Quatro dias passeando à toa e dando risada com meus irmãos em Curitiba. Alguns devaneios sobre esse período:
Estranho pacas - No domingo depois do almoço, Mano sentiu um mal-estar e foi ao médico. Acabou passando a noite internado porque a dor que ele estava sentindo, desconfiaram os médicos, poderia ser uma apendicite. Como esse tipo de problema demanda uma cirurgia feita às pressas, decidiu-se pela internação por precaução. Mas no fim não era nada e segunda cedo ele estava novinho em folha. Mas o esquisito foi que na segunda de manhã recebi uma ligação, no celular, de uma queridíssima ex-colega do Besc perguntando se eu estava bem de saúde. Ela não disse, mas imagino que tenha sonhado algo ruim comigo. E o André, no mesmo dia, recebeu um e-mail de uma amiga de São Paulo dizendo que tinha sonhado com ele e perguntando se estava tudo bem. Well. Felizmente estávamos todos bem. Mas por via das dúvidas, enquanto saracoteava pelo comércio do Centro eu olhava até pra cima antes de atravessar aqueles cruzamentos malucos.
Hecatombe - Curitiba é conhecida por suas calçadas irregulares, esburacadas, com pisos despadronizados - a despeito de ser uma cidade planejada e arquitetonicamente interessante. Curitiba é conhecida também por ser um lugar onde as pessoas se vestem de maneira bastante formal. Mas alguém tinha que dizer pras moças de Curitiba que os saltos finos são absolutamente incompatíveis com as calçadas irregulares. Vai andar pelo centro, moça? Please, usa uma rasteirinha ou um salto anabela médio. As moças de Curitiba parecem ter feito uma convenção onde combinaram que passa a ser elegante andar de salto com o joelho dobrado. Coisa horrorosa. Nunca vi tantas.
10 centímetros - Resolvi provar um vestido indiano vermelho que estava numa vitrine. Lindo, mas comprido demais. A moça da loja se esmerou: dá pra diminuir a alça, dá pra tirar o último babado... Não, moça, o vestido é perfeito. Eu é que devia ter uns 10 centímetros a mais de perna. Provei outro. Comprimento legal, um pouco acima do joelho. Suuuuuper rodado. Rodado a ponto de eu me sentir um bujãozinho de gás com sainha. Ficou lindo!, disse a moça. Discordei: moça, pra esse vestido ficar perfeito eu devia ter uns 10 centímetros a menos de quadril. Provei o terceiro. Colorido e lindo. Com um decote no melhor estilo dressed to kill. Ah, ficou perfeito, disse a moça. Não, moça. Faltaram uns 10 centímetros a mais de peito. Mas no fim logrei êxito e comprei dois vestidinhos de verão compatíveis com meu corpicho ombro-estreito-peito-pequeno-cintura-fina-bunda-grande-perna-grossa-e-curta. Afinal, havia vestidos imperfeitos na loja.
Coisa triste - Meus dois irmãos moram (cada um no seu apê) no centrão-centrão da cidade, a alguns passos do Teatro Guaíra (onde o Mano trabalha) e do Passeio Público. Ontem de manhã resolvi ver se esse último lugar fazia jus ao nome para um passeio. Morri de pena da quantidade de aves nativas e exóticas presas nos viveiros. Que não são pequenos, é verdade. Mas pra uma ave que pode voar qualquer viveiro é sempre pequeno. E a tela é uma linha tênue demais as separando da vida livre. Fiquei triste especialmente com as gaivotas (gaivotas!!!) presas e com um casal de gralhas azuis. Nunca mais vou reclamar das gralhas que me acordam ao nascer do sol para comer as frutas aqui de casa.
Coisa linda - Todas as regiões da cidade são cheias de canteiros de flores. Com amores-perfeitos, petúnias, lírios, prímulas, cravinhos. Isso e os parques de Curitiba são um show de civilidade. Como estava um final de semana incrivelmente quente - e sem chuva, sim, sem chuva! - no domingo à tarde os parques estavam cheios de gente andando de bike, caminhando, correndo ou simplesmente batendo papo e namorando.
*Inspirados nos "Dropes da semana" da Regininha.
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