Desde os primórdios deste irresponsável diário público eu passo os verões reclamando - da chuva, do trânsito, dos turistas, da cidade que lota e ferve na ilusão da retina; das enchentes, dos desmoronamentos, dos congestionamentos, do rio do Brás desaguando na praia e espalhando fedor; dos vendedores que me oferecem passeio de escuna em portunhol (eu tenho cara de francesa, meu bem, mas sou daqui, entendesse?! aliás, eu MORO aqui); dos turistas de países vizinhos que não sabem o que é via preferencial; da mídia provinciana que se ocupa de listar a presença de celebridades (omg) no bairro vizinho.
Não sei se meus cinco ou seis leitores notaram, mas este verão optei por posts praticamente monossilábicos. Porque já ia ficar com fama de reclamona contumaz. Então, que seja bem-vindo o outono. E, modestamente, seja bem-vinda eu de volta.
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã
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domingo, 20 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Control cê, control vê
Faço minhas as... minhas próprias palavras do ano passado: eu sou um ser de outro planeta e detesto o Planeta Atlântida, pelos motivos que descrevo aqui. Todos continuam valendo.
E como o que é ruim sempre pode, sim, piorar, uma terrível atualização em relação a 2009: esse ano, oh my god, tem Ivete. De resto, tudo na lesma lerda. A tal dupla de sertanejo universitário, esse gênero estranho, também vai estar lá. A cerveja ainda é Nova Schin e o refrigerante oficial ainda é Pepsi. O local ainda é aquele descampado. Na TV ainda dizem que vai ser do caralho. Nada muda. Nem meu humor.
E como o que é ruim sempre pode, sim, piorar, uma terrível atualização em relação a 2009: esse ano, oh my god, tem Ivete. De resto, tudo na lesma lerda. A tal dupla de sertanejo universitário, esse gênero estranho, também vai estar lá. A cerveja ainda é Nova Schin e o refrigerante oficial ainda é Pepsi. O local ainda é aquele descampado. Na TV ainda dizem que vai ser do caralho. Nada muda. Nem meu humor.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Pequeno manual de sobrevivência
Problema 1: o que fazer quando se chega em casa e tem um gambá morto na cama dos cachorros, na varanda?
Hipótese A) O namorado não está na sua casa
Procedimento: Prenda os cachorros vândalos dentro de casa. Na área de serviço, pegue um saco de lixo de 50 litros. Na casinha de ferramentas, encontre duas enxadas. Dirija-se ao gambá. Pobrezinho. Abra o saco de lixo e posicione-o o mais próximo possível do gambá. Com as duas enxadas, faça uma pinça gigante e com cuidado junte o pequeno cadáver e coloque-o no saco de lixo, bem no meio. [Nesse movimento eu percebi que o gambá ainda respirava, ou seja, tal qual os exemplares de A Era do Gelo, estava fingindo de morto. Então joguei-o com o saco aberto no terreno da esquina. Acho que ficou bem.]
Hipótese B) O namorado está na sua casa
Procedimento: chame o namorado.
...
Problema 2: o que fazer quando, ao chegar em casa morrendo de fome, uma barata trêmula [que caiu numa das 860 iscas de veneno espalhadas pela casa] perambula pela cozinha?
Hipótese A) O namorado não está na sua casa
Procedimento: monitore a barata até que ela, em seu perambular trôpego, se posicione em algum local onde você possa, sem riscos, tascar-lhe uma borrifada de Raid [longe de louças, frutas e dos potes dos cachorros]. Isso pode levar tempo suficiente para você ligar o notebook, verificar o e-mail, fuçar no Orkut dos amigos e dar uma lida rápida no G1. Quando a dita cuja se aproximar da porta da rua, tasque uns 10 segundos de Raid na filhadaputa, usando a mão direita; com a esquerda, tão logo o jato cesse, meta-lhe uma vassourada. Pronto, é só varrer a nojenta, recolher com a pazinha (aquela com cabo de 1,5m) e jogar na lixeira.
Hipótese B) O namorado está na sua casa
Procedimento: chame o namorado.
...
Hoje aconteceu isso tudo aqui em casa. E o namorado NÃO ESTAVA.
Hipótese A) O namorado não está na sua casa
Procedimento: Prenda os cachorros vândalos dentro de casa. Na área de serviço, pegue um saco de lixo de 50 litros. Na casinha de ferramentas, encontre duas enxadas. Dirija-se ao gambá. Pobrezinho. Abra o saco de lixo e posicione-o o mais próximo possível do gambá. Com as duas enxadas, faça uma pinça gigante e com cuidado junte o pequeno cadáver e coloque-o no saco de lixo, bem no meio. [Nesse movimento eu percebi que o gambá ainda respirava, ou seja, tal qual os exemplares de A Era do Gelo, estava fingindo de morto. Então joguei-o com o saco aberto no terreno da esquina. Acho que ficou bem.]
Hipótese B) O namorado está na sua casa
Procedimento: chame o namorado.
...
Problema 2: o que fazer quando, ao chegar em casa morrendo de fome, uma barata trêmula [que caiu numa das 860 iscas de veneno espalhadas pela casa] perambula pela cozinha?
Hipótese A) O namorado não está na sua casa
Procedimento: monitore a barata até que ela, em seu perambular trôpego, se posicione em algum local onde você possa, sem riscos, tascar-lhe uma borrifada de Raid [longe de louças, frutas e dos potes dos cachorros]. Isso pode levar tempo suficiente para você ligar o notebook, verificar o e-mail, fuçar no Orkut dos amigos e dar uma lida rápida no G1. Quando a dita cuja se aproximar da porta da rua, tasque uns 10 segundos de Raid na filhadaputa, usando a mão direita; com a esquerda, tão logo o jato cesse, meta-lhe uma vassourada. Pronto, é só varrer a nojenta, recolher com a pazinha (aquela com cabo de 1,5m) e jogar na lixeira.
Hipótese B) O namorado está na sua casa
Procedimento: chame o namorado.
...
Hoje aconteceu isso tudo aqui em casa. E o namorado NÃO ESTAVA.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Às vezes a natureza enche o saco
No trabalho, estacionei o carro - branco - embaixo de uma pitangueira carregada de frutas maduras.
Agora sou a única moça da cidade que circula num Clio estampado com bolinhas vermelhas.
[Comentário da Fabi, para quem eu dava uma carona: teria sido bem pior se eu tivesse estacionado embaixo de uma jaqueira. Ok.]
Agora sou a única moça da cidade que circula num Clio estampado com bolinhas vermelhas.
[Comentário da Fabi, para quem eu dava uma carona: teria sido bem pior se eu tivesse estacionado embaixo de uma jaqueira. Ok.]
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Demasiado desumano
Aquele senhor alemão não se revire na sepultura com essa malfeita paródia. Mas acordar às 6h pra mim é algo que se tornou desumano, demasiado desumano. Deve ser a idade. Bom dia.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Luva de pelica
Eita diazinho chato. Dormi demais e perdi a hora de botar o lixo na rua. O-deeeeio lixo acumulado em casa e agora só quarta-feira. Saindo de casa, banho tomado e schedule devidamente planejado, percebo um esguicho brotando do chão do quintal, perto do pé de acerola e do registro da Casan. Vazamento. Oh my god. Um lindo chafariz no jardim que no entanto eu nããããão projetei. Mudei todo o planejamento do dia e ganhei ok dos meus coordenadores para trabalhar em casa por hoje - fazendo plantão à espera do sempre atencioso seu Luís com uma solução para o vazamento. Que, no entanto, só poderá ser efetivamente consertado amanhã, se parar de chover - porque consertar o cano exige o uso de cola, e a cola não seca na chuva. Oh my god de novo. Daí aqui estou eu, com o registro fechado e economizando cada gota de água dentro de casa. Tenho reservatórios, ok, mas é chato. Com o tempo úmido os cachorros ficam fedorentinhos e dormem mais que o normal. Cheguei a pensar que minha vida seria muito mais simples morando sozinha, sem cachorro nem gato nem árvore nem peixe, sozinha mesmo, num apartamento kinder ovo no centro, alugado, sobre o qual eu não teria a mínima responsabilidade em caso de vazamento ou raio que o parta. Passei o dia nessa bad vibe até que hunny me liga para saber como tinha sido meu dia no home office e entre uma coisa e outra pergunta se o pé de abacate já está brotando. Foi o suficiente pra eu me sentir ridícula por reclamar de coisas tão bobas e por me sentir tão vitimada por um simples vazamentinho, que é algo que acontece. A vida é bela. Mesmo em dias de chuva.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Conserta uma coisa, escangalha outra
Oh my god. O problema do notebook era relativamente simples: uma pecinha chamada flat cable foi trocada e com isso as piscadas da tela acabaram. Só que agora o computador custa a ligar. Quer dizer, ele até liga, mas fica uma eternidade na tela "Toshiba - Leading inovation" e a coisa não evolui. Daí aperto um F12, para um pouquinho, descansa um pouquinho, dá uma voltinha e finalmente o rWindows entra. Saco. Lá vou eu de novo com ele a tiracolo pra assistência técnica.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Como poderei viver?
Meu notebook estava dando umas piscadas esquisitas na tela. Como ele ainda está na garantia, resolvi levá-lo para a assistência técnica. Tinha um fiozinho de esperança de que o técnico dissesse "ah, é coisa muito simples, resolvo agora mesmo". Mas não. Tive que deixá-lo lá. Oh my god. Preenchido cadastro, ordem de serviço e tals, a moça que me atendeu disse que até amanhã eles devem ter um diagnóstico. Eu olhei pra ela bem séria e disse "tudo bem, mas vocês têm noção de que quem deixa seu notebook aqui está necessariamente sofrendo, né?" Ela riu e disse que sim. Minhas próximas horas pelo jeito serão um exercício de desapego.
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sábado, 9 de maio de 2009
A saga das toalhas
Bem, isso é digno de registro: dois dias depois de reclamar em e-mails educados porém contundentes sobre o atraso na entrega da minha compra - um para o SAC e outro para o Ombusdman - recebo, também por e-mail, uma resposta: meus produtos foram extraviados (!!) e a entrega agora é prevista para o dia 15. Oh my god. Bem que o Bottini podia vir pessoalmente fazer a entrega, só pra eu ter o gosto de dar um peteleco na orelha daquele chato.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Como assim, Bottini??!!
Zapeava eu descompromissadamente pela TV a cabo outro dia. Parei no Shoptime, onde uma moça escovada e muuuuuito alegre mostrava uns jogos de toalhas felpudas a um preço de fato muito bom. Resolvi dar uma olhada no site e, além de encomendar dois jogos das tais toalhas - um branco, porque eu não sou estrela pop mas adoro toalhas brancas, e outro rosa - pedi ainda um jogo de cama em algodão hiper-ultra-mega-um-milhão-e-meio-de-fios que estava, também, num preço bom. Calcula o frete, tudo parcelado sem juros no cartão. Ok, fiz uma boa compra!
Ledo engano. O prazo para entrega previsto era de cinco dias úteis. Já se passaram quase 15 dias úteis e nada das minhas lindas toalhas chegarem na minha casa. Reclamei por telefone e disseram que a encomenda seria entregue até dia 5. Não foi. Desde então já liguei várias vezes para a central de atendimento e sempre fico pendurada esperando para ser atendida. Mandei um e-mail e recebi uma resposta automática prometendo um contato em até três dias úteis. O atendimento online está sempre com todos os "consultores" ocupados (não sei por que hoje em dia atendente e vendedor viraram "consultores"). Well. Certamente esta terá sido a primeira e última vez que fiz comprinhas no Shoptime. Quer toalhinha nova, minha filha? Toca pra Havan.
[Espero que quando minha encomenda chegar eles mandem junto um narizinho de palhaço.]
Ledo engano. O prazo para entrega previsto era de cinco dias úteis. Já se passaram quase 15 dias úteis e nada das minhas lindas toalhas chegarem na minha casa. Reclamei por telefone e disseram que a encomenda seria entregue até dia 5. Não foi. Desde então já liguei várias vezes para a central de atendimento e sempre fico pendurada esperando para ser atendida. Mandei um e-mail e recebi uma resposta automática prometendo um contato em até três dias úteis. O atendimento online está sempre com todos os "consultores" ocupados (não sei por que hoje em dia atendente e vendedor viraram "consultores"). Well. Certamente esta terá sido a primeira e última vez que fiz comprinhas no Shoptime. Quer toalhinha nova, minha filha? Toca pra Havan.
[Espero que quando minha encomenda chegar eles mandem junto um narizinho de palhaço.]
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Meu pé esquerdo
Não sei se é excesso de cálcio, ou se meus dedos têm um formato errado, ou se é mais um efeito do meu sistema imunológico descontrolado (firewall alto). Mas minha unha do dedão esquerdo inflamou de novo. É um saco. Passei a adolescência inteeeeira me incomodando com unhas dos pés encravadas. Nunca nenhum dermatologista deu jeito. Imagino que a tendência natural tenha sido favorecida, naquela época, aos All Star e seus bicos borrachudos apertados, que espremiam os dedinhos. Mas agora, total adepta das sandalinhas abertas, não entendo por que isso continua acontecendo. Já tentei todas as receitas possíveis e até hoje a que deu mais certo foi benzedura. Desde que benzi essa unha problemática, há três anos (lembro bem que estava em processo de escrita da dissertação), o problema reduziu bastante - mas mantive, é óbvio, cuidados básicos como cortar a unha bem certinho e jamais tirar muito as pelezinhas dos cantinhos quando faço o pé. Mas quarta-feira, minha pedicure deu um vacilo e beliscou o cantinho da tal unha um pouco além da conta. Oh my god. Ontem à noite o dedão começou a ficar vermelho e a doer. Latejou a noite toda. E hoje está inchado e sensível. Resultado: a caminhada planejada para hoje teve que ser adiada porque é impraticável usar qualquer calçado fechado. Vou apelar para o permanganato de potássio. E torcer para que a beliscada não tenha ressuscitado esse meu velho pesadelo de adolescente.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Pensa que acabou??? Nããão, não acabou!!!
Professora Regina que me desculpe, eu até acho os batráquios uns bichinhos simpáticos, mas a sensação de acordar de madrugada e atochar os pezinhos recém-saídos do edredom numa poça de água ge-laaaaaaada é deveras desagradável. Não era sonho: a poça era no meu quarto, tinha uns 15cm de profundidade e o diâmetro da lâmina d'água devia ter uns... hm... 5 mil metros quadrados. Oh my god. Meu saudoso pai comprou esta casa que hoje chamo de lar há quase 30 anos, e olha que nesses 30 anos já choveu horrores em Frogville, mas pela primeiríssima vez a água invadiu o lado de cá da porta da sala. Depois de três segundos atônita, catei o celular e liguei pra quem? Pra quem? Pra hunny, of course. Pergunta estúpida: "quê que eu faço? Tou com medo de acender a luz". Sim, porque afinal de contas eu sou uma sequelada de choques elétricos. Hunny disse para eu não acender luz nenhuma, desligar os disjuntores e esperá-lo. Passei pela sala. Filhotes empoleirados nos sofás, tadinhos, assustadésimos. Foram inclusive os latidos do Fidel que me despertaram - com meu soninho pesado era capaz de eu acordar boiando no colchão de mola, embaixo do pé de jaca.
Atendendo a pedidos, vou abrir um parágrafo.
Com a água na altura dos tornozelos - e olha que o único par de calçados que eu consegui juntar entre todos os que boiavam pela casa foi um tamanco Arezzo anabela com 10cm de plataforma - juntei-me aos filhotes no sofá empapado e fiquei aguardando hunny, com medo de transitar no meio do brejo do quintal com os pezinhos assim expostos a bichos & nojeiras. Lembrei então de uns tênis Adidas que eu ganhei há um tempo, de um modelo feito para praticantes de rafting, todo emborrachado e com um sistema de drenagem na sola. Perfect. Localizei os ditos cujos, calcei-os mas não precisei ir até o portão a pé quando hunny chegou, já que por pura sorte eu tinha deixado acionado o disjuntor exclusivo do portão. Yes. We can.
- Ana, é muita água. Três ruas pra lá, tá tudo embaixo d'água. Não tem o que fazer.
Oh my god. Ele tinha deixado o carro na esquina e caminhado até o portão com a água na metade da canela (não são canelas pequenas). Eu já estava avaliando a possibilidade de catar computador, uma muda de roupas e os filhotes e fugir pra casa da minha mãe quando observamos um pé das minhas havaianas novas boiando porta afora. Sinal de que, apesar de a chuva continuar, a água estava baixando. Hunny trouxe então o carro para dentro do pátio-brejo e sentamos na porta de casa, bebendo um vinho tinto, à luz de velas, para esperar a água baixar. Há circunstâncias mais favoráveis para se beber um vinho tinto à luz de velas com esse tipo de ser, mas tudo bem. E a água foi baixando. Depois de mandar pra fora grande parte do que estava acumulado dentro de casa, conseguimos dormir um pouco. Oito horas da manhã e hunny partiu, pobrezinho, meu heroi, para um dia cheio de compromissos profissionais e familiares. Eu já avisei no trabalho que virei uma flagelada e estou apenas no início de um dia repleto de rodos, esfregões e muuuuuuuuita água sanitária.
Graças a deus o modem da NET não molhou.
E estou pensando seriamente em ligar pra Vanessa para pedir mais uma sessão.
Atendendo a pedidos, vou abrir um parágrafo.
Com a água na altura dos tornozelos - e olha que o único par de calçados que eu consegui juntar entre todos os que boiavam pela casa foi um tamanco Arezzo anabela com 10cm de plataforma - juntei-me aos filhotes no sofá empapado e fiquei aguardando hunny, com medo de transitar no meio do brejo do quintal com os pezinhos assim expostos a bichos & nojeiras. Lembrei então de uns tênis Adidas que eu ganhei há um tempo, de um modelo feito para praticantes de rafting, todo emborrachado e com um sistema de drenagem na sola. Perfect. Localizei os ditos cujos, calcei-os mas não precisei ir até o portão a pé quando hunny chegou, já que por pura sorte eu tinha deixado acionado o disjuntor exclusivo do portão. Yes. We can.
- Ana, é muita água. Três ruas pra lá, tá tudo embaixo d'água. Não tem o que fazer.
Oh my god. Ele tinha deixado o carro na esquina e caminhado até o portão com a água na metade da canela (não são canelas pequenas). Eu já estava avaliando a possibilidade de catar computador, uma muda de roupas e os filhotes e fugir pra casa da minha mãe quando observamos um pé das minhas havaianas novas boiando porta afora. Sinal de que, apesar de a chuva continuar, a água estava baixando. Hunny trouxe então o carro para dentro do pátio-brejo e sentamos na porta de casa, bebendo um vinho tinto, à luz de velas, para esperar a água baixar. Há circunstâncias mais favoráveis para se beber um vinho tinto à luz de velas com esse tipo de ser, mas tudo bem. E a água foi baixando. Depois de mandar pra fora grande parte do que estava acumulado dentro de casa, conseguimos dormir um pouco. Oito horas da manhã e hunny partiu, pobrezinho, meu heroi, para um dia cheio de compromissos profissionais e familiares. Eu já avisei no trabalho que virei uma flagelada e estou apenas no início de um dia repleto de rodos, esfregões e muuuuuuuuita água sanitária.
Graças a deus o modem da NET não molhou.
E estou pensando seriamente em ligar pra Vanessa para pedir mais uma sessão.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Sempre implacavelmente relativo
Não é de hoje que eu tento fazer um acordo com o tempo. E ultimamente algumas horas correm tanto, voam, se esvaem pelos dedos... socorro, Caetano. E boa semana pra todo mundo.
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...
quarta-feira, 18 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Meus queridos traquinas
Deve ser porque não tenho falado muito deles aqui no blog. Mas meus fofos filhotes resolveram caprichar de novo nas traquinagens nos últimos dias. Primeiro foi Fidelzinho, o cachorrão-bebê, que resolveu ter uma crise de ciúmes de mim (eu voltava pra casa após três dias fora) e se atracar com a Lola. Fazia tempo que os dois não brigavam. Lola é um doce de cachorra, e bem menor que o Fidel, mas revida à altura quando ele quer brigar. Feitos os apartes, mãe e eu verificamos o saldo: Lola com a ponta da orelha rasgada e umas mordidas no pescoço, Fidel com uma mordida meio feia acima do olho direito. Como a orelha é uma parte muito irrigada, demorou muito a estancar o sangue e com isso a Santa Claudete teve trabalho extra no dia seguinte. Curativos feitos, discursos dados e rotina doméstica retomada, tive uns dias de sossego. Isso foi no domingo.
Mas logo em seguida veio outra: já devidamente de pazes feitas, os monstros resolveram ontem à noite torturar até a morte um pobre gambá que se aventurou no meu pomar para comer pitangas. Cheguei em casa meio tarde e não vi o cadáver no quintal. Hoje cedo, já de banho tomado, tive que providenciar um funeral digno para a pobre criatura, que jazia perto do relógio da água, no pé da pitangueira cujas frutas ele muito pouco deve ter saboreado.
Moral da história: não dá pra ser muito mulherzinha com esses meus filhotes. Tem que apartar briga, enterrar bicho morto e não descuidar da disciplina - senão eles tomam conta. Mas não consigo imaginar minha vida sem eles. Assunto pra terapia, talvez.
Mas logo em seguida veio outra: já devidamente de pazes feitas, os monstros resolveram ontem à noite torturar até a morte um pobre gambá que se aventurou no meu pomar para comer pitangas. Cheguei em casa meio tarde e não vi o cadáver no quintal. Hoje cedo, já de banho tomado, tive que providenciar um funeral digno para a pobre criatura, que jazia perto do relógio da água, no pé da pitangueira cujas frutas ele muito pouco deve ter saboreado.
Moral da história: não dá pra ser muito mulherzinha com esses meus filhotes. Tem que apartar briga, enterrar bicho morto e não descuidar da disciplina - senão eles tomam conta. Mas não consigo imaginar minha vida sem eles. Assunto pra terapia, talvez.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Chororô básico
O blog é meu, então eu posso dar uma reclamadinha. Hoje é sábado, são 8h40, tá um dia lindo lá fora e eu estou tomando a segunda xícara de café preto forte adoçado com mascavo, dentro da bolha, ar-condicionado lá em cima e persianas baixas. Tenho um frila-monstro pra entregar na quarta-feira de cinzas. Tudo bem que eu não sou grandes carnavalescas, mas saber que a maioria das pessoas está curtindo uma folga me deixa meio tristinha, com a sensação de estar perdendo algo. Ainda mais pelo fato de que, sim, eu gostaria de estar anywhere else far far away with somebody else I love so much, mas a responsa me obriga a dar conta do trabalho (que é remunerado, afinal de contas). São só 50 laudas, Ana Paula. Força na peruca. E bom feriadão de Carnaval pra quem o tem.
[E vai aqui um beijo saudoso em todos os meus ex-colegas de redação que por 11 anos compartilharam comigo aquela chatice de necessariamente trabalhar nos feriados, sábados, domingos, natais, anos-novos - e carnavais. Pros que persistem bravamente nas redações e como eu estão de plantão, reproduzo o conselho da Giorgia em seu post de carnaval: "Pra quem vai trabalhar, que não se revolte... trabalhe com amor. Tempos melhores virão." Sábia Giorgia. Vou lá buscar a terceira xícara.]
[E vai aqui um beijo saudoso em todos os meus ex-colegas de redação que por 11 anos compartilharam comigo aquela chatice de necessariamente trabalhar nos feriados, sábados, domingos, natais, anos-novos - e carnavais. Pros que persistem bravamente nas redações e como eu estão de plantão, reproduzo o conselho da Giorgia em seu post de carnaval: "Pra quem vai trabalhar, que não se revolte... trabalhe com amor. Tempos melhores virão." Sábia Giorgia. Vou lá buscar a terceira xícara.]
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Os deuses estranhos
Esse post do Ulysses me fez lembrar imediatamente de um texto do Italo Calvino em "As Cidades Invisíveis". Tão triste e lindo que me dou até ao trabalho de reproduzir aqui inteirinho.Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões-postais ilustrados que mostram como esta havia sido: a praça idêntica mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes, é necessário que o viajante louve a cidade dos cartões-postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade da Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões-postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional - que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades de aquilo que se foi.
Evitem dizer que algumas cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes, os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até mesmo os traços dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores que os antigos, dado que não existe nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões-postais não representam a Maurília do passado mas uma outra cidade que por acaso também se chamava Maurília.
["As Cidades Invisíveis" foi escrito por Italo Calvino em 1972, ano em que eu nasci - e isso não tem a menor importância, é claro. Nos vários pequenos textos, Marco Polo descreve para o rei Kublai Khan o que viu em suas viagens pelo mundo, em cada cidade alegórica. A parte sobre Maurília tem o título "As Cidades e a Memória 5". Pra quem quiser ir atrás, a minha edição é da Cia. das Letras, de 2007, traduzida pelo Diogo Mainardi.]
[[Charge de Richard Wilson publicada na revista inglesa "The Ecologist" em 1971. Tirei do livro "The Doomsday Funbook", coletânea de editoriais e charges dessa revista, publicado pela editora Joe Carpenter em 2006. Não custa lembrar: clique na imagem para ampliar.]]
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Eu sou um ser de outro planeta
Nada contra a promoção de eventos de música durante a temporada. Mas, sorry pessoas que entram no esquema, eu acho o tal do Planeta Atlântida um saco. Primeiro por motivos totalmente egoístas: se no verão em geral já é extremamente complicado me deslocar e fazer uma série de coisas normais em função de tudo estar cheio e o trânsito ficar insuportável [eu moro no Norte da Ilha, lembram?], nos dias do evento tudo fica muito mais estressante. Sem falar que, embora minha casa fique a cerca de três quilômetros do terrenão baldio que eles chamam de "parque", eu escuto tudo. Ou seja, mesmo que eu queira ignorar o evento, que eu possa escolher não ir ao evento (essa é sempre a minha escolha) ou que não assista aos canais de televisão que vivem dizendo que o evento é do caraaaaaaaaaaalho, não tem como passar batido. Ana Paula 2009 resolveu que não se estressa por pouca coisa, mas saber que vou precisar encarar pelo menos duas horas de trânsito para chegar ao meu doce lar, em plena sexta-feira, já me dá uma consumição no estômago.
Ranhetices pessoais à parte, repito: bacana que tenha uma alternativa de lazer para o grande público durante a temporada. Mas convenhamos: todo ano é a lesmíssima lerda. Todo ano as mesmas carinhas arroz-de-festa estão naquele mesmo batlocal. E a emissora promotora, poderosa, única voz com ressonância em nosso pobre estado, repete à exaustão que este ano o evento está do caralho. Fala sério: este ano o evento está a mesma coisa que no ano passado. Com uma honrosa exceção: este ano não tem Ivete, o Paulo Coelho da música brasileira. O que poderia significar que sem Ivete o evento está melhor (pra mim a lógica é essa: quanto mais longe Ivete, melhor o mundo). Mas não. A grande atração dessa vez não é a rainha-embuste da música baiana de massa, e sim uma dupla representante do expoente gênero "sertanejo universitário". Oh my god. Leve-me, senhor.
Confesso: no ano passado ganhei convite para o camarote e aceitei. Resolvi ver de perto o que é que o tal Planeta tem e deixar de ser uma vizinha reclamona. Fui. Pra começar, concluí que de fato Florianópolis é uma cidade super vip. Tinha mais gente no camarote vip do que na pista. Até euzinha, vejam só, estava no camarote vip. Que parecia um ônibus lotado e não um camarote vip. Cheguei durante o show do Charlie Brown (irc) e procurei acompanhar o show do Benjor, que há uns 30 anos usa aquela mesma calça branca. Todo respeito ao Benjor, mas tipo, pra mim ele tá meio datado. Conseguir uma Nova Schin (única opção) mezzo gelada era um trabalho hercúleo. Circulei pelo evento durante umas duas horinhas e antes que Ivete subisse ao palco resolvi voltar ao meu doce lar. There's no better place than home. Mesmo quando home é vizinho do Planeta Atlântida. Graças a deus são só dois dias. Então que chegue logo o Carnaval.
Ranhetices pessoais à parte, repito: bacana que tenha uma alternativa de lazer para o grande público durante a temporada. Mas convenhamos: todo ano é a lesmíssima lerda. Todo ano as mesmas carinhas arroz-de-festa estão naquele mesmo batlocal. E a emissora promotora, poderosa, única voz com ressonância em nosso pobre estado, repete à exaustão que este ano o evento está do caralho. Fala sério: este ano o evento está a mesma coisa que no ano passado. Com uma honrosa exceção: este ano não tem Ivete, o Paulo Coelho da música brasileira. O que poderia significar que sem Ivete o evento está melhor (pra mim a lógica é essa: quanto mais longe Ivete, melhor o mundo). Mas não. A grande atração dessa vez não é a rainha-embuste da música baiana de massa, e sim uma dupla representante do expoente gênero "sertanejo universitário". Oh my god. Leve-me, senhor.
Confesso: no ano passado ganhei convite para o camarote e aceitei. Resolvi ver de perto o que é que o tal Planeta tem e deixar de ser uma vizinha reclamona. Fui. Pra começar, concluí que de fato Florianópolis é uma cidade super vip. Tinha mais gente no camarote vip do que na pista. Até euzinha, vejam só, estava no camarote vip. Que parecia um ônibus lotado e não um camarote vip. Cheguei durante o show do Charlie Brown (irc) e procurei acompanhar o show do Benjor, que há uns 30 anos usa aquela mesma calça branca. Todo respeito ao Benjor, mas tipo, pra mim ele tá meio datado. Conseguir uma Nova Schin (única opção) mezzo gelada era um trabalho hercúleo. Circulei pelo evento durante umas duas horinhas e antes que Ivete subisse ao palco resolvi voltar ao meu doce lar. There's no better place than home. Mesmo quando home é vizinho do Planeta Atlântida. Graças a deus são só dois dias. Então que chegue logo o Carnaval.
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