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domingo, 20 de março de 2011

What really matters

O único episódio do recém-finado verão que talvez mereça registro foi o ocorrido em 22 de janeiro, quando mais uma daquelas enxurradas estranhésimas desabaram sobre o Norte da Ilha (que, cada vez mais me convenço, é outro planeta). A rua começou a alagar, do sentido do mar para minha casa. Prevenida com a única enchente que já se havia abatido sobre meu pedacinho de chão, pedi a opinião do sempre atento hunny:

- Não sei. Mas acho que se a água chegar nesse piso aqui (apontei com o dedão do pé no segundo piso cerâmico da varanda), a gente foge pra casa da minha mãe.

Ele olhava a chuva forte caindo pesado e começou a observar que os vizinhos da parte mais baixa da rua começavam a estacionar seus carros ali na frente de casa. E a água subindo.

Cinco minutos depois da minha sentença, o sempre ágil hunny começou a suspender as coisas de dentro de casa: estabilizador, sofá, máquina de lavar roupa, os calçados que sempre deixo pra guardar amanhã.

Nem forrei o banco do carro: indiquei a meus amados Lola, Fidel e Sebastiana a porta traseira do Clio novinho e eles rapidamente se pirulitaram lá pra dentro. Catei o notebook, entrei no carro e assim empreendemos nossa fuga. Eu com minhas chinelas Crocs, camiseta batidinha do IF-SC e um short jeans nada a ver, no Clio; o sempre zeloso hunny em seu Sandero, e todos nós desviando de poças e buracos durante o trajeto até a casa da minha mãe - onde, incrível, não caía um pingo de chuva.

Lá chegamos, o susto passou, liguei para a vizinha da casa ao lado e estava tudo bem - a água tinha subido por alguns instantes, mas logo escoou. Voltamos para casa e tudo estava em ordem.

Refletindo depois do episódio, fiquei tentando entender por que diabos eu peguei o computador e não me dei conta de separar uma muda de roupa. Ou os óculos de grau. E nem sei se é o caso de Freud explicar.

Depois dessa, vale ressaltar, comprei um par de botas sete léguas. Estilosas, até.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Barulhinho bom

Fuçando em imagens do computador, achei o videozinho feito pelo Marcelo no dia 24 de janeiro de 2009, num passeio ultra divertido para o Arvoredo (com Douglas a dois dias de ser meu namorado, Tati, Alan, Marcelo e Viviane, no barco do sempre querido capitão Zé). Saudade do mar, saudade da Bahia, saudade de mergulhar pra ver tartarugas placidamente nadando em sua liberdade azul.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E eis que, de novo, é 26 de janeiro

Sigamos, pois, relendo Drummond.


Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.


"Amor e seu tempo" foi publicado por Carlos Drummond de Andrade no livro "As impurezas do branco", em 1973.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pequenas coisas de 2010

1) No dia a dia: academia três vezes por semana. Sem nhém nhém nhém.

2) No quintal: mudas de butiá, de graviola, de grumixama, de limão, de araçá roxo.

3) Na matilha: muitos pelos brancos no focinho de Linda Lô. Exames geriátricos com excelentes resultados. A dona do quintal ainda reina.

4) No coração: meu galego tomando conta geral. Acho que eu no dele também.

5) No trabalho: cronogramas cumpridos, qualidade reconhecida, contracheque que compensa. Amigos queridos entraram pra equipe. Boas perspectivas.

6) Na garagem: carro novinho comprado a prestações possíveis.

7) Na vida acadêmica: retorno à minha primeira escola, reencontro com o que realmente gosto, novos amigos. Muito a pensar e escrever.

8) No rosto: Active C XL da La Roche-Posay, ácido hialurônico manipulado e muito filtro solar. Sinais dos tempos, ainda sutis, mas inevitáveis quando sorrio. E sorrio!

9) Na agenda do celular: números antigos voltaram a ser acionados. Números que já foram frequentes e caíram no limbo foram apagados. De uns poucos tenho saudade.

10) Na geladeira: saiu a carne de porco. Saiu o refrigerante. Entrou muita água de coco de caixinha. Continua entrando muita cerveja de qualidade a compartilhar só com quem é merecedor.

11) No pulso: voltei a usar relógio. Ganhei um lindíssimo da Guess (coisa do moço do item 4). E comprei um monitor cardíaco pra incrementar as horas passadas sobre a esteira.

12) No armário: mais do que eu preciso, sem dúvida. Mas gosto de tudo. E passei pra frente muita coisa boa que já não usava.

13) Na estante do escritório: muita teoria do jornalismo, muita metodologia de pesquisa, Boaventura de Sousa Santos e Edgar Morin.

14) Nos pés: troquei a lixa pelo esfoliante. Enfeito-os com melissas e saltos que já consigo, de novo, usar.

15) No sangue: proteína C reativa inferior a 3. Isso explica muita coisa.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tuito pouco, blogo menos ainda

Minha condição de ausência contingencial das redes sociais me fez hoje pensar em um poema bonitinho que me lembra os tempos de colégio:

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

"Neologismo", de Manuel Bandeira, está no livro "Estrela da Vida Inteira" (3.ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1973). Para o Douglas, lá em Brasília, que eu beijo, com quem falo até demais e sempre conjugo o verbo teadorar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Hoje *sou* assim

Hoje bem cedinho chegou a fazer 6 graus celsius em Curitibanos, cidade onde o destino fez com que eu viesse ao mundo, há exatos 38 anos. Minha mãe sempre conta que era uma madrugada muito fria, com geada, naquele finalzinho de inverno. Isso não mudou muito desde então - até que a primavera se estabeleça, serão ainda muitas manhãs de friozinho por lá.

Já eu, devidamente estabelecida no litoral - e na capital - há exatos 30 anos, mudei um pouco: desde aquela madrugada fria de 15 de setembro de 1972, cresci pouco mais de 1 metro e multipliquei meu peso original por 12. Mas não vou me perder em reminiscências acerca da passagem do tempo porque hoje tenho que dar conta de um monte de trabalho, aula à tarde, academia à noite, aquela correria de sempre - afinal, dia de aniversário também é dia útil, com o doce acréscimo dos paparicos que desde bem cedinho começaram a pipocar. Bom dia!

domingo, 29 de agosto de 2010

Toda trabalhada na renda


Já perdi a conta de quantas mãos cheias de physallis saíram da enorme planta em que se transformou aquela pequena mudinha (veja os posts anteriores a partir do link deste aqui). As frutas estão tão lindas e doces que hunny e eu tivemos a satisfação de levar um pacote cheio delas de presente para a querida Angelita (tão perfeitas e delicadas que parecem ter sido modeladas por uma scrapbooker de mão cheia como ela). Da colheita veio essa aqui, que resolveu ser diferente das demais e usar um modelito rendado. Não é linda?
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[Sei que isso não tem importância nenhuma, mas a mão é minha e o esmalte é o Clubber, da nova coleção da Colorama.]

Curitiba, sábado de sol




Eu e dois gatos de Rayban no belíssimo parque Barigui.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O sapo doidão

Depois de ter dado carona para uma perereca até o shopping, foi a experiência mais batraquiana da minha vida. E em plena época de seca, vejam só.

Chegando eu em casa, bem feliz, cumprindo aquele ritual de carregar as tranqueiras do carro pra dentro, agradar os cachorros com seus rabinhos felizes, tirar salto, etc. Sempre é bom chegar em casa nas segundas-feiras porque é nas segundas que Santa Claudete faz aquele faxinão e deixa tudo super cheiroso. Chego no meu quarto. No cantinho, perto da janela, um objeto escuro estranho. Acendo a luz, e lá está ele: um sapo.

Mas não era um sapinho, uma rãzinha, uma perereca dessas que grudam na parede e são simpaticíssimas (e vão ao shopping). Era, tipo, um SAPO. Simpático, até, mas um sapo.

Para sorte do próprio dito cujo, consegui despistar os cachorros de modo que eles não tomaram conhecimento da sua presença. Fechei a porta do quarto e fiquei olhando praquele bicho ali, grande, gordinho, sentado virado pra quina da parede, meio desconcertado, coitado, totalmente fora de seu lugar. Que estás fazendo aqui, criatura, perguntei, e como é que vais sair agora? Liguei - claro - para hunny, que me orientou a removê-lo usando um saquinho de supermercado como luva.

- Mas um saquinho de supermercado não dá. Não fazes ideia, é um sapo maior que a minha mão.

Talvez com um pouco daquela incredulidade masculina reativa a chiliques femininos, ele repetiu que era muito fácil fazer o traslado de qualquer sapo com uma sacolinha do Angeloni. Disse que ia estudar o caso e desliguei. Cachorros devidamente isolados, fui à área de serviço e destaquei do rolinho um saco de lixo daqueles azuis, de 50 litros.

Olha a foto ali, escura e desfocada mesmo (meu celular estava quase sem bateria e simplesmente não deu foco). Esse é o meu sapinho, dentro do saco azul de 50 litros.


Saco numa mão, vassoura na outra, voltei eu para o quarto e o meu triste invasor continuava lá, deslocado, desconcertado, envergonhado, imóvel olhando para a quina da parede. Abri bem a boca do saco de lixo e vapt! joguei por cima dele, que imediatamente pulou para dentro. Sapos urbanos devem receber treinamento para esse tipo de emergência. Com a vassoura, tampei a boca do saco e fui empurrando aquele monstrenguinho com cuidado para fora, arrastando no chão. Só quando estava na varanda tive coragem de juntá-lo do chão. Tinha, acho, uns 400 gramas e foi devidamente arremessado, saco e tudo, para o terreno vizinho.

Quando voltei para dentro de casa, identifiquei uma pista que talvez explique a invasão: no banheiro do meu quarto, o ralo do chuveiro estava fora do lugar. Imaginei que ele tivesse saído dali. Mas também pareceu estranho imaginar uma comunidade subterrânea de sapos cujo caminho para o mundo exterior seja o ralo do MEU chuveiro. Então desencanei e, na sexta-feira, segundo dia de expediente de Santa Claudete, contei a história a ela - que ficou atônita. Ela me contou que naquele dia, quando tirou a gradezinha do ralo para limpar, despejou água com bastante cloro para dentro do ralo.

- Provavelmente ele se intoxicou com a água sanitária e resolveu sair, dona Ana. Ou então era um príncipe.

Sim, tem toda lógica. Então vamos ao serviço de utilidade pública: se alguém aí ainda está em busca de seu príncipe e quiser conhecer o meu sapo, mande uma mensagem que eu indico o endereço de onde ele possa estar. Afinal, meu príncipe eu já encontrei. Pelo menos até agora ele não desvirou em sapo...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Meninos

Estava eu fazendo as unhas na semana passada, hunny liga. No meio da conversa comentei que estava na função de automanicure, mas não sabia que cor passar.

- Quais as alternativas? ele perguntou.
- Um bem escuro puxando pro café, um rosa bem cheguei, um verdinho desses da moda e um branquinho natural.

Adivinha qual ele escolheu?

sábado, 17 de julho de 2010

Sábado, frio, chuvisco

Cama até depois das 11, preguiça, almoço sem horário. Namorado, preguiça. Aquecedor ligado, cachorros em seus edredons, cobertor nos joelhos. Meu casaco Kenny, always. Heineken, chandelle mousse. Zapping na tv a cabo. Manicure caseira, cor nova. Sopa, mais Heineken e mais chandelle mousse. "Orgulho e preconceito" pela 86a. vez. E ainda são apenas 10 da noite. Adoro esse friozinho. There's no place like home.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quality sunday

Semana passada, num texto da aula de inglês, a turma ficou em dúvida quanto à expressão "quality time". O professor Aldy explicou que se trata de uma expressão que não tem uma tradição direta para o português - seria "tempo de qualidade", mas ninguém fala isso. Mas o sentido é fácil de entender: "quality time" é aquele tempo bem aproveitado que se passa ao lado de pessoas queridas ou consigo mesmo. Como na frase em questão: "We both have very demanding jobs, so weekends and holidays are the only times we can have some quality time together". É aquele tempo em que namorado e namorada, marido e mulher, pai e filho, filho e mãe, amigos, compadres, passam realmente juntos. Simples de entender.

Bom, então ontem eu voltei pra casa pensando que tive realmente um quality sunday: acordei às 5h da manhã para trabalhar na prova de ingresso da instituição onde trabalho; me apresentei às 7h10 e ao meio-dia estava saindo; busquei minha mãe em casa e botamos o assunto em dia durante um almoço delicioso e ensolarado no Ribeirão da Ilha, com direito a ostras, tainha, Heineken 600, sorvete Amoratto e café expresso; fizemos uma visita surpresa e igualmente deliciosa para os Fontinha Oliveira (intimidade é uma merda, tu liga e diz "oi, estão em casa?", "estamos", "ah, tou indo aí com a mãe"', "ótimo, vou passar um café!"), onde além do café tinha família reunida, bolo de cenoura, bruschettas do Maurício e até uma lavação grátis e inusitada do meu carro sempre sujo; mãe devidamente deixada em casa no fim da tarde, analisamos brevemente meu tricô (que foi aprovado por ela) e em seguida fui pra academia (sim, domingo), antecipando meu treino de segunda, já que de antemão eu sabia que teria que faltar em função do trabalho; durante a série de novos exercícios, telefonema de hunny dizendo que estava saindo do trabalho (ele também estava convocado para a prova de ingresso, mas em período integral); terminei meu treino, tomei um banhão e fui ao encontro de hunny, para botarmos o assunto em dia entre chopinhos e um ma-raaavilhoso hambúrguer de picanha. Na volta pra casa, uma lua cheia de dar nojo pendurada no céu e o prenúncio de uma semana cheia de tarefas. Tomara que todas deem tão certo quanto o meu domingo.

sábado, 12 de junho de 2010

Junho, 12


E as homenagens de hoje vão para o moço bonito que há pouco mais de um ano me puxou pra dentro dos seus olhos de ressaca e desde então enche minha vida de alegria todos os dias.
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[Dá pra perceber que depois que publiquei o post linkado ali em cima a gente acabou se encontrando, né?]

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quando notares estás à beira do abismo (3)







Conhecemos também o canyon Índios Coroados (fotos abaixo), que é bem pequeno comparando com os outros. E literalmente dormimos na beira do canyon Malacara (acima), na fofíssima pousada Morada dos Canyons. Pra nossa sorte, o vento doido que bate por lá não levou nossa casinha para o reino de Oz.







E mesmo quando estava nublado o visual era impressionante - como nesse mirante aí, na Serra do Faxinal.

Quando notares estás à beira do abismo (2)




O canyon Itaimbezinho é o arroz de festa daquela região: belíssimo e consideravelmente acessível, além de ter em sua volta uma estrutura de parque razoavelmente montada. Quando chegamos estava super nublado e chovendo fino, mas pra nossa sorte o tempo abriu no meio da tarde e ficou liiiiindo!






quarta-feira, 9 de junho de 2010

Só uma palhinha


São mais de mil fotos do feriadão nos canyons do Sul do Estado. A semana começou corrida e ainda não tive aquele tempo pra editar imagens, reduzir e postar. Escolhi agora rapidinho essa aqui, no canyon Fortaleza, que sozinha responde às três principais perguntas sobre a viagem: 1) sim, estava frio mas tinha sol (e o que era esse céu azul?); 2) sim, é lindo; 3) sim, estava ótimo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um feriado meio la vie en rose





Sensato como sempre, meu amigo Gastão ponderou: que graça tem passar o feriado numa casinha na beira de um buraco?

E, como sempre, levei em consideração o que ele diz. Então vou ver qual é, e na volta eu respondo.

[Esta foto é surrupiada do site da pousada - a casinha onde vamos ficar, com o cânion Malacara ao fundo.]

domingo, 16 de maio de 2010

E lá vem elas



Elas demoram um monte a crescer, mas já posso dizer que tenho pequenas physalis no quintal - olha só a diferença entre o estágio das flores, um mês atrás, e agora. Vamos ver quando as casquinhas vão se abrir para mostrar as frutas amarelinhas.
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[O tag love ali embaixo se deve ao fato de as mudinhas terem sido presente que ganhei de hunny... sabe como é. Ah, l'amour... ]

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A tree called life


E já que o papo anda meio arbóreo, bom dia pra todo mundo com um poema de E.E. Cummings no qual tropecei hoje de manhã.
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I carry your heart with me

I carry your heart with me (I carry it in
my heart) I am never without it (anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)

I fear no fate (for you are my fate, my sweet) I want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (I carry it in my heart)







[If you can't read this, tem uma tradução livre aqui. Sim, é o blog da série Brothers and Sisters, que eu a-doooooooro. A imagem é do www.sxc.hu.]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Felicidade dá em árvore?



Apreciadora dedicada de plantinhas fofas e seus simbolismos, minha mãe não demorou muito a me presentear com um casalzinho de árvores da felicidade alguns dias depois que deixei de morar com ela, lá pros idos de... 2001. Eram as duas no mesmo vaso. Reza a lenda em torno dessas arvorezinhas que uma é o macho, outra a fêmea, e que elas devem ser cultivadas sempre juntas. Outro aspecto importante da superstição é que elas devem necessariamente ser ganhas de presente, como manifestação do desejo de boa sorte e felicidade da parte de quem presenteia.
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As minhas duas são essas aí (pessimamente fotografadas com o celular na luz baixa e alaranjada da sala da minha casa). A da direita é a remanescente do casalzinho original - de folhinhas compridas, não sei se macho ou fêmea. A da esquerda, de folhinhas redondas, está comigo há cerca de um ano. Sua similar original foi acometida por um surto de colchonilhas - um insetinho redondo que até é simpático na aparência, mas na verdade é um parasita que se alimenta da seiva da planta. E a minha arvorezinha pegou esse troço. Só a das folhas redondas. A outra, nem tchuns.
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Mãe fez de tudo para resolver: plantou em outro vaso, passou produtos para matar os bichinhos, nada deu certo. E finou-se a primeira arvorezinha. Mas reza a lenda que elas devem estar sempre em casal, e mãe persistiu, tentou me dar outras duas ou três desde então. Mas a das folhas compridas parecia estar destinada a ser uma árvore solteira: as das folhas redondas sempre morriam.
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Até que ela - a árvore das folhas compridas - ficou uma temporada sozinha na sala, em seu vaso. Crescendo, bonitinha, forte, mas sozinha. Ano passado mãe veio com uma mudinha nova, feita a partir de uma árvore da espécie das folhas redondas que tem no jardim do prédio dela - uma mudinha com história, portanto. Compramos vasos iguais para tentar um approach entre o novo casal - a mudinha nova em um, e a arvorezinha antiga no outro. Posicionei-as ao lado da minha TV, no aparador da sala, onde elas recebem claridade da rua mas não pegam sol direto.
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No início, a das folhas compridas estranhou: murchou, perdeu folhas, ficou meio pálida - acho que estava com medo do novo relacionamento. Enquanto a das folhas redondas se fixava na terrinha boa e botava mais e mais brotinhos novos.
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Mas foram só alguns dias assim. Hoje meu parzinho de árvores da felicidade é, posso dizer, um casal perfeito. Nada como encontrar a cara-metade, não é mesmo?
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[Observação: a tartaruga da coleção Procurando Nemo, em cima da TV, foi presente do querido Fred no meu aniversário, há três anos; já a da prateleira foi comprada no Projeto Tamar da Praia do Forte, na Bahia, a long long long time ago. Além de plantinhas, também curto tartarugas, sabia?]