Professora Regina que me desculpe, eu até acho os batráquios uns bichinhos simpáticos, mas a sensação de acordar de madrugada e atochar os pezinhos recém-saídos do edredom numa poça de água ge-laaaaaaada é deveras desagradável. Não era sonho: a poça era no meu quarto, tinha uns 15cm de profundidade e o diâmetro da lâmina d'água devia ter uns... hm... 5 mil metros quadrados. Oh my god. Meu saudoso pai comprou esta casa que hoje chamo de lar há quase 30 anos, e olha que nesses 30 anos já choveu horrores em Frogville, mas pela primeiríssima vez a água invadiu o lado de cá da porta da sala. Depois de três segundos atônita, catei o celular e liguei pra quem? Pra quem? Pra hunny, of course. Pergunta estúpida: "quê que eu faço? Tou com medo de acender a luz". Sim, porque afinal de contas eu sou uma sequelada de choques elétricos. Hunny disse para eu não acender luz nenhuma, desligar os disjuntores e esperá-lo. Passei pela sala. Filhotes empoleirados nos sofás, tadinhos, assustadésimos. Foram inclusive os latidos do Fidel que me despertaram - com meu soninho pesado era capaz de eu acordar boiando no colchão de mola, embaixo do pé de jaca.
Atendendo a pedidos, vou abrir um parágrafo.
Com a água na altura dos tornozelos - e olha que o único par de calçados que eu consegui juntar entre todos os que boiavam pela casa foi um tamanco Arezzo anabela com 10cm de plataforma - juntei-me aos filhotes no sofá empapado e fiquei aguardando hunny, com medo de transitar no meio do brejo do quintal com os pezinhos assim expostos a bichos & nojeiras. Lembrei então de uns tênis Adidas que eu ganhei há um tempo, de um modelo feito para praticantes de rafting, todo emborrachado e com um sistema de drenagem na sola. Perfect. Localizei os ditos cujos, calcei-os mas não precisei ir até o portão a pé quando hunny chegou, já que por pura sorte eu tinha deixado acionado o disjuntor exclusivo do portão. Yes. We can.
- Ana, é muita água. Três ruas pra lá, tá tudo embaixo d'água. Não tem o que fazer.
Oh my god. Ele tinha deixado o carro na esquina e caminhado até o portão com a água na metade da canela (não são canelas pequenas). Eu já estava avaliando a possibilidade de catar computador, uma muda de roupas e os filhotes e fugir pra casa da minha mãe quando observamos um pé das minhas havaianas novas boiando porta afora. Sinal de que, apesar de a chuva continuar, a água estava baixando. Hunny trouxe então o carro para dentro do pátio-brejo e sentamos na porta de casa, bebendo um vinho tinto, à luz de velas, para esperar a água baixar. Há circunstâncias mais favoráveis para se beber um vinho tinto à luz de velas com esse tipo de ser, mas tudo bem. E a água foi baixando. Depois de mandar pra fora grande parte do que estava acumulado dentro de casa, conseguimos dormir um pouco. Oito horas da manhã e hunny partiu, pobrezinho, meu heroi, para um dia cheio de compromissos profissionais e familiares. Eu já avisei no trabalho que virei uma flagelada e estou apenas no início de um dia repleto de rodos, esfregões e muuuuuuuuita água sanitária.
Graças a deus o modem da NET não molhou.
E estou pensando seriamente em ligar pra Vanessa para pedir mais uma sessão.
14 comentários:
Força aí!
Se Floripa fosse mais perto do Rio ia aí te ajudar hoje. (É feriado aqui no ensolarado Rio).
Beijos
Naba é que, daqui pra frente, a cada chuva mais forte, ficarás grilada.
Pode marcar a sessão.
:- )
Qualquer coisa me liga que eu te resgato de jipe... eheheh.
(Brincadeiras a parte, se precisares de qualquer coisa, estamos aí.)
Boa sorte na faxina.
Car$%&%%, como choveu, hein? Pena que não posso ir te ajudar.
Beijo.
Mano
Agora entendi por que não foste pro centrooooo! Que meda, hein? Espero que tenha baixado tudo, já. Boa faxina!
ulysses, grilada acho que não vou ficar... talvez 'batraquiada'. =P
gastão, juro que lembrei de ti e do capitão rodrigo, mas não foi desta vez que precisei do resgate. gracias!
mano e rafita, a faxina preliminar já acabou e a casa voltou a ser habitável. a peruca aqui é forte. no final de semana santa claudete virá para uma limpeza mais pesada. e se vocês estivessem por perto, juro que eu convocava!!
baixou sim, aline, e já tá tudo sequinho. o medo agora é ligar a tv na tomada que molhou...
beijos!
Bonzinho esse deus não? Manda esse cacau todo .. mas salva o modem! Não esqueça de enviar um email para ele agradecendo a consideração ..
:D
flagelada, sim. desplugada, jamás! hahaha
Curioso é que mantiveste o bom humor. A maioria, numa situação dessas, estaria chispando pra todo lado. Força, guria!
Andei tanto na rua, ontem, na confusão atarefada desta semana pela metade, que só vi teu enredinho hoje... e JURO que ao ouvir aquela pancada d'água na madruga,me lembrei logo de ti!
A vida é assim,né?
Eu e meu sangue batráquio estamos no seco - muita umidade no ar,tudo bem! - e tu ficas aí,reclamando de ter de entrar pra família!
E benditos os anabela de 10 cm,os hunnys,vinhos tintos e velas.Especialmente,bendito teu senso de humor!
beijão.
Que tipo de catarinense seria eu se não tivesse nem uma historinha de enchente pra contar, né, Regina? Essa é minha primeira - e espero que a última. Mais cômica que trágica, felizmente.
E agora a cada chuva forte é um monte de gente ligando e lembrando de mim... hunny na noite passada já tava achando que ia ter que me socorrer de novo, o lindo. =D
beijo, fessora!
O que são os tempos modernos e internectados de hoje, observe a sua lista de prioridades para escapar do "dilúvio", nem os bichinhos estão no item número um, mas tudo bem, eu também sou "apegadíssima" ao meu "brinquedinho eletrônico".
Força querida, eu também já tive a casa cheia de água muitas vezes...é a vida...de alguns, é claro♥♥♥
opaaaaaa... não me interprete mal, clô! eu não arredaria pé de casa sem os filhotes de jeito nenhum. e olha que dá trabalho carregar os três juntos num clio!
mas felizmente não precisei fugir e já está tudo limpo e seco...
beijos!
Eu sei querida,eu sei, foi só uma observação de quem tem mania de escrever...Beijinhos♥♥
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