domingo, 16 de novembro de 2008

Aquelas coisas que não têm preço

Adoro peixe. Frito, ensopado, em isca, em posta, na moqueca, assado. De todos, o que mais me emociona é o salmão. De preferência, cru. Com shoyu e cebolinha verde, é de fechar o comércio. Mas preparar salmão cru é coisa pra profissionais.

Amadora que sou, peguei o filezão maravilhoso que comprei sábado de manhã na melhor peixaria da cidade (que fica no caminho da minha casa). Éramos só eu e mãe pra almoçar, então fracionei o bichinho em duas partes: congelei a mais grossa e resolvi preparar a parte mais fina no forno. Não requer prática, tampouco habilidade (como diz um amigo meu): deitei o filé com a pele para baixo numa travessa, salpiquei sal marinho (esfregando bem, já que não ia dar tempo de deixar marinando), polvilhei um pouco de pimenta-do-reino moída na hora e lavei com suco de limão. Daí acrescentei um bocadinho de alecrim, outro bocadinho de sálvia (ambos desidratados) e uma pitada de sementinhas de endro (que eu adoro).

Enquanto isso, mãe descascou algumas batatas e fez a salada do jeito que aprendemos com a Soninha: misturando as batatas cozidas com três ovos (também cozidos) picados grosseiramente, salsa fresquinha (viva a horta) e azeite de oliva. Pra colorir ainda mais a mesa, desbravamos as possibilidades da minha geladeira de solteira e chegamos a uma salada de rúcula, alface, manga e kani kama.

Não sei quanto tempo o salmão ficou no forno, já que naquele início de tarde em que mãe e filha cozinhavam juntas ninguém olhou para o relógio. Fomos apenas preparando as coisas como numa engrenagem, enquanto eu faço isso tu cuidas daquilo, dá licença, Fidelzinho (os cachorros sempre espalhados na cozinha enquanto o almoço fica pronto), e o tempo foi passando e a comida foi ganhando forma. Tudo preparado tendo apenas a intuição como guia e o bate-papo descompromissado como trilha sonora. Num restaurante qualquer, esse cardápio para duas pessoas não teria saído por menos de R$ 100. Do jeito que aconteceu, realmente entra pra lista de coisas da vida que não têm preço.

Vale dizer: estava tudo uma delícia.

6 comentários:

Marina disse...

Hum!Deu água na boca!

André Lückman disse...

Isso me lembra o Gassen, falando enquanto eu amarrava o bacon em volta do mignon com fio dental: "cara, esse espeto aqui vale uns cem paus". A gente ainda vai trocar de profissão, né?

Cristiane Fontinha disse...

Delícia! Também fiquei com água na boca.

Fiona disse...

Que delicia! Não tem preço mesmo. E o melhor de tudo é o fazer com prazer...

beijooo

Karla Santos disse...

Adoro salmão! E aqui é tão baratinho, Ana. Às vezes nem acredito nos meus lanchinhos noturnos (daqueles que substituem a janta) com salmão defumado. Com cream cheese e shoyo, hummmm.

beijos

Ana Paula disse...

que luxo, karla... salmão defumado com guinness legítima no lanchinho da noite. abafas!! =D