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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sorry, Amy

Tudo bem que as performances dela no Brasil têm deixado a desejar, mas convenhamos: até uma diva junkie, apesar dos pesares, mereceria ser tratada com respeito.

Explico.

Aproveitava eu a insônia que me fez despertar duas horas antes do relógio para benjaminianamente flanar logo cedo pelos sites de notícias. Achei engraçadinho o destaque dado pelo G1 ao fato de Amy Winehouse ter bebido cerveja no primeiro show do Rio (que pela descrição acabou sendo mais vexaminoso do que o de Florianópolis). Quase caí da cadeira ao me aproximar da foto e olhar o rótulo da garrafa. Meu deus do céu, ela é INGLESA, ela é JUNKIE e serviram SKOL pra essa mulher?
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Tudo bem que há um senso comum que diz que a Skol é uma cerveja boa, que é levinha, que é saborosinha, etc. Brasileiros gostam de cervejas leves - tanto que as boas cervejarias nacionais, como a blumenauense com muito orgulho Eisenbahn, a fluminense Baden Baden e a carioca da gema Devassa têm a variedade pielsen em seu catálogo. Mas quem aprecia cerveja com um pouco mais de cuidado aprende a refinar o paladar para outras variedades de diferentes sabores - variedades com sabor, digamos assim, e não com aquele gosto de água mineral estragada das pielsenzinhas de grande público, todas maculadas com cereais não maltados (acho que fazem isso para que possam ser vendidas a 1 real nos supermercados). Cada um na sua, mas essas eu não levo pra casa.
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Amy Winehouse é quem é. E é inglesa. Na Inglaterra as pessoas entornam pints e pints de Old Speckled Hen, Guinness, 1999 e por aí afora.
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Daí a infeliz diva vem ao Brasil, pede uma cerveja, servem a ela Skol. Na boa: eu também diria no, no, no. E iria embora do palco sem dizer tchau.

"WTF? They told me this was the best Brazilian beer, but it tastes like piss with water" (Foto do G1)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eles merecem

Pois não é que existe mesmo o Dia do Homem? Confesso que quando vi referência a essa data na vitrine de uma loja de perfumes, achei que fosse uma invenção do comércio para ter um "dia" a comemorar em julho.

Pois não é. E mesmo que me digam que essas datas comemorativas são só balela, desculpa para o comércio vender, que todo dia é dia das mães, ou da mulher, ou das crianças, eu sempre acho que esse tipo de invenção social serve, sim, para que se discutam questões importantes relativas aos celebrados da vez. Hoje, os homens.

Eu defendo que os homens merecem, sim, um dia de homenagens. Porque apesar de, de fato, ainda vivermos numa sociedade majoritariamente machista no pior sentido que isso posso ter, eu aqui num décimo de segundo consigo pensar em um bocado de homens maravilhosos com quem tenho e tive o privilégio de conviver. Homens corretos e íntegros, dedicados às suas mulheres, namoradas e companheiras, amorosos com os filhos, integrados com suas famílias. Trabalhadores competentes, amigos leais, irmãos unidos, filhos presentes. Homens que conseguem fazer das inegáveis diferenças entre os gêneros uma soma, e não uma subtração. As famílias do século 21 são sem dúvida bem diferentes daquelas da época dos nossos pais e avós, e penso que se chegamos a isso é porque não só as mulheres, mas também os homens mudaram e estão mudando.

Então os homens merecem, sim, uma homenagem hoje, e grande parte da minha motivação vem da grande evidência que se está dando hoje na mídia a esses casos escabrosos de extrema violência cometida por homens (e garotos) contra mulheres. Torço para que a justiça seja feita nesses e em tantos outros casos que nós sequer tomamos conhecimento. Saber da existência de homens capazes de cometer esse tipo de atrocidade só me faz dar mais valor e querer abraçar os homens maravilhosos com quem tenho o privilégio de compartilhar a vida.

Há alguns anos, uma querida amiga anunciou que o bebê que esperava era um menino. Comentei: que bom! É ótimo que as mulheres de nossa geração eduquem meninos. Então mando uma singela homenagem também para todas as mulheres da minha geração que estão desempenhando com maestria esse papel de mães (e boadrastas) dos homens do futuro, em especial as do Lauro, do Xavier, do Miguel, do Bruno, do Lucas, do outro Lucas, do Mateus, do Theo, do Igor...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais uma história escabrosa

Quase não consegui engolir meu delicioso café da manhã quando li no DC Online mais uma história repugnante de maus tratos contra cães logo aqui pertinho. E o pior: atrocidades cometidas dentro da corporação que tem por obrigação fazer cumprir a lei. Vergonhoso. Algumas observações:

1) Sem querer dar uma de Polyanna, o fato de a história vir a público significa que a consciência em relação a esses absurdos está, sim, aumentando. Porque foi um policial quem se encarregou de fazer a denúncia, em primeiro lugar. E também pelo espaço dado pelo jornal e pela TV para o assunto. Tomara, contudo, que as investigações caminhem e os desalmados sejam punidos com rigor.

2) Essencial, portanto, o papel das ONGs protetoras como fiscais desse processo. Muita gente acha esse povo meio enfadonho, mas eu tenho o maior respeito por quem se dedica a essa causa. Só lamento que muitas vezes haja tanta competição entre as próprias ONGs.

3) Não consigo entender como alguém consegue querer simplesmente "se livrar" de um cão, seja ele pastor, vira-lata ou extraterrestre. Quem convive com cães sabe o quanto eles são amoráveis. É muita falta de alma.

4) Cães são amoráveis, mas é claro que dão trabalho. Aqui em casa tenho meus três. Dois grandes e uma média - que nem por isso é menos traquinas (neste exato momento está ela lá, toda linda e cheirosa depois do banho, latindo compulsivamente no portão para sei lá o quê). Todo mês é ração (porque eu ainda não consegui entrar na onda da comida natural, já que não tenho feito comida nem pra mim...), banho, repelente de parasitas; periodicamente é vermífugo, vacina; veterinário sempre que necessário. E eu sou mãe solteira, ou seja, banco os três sozinha. Racionalmente eu não seria uma pessoa dona de três cães, mas a vida me conduziu a isso e cuido dos três com muito amor. O dinheiro e o tempo que eu gasto com eles é investimento. Digo mesmo que não consigo imaginar minha vida sem eles. Cada lambida no cotovelo que ganho da Lola me faz lembrar disso, todos os dias. E cada pelinho branco novo que percebo aparecer no focinho dela (Lola é uma boxer e já está com quase 8 anos) me deixa com o coração apertado porque isso me lembra que provavelmente ela já passou da metade da sua vida, e em mais alguns poucos anos teremos que nos separar. Então não consigo entender como diabos alguém consegue simplesmente mandar matar seu cachorro. Não consigo. E lacrimejo pensando nisso.

5) Também não consigo deixar de vislumbrar no binônio adoção responsável + castração a medida mais inteligente para evitar que esse tipo de problema se perpetue. Não sou militante de ONG, mas faço discurso pró-castração pra todo mundo que tem cachorro, seja de raça ou vira-latas. Meus três são castrados e entendo que fazer isso foi um bem para eles e para a espécie deles. Se alguém me fala em adotar um bichinho, logo recomendo procurar as ONGs que abrigam tantos e tantos que precisam de adoção. Acho que é no trabalho formiguinha que se vai conseguindo mudar. Bom, e quem sou eu pra falar disso? Muitas das minhas convicções a esse respeito surgiram a partir da leitura diária e da amizade com a Mãe de Cachorro Ana Corina, de quem falo de vez em quando aqui no blog. Acho o trabalho dela - independente, responsável , obstinado e educativo - digno de prêmio. Se você se importa com os bichinhos, mesmo não tendo um, vá lá: http://www.maedecachorro.com.br.

Pronto. Agora dá licença que vou lá ver por que a Sebastiana está latindo. =)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O verdadeiro LFV

Numa sala com quatro mulheres, foi divertidíssimo passar adiante e ler em conjunto esse primor de texto do professor Luis Fernando Veríssimo, publicado na Zero Hora de hoje. É engraçado perceber que, assim como as mulheres, homens despeitados também são implacáveis com seus oponentes - mesmo que este seja um inatingível galã de cinema. Leia o mesmo texto colocando no lugar de George Clooney nomes como Chico Buarque ou Jude Law, guarde as devidas proporções... e ele vai continuar genial.

[E o melhor de tudo: com tanto texto fraquinho e metido a engraçadinho que circula na Internet com autoria atribuída ao Veríssimo, percebo o quanto é bom ler, de fato, um Veríssimo.]

*

O verdadeiro George Clooney

Longe de mim querer difamar alguém, mas acho que no caso do George Clooney o que está em jogo é a autoestima da nossa espécie, os homens que não são George Clooney. Todas as nossas qualidades e todos os nossos atributos, físicos e intelectuais, desaparecem na comparação com o George Clooney. As mulheres não escondem sua adoração pelo George Clooney. O próprio George Clooney nada faz para diminuir a idolatria e nos dar uma chance. Fica cada vez mais adorável, cada vez mais George Clooney. E se aproxima da perfeição. É bonito. É charmoso. É rico. É bom ator. Faz bons filmes. Está envolvido com as melhores causas. E que dentes! Não temos defesa contra esse massacre. Só nos resta a calúnia.

Os dentes são falsos. Ali onde elas veem pomos da face irresistíveis e um queixo decidido, há, obviamente, botox. Ele tem pernas finas e desvio no septo. É solteiro, portanto, claro, gay. Tem casa num dos lagos italianos, o que já é suspeito, e dizem que anda pelos seus chãos de mármore depois do banho de espuma vestindo um longo caftan bordado e sendo borrifado com perfumes florais pelo seu amante filipino Tongo, enquanto seu amante italiano, Rocco, prepara a salada de rúcula completamente nu. George Clooney bate na mãe todas as quintas-feiras. É extremamente burro. Só leu um livro até hoje e não lembra se foi O Pequeno Príncipe ou O Grande Gatsby. Nos filmes em que faz personagens mais reflexivos, contratam um dublê para as cenas dele pensando. Foi ele que propôs a demolição da Torre Eiffel porque já era mais que evidente que não encontrariam petróleo no local. E sua sovinice é lendária. Levou nadadeiras quando visitou Veneza, para não gastar com táxi.

É notório, em Hollywood, o mau hálito do George Clooney. Quando ele fala em algum evento público, as primeiras três fileiras do auditório sempre ficam vazias. Atrizes obrigadas a trabalhar com ele têm direito a um adicional por insalubridade, em dobro se houver cenas de beijo. Outra coisa: a asa. Não adiantam as imersões em espuma na sua banheira em forma de cisne, nem os perfumes florais borrifados, o cheiro persiste. Sabem que George Clooney e suas axilas se aproximam a metros de distância, e muita gente aproveita o aviso para fugir.

Além de tudo, tem seborreia e é republicano.

Passe adiante.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Control cê, control vê

Faço minhas as... minhas próprias palavras do ano passado: eu sou um ser de outro planeta e detesto o Planeta Atlântida, pelos motivos que descrevo aqui. Todos continuam valendo.

E como o que é ruim sempre pode, sim, piorar, uma terrível atualização em relação a 2009: esse ano, oh my god, tem Ivete. De resto, tudo na lesma lerda. A tal dupla de sertanejo universitário, esse gênero estranho, também vai estar lá. A cerveja ainda é Nova Schin e o refrigerante oficial ainda é Pepsi. O local ainda é aquele descampado. Na TV ainda dizem que vai ser do caralho. Nada muda. Nem meu humor.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Brincadeirinha de casal

Todo final/início de ano as revistas de fofocas e colunas de cidades provincianas se esmeram para mapear onde os famosos estão passando as festas. Florianópolis, mais do que nunca, ficou cheia daquelas celebridades que a gente lê o nome e fala "tá, mas é quem, mesmo? Ah, sim, aquela menina que fazia Malhação há uns 30 anos". E haja foto daquele bando de gente pseudoimportante posando com caras, bocas, coxas, bundas, peitorais e bíceps para as fotos. E o pior é que não adianta o pobre leitor não querer saber desse tipo de coisa: os sites de notícias destacam quem está onde (e pegando quem) em suas páginas principais. O pobre leitor simplesmente tem que engolir.

Então não consigo deixar de achar engraçada essa nota que está hoje entre as mais lidas da coluna amarela da Globo.com, com fotos do casal de atores espanhois Javier Bardem e Penélope Cruz brincando de apertar a bunda um do outro durante um banho de mar em Fernando de Noronha. Eles podem até ser belos, mas são donos de uma beleza possível, atingível, sem afetações deliberadas. E, enquanto casal, mostram que celebridades também são gente como a gente - sem, contudo, chegar ao nível da Luana Piovani...



[Isso não tem importância nenhuma, mas Javier Bardem e Penélope Cruz são os protagonistas de dois filmes do Almodóvar de que gosto muito: ele, como o ex-policial paralítico no desconcertante "Carne trêmula", e ela como a filha abusada pelo pai e rejeitada pela mãe em "Volver". A cena em que ela encontra a mãe supostamente morta escondida embaixo da cama - 'pero que estás a hacer ahí, mamá?' - mereceria todos os prêmios].

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Não entendi

"A quinta-feira será fria e ensolarada nos próximos dias em Santa Catarina", acabo de ler em um jornal local online. Quer dizer que as próximas quintas-feiras serão frias e ensolaradas? Dã.

Outra:

"Tal fulana viajava sozinha para conhecer a Europa pela primeira vez", dizia uma das matérias sobre as vítimas do voo da AirFrance - dessa vez, num site nacional. Então a moça talvez pretendesse ainda conhecer a Europa pela segunda, terceira e quarta vezes. Mas não conseguiu conhecer nem pela primeira.

[Regina, Gilka e Scotto: SOCORRO!!!]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tudo continua a lesma lerda

George é um tartarugo ancião - tem cerca de 85 anos - que ao que tudo indica é o último de sua espécie. Ele vive sua vida solitária em Galápagos, o arquipélago do Pacífico onde Charles Darwin colheu as bases para sua Teoria da Evolução. Consta também que o tartarugo George move-se à estonteante velocidade de 30 metros por hora.

Pois eu senti uma incrível empatia com George, hoje, voltando do Centro para minha casa no Norte da Ilha - em cujo caminho tinha uma pedra. É, tinha uma pedra. Tiraram a tal da pedra e todos os seus caquinhos. Anunciaram que iam liberar a rodovia, parcialmente, monitorando o trânsito para evitar congestionamentos. Eu acreditei. Parei na ponta da fila às 20h55. Saí lá do outro lado às 22h25.

George, pelo menos, mora em Galápagos. Eu continuo morando em Frogville. Haja saco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mais um poema de Drummond


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

[Para quem, como eu, mora no Norte da Ilha.]

[Foto de Daniel Conzi no Diário Catarinense de ontem.]

sábado, 29 de novembro de 2008

"Cegos da razão": Saramago em entrevista à Folha


Saramago evoca tragédia das chuvas: "Onde está Deus em Santa Catarina?"
Fernanda Brambilla
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Sabatinado pelo jornal "Folha de S. Paulo" nesta sexta-feira, o escritor português José Saramago evocou a
tragédia causada pelas chuvas em Santa Catarina nos últimos dias, que deixaram 100 mortos.

Questionado se sua concepção de Deus tinha mudado após um período em que esteve enfermo, Saramago foi direto: "Onde está Deus em Santa Catarina?", perguntou o escritor, único português a ter sido coroado com o prêmio Nobel de literatura. "Nós nunca vimos Deus. É uma criação da Igreja. Nós acreditamos em Deus quando nos é conveniente."

De acordo com o escritor, a humanidade é causadora das tragédias que a afligem. "Tenho a consciência de que o mundo está errado. E não são apenas as guerras, porque as guerras são a mando de alguns, mas matamos por gosto, por prazer. Se nos perguntarmos quantos delinqüentes existem no mundo - seria um número fabuloso. A verdade é que estamos cegos da razão", disse, e desculpou-se pelo que chamou de "catastrofismo". "A história da humanidade é um caos contínuo."Saramago também não poupou críticas à Bíblia. "A Bíblia é um desastre. Demorou 2.000 anos para ser escrita e isso foi feito por homens", provocou o escritor. "A Bíblia só tem maus conselhos - assassinatos, incestos..."

Em tom de brincadeira, foi além. "Foi a Igreja que inventou Deus. Deus, o Diabo, e até o purgatório, que hoje em dia está um pouco desqualificado", disse.

Saramago se definiu como um "comunista hormonal". "Uma vez me perguntaram se mesmo depois do fim da União Soviética, da queda do Muro de Berlim, eu continuava comunista. Mas as teorias de Marx explicam a destruição de hoje. Na hora eu pensei em responder: 'E depois da Inquisição, você consegue continuar católico?'", questionou, sob aplausos da platéia.

"Da mesma forma em que tenho ar para respirar, tenho um hormônio que me obriga a ser comunista. Pode chamar de fatalidade biológica."
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A matéria no site da Folha está aqui. Quem me passou a dica de leitura foi o Frank. E o crédito da foto é Tuca Vieira/Folha Imagem.