terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobre pensar com os dedos

Falando em cócegas na ponta dos dedos, fiquei pensando em como é engraçado esse processo cerebral que observo entre nós, jornalistas. No ano passado eu estava em pleno surto de tendinites e não podia fazer repouso de jeito nenhum. Deadline apertadíssimo e quilômetros de texto para escrever. O primeiro médico, alopata, mandou tomar um remédio muito punk. Não quis - corticóide, longe de mim. Apelei para um homeopata-acupunturista-ortomolecular e pedi algum tipo de Voltaren do bem para passar a dor e eu poder trabalhar. Minhas mãos estavam inviáveis: o anular esquerdo não servia para nada, o que também atingia o mindinho, justamente ele que eu uso para digitar o "a". O indicador da mão direita, inchadíssimo, não esticava e eu tinha que clicar o mouse com o dedo anular, porque o médio também estava comprometido pela inflamação severa.

A situação era tão ruinzinha, mas tão ruinzinha, que mesmo o médico superzen disse que eu precisaria de duas coisas: remédio forte e repouso.

- Não posso, doutor. Tenho um trabalho enorme para entregar e não posso atrasar.

- Mas minha filha, não podes ditar o texto para alguém escrever?

- Não, doutor. Eu preciso pensar com a ponta dos dedos.

E assim ele me deu um remédio forte e eu escrevi a minha parte inteirinha de um guia gastronômico, praticamente só com dois dedos de cada mão. Até que ficou direitinho. =)

Um comentário:

Giorgia disse...

Que incrível isso de pensar com os dedos! E não é que é mesmo? Quando a gente começa a digitar, a coisa vai fluindo... parece que o dedo ajuda, que tem alguma ligação muito direta com o cérebro mesmo... com a criatividade ou sei lá o quê!