral. Acho que eu no dele também.

5) No trabalho: cronogramas cumpridos, qualidade reconhecida, contracheque que compensa. Amigos queridos entraram pra equipe. Boas perspectivas.

6) Na garagem: carro novinho comprado a prestações possíveis.

7) Na vida acadêmica: retorno à minha primeira escola, reencontro com o que realmente gosto, novos amigos. Muito a pensar e escrever.

8) No rosto: Active C XL da La Roche-Posay, ácido hialurônico manipulado e muito filtro solar. Sinais dos tempos, ainda sutis, mas inevitáveis quando sorrio. E sorrio!

9) Na agenda do celular: números antigos voltaram a ser acionados. Números que já foram frequentes e caíram no limbo foram apagados. De uns poucos tenho saudade.

10) Na geladeira: saiu a carne de porco. Saiu o refrigerante. Entrou muita água de coco de caixinha. Continua entrando muita cerveja de qualidade a compartilhar só com quem é merecedor.

11) No pulso: voltei a usar relógio. Ganhei um lindíssimo da Guess (coisa do moço do item 4). E comprei um monitor cardíaco pra incrementar as horas passadas sobre a esteira.

12) No armário: mais do que eu preciso, sem dúvida. Mas gosto de tudo. E passei pra frente muita coisa boa que já não usava.

13) Na estante do escritório: muita teoria do jornalismo, muita metodologia de pesquisa, Boaventura de Sousa Santos e Edgar Morin.

14) Nos pés: troquei a lixa pelo esfoliante. Enfeito-os com melissas e saltos que já consigo, de novo, usar.

15) No sangue: proteína C reativa inferior a 3. Isso explica muita coisa.

sábado, 13 de novembro de 2010

Sinal dos tempos - ou: sim, eu uso ácido \m/

Consegui uma janela na agenda sempre corrida para uma consulta à dermatologista, para fazer uma revisão geral nas minhas incontáveis pintas do corpo e pedir um fortificante para as unhas, que andam esbranquiçadas - resultado do excesso de esmalte.

Saí de lá com a prescrição de uma base manipulada, fortificante, e sinal verde para continuar pintando as unhas, o que me deixou muito feliz.

Mas para o rosto ela trocou o tratamento com ácido retinoico por uma fórmula manipulada à base de ácido hialurônico. Uma breve consulta ao Google me fez concluir o óbvio: estou ficando velha.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Hoje *sou* assim

Hoje bem cedinho chegou a fazer 6 graus celsius em Curitibanos, cidade onde o destino fez com que eu viesse ao mundo, há exatos 38 anos. Minha mãe sempre conta que era uma madrugada muito fria, com geada, naquele finalzinho de inverno. Isso não mudou muito desde então - até que a primavera se estabeleça, serão ainda muitas manhãs de friozinho por lá.

Já eu, devidamente estabelecida no litoral - e na capital - há exatos 30 anos, mudei um pouco: desde aquela madrugada fria de 15 de setembro de 1972, cresci pouco mais de 1 metro e multipliquei meu peso original por 12. Mas não vou me perder em reminiscências acerca da passagem do tempo porque hoje tenho que dar conta de um monte de trabalho, aula à tarde, academia à noite, aquela correria de sempre - afinal, dia de aniversário também é dia útil, com o doce acréscimo dos paparicos que desde bem cedinho começaram a pipocar. Bom dia!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Acordando com as galinhas, mas bem feliz

E a novidade dos últimos dias é o início das atividades no curso de Mestrado em Jornalismo da UFSC, que me forçaram a uma mudança geral de rotina: meu expediente no Departamento de EaD do IF-SC agora é de manhã, o que nos primeiros dias está me fazendo sofrer um pouco para acordar às 5h45 e estar no Centro às 8h. Na segunda-feira peguei no sono na frente da televisão, antes das 21h e ainda montada de academia - cena patética. A primeira aula, na terça-feira, foi com o querido Francisco Karam, com quem já estive em sala nos tempos da graduação. Ele é querido mas pede leituras de livros de 500 páginas de uma semana pra outra - ou seja, vou camelar bastante nesse curso, muito mais aliás do que camelei na graduação. Hoje à tarde teremos a recepção aos "calouros" (engraçado ser calouro em curso de pós, mas tudo bem) e aula de metodologia com a Gislene, que é minha orientadora e que por coincidência foi da minha banca do outro mestrado (em Educação, que concluí em 2007). Tudo isso será conciliado ainda com inglês avançado duas vezes por semana (nos mesmos dias e um andar acima das aulas do mestrado, então tá arregado), a malhação obrigatória e da qual me torno cada vez mais dependente três vezes por semana e a dedicação de 20h ao trabalho como bolsista do programa UAB, produzindo material didático para cursos de pós-graduação lato sensu. Acho que vai ser cansativo, mas tudo há de dar pé, com diz Gil. Ou não.

sábado, 17 de julho de 2010

Sábado, frio, chuvisco

Cama até depois das 11, preguiça, almoço sem horário. Namorado, preguiça. Aquecedor ligado, cachorros em seus edredons, cobertor nos joelhos. Meu casaco Kenny, always. Heineken, chandelle mousse. Zapping na tv a cabo. Manicure caseira, cor nova. Sopa, mais Heineken e mais chandelle mousse. "Orgulho e preconceito" pela 86a. vez. E ainda são apenas 10 da noite. Adoro esse friozinho. There's no place like home.

sábado, 10 de julho de 2010

Coisas que mudam, coisas que não mudam

O desktop do meu computador estava um caos absoluto e foi hoje o dia em que eu resolvi me irritar e gastar um tempo fazendo nele uma limpeza daquelas - o que significou, na prática, uma boa geral em todas as minhas pastas de trabalho, estudos, fotos, coisas domésticas, etc. Pois numa pasta de textos aleatórios encontrei o que escrevi há, imagino, uns dois anos e pouco para meu novo perfil do Orkut. Quando comecei o blog, resolvi deixar apenas o link lá no espaço destinado ao perfil, mas como gostava do que tinha escrito sobre mim mesma acabei guardando o texto - e esqueci. Hoje encontrei, reli e gostei de novo:

Já escrevi num "about me" antigo que eu era uma dona da verdade atormentada pelas dúvidas. Em outro escrevi que era uma virginiana típica que não acredita em horóscopo. Daí saí do Orkut, pensei um pouco na vida e voltei. Continuo, contudo, convencida de que as contradições e incertezas fazem parte da vida e dão uma certa graça a ela. Como li outro dia no livro de um francês porreta, as certezas são biodegradáveis. Ou seja, se tenho certeza de uma coisa hoje, amanhã tudo pode se transformar - aquela certeza antiga muda e vira outra coisa. Não que eu seja indecisa ou volúvel. Acho até que sou bem decidida e firme. Mas é que percebi que o movimento faz parte da vida. Li em outro francês porreta que a gente pode sim mudar de opinião, desde que mantenha os princípios. Legal isso. Acho que poder mudar é uma das grandes graças da condição humana. Esses são os pensamentos básicos que têm me norteado ultimamente. Fora isso, sou alguém bem convencional, que vai diariamente de casa pro trabalho, do trabalho pra casa, e que nos sábados se dá ao luxo de dormir até depois das nove. Tento almoçar diariamente com minha mãe e sempre saber como estão meus irmãos. Não tenho irmãs, mas tenho amigas leais que compensam qualquer falta que eu poderia sentir disso. Cuido bem dos meus cachorros e acho que o zelo que tenho com eles pode indicar que eu serei uma boa mãe, se um dia o for. Sei que à primeira vista passo a imagem de sisuda ou fechada - herdei isso de meu pai - mas também sei que geralmente sou fácil de conviver - embora em alguns casos haja uma linha amarela bem definida a não ser cruzada. Tenho defeitos como ser meio direta demais às vezes (muitas, talvez) e exigir demais das pessoas. Sou atrapalhada com chaves - a do carro sou capaz de perder dentro da minha própria bolsa, e isso também herdei do seu Egídio. Já não herdei dele a capacidade de arrumar direitinho as compras de supermercado no porta-malas. Todos os dias, aliás, penso no meu pai. E também tenho saudades do tempo em que só se bebia coca-cola aos domingos - era só 1 litro para cinco pessoas. Hoje não bebo mais coca-cola por opção minha, salvo com finalidades medicinais - ou seja, em casos de ressaca extrema, o que tem sido bem raro. Mas em compensação bebo muito café. Preto, forte e sem açúcar - no máximo com açúcar mascavo, quando é café coado. Tenho procurado andar mais de cabelo solto. Mas o comprimento me incomodou um pouco: passei a tesoura. O reumatologista sempre me diz que não devo usar salto, mas não consigo deixar minhas botas e meus tamancos de lado. Assim como raramente saio de casa sem meus três anéis de prata prediletos - um deles veio parar no meu dedo anular direito há 12 anos, num arquipélago do Atlântico. Adoro internet, vejo meus emails a cada três minutos e também passaria mal sem tv a cabo. Ainda quero voltar a Noronha e ir a Cuba, além de molhar os pés no Oceano Pacífico - o ponto exato ainda não decidi. Pretendo fazer doutorado e sei que preciso abandonar o sedentarismo - mas para ambos ando sem tempo. Meus hábitos saudáveis se restringem basicamente a comer arroz integral e beber bastante água - ando com garrafinha na bolsa. Acredito na ciência mas acho que ela não dá conta de explicar muitas coisas essenciais. Acho que o tempo é uma invenção humana. Outro dia um amigo me disse que eu fiquei melhor com o passar do tempo, essa entidade, mas confesso que fiquei pensando se ele estava sendo irônico - coisa de gente que tem problema de auto-estima. (Pensei em perguntar, e agora perguntei.) Quase sempre estou com fome e provavelmente a resposta será positiva quando me oferecerem uma boa cerveja - desde que o contexto seja favorável. Bom, eu sempre disse que não gostava de perfis enormes do tipo "livro aberto", mas agora estou aqui persistindo nessa verdadeira epístola sem fim. Sabe como é, mudar de opinião, rever conceitos, desmontar certezas, encontrar novos paradigmas... todas essas coisas nas quais eu tenho pensado me levaram a isso. Lembra?

[Vale observar que algumas coisas importantes de fato mudaram: abandonei o sedentarismo; tentei dois doutorados, não consegui, então resolvi esperar mais um pouco para dar esse passo e enquanto espero vou fazer outro mestrado; tenho bebido coca-cola mais do que deveria, mas em compensação nem mascavo uso mais no café - é só cowboy mesmo; tenho alternado os três anéis de prata antigos com os vários que ganhei de presente de hunny; não corto o cabelo desde aquela época, fiz luzes californianas e estou adorando minha cabeleira lisa e dourada.]

[Olhando bem de perto, dá pra dizer que esse textinho é a carta de Pero Vaz de Caminha do meu blog. ;) ]

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quality sunday

Semana passada, num texto da aula de inglês, a turma ficou em dúvida quanto à expressão "quality time". O professor Aldy explicou que se trata de uma expressão que não tem uma tradição direta para o português - seria "tempo de qualidade", mas ninguém fala isso. Mas o sentido é fácil de entender: "quality time" é aquele tempo bem aproveitado que se passa ao lado de pessoas queridas ou consigo mesmo. Como na frase em questão: "We both have very demanding jobs, so weekends and holidays are the only times we can have some quality time together". É aquele tempo em que namorado e namorada, marido e mulher, pai e filho, filho e mãe, amigos, compadres, passam realmente juntos. Simples de entender.

Bom, então ontem eu voltei pra casa pensando que tive realmente um quality sunday: acordei às 5h da manhã para trabalhar na prova de ingresso da instituição onde trabalho; me apresentei às 7h10 e ao meio-dia estava saindo; busquei minha mãe em casa e botamos o assunto em dia durante um almoço delicioso e ensolarado no Ribeirão da Ilha, com direito a ostras, tainha, Heineken 600, sorvete Amoratto e café expresso; fizemos uma visita surpresa e igualmente deliciosa para os Fontinha Oliveira (intimidade é uma merda, tu liga e diz "oi, estão em casa?", "estamos", "ah, tou indo aí com a mãe"', "ótimo, vou passar um café!"), onde além do café tinha família reunida, bolo de cenoura, bruschettas do Maurício e até uma lavação grátis e inusitada do meu carro sempre sujo; mãe devidamente deixada em casa no fim da tarde, analisamos brevemente meu tricô (que foi aprovado por ela) e em seguida fui pra academia (sim, domingo), antecipando meu treino de segunda, já que de antemão eu sabia que teria que faltar em função do trabalho; durante a série de novos exercícios, telefonema de hunny dizendo que estava saindo do trabalho (ele também estava convocado para a prova de ingresso, mas em período integral); terminei meu treino, tomei um banhão e fui ao encontro de hunny, para botarmos o assunto em dia entre chopinhos e um ma-raaavilhoso hambúrguer de picanha. Na volta pra casa, uma lua cheia de dar nojo pendurada no céu e o prenúncio de uma semana cheia de tarefas. Tomara que todas deem tão certo quanto o meu domingo.

sábado, 26 de junho de 2010

Mais um revival dos anos 90

Podem falar mal da televisão em linhas gerais, mas eu adoro as boas surpresas que o zapping pode proporcionar. Explico.

Ontem, depois das nove da noite, lá estava eu aplicada na minha malhação. No treino novo tenho que fazer 35 minutos de atividade aeróbica com batimentos de até 145. Empolerei-me no transport (aqueles aparelhos que são meio uma bicicleta, meio uma corrida) e pluguei meus fones de ouvido ao monitor de tv (na minha academia cada equipamento de aeróbico tem sua própria tv, o que é muito legal).

Zapeando, tirei obviamente da novela da Globo e passei pelos principais canais de séries, entrevistas, etc. Na HBO2 me deparei com um programa do Elvis Costello, tipo uma Oprah do rock, no qual os entrevistados da vez eram Bono Vox (antes de se quebrar - hehe) e The Edge. Sou fã meio desnaturada, mas sou fã. Fiquei por ali. Algumas impressões:

1) Permitam-me ser tiete, mas adoro a voz do Bono either singing or talking. Tanto ele quanto Edge falam um inglês muito bonito - sem aquele forte acento dos irlandeses, mas classudo e bem pronunciado - a ponto de ser facilmente compreendido por quem estuda um pouco como eu.

2) Momento bonitinho: Bono comenta que começou a namorar a atual mulher, Ali, sua companheira há 30 anos e mãe de seus quatro filhos, no mesmo mês em que formou o U2 com os três amigos. "Foi um mês em que as coisas deram certo pra mim". Não é fofo?

3) Costello pergunta sobre alguma música da banda que eles julgam ter sido "injustiçada" pelo mercado (não foi bem esse o termo, mas a ideia é essa). Edge menciona "Faraway, so close", do álbum Zooropa, de 1993, feita para a trilha do filme de mesmo nome, de Wim Wenders - uma alegoria maluca de anjos que zelam pelas pessoas na Terra, até que um deles resolve "cair" e se tornar humano. Acho estranho que seja uma música pouco badalada, porque é uma das minhas prediletas. No clipe, Bono & cia. representam anjos tais como os do filme e chegam a se deparar com Natassja Kinski - a "anja" Raphaela do filme, no-jeeeeeenta de tão linda.

4) Àquela pergunta clichê "quais os segredos para ser uma grande banda por tanto tempo", The Edge apresenta uma resposta bem Edgar Morin: a soma dos quatro músicos em si não representa nada, é o que surge da relação que torna a banda uma grande banda. O todo é mais que a soma das partes. Isso vale pra tanta coisa. Parece óbvio, mas é legal pensar nisso depois de tanto tempo com a ciência cartesiana nos reafirmando que um mais um é dois e pronto.

5) No fim das contas fiquei um pouco além dos meus 35 minutos no exercício, para assistir ao programa até o final. Quando desliguei, observei que nas tvs em volta o pessoal estava assistindo à novela da Globo ou aos reprises dos jogos da Copa. Fiz meus alongamentos pensando que, claro, cada um sabe de si e nada contra quem prefere a novela ou o futebol. Mas saber usar o controle remoto também pode ser um ato de inteligência.


terça-feira, 15 de junho de 2010

Não tem milagre

Cinco meses e meio depois de voltar para a academia, chegou a hora da verdade: na última quinta-feira fiz a minha segunda avaliação física, daquelas que além de registrar o peso total mede também percentual de gordura, flexibilidade, condicionamento físico, etc. Eu estava com receio porque afinal de contas tinha passado quatro dias na serra, mergulhada em sopas de agnolini e capeletti, atolada em pães caseiros com natinha e geleias... enfim. E os tintos - ah, os tintos. Mas o resultado foi excelente: melhora na flexibilidade de modo geral - com exceção dos pés, afinal eu sou uma doente do pé; redução acima da meta do peso total; redução importante do percentual de gordura (foram três quilos só de banha perdidos); aumento da massa magra; manutenção do peso muscular; melhora importante do condicionamento físico. O melhor resultado não aparece explicitamente na avaliação: minhas tendinites se foram, o que meu médico associa diretamente à atividade física regular e orientada. Então pra quem diz que academia é caro, que é chato, que é perda de tempo, eu digo: vale a pena, dá resultado e pode, sim, ser divertido. Tem coisa mais divertida que se sentir bem?

[E faço a propaganda sem contrangimento nenhum: esta é a melhor academia que já frequentei. Ambiente excelente, equipamentos novos, profissionais competentes e atenciosos. Recomendo fortemente.]

sábado, 29 de maio de 2010

O bom filho à casa torna

A casa até mudou um pouco desde que passei por lá pela primeira vez, na graduação, entre 1990 e 1995.

Mas tudo bem. Eu também já não sou a mesma.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Felicidade dá em árvore?



Apreciadora dedicada de plantinhas fofas e seus simbolismos, minha mãe não demorou muito a me presentear com um casalzinho de árvores da felicidade alguns dias depois que deixei de morar com ela, lá pros idos de... 2001. Eram as duas no mesmo vaso. Reza a lenda em torno dessas arvorezinhas que uma é o macho, outra a fêmea, e que elas devem ser cultivadas sempre juntas. Outro aspecto importante da superstição é que elas devem necessariamente ser ganhas de presente, como manifestação do desejo de boa sorte e felicidade da parte de quem presenteia.
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As minhas duas são essas aí (pessimamente fotografadas com o celular na luz baixa e alaranjada da sala da minha casa). A da direita é a remanescente do casalzinho original - de folhinhas compridas, não sei se macho ou fêmea. A da esquerda, de folhinhas redondas, está comigo há cerca de um ano. Sua similar original foi acometida por um surto de colchonilhas - um insetinho redondo que até é simpático na aparência, mas na verdade é um parasita que se alimenta da seiva da planta. E a minha arvorezinha pegou esse troço. Só a das folhas redondas. A outra, nem tchuns.
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Mãe fez de tudo para resolver: plantou em outro vaso, passou produtos para matar os bichinhos, nada deu certo. E finou-se a primeira arvorezinha. Mas reza a lenda que elas devem estar sempre em casal, e mãe persistiu, tentou me dar outras duas ou três desde então. Mas a das folhas compridas parecia estar destinada a ser uma árvore solteira: as das folhas redondas sempre morriam.
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Até que ela - a árvore das folhas compridas - ficou uma temporada sozinha na sala, em seu vaso. Crescendo, bonitinha, forte, mas sozinha. Ano passado mãe veio com uma mudinha nova, feita a partir de uma árvore da espécie das folhas redondas que tem no jardim do prédio dela - uma mudinha com história, portanto. Compramos vasos iguais para tentar um approach entre o novo casal - a mudinha nova em um, e a arvorezinha antiga no outro. Posicionei-as ao lado da minha TV, no aparador da sala, onde elas recebem claridade da rua mas não pegam sol direto.
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No início, a das folhas compridas estranhou: murchou, perdeu folhas, ficou meio pálida - acho que estava com medo do novo relacionamento. Enquanto a das folhas redondas se fixava na terrinha boa e botava mais e mais brotinhos novos.
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Mas foram só alguns dias assim. Hoje meu parzinho de árvores da felicidade é, posso dizer, um casal perfeito. Nada como encontrar a cara-metade, não é mesmo?
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[Observação: a tartaruga da coleção Procurando Nemo, em cima da TV, foi presente do querido Fred no meu aniversário, há três anos; já a da prateleira foi comprada no Projeto Tamar da Praia do Forte, na Bahia, a long long long time ago. Além de plantinhas, também curto tartarugas, sabia?]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais uma história escabrosa

Quase não consegui engolir meu delicioso café da manhã quando li no DC Online mais uma história repugnante de maus tratos contra cães logo aqui pertinho. E o pior: atrocidades cometidas dentro da corporação que tem por obrigação fazer cumprir a lei. Vergonhoso. Algumas observações:

1) Sem querer dar uma de Polyanna, o fato de a história vir a público significa que a consciência em relação a esses absurdos está, sim, aumentando. Porque foi um policial quem se encarregou de fazer a denúncia, em primeiro lugar. E também pelo espaço dado pelo jornal e pela TV para o assunto. Tomara, contudo, que as investigações caminhem e os desalmados sejam punidos com rigor.

2) Essencial, portanto, o papel das ONGs protetoras como fiscais desse processo. Muita gente acha esse povo meio enfadonho, mas eu tenho o maior respeito por quem se dedica a essa causa. Só lamento que muitas vezes haja tanta competição entre as próprias ONGs.

3) Não consigo entender como alguém consegue querer simplesmente "se livrar" de um cão, seja ele pastor, vira-lata ou extraterrestre. Quem convive com cães sabe o quanto eles são amoráveis. É muita falta de alma.

4) Cães são amoráveis, mas é claro que dão trabalho. Aqui em casa tenho meus três. Dois grandes e uma média - que nem por isso é menos traquinas (neste exato momento está ela lá, toda linda e cheirosa depois do banho, latindo compulsivamente no portão para sei lá o quê). Todo mês é ração (porque eu ainda não consegui entrar na onda da comida natural, já que não tenho feito comida nem pra mim...), banho, repelente de parasitas; periodicamente é vermífugo, vacina; veterinário sempre que necessário. E eu sou mãe solteira, ou seja, banco os três sozinha. Racionalmente eu não seria uma pessoa dona de três cães, mas a vida me conduziu a isso e cuido dos três com muito amor. O dinheiro e o tempo que eu gasto com eles é investimento. Digo mesmo que não consigo imaginar minha vida sem eles. Cada lambida no cotovelo que ganho da Lola me faz lembrar disso, todos os dias. E cada pelinho branco novo que percebo aparecer no focinho dela (Lola é uma boxer e já está com quase 8 anos) me deixa com o coração apertado porque isso me lembra que provavelmente ela já passou da metade da sua vida, e em mais alguns poucos anos teremos que nos separar. Então não consigo entender como diabos alguém consegue simplesmente mandar matar seu cachorro. Não consigo. E lacrimejo pensando nisso.

5) Também não consigo deixar de vislumbrar no binônio adoção responsável + castração a medida mais inteligente para evitar que esse tipo de problema se perpetue. Não sou militante de ONG, mas faço discurso pró-castração pra todo mundo que tem cachorro, seja de raça ou vira-latas. Meus três são castrados e entendo que fazer isso foi um bem para eles e para a espécie deles. Se alguém me fala em adotar um bichinho, logo recomendo procurar as ONGs que abrigam tantos e tantos que precisam de adoção. Acho que é no trabalho formiguinha que se vai conseguindo mudar. Bom, e quem sou eu pra falar disso? Muitas das minhas convicções a esse respeito surgiram a partir da leitura diária e da amizade com a Mãe de Cachorro Ana Corina, de quem falo de vez em quando aqui no blog. Acho o trabalho dela - independente, responsável , obstinado e educativo - digno de prêmio. Se você se importa com os bichinhos, mesmo não tendo um, vá lá: http://www.maedecachorro.com.br.

Pronto. Agora dá licença que vou lá ver por que a Sebastiana está latindo. =)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lévy rocks! \m/

De férias forçadas, resolvi dar um pulo em Curitiba para uma xeretada básica nos meus dois irmãos. Fresca que sou, aproveitei a megapromo da TAM e comprei passagens de avião, ida e volta, mais barato do que ônibus. Mas o transporte aéreo nunca foi tão enrolado na história desse país: meu voo que deveria ir primeiro a Guarulhos e depois a Curitiba foi parcialmente cancelado porque o aeroporto de Brasília (sempre Brasília) ficou fechado algumas horas... daí me colocaram num voo Florianópolis-Congonhas para depois seguir à sempre elegante e agradável capital paranaense onde mora parte do meu coração. Com isso, é claro, passei algumas horinhas tomando chá de banco em aeroporto.

Mas, precavida que sou, tomei o cuidado de incluir um livro na bagagem de mão - o que me faria inclusive resistir à tentação de gastar dinheiro nas sempre caras livrarias de aeroporto. Fucei rapidamente na estante do escritório e vi meu exemplar novinho em folha de "Cibercultura", de Pierre Lévy, um livro que já não é tão novo (a primeira edição é de 1997), mas que ainda apresenta algumas reflexões extremamente instigantes a respeito de nosso mundo hiperconectado. Durante meu mestrado trabalhamos um pouco esse autor na disciplina Seminários de Pesquisa, mas eu só comprei o livro no ano passado e acabei injustamente deixando-o encostado na pilha de próximas leituras.

Um trechinho logo do início:

Aqueles que denunciam a cibercultura hoje têm uma estranha semelhança com aqueles que desprezavam o rock nos anos 50 ou 60. O rock era anglo-americano e tornou-se uma indústria. Isso não o impediu, contudo, de ser o porta-voz das aspirações de uma enorme parcela da juventude mundial. Também não impediu que muitos de nós nos divertíssemos ouvindo ou tocando juntos essa música. A música pop dos anos 70 deu uma consciência a uma ou duas gerações e contribuiu para o fim da Guerra do Vietnã. É bem verdade que nem o rock nem a música pop resolveram o problema da miséria ou da fome no mundo. Mas isso seria razão para "ser contra"?

Enquanto jornalista, roqueira, profissional da área de educação a distância, blogueira ocasional, tuiteira recém-deslumbrada e apaixonada por meu smartphone, imagino que essa leitura descompromissada do Lévy será bastante produtiva. Até porque, apesar de todos esses meus desvios de caráter, eu continuo uma apaixonada pelos livros - essa mídia tão antiquada, ainda insubstituível.

[Vale lembrar um efeito nefasto da cibercultura sobre meu corpicho: estou tratando outra crise ultrasevera de bursite com tendinite, desta vez no ombro esquerdo. E meu próximo sonho de consumo agora é o teclado ergonômico novo da Microsoft.]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Control cê, control vê

Faço minhas as... minhas próprias palavras do ano passado: eu sou um ser de outro planeta e detesto o Planeta Atlântida, pelos motivos que descrevo aqui. Todos continuam valendo.

E como o que é ruim sempre pode, sim, piorar, uma terrível atualização em relação a 2009: esse ano, oh my god, tem Ivete. De resto, tudo na lesma lerda. A tal dupla de sertanejo universitário, esse gênero estranho, também vai estar lá. A cerveja ainda é Nova Schin e o refrigerante oficial ainda é Pepsi. O local ainda é aquele descampado. Na TV ainda dizem que vai ser do caralho. Nada muda. Nem meu humor.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um tabefe na cara, com luva de pelica

Eu aqui mal-humorada, ranheta e me sentindo a criatura mais rastejante sobre a terra por ter dado uma batida de carro no final da tarde de domingo, no percurso inocente entre a casa da minha mãe e a minha. Me sentindo injustiçada porque quem causou o acidente foi o senhor nativo de um país vizinho (sem preconceito) que resolveu, do nada, parar sobre a pista, mas como eu fui o último dos quatro carros que se engancharam atrás do Peugeot do dito cujo, a responsabilidade pelo acidente, até provem o contrário, é minha. Daí chego esta manhã com meu carro alugado pelo seguro e venho ao escritório para saber notícias do carro, que foi levado de guincho para a oficina e será consertado pelo seguro, cuja franquia eu vou me arrebentar pra pagar, mas vou pagar. E, na internet, vejo a notícia de que a dona Zilda Arns, uma das brasileiras mais admiráveis que conheço, que mais se doaram pelos pobres do meu país (e dos outros países também), morreu no terremoto do Haiti. Abri algumas fotos da catástrofe e minha mãe imediatamente começou a chorar ao meu lado, pela tristeza pela qual está passando aquela gente e pela perda da dona Zilda, a quem ela conheceu pessoalmente e mantinha/mantém gigantesca admiração. De um minuto pro outro fiquei morrendo de vergonha: meu super problema é só uma batidinha de carro. Perdão, pessoas do mundo, por minha mesquinharia.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Papai Noel sem rosto

Não se preocupem, porque o título do post não anuncia nenhum texto crítico ao consumismo mordaz desta época. A ideia é só contar que o enfeite de porta fofo, barato e novinho que eu comprei para este ano - uma meia de feltro com um bonequinho de Papai Noel de cara bem rechonchuda - foi devidamente transformado em brinquedo pelos meus três amados cachorrinhos no mesmo dia em que foi pendurado. Isso foi antes de eu viajar, e o extermínio de mais este enfeite de porta me fez perder o pique com decorações de Natal este ano.

Mas ontem me curei. Depois de um dia ultrasobrecarregado, que envolveu reunião de trabalho bem cedo, saída com a família, supermercado, salão (eu também mereço uma pet shop) e até batida de carro (nada grave), isso tudo abaaaaixo de uma chuuuuuuva chatééééésima, entrei no clima total: passava um pouco das 22h quando fui para a cozinha fazer pudim de leite. Enquanto o dito cujo assava, embrulhei os presentinhos que vou levar hoje para a family na casa de mamy, desencaixotei os enfeites de Natal e coloquei todos em seus devidos lugares. O que sobrou do enfeite estraçalhado - só a meia - ficou no corredor. Montei minha mini-árvore de moça solteira (daquelas de 50cm de altura) com bolinhas e laços vermelhos, outros enfeitinhos dourados, ao lado do menino Jesus (não é exatamente um presépio, mas é a intenção), com muitas luzinhas, tudo sobre a mesinha antiga de madeira que pertenceu a minha bisavó. E pronto, como num passe de mágica minha casinha ficou com cara de Natal e cheiro de pudim assando.