sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ricardo Mega

A última vez em que o encontrei pessoalmente foi no ano passado, durante a prova do Ironman Brasil em Jurerê. Eu passeando, ele trabalhando como sempre, com o inseparável colete de fotógrafo e uma tonelada de equipamentos. Tínhamos deixado de conviver diariamente quando me desliguei do jornal, em abril de 2006, e nessa ocasião em que nos vimos rapidamente ele também tinha recém-saído da empresa, que estava em processo de aquisição pela RBS. Então nos esbarramos e nesses poucos segundos de contato, além das perguntas de praxe que trocam dois ex-colegas que não têm grande intimidade - onde estás trabalhando, como vai a vida, etc. -, ele lembrou de abordar um assunto que era recorrente em nossas conversas de redação: os cachorros.

Dificilmente alguém diria que aquele cara com jeitão marrento, sotaque carioca, criador e adestrador de pitbulls, é um franciscano da melhor estirpe. Aliás, dificilmente alguém diria que os pitbulls do Mega são aqueles anjos dóceis e educados. Lembro bem de um plantão de sábado que eu estava coordenando. Quando voltou da pauta, antes de identificar o material, Mega chegou para mim discretamente: "Ana, estou com o Iron lá dentro do carro. Tudo bem se eu trouxer ele aqui pra dentro, só enquanto eu baixo meu material?" Respondi que por mim tudo bem, já que eu sabia que o Iron é adestrado e muito obediente. Consultamos as outras poucas pessoas do plantão, e o Iron ganhou passe livre. Ainda lembro da cena surreal: o Mega trabalhando num iMac colorido, na mesa dos fotógrafos, com aquele pitbull gigante (os cachorros dele são muito bem-cuidados) deitado aos seus pés, em cima de um tapetinho.

Já em outra ocasião, estou eu chegando para mais um dia de expediente normal de meio de semana. Passando pela mesa dos fotógrafos, Mega me chamou para contar que ele e o Vilmar (o motorista cujas histórias renderiam um livro) tinham presenciado o atropelamento de uma cachorrinha vira-latas na Via Expressa, a caminho de uma pauta. Quem atropelou não fez nada, mas eles pararam o carro e o Mega foi para o meio da rodovia resgatar a pobrezinha, que estava machucada e assustada, mas sem fraturas aparentes. Eles a deixaram na casa de uma senhora que morava nas redondezas e foram para a pauta. Pois quando ele me chamou, depois de contar a história, ele disse "Ana, eu não consigo parar de pensar naquela cachorrinha. Acho que vou lá buscar". Ele só precisava verbalizar isso. Terminou de identificar suas fotos, entrou no carro e foi ao encontro daquele serzinho esquálido preto-e-branco. Voltou todo empolgado com o quinto elemento de sua matilha - que já era composta por quatro pitbulls - no porta-malas. Depois de receber os cuidados necessários e o carinho dele e da mulher, Isabelle (também, obviamente, cachorreira de carteirinha), a Nina se transformou numa vira-latas saudável e encorpada, bem parecida com os irmãos de raça. Sempre que perguntava sobre como ela estava, ele me respondia: "Ana, aquela cachorra me ama". Claro, né? Óbvio que ama.

Durante o período em que convivemos profissionalmente, os cachorros sempre eram assunto. Ele é bom adestrador e me deu um monte de toques legais sobre como botar um pouco de disciplina na minha matilha mimada. Lembro de como estava triste ao contar que uma das pitbulls tinha morrido. E quando nos revimos muito rapidamente naquele dia de Ironman, nossas matilhas continuaram sendo a razão de nossa empatia - mais do que a profissão em comum.

Então é estranho lembrar dessas e de outras histórias e imaginar que hoje esse cara de coração grande, apenas dois anos mais velho que eu, está sofrendo as sérias conseqüências de um AVC, numa UTI de hospital. Como bem disse o Magoo em algum lugar, tomara que essa esteja sendo apenas mais uma das brincadeiras do Mega. E que logo ele possa estar de novo brincando com seus cachorros no quintal da casa que ele construiu para viver perto do mar, ao lado da sua Isabelle.

domingo, 5 de abril de 2009

Eu florida alegre e faceira. E daí??

Adorei esse texto da Cris Guerra. Desnecessário dizer que deve ser lido com bom humor, ok?


16 ou 17 coisas que você precisa saber sobre uma pessoa tatuada.

1. Não, ela não quer falar sobre isso.

2. Sim, ela teve coragem. Ao contrário de você, que está pensando em fazer uma tatuagem há 14 anos.

3. Não, ela não se arrependeu.

4. Ela é tatuada, não tatuadora. E não quer dar a você todas as dicas de como, onde, quando e que desenho tatuar.

5. Cuidado com perguntas do tipo “Você trabalha com tatuagem?” se não quiser ouvir respostas do tipo “Sim, eu não tiro a tatuagem para trabalhar”.

6. A não ser que pinte um clima, não saia botando a mão.

7. Não, ela não é um outdoor, nem um pássaro, nem um avião. Pessoas tatuadas não gostam de ser assistidas como se fossem um filme. Nem de ser observadas e avaliadas como num programa de calouros. Evite dar voltas em volta dela, olhando de cima a baixo.

8. Pode parecer estranho, mas, não, ela não quer chamar atenção. Pode parecer ainda mais estranho, mas as tatuagens são desenhos dela para si mesma, não para os outros. E têm muito mais a ver com o que ela quer dizer para si mesma do que para o mundo.

9. Perguntas do tipo “E essa aqui, o que significa?” só significam uma coisa: você é um chato. Gostaria de ouvir perguntas do tipo “O que significa o seu cabelo chanel?”

10. Proibido fotografar, filmar, tocar ou comer no recinto.

11. Não, ela não quer pensar em um desenho para você tatuar.

12. Sim, ela respeita se você achar ridículo. Mas nem tudo precisa ser dito. Ou ela será obrigada a opinar sobre o seu enorme brinco de pena.

13. Doeu, sim. Mas o que dói mesmo é esse seu olhar de turista.

14. Sim, ela já sabe que você é louco pra fazer uma, mas nunca teve coragem. A pergunta é: “E daí?”

15. Não, ela não tem tatuagem onde você está imaginando.

16. Sim, ela trabalha num lugar muito democrático. Ou usa terno e gravata.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Twitter

Me inscrevi hoje no Twitter, mas ainda não fraguei direito qual é a dele. Dã. =D

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Era uma vez um carinha sorumbático

Descobri essa gracinha de vídeo nos favoritos do Orkut de dois amigos. Impossível não ficar com um sorrisinho bobo no final.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Um pequeno delito

Meu vidrinho novinho de pimenta Tabasco teve a tampinha misteriosamente perdida na noite de Réveillon. Ela foi então substituída de improviso por um pedacinho de papel alumínio todo amarrotado. Que, além de ter um aspecto feio, precisa ser substituído toda hora porque alguém sempre amassa aquele papelzinho e joga fora. Esse pequeno problema foi resolvido com um pouquinho de cara de pau durante uma pausa na caminhada de domingo na Ilha do Mel. Eu, que nunca consegui roubar chocolate nas Americanas e nem copo em bar lotado, deleguei a tarefa delituosa ao Douglas, que a executou prontamente e na maior elegância. Terminada a deliciosa porção de iscas de pescada (que foi o motivo para virem à mesa dois vidrinhos de Tabasco, um da Garlic e outro da tradicional), pedimos a saideira e a conta. A tampinha de um dos vidros foi sutilmente colocada num canto da mesa entre nossos bonés e óculos. Quando a garçonete veio recolher as coisas, levou os dois vidrinhos sem notar que um deles estava sem tampa. Bingo. Meu vidrinho de pimenta já está pela metade, mas já não faz feio quando vai à mesa. Será que vou ser cobrada por isso no juízo final?

[Lição: a partir de agora, além dos araminhos de saco de pão, vou também começar a colecionar tampinhas de pimenta Tabasco. Pra garantir.]

domingo, 29 de março de 2009

And the world goes round

you're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
you stick around now it may show
I don't know, I don't know


[Pode parecer incrível, e peço perdão por isso a todos os meus amigos músicos, mas só agora, com quase 37 anos, descobri "Abbey Road", que passou a semana inteira no cd do carro. Antes tarde do que nunca.]

quinta-feira, 26 de março de 2009

because the world is round it turns me on

[Pequena seleção de imagens captadas durante um feriado estressante na Ilha do Mel - PR.]

because... the world... is... round


because the wind is high it blows my mind


because... the wind... is... high


love is old, love is new



love is all, love is you

[...]

because the sky is blue it makes me cry

[O "teto"do gazebo no jardim da pousada.]

because... the sky... is... bluuuuuue

[Special thanks to André, Mano, Jaque, Gisa, Lennon & McCartney.]

quarta-feira, 25 de março de 2009

Semana curta

Fim de semana prolongado é uma delícia, ainda mais quando se dá um jeito de esticar o feriadão que iria só até segunda para a terça-feira de manhã. Mas o efeito inverso disso (não vamos dizer que é um efeito negativo, mas apenas uma consequência inevitável de três dias e meio sem se preocupar com porra nenhuma) é a semana curta que vem em seguida. Cair na real de novo é um processo quase doloroso - daquelas dores que se sente com um sorrisinho nos lábios, já que a preocupação com o volume de tarefas acumuladas e coisas para dar conta nos âmbitos profissional e doméstico vem junto com a recordação de outras coisas como o edredom branquinho e cheiroso da pousada. Enfim. Mas o que eu queria dizer mesmo por enquanto é que só vou poder contar da caminhada de mais de 10 quilômetros entre praias e costões (sim, eu consegui transpor costões!!), da pousadinha fofa, da comida maravilhosa, da reposição da tampinha do meu vidro de pimenta, das ampolas de Original pelas quais pagávamos R$ 7 achando tudo lindo, dos belos dias de sol, das noites de céu cintilante cheias de estrelas cadentes e do encerramento disso tudo ao lado dos meus dois queridos irmãos quando eu receber o cd com as 417 fotos desses três dias e meio. Porque nem tudo é assim tão fácil: a câmera e o cartão de memória ficaram em Curitiba com seu legítimo dono, que está providenciando o envio daqueles mais de 500 mega por Sedex. É um deja vu de tempos atrás, quando tínhamos que mandar revelar filmes nos laboratórios fotográficos. Oh my god, que ansiedade...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Um post saideiro

Quando escrevi o post abaixo eu estava na recepção da Clínica Santa Helena, como acompanhante da minha mãe - que precisou fazer um procedimento meio chatinho que demandou internação-dia. Chegamos na clínica hiper cedo para a internação e em torno das 8h ela entrou. Ficamos lá na cadeirinha da recepção eu e o note, fuçando na Internet e rabiscando coisas (inclusive o post sobre a Ilha do Mel).

Nesse tempo entraram na clínica várias mamães a caminho de dar à luz seus pimpolhos - um baita movimento, tanto de algumas em trabalho de parto natural quanto de outras com internação marcada para cesariana. Uma das que estavam esperando para cesária chegou com o marido, a mãe e a irmã; esperou um pouco até ser internada, foi internada, ganhou o bebê. O pai desceu todo orgulhoso mostrando fotos e videozinhos na máquina digital. E minha mãe continuava lá dentro.

Comecei a ficar meio preocupada, porque afinal de contas dona Conceição já teve problemas com anestesia. Fui me informar no balcão e disseram que estava tudo bem, ela já iria para o quarto.

Aliviada, comecei a achar graça do inusitado da situação: enquanto a maior parte das mulheres naquela recepção eram mães esperando seus bebês, eu era o único bebê esperando sua mamãe. Coisas da vida.

A propósito, estamos aqui eu e ela agora no apartamento da clínica. Correu tudo bem e logo vamos pra casa. Agora sim, este é o último post antes da minha sonhada folga no feriado. Inté!

Que venha o feriado, então

É fácil chegar lá: saindo de Floripa, segue-se pela BR-101 no sentido Norte até Garuva, onde se entra à direita na direção de Guaratuba, já no Paraná; de Guaratuba pega-se a balsa até Caiobá (onde meu tio Beto já teve um apê) e de lá segue-se de carro costeando o litoral até o Pontal do Paraná, onde fica o carro. Daí é só pegar o barquinho e seguir para a ilha pela baía de Paranaguá, numa travessia que geralmente permite o avistamento de enormes navios entrando e saindo do porto lá longe. Meia horinha e pronto.

Uma das recomendações para quem quer passar alguns dias descansando e curtindo as praias bacanas da Ilha do Mel, onde só se anda a pé, é levar na bagagem apenas o essencial. Eu sempre costumo exagerar na mala, mas desta vez estou me esmerando para realmente levar só o que precisa ser levado. Foi um pouco sofrido resolver isso, mas o notebook vai ficar em casa. Entonces, hasta la vista, babies, e até terça-feira!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Bate outra vez com esperanças o meu coração...

...pois já vai terminando o verão... enfim!

[Charge de Richard Wilson originalmente publicada na revista inglesa "The Ecologist" em 1974 e reproduzida no livro "The Doomsday Funbook", John Carpenter Publishing, 2006. Eu diria que ele reproduziu o cenário de Canasvieiras em 2009.]

segunda-feira, 16 de março de 2009

O lado doce da vida rural

Jardineiro a cada três semanas para manter limpos os 1000 metros quadrados de terreno gramado: 100 reais.

Cinco tanques de álcool por mês para garantir o deslocamento diário médio de 50 quilômetros entre casa e trabalho: 350 reais.

Colher acerolas gigantes no pé e preparar um suco fresquinho para o café da manhã de sábado com o namorado: não tem preço.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Seis de miopia, dois de astigmatismo

No meio do corre-corre treslouquecido da semana que enfim vai terminando (assim como o verão...), uma notícia que me deixou deveras felizinha: meu oftalmologista constatou hoje que meus graus de miopia e astigmatismo têm se mostrado estáveis nos últimos dois exames. Com isso, eu posso colocar nos planos para 2010 a cirurgia corretiva. Acho que acordar de manhã e conseguir ler os números do rádio relógio sem precisar catar os óculos antes deve ser algo que não tem preço.

[Eu não nasci de óculos e detesto usá-los. Uso lentes de contato desde os 15 anos. Mas eu até apareço em público lá uma ve z ou outra com meus óculos indie de acetato.]

segunda-feira, 9 de março de 2009

Quando entrar setembro

Hoje bem cedo, a caminho de um dia cheio de compromissos, resolvi fazer as contas pra trás e percebi que não tenho férias, férias mesmo, desde março de 2006. E olha que desde março de 2006 aconteceu coisa na minha vida, em todos os âmbitos. Tá explicada a causa dessa minha vontade de só dormir. Espero conseguir me vingar disso tudo em setembro.

sábado, 7 de março de 2009

Coisinhas domésticas

Já perdi as contas de quantas chaleiras eu destruí ao esquecê-las no fogão acesso até a água evaporar completamente e o metal ficar incandescente e deformado. Dizem que isso é perigoso, mas nunca houve danos graves aqui em casa - fora, é claro, o preju das ditas cujas, algumas vezes de inox, outras vezes simplinhas de alumínio mesmo, descartadas no lixo reciclável.

A solução para esse meu pequeno desvio de caráter veio pelas mãos da querida tia Wilma, minha madrinha, que me presenteou com uma linda chaleira de inox com detalhes em esmalte, daquele tipo que apita quando a água ferve. Até agora, tudo bem.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Meus queridos traquinas

Deve ser porque não tenho falado muito deles aqui no blog. Mas meus fofos filhotes resolveram caprichar de novo nas traquinagens nos últimos dias. Primeiro foi Fidelzinho, o cachorrão-bebê, que resolveu ter uma crise de ciúmes de mim (eu voltava pra casa após três dias fora) e se atracar com a Lola. Fazia tempo que os dois não brigavam. Lola é um doce de cachorra, e bem menor que o Fidel, mas revida à altura quando ele quer brigar. Feitos os apartes, mãe e eu verificamos o saldo: Lola com a ponta da orelha rasgada e umas mordidas no pescoço, Fidel com uma mordida meio feia acima do olho direito. Como a orelha é uma parte muito irrigada, demorou muito a estancar o sangue e com isso a Santa Claudete teve trabalho extra no dia seguinte. Curativos feitos, discursos dados e rotina doméstica retomada, tive uns dias de sossego. Isso foi no domingo.

Mas logo em seguida veio outra: já devidamente de pazes feitas, os monstros resolveram ontem à noite torturar até a morte um pobre gambá que se aventurou no meu pomar para comer pitangas. Cheguei em casa meio tarde e não vi o cadáver no quintal. Hoje cedo, já de banho tomado, tive que providenciar um funeral digno para a pobre criatura, que jazia perto do relógio da água, no pé da pitangueira cujas frutas ele muito pouco deve ter saboreado.

Moral da história: não dá pra ser muito mulherzinha com esses meus filhotes. Tem que apartar briga, enterrar bicho morto e não descuidar da disciplina - senão eles tomam conta. Mas não consigo imaginar minha vida sem eles. Assunto pra terapia, talvez.

terça-feira, 3 de março de 2009

Surpreendendo o sol antes de o sol raiar

Conheço muita gente que diz ser mais produtiva trabalhando de madrugada. Não é o meu caso. Tenho séria dificuldade para produzir depois das 10 ou 11 da noite. Isso vem desde os tempos de escola: sempre preferi acordar duas ou três horas antes do normal para terminar tarefas ou reforçar leituras a ficar madrugada adentro cochilando em cima dos livros. Hoje é um dia desses: eu deveria mesmo era ter esticado ontem à noite um pouco mais no escritório, mas resolvi dormir e botar o relógio para antes do sol - como na música do Chico. Mas acredito que nem uma nem outra alternativa sejam realmente saudáveis: melhor que sejam exceções na nossa rotina. E justamente hoje, durante a segunda dose de Melitta Forte do dia que mal começa, encontrei esse texto no G1. Ok, vamos trabalhar em horários esquisitos pra dar conta da vida, minha gente. Mas que isso seja sempre uma exceção. Até porque tem um leque de coisas muito mais interessantes para fazer nas horas frescas da madrugada. Dormir, inclusive. Bom dia pra todo mundo.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Eu, minha amiga e nossos fantasmas

Semana estranha e cheia de diferentes emoções essa que está terminando hoje. O ponto alto foi a visita inesperada de uma querida amiga, quarta-feira, em torno das 22h. Eu estava indo cedo para a cama, na intenção de ler um pouco e dormir logo, para dar conta dos compromissos que iniciariam de manhãzinha no dia seguinte. Tocou o celular:

- Oi, Ana. Estás em casa?
- Oi, querida. Estou sim, pode ligar aqui.
- Não, eu estou na rua, aqui perto. Posso ir aí?

Minutos depois chegou minha amiga, linda como sempre, mas emocionalmente destruída, extravazando uma profunda tristeza. Tremia e chorava. Dei um abração, disse para ela se acalmar e me contar o que tinha acontecido. Ela sentou na poltroninha colorida do canto da sala, ao lado da luminária maior. Ofereci água, cerveja e uma tigelinha de porcelana como cinzeiro (não tenho mais cinzeiros em casa). De blusa laranja e calça estampada, no contraste com a poltrona e a luminária coloridas, ela parecia uma pintura de Frida Kahlo. Sentei no sofá preto com as pernas cruzadas e comecei a ouvi-la.

Ela falou, falou, falou. Resgatou assuntos de dez anos atrás que ainda incomodavam. Admitiu medos, conseguiu rir de algumas coisas e também ouviu outras que eu tinha a falar. Não deixei que fosse embora porque o caminho até sua casa seria longo demais. Fomos dormir perto das 4 horas, com o despertador programado para tocar às 7. Apesar de isso ter comprometido a produtividade do meu dia, tenho certeza de que fiz a coisa certa ao oferecer ombro e ouvidos para ela.

O dano emocional, na verdade, foi estabelecer paralelos entre a história atual dela e a minha própria história recente. Embora eu esteja alegre e faceira, vivendo mil coisas novas e cheia de projetos, abrir a caixinha das tristezas, raivas e mágoas passadas foi um abalo emocional considerável. Isso somado a outras coisas me fez voltar a ser, nos dois últimos dias, a chorona do trânsito. É tiro e queda: entro no carro, ligo o som e desando a chorar até chegar ao meu destino. Mas assim como na época da vivência das emoções originais, tenho certeza de que isso também vai passar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Duas horas de trânsito na volta do trabalho

e tocando ainda Lenine no meu cd player:



desta cidade um dia só restará
o vento que levou meu verso embora




[Será que essa gente não vai embora nunca???]

Quarta-feira de Cinzas

Dia nublado, leve ressaca. Deadline prorrogado. E nos primeiros e-mails da manhã, mais um pedido de orçamento para trabalho freelancer. Se o ano ainda não tinha começado... agora vai!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Nana, neném

Meus boxers nunca me darão netos. Sorte minha. Se nascessem filhotinhos do Fidel e da Lola eu certamente teria hoje uma verdadeira matilha de bochechudos remelentos lambões no quintal - e uma conta ainda mais astronômica na agropecuária, além da responsabilidade de ter também aumentado a já problemática população canina da cidade. Mas se eu os tivesse, acho que também cantaria pros meus netinhos. Como o tiozinho do vídeo aí embaixo. Fofo!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Já que é noite de Oscar...

...lembrei dos filmes que me comovem todas as células e me arrancam lágrimas:

1) "O filho da noiva";
2) "E.T." (é sério);
3) "Fale com ela" (que estou vendo agora *snif*)
4) "Marley & eu";
5) "Brilho eterno de uma mente sem lembranças".

[Vale dizer que não assisti a todos os que concorrem a melhor filme, mas torço por Benjamin Button. "Good night, Benjamin." "Good night, Daisy."]

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Parabéns


Tinha que ser um sábado de Carnaval quente e ensolarado pra essa baladeira-praieira-workaholic-mestrandaCDF começar um novo ciclo - que, espero, seja igualmente ensolarado, iluminado e very very warm. Hoje minha querida amiga Tati, que aparece em muitos posts e comenta praticamente todos, está de aniversário. Provavelmente não teremos nenhum contato presencial neste feriadão, já que ela está curtindo o Carnaval e eu, como já relatei no chororô abaixo, preciso ficar isolada do mundo. Mas fica aqui uma homenagenzinha pública e humilde para essa amiga-de-fé-irmã-camarada que merece toda a felicidade do mundo. Cheers!!


[Na foto, eu e a dita cuja numa fexteenha sunset no P12, dando uma de importantes nas almofadas rosa da Veuve Cliquot. O flash da máquina estava desligado, mas o efeito na luz de fim de tarde até que ficou legal.]

Chororô básico

O blog é meu, então eu posso dar uma reclamadinha. Hoje é sábado, são 8h40, tá um dia lindo lá fora e eu estou tomando a segunda xícara de café preto forte adoçado com mascavo, dentro da bolha, ar-condicionado lá em cima e persianas baixas. Tenho um frila-monstro pra entregar na quarta-feira de cinzas. Tudo bem que eu não sou grandes carnavalescas, mas saber que a maioria das pessoas está curtindo uma folga me deixa meio tristinha, com a sensação de estar perdendo algo. Ainda mais pelo fato de que, sim, eu gostaria de estar anywhere else far far away with somebody else I love so much, mas a responsa me obriga a dar conta do trabalho (que é remunerado, afinal de contas). São só 50 laudas, Ana Paula. Força na peruca. E bom feriadão de Carnaval pra quem o tem.

[E vai aqui um beijo saudoso em todos os meus ex-colegas de redação que por 11 anos compartilharam comigo aquela chatice de necessariamente trabalhar nos feriados, sábados, domingos, natais, anos-novos - e carnavais. Pros que persistem bravamente nas redações e como eu estão de plantão, reproduzo o conselho da Giorgia em seu post de carnaval: "Pra quem vai trabalhar, que não se revolte... trabalhe com amor. Tempos melhores virão." Sábia Giorgia. Vou lá buscar a terceira xícara.]

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O samba que eu não fiz

Já que não adianta muito ficar ranhetando naquela conversa de "eu não gosto de Carnaval", porque nessa época ninguém tem muito pra onde correr, vai um som lindo do álbum "Labiata", do Lenine, que pode servir para embalar num samba mais lentinho os amores efêmeros e quiçá os duradouros que hão de se consolidar por esses dias.






foi na leveza
só sentimento
e me entregou suas palavras
como quem dava um pedaço
delicadeza foi
disse ao meu coração
e ela me deu a intenção
do samba que eu não fiz

ô, sambá
é o que eu quero sentir
ô, sambá
quando eu te ver sorrir
ô, sambá
coisa melhor que eu fiz
mundo caiu no samba
na hora que eu te vi

você me batucou
skindô meu coração
quando eu te vi
sambar assim
aqui neste lugar
onde este mesmo sol
costuma aparecer
e a lua vem ouvir
o som estéreo do mar

ô, sambá
venha me dar seu amor
ô, sambá
que eu sambo aonde for
ô, sambá
é o tempo certo de ser
e eu sambaria o mundo
só pra encontrar você

[Referência importante: a composição é do Lenine com o saudoso Chico Science. Ouça no Goear pra curtir a gravação de estúdio, cheia de percussões legais. E a gravação pirataça em vídeo que peguei no Youtube foi feita num show em Recife, em novembro de 2008.]

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Eu na minha época

Não, eu não queria viver num mundo sem Internet, sem carro bicombustível, sem telefone celular, sem laptop com muita memória RAM, sem rede sem fio e sem a liberdade de resolver onde vou, o que faço, com quem convivo, se compro ou não compro, se como ou não como, se bebo ou não bebo. Eu prefiro viver na minha época, suando a camisa pra pagar as minhas contas básicas de subsistência e também as minhas cervejinhas importadas e melhor ainda as pousadas no feriadão (que hão de vir). No cinema os séculos anteriores ao 20 parecem muito glamurosos com aquelas mulheres de vestidão e cabelos arrumados, lencinhos e sombrinhas, delicadas e femininas. Mas decidi que gosto mesmo é da minha época, no meu século, que me permite montar provisoriamente meu escritório na praça de alimentação do shopping, resolver um monte de coisas e ainda por cima dar uma atualizadinha básica no meu blog que eu amo tanto mas que tem andado um pouco relegado. O frila vai acabar, o prazo tá aí, mas eu volto. Prometo.

[Dálete, minha companheira de época, um beijo. E também para todas as mulheres que como eu se desdobram em múltiplas e conseguem dar conta do recado - inclusive de ser feliz.]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tá difícil, minha gente

Clarice Lispector que me redima: "Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome muito."
.
.
.
Fui. Mas volto.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Bonde andando

Gostei muito da discussão levantada pelo Maurício nos últimos dias, espalhada por outros blogamigos, sobre as vicissitudes do trabalho freelancer na nossa profissão. Desde que me desliguei do jornal onde trabalhei durante 11 anos, em 2006, fiquei quase dois anos emendando um trabalho free no outro, sempre conciliando isso com as atividades acadêmicas decorrentes do mestrado. Foi um período bacana para fazer contatos e vivenciar diferentes jobs (frilei tanto para revistas da Editora Abril quanto pra pequenas editoras locais, além dos múltiplos trabalhos que fiz com os amigos da Quorum).

Não posso reclamar: talvez por sorte ou por estar disponível nos momentos certos, sempre me caiu trabalho no colo durante esse período. Mas no início do ano passado, durante a produção do livro do Besc (o maior trabalho que já fiz), comecei a sentir falta de um vínculo. Vislumbrei duas alternativas: ou me recolocava no mercado formal, ou abriria uma empresa. A sensação de ficar "solta" não estava muito confortável. Foi quando fiz três concursos públicos, todos para vagas na minha área, e passei em dois. Quem me chamou primeiro foi o Cefet-SC, onde comecei em setembro. Lá estou tendo a preciosa oportunidade de misturar no coditiano de trabalho as duas coisas que eu estudei - Comunicação e Educação -, com as atividades no setor de educação a distância. Está sendo uma experiência muito legal, apesar de todos os estranhamentos que alguém que sempre trabalhou na iniciativa privada acaba tendo ao ingressar no setor público. Sem falar nas externalidades decorrentes de trabalhar numa grande instituição de ensino, com novos contatos, novos amigos e muitas outras coisas novas e boas.

Mas mesmo de volta ao mercado formal, continuo sendo uma moça trabalhadeira, e moças trabalhadeiras, quando são jornalistas, não negam fogo para frilas (até porque tenho três bocas pra sustentar e a conta mensal da agropecuária é alta). No momento, nas horas livres, eu estou tocando dois trabalhos simultaneamente, ambos de bastante volume, e é por isso que o Certezas tem andado meio paradinho nos últimos dias. É por isso também que eu não consegui botar pitaco na conversa sobre a vida de frila. E é precisamente por isso que hoje, nesse lindo sábado de sol, com o mar ali a 500 metros, eu estou aqui dentro da bolha de ar-condicionado do meu escritório fazendo de conta que é terça-feira. Dependo de um bom rendimento hoje para poder ter um sábado à noite e um domingão sem culpas. Acho que vou conseguir.

[Detalhe sórdido: meu deadline para o trabalho maior é quarta-feira de cinzas. Que bom que não sou propriamente uma carnavalesca...]

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sobre a biodegradabilidade das certezas

Camões já escrevia sobre isso em 1595:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto.
Que não se muda já como soía.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Tchibum


Peguei ontem com o Alan as imagens subaquáticas que ele e o Marcelo fizeram no dia do nosso dive no Arvoredo. Puxa o ar, prende e tchibum, minha gente.



[Na foto lá em cima, um belo registro que o Alan fez dos singelos marimbaus, tão comunzinhos mas tão bonitinhos. E nos dois videozinhos, feitos pelo Marcelo, a tartaruga que o Zé contratou pra deixar os turistas com cara de bobos.]



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Thank you, Alanis

Alguns dropes sobre a experiência do show de ontem:

1) Alanis Morissette é uma fofa: extremamente simpática, interage com o público sem ser forçada e sem engrisar palavras decoradas em português. Ela sorri aquele sorriso enorme, gesticula e se comunica. Tem de fato aquela voz inacreditável e trabalha com uma excelente banda. Nos sons mais pesados, dança feito uma porra louca no palco, chacoalhando a cabeleira e denunciando algumas de suas melhores fontes de inspiração. Showzaço que valeu cada centavo, cada minuto de empenho e cada pingo de chuva que caiu em cima de mim. Isso me leva ao item 2;

2) começou a chover forte em Jurerê cerca de uma hora antes de o show começar. Mas eu e meu gentil acompanhante combinamos de não arredar pé do bom local que tínhamos conseguido na pista. E a chuva caiu batida nessa hora antes do show e nas duas horas seguintes, até Alanis despedir-se sugestivamente com "Thank you" e sair do palco. Eu nunca na minha vida tinha tomado tanta chuva na cabeça. Qualquer pessoa com um pouquinho de mau humor ficaria incomodada com isso. Mas nós achamos o máximo e rimos muito da situação. E isso me leva ao item 3;

3) a música que eu mais queria ouvir era "Head over feet", que postei logo ali embaixo, por todo um contexto particular. E foi uma das primeiras do show. Adorei e cantei junto, assim como outras mais conhecidas como "You oughta know", cuja letra a Ana Corina nos forneceu em comentário no post anterior. Entre uma música e outra refleti que a segunda já foi cheia de significados para mim, mas agora é apenas uma música legal. E a primeira, que antes era apenas uma música bonitinha, agora virou uma música especial. Nada como um dia após o outro. Nada como as voltas que o mundo dá. E isso me linka ao item 4;

4) sim, eu estava muito bem acompanhada no show por um cavalheiro que se esmerava para me proteger da chuva e me erguia nos braços sempre que Alanis vinha para nosso lado do palco. Vi Alanis bem de pertinho. E isso animava ainda mais a cantar, cantar e cantar gritado, porque cantar em show sem gritar não tem graça nenhuma. Isso, acrescentado ao contexto da chuva, me conduz ao item 5;

5) estou sem voz. Vou fazer um chá com mel e já volto.

[Como não levei câmera, tomei a liberdade de copiar uma fotinha beeem pequenininha do Guto Kuerten, do Diário Online. Ela e outras podem ser vistas em tamanho maior clicando aqui.]

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Tudo culpa sua

don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
it's all your fault

[Hoje tem Alanis Morissette aqui do ladinho de casa. Uhu!]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Mui honrada

Recebi da Dálete, do Bonecas e Bonecas, o selo Prêmio Dardos, concedido a blogs relevantes e belos. Considerando a despretensão total deste espaço e o fato de que aqui o principal assunto é o meu umbigo, fico muitésimo honrada por pelo menos divertir alguém (como ela) com meus devaneios. A tarefa agora seria indicar outros 15 blogs para o selo, mas vou me poupar esse trabalho, já que é muito simples saber quais os blogs que eu considero relevantes: são todos esses que estão aí ao lado, na coluna "Eu Recomendo".

[Sobre a Dálete: ela é minha colega de trabalho - servidora federal há alguns pares de anos, trabalhando na área da educação tecnológica. Mas eu sei que isso é apenas um disfarce. Na verdade, ela é uma boneca. Das mais raras.]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Wordless

Já que ando meio sem palavras mesmo, vai mais um videozinho. Esse eu conheci através do blog da Cris Guerra. Já assisti umas 800 vezes. Adoro principalmente a parte em que a menina mergulha. É lindo demais.

Será que é tão difícil amanhecer?

De maneira geral eu acho a Fernanda Abreu cool, embora também ache a voz dela meio fraquinha. Quando ela se arriscou a gravar essa obra-prima do meu ídolo Chico Buarque, lembro que fiquei até meio ofendida. Mas agora estou achando bonitinho. De fato é bom poder mudar de idéia. Bom dia pra todo mundo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sem autorização de uso de imagem

Adorei reencontrar na mesma mesa de boteco dois amigos que amo enormemente: André Gassen e Valéria Lages. Como santo de casa não faz milagre, claro que ninguém tinha uma câmera decente na bolsa. Mas fizemos o registrinho do encontro em 1.3 megapixels e sem flash mesmo. Hoje o Boulevard da Lagoa em nada lembra aquela época em que ficávamos no trapiche até o dia amanhecer e pedindo a "última saideira". Mas foi bom perceber que nós, quase 20 anos depois, continuamos firmes e fortes.

[Não costumo postar fotos de pessoas no blog sem pedir autorização, mas como a intimidade é uma merda resolvi romper a regra. Qualquer coisa, queridos, me processem.]

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ouvindo "Labiata"

Mais uma do Lenine que entra pra minha vida: "É o que me interessa"

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o teu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

[E com essa, vai um beijo pra querida Angelita, tão longe e tão perto lá em Barcelona. E outro pro André, meu eficiente fornecedor de música boa.]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

I cry for you on the kitchen floor

Para um dia nublado e friozinho em Maurília, um som lindésimo da diva junkie Amy Winehouse. Porque a melancolia também faz parte da vida.

[Quem nunca chorou por alguém no chão da cozinha? Eu já.]


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Boa explicação


Encontrei essa tirinha do Hagar, recortada de jornal, solta no meio da minha agenda do ano passado. Foi transferida para a galeria de honra do meu quadro do escritório.

Do Esquerda Festiva

Adorei este post do Ulysses. Moooooento filosófico.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Arvoredo


Meu trabalho fica a cerca de 25 quilômetros da minha casa. E um dos lugares mais lindos que conheço - e que tem significados afetivos muito fortes para mim - fica a apenas 11 quilômetros do meu doce cafofo. Rumo norte. Só que uma imensidão de água nos separa, e isso aumenta deverasmente a distância. Justamente por essa distância alargada é que eu vou para lá muito menos do que gostaria. Já para o trabalho, eu vou todo dia. Sem escolha.

Pois no último sábado rolou: juntei cinco amigos sangue bom e lá fomos nós, a bordo da escuna Vento Sul, para um mergulho livre na Ilha do Arvoredo - na parte onde essa prática é permitida, já que lá é uma Reserva Biológica.

Fazia uns bons três ou quatro anos que não ia visitar essa minha vizinha tão delicada. A água estava meio fria, mas mais transparente do que a média. E foi nesse dia que nadei com a tartaruga-de-pente mais take it easy que já conheci. Nem em Abrolhos, onde elas se reúnem em grandes grupos para devorar suas algas no meio do arquipélago, encontrei exemplares tão mansinhos quanto aquela de sábado - carinhosamente batizada de Gertrudes por um dos risonhos integrantes de meu grupo.

Quem mergulha sabe a emoção de ver um animal como esses nadando tranqüilamente. E quem me conhece sabe que as tartarugas são meus bichinhos prediletos. Portanto, coração bombando, ficamos eu e ela - ela elegante e confortável, eu totalmente desengonçada e desfavorecida pela minha ausência de nadadeiras como as dela - deliciosamente passeando juntas e nos observando durante alguns longos minutos.

Um amigo meu outro dia definiu a sensação de mergulhar como aquela que se sente quando se volta para casa depois de muito tempo. Pois comigo não é totalmente assim. Eu sou muito pé no chão, sou de elemento terra, e tenho a perfeita noção de que na água eu sou visita. Mas posso dizer que sou o tipo de visita com liberdade para abrir a geladeira. Vou lá, abro a geladeira, vejo o que tem de bom e lindo e volto para a terra-casa feliz da vida. Definitivamente, preciso mergulhar mais. Bom projeto para 2009. E 2010, 2011, 2012...


[A foto foi feita pelo Alan quando estávamos chegando no Arvoredo. A fissura para pular na água era tanta que ninguém teve paciência para bater foto de ninguém com os paramentos típicos dos voyeurs subaquáticos. Mas tudo bem. Com esse post vão beijos para o Alanzinho, a Tati, o Douglas, o Marcelo e a Viviane, meus alegres companheiros de aventura, além de beijos mais que especiais para o querido capitão Zé Luís e seus gentis marinheiros, que nos conduziram e orientaram com toda segurança e conforto. Embora eu não tenha levado o bolo. Que há de vir.]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Seis coisas sobre mim

Mui honrada, recebi da Marie a tarefa de contar aqui seis coisas sobre mim e de convidar seis blogamigos para fazerem o mesmo.

Vamos primeiro às regrinhas encaminhadas pela Marie, e que valem para meus convidados:

- Colocar o link de quem te indicou para o meme-selo;
- escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar a brincadeira mais clara;
- contar seis fatos aleatórios sobre você (essa é a proposta da brincadeira);
- indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
- avisar esses blogueiros que eles foram indicados.


Então:


O link do blog da Marie: http://silvestregavinha.blogspot.com/. Não sei como a descobri, acho que na verdade foi ela quem me descobriu e viramos amigas-miojo (três minutos e já é). Ela escreve poemas, tem um filho grande e a linda profissão de fazer nascer nenéns. É uma comentarista assídua do meu blog. [Falastrona que sou, já extrapolei um pouquinho a tarefa, né, Marie?]


Seis fatos aleatórios sobre mim:

1) Eu adoro mergulhar. Sou uma negação como esportista: me equilibrar numa bicicleta é praticamente um milagre, sempre era a última escolhida nos times de vôlei da escola (eu não fazia questão nenhuma de ser escolhida) e sou uma péssima nadadora. Mas na primeira vez em que perdi o medo e olhei lá pra baixo com uma máscara de mergulho no rosto, minha vida mudou. Isso foi em 1996. Meses depois fiz um curso de mergulho autônomo, tirei meu brevet e fui pra Fernando de Noronha. Depois disso, minhas férias passaram a ser planejadas em função de possibilidades de passeios subaquáticos. É algo que eu não faço muito, mas amoooo quando faço.

2) Eu tenho alguma doença reumática ainda não devidamente identificada pelo meu médico. Faz cerca de um ano e meio que tive uma crise séria de travar totalmente: pés, joelhos, mãos e ombros. Nada mexia. Acordava de manhã sem saber como fazer para levantar. Mal conseguia pisar no chão. O ortopedista me mandou para um reumatologista, que me orientou a fazer um plano de previdência privada porque eu tinha artrite reumatóide e que aquilo só tendia a piorar. Não me conformei. Fui a outro reumato, a um homeopata-ortomolecular-acupunturista e a uma psicóloga. Aprendi que meu organismo estava passando por um processo auto-imune - ou seja, eu produzia (produzo ainda) anticorpos contra mim mesma. Isso me fez pensar em muitas coisas, mudar outras tantas, inclusive na alimentação, eliminando coisas que me fazem mal em todos os campos e aprendendo a me priorizar. Desinflamei, perdi 12 quilos em menos de um ano (sem dieta nem atividade física, apenas vivendo, sorrindo e respirando) e vez ou outra ainda inflama aqui ou ali. Continuo fazendo exames periodicamente e meu reumato, um fofo, continua dizendo que eu melhoro progressivamente. Numa das consultas ele me disse "Ana, você precisa fazer três coisas: desestressar, emagrecer e fazer atividade física leve regularmente". Sim senhor, doutor. As duas primeiras eu fiz direitinho, a terceira ainda estou devendo. =)

3) Quando eu era mais nova eu era bem quietinha, mas ultimamente tenho percebido que estou virando uma falastrona. Converso, converso, converso. Participava pra caramba das aulas no mestrado, apresentei trabalhos acadêmicos para platéias grandes (a banca, inclusive, foi super legal), converso com a faxineira do trabalho, com o menino do caixa da cantina, com meus colegas de fila no supermercado. Estou gostando de ser uma conversadeira contumaz. Isso é só mais um indício da suspeita maior: meu deus, eu estou me transformando na minha mãe.

4) Sou um bom garfo e um excelente copo. Como de tudo, com exceção das coisinhas que os exames ortomoleculares indicaram que me fazem mal - os principais são qualquer tipo de carne de porco, alho (infelizmente), leite e adoçantes em geral. Das bebidinhas, tenho predileção por cervejas boas, puro malte (as pielsen brasileiras são ruinzinhas). Minha diversão é experimentar novos rótulos. Mas também piro com líquidos singelos como água de coco (remédio pra tudo), suco de uva integral (sou viciada, compro litros e litros por mês) e água mineral (compro bombonas). Tenho prazer em comer bem, beber bem, celebrar, e acho que é por isso que eu nunca serei uma pessoa magra. Meu peso é saudável, mas pra magra não sirvo.

5) Sou um cão territorialista. Defendo minha família, meus amigos e meu território como um dobermann. Compro briga, me ofendo, dou tamancada se mexerem com alguém de quem gosto. Sou fiel e leal. Eu perdoo (sem acento), mas quem vacila comigo ou com alguém de quem gosto perde pontos e passa a ser proibido de cruzar a linha amarela.

6) Eu acho ótimo poder mudar de idéia. Essa é uma descoberta recente e me tornou uma pessoa muito mais leve. Ah, hoje eu acho isso. Tenho certeza. Amanhã o mundo deu mais uma voltinha e o contexto muda. E eu preciso ficar teimando? Nãããão! Isso não significa ser instável, nem volúvel. Significa ser flexível. Há uma linha tênue entre ser rigoroso e ser rígido. A manha é encontrar essa linha e ficar no lado do rigor. O rigor dá disciplina, firmeza. A rigidez dá inflamação nas articulações. Li num livro do Morin (ele estava discutindo as incertezas da ciência) que as certezas são biodegradáveis: não é que elas se acabem, mas elas perecem, se transformam em outra coisa. Tudo é dinâmico. Percebi que isso é muito legal. E batizei meu blog com essa idéia. Talvez um dia eu mude o nome dele para "Convicções irreversíveis", mas por enquanto prefiro ir flanando na biodegradabilidade.


Sem mais delongas, quero saber seis coisas dos seguintes amigos (que obviamente podem ser mais sucintos que eu):

2) Maurício (vidadefrila.blogspot.com);
3) Malu (hjeodia.blogspot.com);
4) Karla (dublinenses2008.blogspot.com);
5) Fiona (fionadebourbon.blogspot.com);
6) Rafa (cenasdorio.blogspot.com).


[Mission acomplished. Thanks for your attention.]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O backup

Bem, segui a recomendação da Miriam e fui no Dicas Blogger em busca de orientações sobre como becapear o Certezas. Baixei aqui o programinha chamado Blogger Backup. O processo é bem facinho. O problema é que os arquivos ficam salvos em extensão .xml, e quando abro o texto aparece cheio de sujeira. One more little help, my friends: como faço pra resolver isso?

Gracias mais uma vez. =D

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Just go ahead, let your hair down

Um sonzinho cool e inspirador com a inglesa fofa Corinne Bailey Rae, sua vozinha de cristal e sua banda numa performance ao vivo. Hoje vou sair de cabelo solto, melissa e vestido novo. Bom dia pra todo mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Os deuses estranhos

Esse post do Ulysses me fez lembrar imediatamente de um texto do Italo Calvino em "As Cidades Invisíveis". Tão triste e lindo que me dou até ao trabalho de reproduzir aqui inteirinho.


Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões-postais ilustrados que mostram como esta havia sido: a praça idêntica mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes, é necessário que o viajante louve a cidade dos cartões-postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade da Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões-postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional - que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades de aquilo que se foi.

Evitem dizer que algumas cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes, os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até mesmo os traços dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores que os antigos, dado que não existe nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões-postais não representam a Maurília do passado mas uma outra cidade que por acaso também se chamava Maurília.



["As Cidades Invisíveis" foi escrito por Italo Calvino em 1972, ano em que eu nasci - e isso não tem a menor importância, é claro. Nos vários pequenos textos, Marco Polo descreve para o rei Kublai Khan o que viu em suas viagens pelo mundo, em cada cidade alegórica. A parte sobre Maurília tem o título "As Cidades e a Memória 5". Pra quem quiser ir atrás, a minha edição é da Cia. das Letras, de 2007, traduzida pelo Diogo Mainardi.]


[[Charge de Richard Wilson publicada na revista inglesa "The Ecologist" em 1971. Tirei do livro "The Doomsday Funbook", coletânea de editoriais e charges dessa revista, publicado pela editora Joe Carpenter em 2006. Não custa lembrar: clique na imagem para ampliar.]]

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A little help from my friends

Acabo de me dar conta de que já escrevi mais de 200 posts nesses poucos meses de blog. Acho que está na hora de fazer um backup. Pergunto pros amigos mais experientes: isso se usa ou é coisa de virginiano? Tem alguma ferramenta mágica com essa finalidade?

Gracias de antemão. =D

Diga-me o que carregas na bolsa e eu te direi quem és

Faz muito, muito tempo que tenho minhas tendinites, antes tratadas com ortopedistas, hoje acompanhadas por um excelente reumatologista (coisas da idade). Em todas as crises que me acometeram os ombros o peso das minhas bolsas foi apontado pelos zelosos profissionais como algo que eu deveria mudar. [Vale dizer que nunca consultei ortopedistas mulheres, só homens.] Não é coisa de agora, nem ocorre em função da moda das chamadas maxibolsas: eu sempre usei bolsas grandes, abarrotadas de coisas. Coisas indispensáveis, é claro.

Pois na minha última consulta, semana passada, o reumato me disse de novo: Ana, precisas carregar menos peso na bolsa. Comportada e disciplinada que sou, resolvi fazer uma vistoria para identificar o que poderia ser excluído do meu kit indispensável de sobrevivência. Afinal sou uma moça que mora longe, e por isso quando saio de casa é de uma só vez. Não rola de passar em casa rapidinho para um up no visual quando pinta aquele convite para uma happy hour depois do trabalho. Por isso que as nécessaires são talvez o elemento de peso mais indispensável da minha bolsa.

Senão, vejamos. Bolsa da Ana Paula nesta manhã de segunda-feira, 19 de janeiro de 2009. Nem vou tentar colocar as coisas em ordem de importância:

- carteira 1: com documentos pessoais, pouco dinheiro, cartões de crédito/débito/banco/lojas, talão de cheques (eu ainda uso isso) e milhares de papeizinhos de cartão de crédito/débito

- carteira 2: pequenininha, com os documentos do carro e o cartão do seguro

- nécessaire 1: escova de dentes, creme dental, fio dental, filtro solar para o rosto (embalagem mini), pó compacto (é importante principalmente por causa do espelhinho), batom cor de boca, rímel incolor, cartela de neosaldina (com 4, uma já consumida), gloss, corretivo, umidificante de lentes, lixa de unha pequena e três band-aids

- nécessaire 2: lenços umedecidos, desodorante em creme e bloqueador solar. Em certos períodos de cada mês essa nécessaire ganha itens para uma condição fisiológica específica, embalados um a um

- sombrinha: pequena, de alumínio, bem levinha. Indispensável pra quem mora em Frogville

- livro "Dom Casmurro", edição pocket, para ocasiões de espera

- agenda. A deste ano é bem pequena

- caixa de remédio: tenho que tomar na hora do almoço, e já que geralmente como fora de casa eu acabo carregando a caixa inteira junto

- celular

- estojo com canetas, lápis & afins

- escova de cabelo pequena

- dois elásticos de cabelo e uma presilha

Por enquanto, acho que apenas o estojo de canetas&lápis é o item que pode ser esvaziado. Do resto não consegui me desapegar. E lá vou eu de bolsão trabalhar de novo.


[A bolsa da foto não é minha: é um modelo que eu cheguei a encomendar pela Internet, com compartimento para notebook. No dia seguinte a Tati me aparece com uma idêntica. Nem foi por isso, mas eu acabei não pagando o boleto bancário e com isso a compra não se concretizou. Acho que foi bom, porque acrescentar o note aos meus itens indispensáveis poderia me conduzir à invalidez permanente.]

Curti

Ganhei um parzinho dessa cerveja austríaca no Natal, presente do André (não poderia ter sido de outra pessoa). Diz o rótulo que ela é feita com malte de uísque escocês. No gúgol descobri que a região de onde vem esse malte é próxima ao Lago Ness, e é daí que vem o nome do produto. Ontem, vendo filminho, bebi as duas (sorry, André). É avermelhada e bem amarguinha. Pra quem gosta de cerveja com gosto de cerveja é uma boa pedida.
.

[Bom tema para o primeiro post da semana, hã?]

sábado, 17 de janeiro de 2009

In the colors

Sempre fico feliz quando ouço essa música do Ben Harper. Combina com dias de chuva como hoje. Mas também com dias de sol.

when you again start hoping
with your arms wide open
come on, dance with me
dance with me
into the colors of the dusk

[Eu acho que o Ben Harper é um Chico Buarque. E sim, eu dançaria com ele.]


Mais uma manhã de sábado em Frogville

Acordei, tomei as três xícaras de café de praxe enquanto zapeava pela internet. Bati um papo com a Tati no msn. Fiz cafuné nos filhotes, que pelo terceiro sábado consecutivo escaparam do banho (estão uns sachês). Resolvi pensar no almoço - seremos quatro pessoas. Temperei o salmão com sal, limão, pimenta-do-reino e sálvia. Cobri com filme plástico e devolvi pra geladeira para marinar. Tirei o camarão do freezer. Tem comida suficiente. Bebida suficiente. Mas confesso que como hoje ninguém tem hora pra nada, vou voltar pra cama e dormir mais meia horinha porque excepcionalmente a chuva tá uma delíiiiiicia...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Regra de três simples

Se a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade, temos:

poesia ------- prosa
amor ------- amizade

e, aplicando-se a regra de três, temos:

amor x prosa = poesia x amizade

amor = (poesia x amizade) : prosa

O que isso quer dizer, eu não sei. Nunca fui grandes coisas em matemática.

Mió

Pelo post anterior deve ter dado pra perceber que minha mãozinha melhorou sim, obrigada. Meu médico querido acertou em cheio no remedinho novo. E eu, moça responsável e comportada, estou seguindo todas as orientações dele bem direitinho. Na verdade minhas tendinites são algo um pouco além de meras tendinites. Durante o final de semana quem sabe eu me animo e conto.

[Oh my god, vou ter que voltar para a musculação. Que medo.]

Eu sou um ser de outro planeta

Nada contra a promoção de eventos de música durante a temporada. Mas, sorry pessoas que entram no esquema, eu acho o tal do Planeta Atlântida um saco. Primeiro por motivos totalmente egoístas: se no verão em geral já é extremamente complicado me deslocar e fazer uma série de coisas normais em função de tudo estar cheio e o trânsito ficar insuportável [eu moro no Norte da Ilha, lembram?], nos dias do evento tudo fica muito mais estressante. Sem falar que, embora minha casa fique a cerca de três quilômetros do terrenão baldio que eles chamam de "parque", eu escuto tudo. Ou seja, mesmo que eu queira ignorar o evento, que eu possa escolher não ir ao evento (essa é sempre a minha escolha) ou que não assista aos canais de televisão que vivem dizendo que o evento é do caraaaaaaaaaaalho, não tem como passar batido. Ana Paula 2009 resolveu que não se estressa por pouca coisa, mas saber que vou precisar encarar pelo menos duas horas de trânsito para chegar ao meu doce lar, em plena sexta-feira, já me dá uma consumição no estômago.

Ranhetices pessoais à parte, repito: bacana que tenha uma alternativa de lazer para o grande público durante a temporada. Mas convenhamos: todo ano é a lesmíssima lerda. Todo ano as mesmas carinhas arroz-de-festa estão naquele mesmo batlocal. E a emissora promotora, poderosa, única voz com ressonância em nosso pobre estado, repete à exaustão que este ano o evento está do caralho. Fala sério: este ano o evento está a mesma coisa que no ano passado. Com uma honrosa exceção: este ano não tem Ivete, o Paulo Coelho da música brasileira. O que poderia significar que sem Ivete o evento está melhor (pra mim a lógica é essa: quanto mais longe Ivete, melhor o mundo). Mas não. A grande atração dessa vez não é a rainha-embuste da música baiana de massa, e sim uma dupla representante do expoente gênero "sertanejo universitário". Oh my god. Leve-me, senhor.

Confesso: no ano passado ganhei convite para o camarote e aceitei. Resolvi ver de perto o que é que o tal Planeta tem e deixar de ser uma vizinha reclamona. Fui. Pra começar, concluí que de fato Florianópolis é uma cidade super vip. Tinha mais gente no camarote vip do que na pista. Até euzinha, vejam só, estava no camarote vip. Que parecia um ônibus lotado e não um camarote vip. Cheguei durante o show do Charlie Brown (irc) e procurei acompanhar o show do Benjor, que há uns 30 anos usa aquela mesma calça branca. Todo respeito ao Benjor, mas tipo, pra mim ele tá meio datado. Conseguir uma Nova Schin (única opção) mezzo gelada era um trabalho hercúleo. Circulei pelo evento durante umas duas horinhas e antes que Ivete subisse ao palco resolvi voltar ao meu doce lar. There's no better place than home. Mesmo quando home é vizinho do Planeta Atlântida. Graças a deus são só dois dias. Então que chegue logo o Carnaval.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

E o pulso ainda pulsa

Dói pacas, mas ainda pulsa. Tendinite nova, assunto recorrente. Médico. Remédio, gelo e repouso. Saco cheio disso. Mas fazer o quê. I'll be back.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Prevenindo o efeito "drink & dial"

Evoluindo um pouco nas reflexões importantes sobre o efeito drink & dial, resolvi escolher os telefones de emergência que eu manteria liberados no meu celular-bafômetro:

1) 193, bombeiros;
2) 190, polícia;
3) o telefone da minha mãe (tem coisa que só mãe resolve);
4) o telefone da Tati (tem coisa que só amiga resolve);
5) concordando com o Ogg, o telefone do mercadinho (tem coisa que só mais um engradado resolve).

domingo, 11 de janeiro de 2009

Mais reflexões de boteco

Além do botão "fodeu", para casos de e-mails estilo confessions, ontem entre amigas chegamos à conclusão de que deveriam inventar o celular com bafômetro. Dependendo da condição da criatura, ele simplesmente não completa ligações e muuuuuito menos envia mensagens. Não seria ótimo?

À noite todo gato é pardo

A conversa na mesa de boteco descambou para alguma coisa relacionada à mídia. Brinquei:

- Ah, não vamos ficar falando de trabalho a uma hora dessas (já era madrugada alta).

O ficante de uma das meninas da mesa perguntou:

- Por quê? Você faz Jornalismo?

- Aham. Estou na quinta fase. [cara de paaaaau]

- Na Federal? Conhece Tal Fulano?

Tudo bem, o menino pode até ter achado que eu sou uma daquelas balzacas que fazem faculdade mais tarde. E ele também já tinha bebido bastante. Mas pensando bem, até que foi uma massagenzinha no ego.

sábado, 10 de janeiro de 2009

E que o Chico Buarque de Hollanda e o Caetano Veloso nos resgatem

Essa conversa me fez lembrar aquela música do Caetano que eu adoooooro - "A língua":

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores e furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E QUEM HÁ DE NEGAR QUE ESTA LHE É SUPERIOR??????
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala, Mangueira!! Fala!!

Flor do lácio sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode esta língua?

Vamos atentar para a sinxaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas, cadê?
Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque do Hollanda nos resgate
E xeque-mate
Explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã, ímã, ímã, ímã
Ímã, ímã, ímã, ímã
Nomes de nomes
Como Scarlett Moon, De Chevalier
Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé e Arrigo Barnabé

Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode essa língua?

Incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer azevedo
E o recôncavo e o recôncavo e o recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria

Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ele está no pão de açúcar?
Tá crowd, brô
Você e tu
Lhe amo
Qué que eu te faço, nega?
Bate ligeiro!

Nós canto-falamos como quem inveja negros que sofrem horrores nos guetos do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem

Deixa os portugais morrerem à míngua

Não sei se é porque ando muito bem-humorada, ou porque é o ano do sol, ou porque estamos na era de aquário ou porque já faz um tempinho que passei dos 30. Não sei se ando take it easy demais ou se estou deixando de ser uma virginiana crítica e exigente. Mas não consigo me aborrecer com a reforma ortográfica. Juro que li Pollyanna e não gostei. Mas acho que o fato de todo mundo agora ter dúvidas pode ser uma coisa boa para a nossa língua. Pensa bem, gente: quem aqui tinha 100% de certeza sobre tudo antes da reforma? Será que boa parte da inteligência, ou do caminho para o aprendizado, não reside justamente na dúvida? Eu acho que sim. Acho que só é inteligente e só aprende quem sabe fazer perguntas. Vai fazer 14 anos que me formei em Jornalismo e há um pouco mais do que isso trabalho escrevendo meus próprios textos, lendo, lendo e lendo horrores. E também editando textos escritos por outros - o que é uma grande responsabilidade. E querem saber? Embora eu ache que conheço a língua portuguesa um pouco melhor que a média, eu sempre tive muitas dúvidas. Sempre trabalhei com manuais e gramáticas ao alcance da mão. E sempre que alguém me chama no msn pra perguntar se "assessor" é com dois esses duas vezes ou com cê na primeira vez, e faz isso com certa vergonha, eu repito: o problema é não ter dúvida. Ter certeza de tudo é meio chato. E a nossa língua também é uma metamorfose ambulante. Né, Regininha?

[Claro, quem quiser ficar indignado e reclamar, fique indignado e reclame. Mas eu não pretendo gastar energia com isso.]

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Dias melhores virão


A previsão é de mais um final de semana de chuva em Frogville. Com isso, Dauro [o não-organizador da parada] acaba de anunciar que nosso passeio para a Lagoinha será mais uma vez adiado. Vai então mais uma fotinha daquele lugar nojento - pra gente não esquecer como é um dia de sol.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Lola, Fidel, Sebastiana, Otto, Gisa, Basquiat, tantos outros... & Eu

Minha atitude inicial em relação ao filme "Marley & Eu" foi parecida com a daquelas pessoas amarguradas e racionais demais que dizem "ah, eu não quero ter cachorro porque a gente se apega ao bichinho e é muito triste quando ele morre". Relutei um pouco para encarar - como o filme é baseado no livro, todo mundo sabe que no final da história o cão-protagonista, o labrador Marley, morre de velho. Eu que sou mãe de três e irmã de um que já está velhinho achava que seria triste demais.

Pois ontem resolvi encarar. E percebi que a experiência de assistir a esse filme é muitíssimo semelhante à experiência existencial de quem escolhe ter cachorros como membros da família e amá-los como tal. Porque se de fato no final do filme a gente fica triste e chora quando Marley adoece e se vai (o cinema estava cheio e realmente a sala inteira fica fungando), durante 95% da projeção a gente dá gargalhadas com as traquinagens do fanfarrão e se enche de ternura com a doçura que transborda naquela relação humanos-canino. Minha relação com meu irmão-cão e meus filhotes é assim também, numa experiência dilatada. E felizmente ainda está na fase da alegria e da ternura.

Chorei, é verdade, mas não propriamente pelo Marley, e sim pensando no quanto vai ser difícil ter que resolver colocar os meus queridos para dormir, quando chegar a hora deles. Mas confio que isso vá acontecer só quando for a hora mesmo, e que será de maneira ética e confortável. Confio também - isso é o mais certo de tudo - que nossa família estará unida e se apoiando quando esse momento difícil chegar, assim como já aconteceu quando, anos atrás, tivemos que autorizar a eutanásia do nosso velho gato Giba - o monstro felino que aterrorizava as visitas e, assim como os atuais cachorros e a atual gata, nos trouxe verdadeiras caçambas de diversão enquanto nos deu o privilégio de sua companhia.

Quando voltava para casa, dirigindo sozinha pela SC-401, perto da meia-noite, a lua crescente brilhava e refletia nas nuvens fofas de algodão. Percebi que uma delas não era uma nuvem, e sim meu querido Basquiat, o mequetrefe dos mequetrefes, no céu dos cachorros, sorrindo para mim.


[Escolhi para este post uma linda foto do Otto, feita pelo André, em homenagem ao cãozinho mais idoso da minha família - ele já está com quase 10 anos e barbinhas brancas. E cada vez mais convicto de que, sim, ele é uma pessoa.]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Good vibes

Barulho esquisito dentro de casa antes ainda de o despertador tocar. Fui averiguar achando que se trataria de alguma nova traquinagem canina. Um pardal pequenininho tinha entrado em casa e estava se esborrachando na janela do quarto do meio. Consegui encurralá-lo num cantinho da vidraça (meio difícil porque tem grade), segurei com cuidado em uma mão (ficou quietinho, o coraçãozinho tum-tum-tum), abri a porta da sala e soltei. Ele foi direto para a minha pitangueira predileta. Dizem que esse tipo de coisa é sinal de boa sorte. Tou achando que é mesmo.

[E já que acordei meia hora mais cedo, bom dia pra todo mundo. Partirei para mais um lindo dia de tarefas e de sol. Hoje, sem direito a prainha.]

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma quase não-venda

O infortúnio da Aline com seus óculos escuros - especificamente a situação em que o produto que ela quer está na loja, mas na caixa, e por isso inacessível - me fez lembrar um quase-infortúnio que passei na compra de uma Melissa. Eu provei alguns modelos e me apaixonei pela Doc Dog, que estava na vitrine. A 36 ficou apertada, a 37 ficou perfeita, quanto é, quero levar a verde. "Ah, mas eu não posso te vender essa porque ela ainda não está no sistema. Nem devia ter ido para a vitrine". Meu mundo caiu. Por sorte não sou do tipo barraqueira, olhei pra vendedora rindo e disse que estava me sentindo num filme do Woody Allen: um produto na vitrine, provado e aprovado, e ela não ia fazer a venda? Rapidinho se deu um jeito: ela registrou a venda com outro modelo do mesmo preço e depois, quando o modelo que eu levei estivesse no sistema, ela simularia uma troca. Que bom que a menina foi hábil - até porque no fim das contas eu levei duas Melissas. Acho que o vendedor da Aline podia tomar umas aulinhas com ela...

Matracas

Tati passou uma semana viajando.
Aproveitamos a manhã livre e combinamos uma praia.
Meu livro não saiu de dentro da bolsa.
E eu me atrasei pro trabalho.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mais livros


Aproveitei a dica quentíssima da Adri e comprei hoje os Contos Completos da Virginia Woolf. O preço normal da edição (Cosac Naify), com capa dura e projeto caprichadíssimo, é de quase R$ 70, mas na Siciliano está por R$ 26. Eu namorei um monte esse livro na época do Natal, mas como estava meio caro deixei pra depois. Bola dentríssimo. Fiquei tão feliz que resolvi comemorar almoçando um combinado de salmão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Nós e os livros

Prosseguindo com a brincadeira iniciada pelo Rogerinho e encaminhada pelo Maurício...

1. Livro que marcou sua infância: os infantis do Monteiro Lobato, como "Reinações de Narizinho", "A Chave do Tamanho" e todos os outros (que inclusive preciso resgatar na casa da minha mãe)
2. Livro que marcou sua adolescência: "1968 - O ano que não terminou", do Zuenir Ventura, que li no segundo ano do segundo grau.
3. Autor que mais admira: Virginia Woolf
4. Autor contemporâneo: José Saramago
5. Leu e não gostou: sofri uma decepção especial com "On The Road", do Jack Kerouac. Persisti até o fim e não entendi por que é tão incensado. Achei a história simplória e o texto, pobre. Mas ainda pretendo dar uma segunda chance a ele.
6. Lê e relê: "Rota 66" e "Abusado", do Caco Barcellos, e "A Sangue Frio", do Truman Capote.
7. Mania: sublinhar a lápis os trechos de que gosto mais.

Passo a bola pra frente: André, Marie e Aline.

Agora vai

Passados os festejos intensos, começo o ano planejando uma dieta de desintoxicação à base de arroz integral e suco de laranja. E o retorno à academia. E o firme propósito de só admitir chopinhos e happy hours nos dias de sexta a domingo.

[Dilema: se pintar um convite irrecusável, como recusar? Oh my god.]

Traquinagens caninas

Quando cheguei em casa ontem, depois da festa de aniver da mami, parecia que tinha nevado no meu quintal. Meus queridos filhotes resolveram antecipar o Dia de Reis e desmontar por conta deles a decoração de Natal. O alvo foi o fofo Papai Noel de pelúcia que era o enfeite da porta. Está morto e enterrado. Deus o tenha.

[Mas admito que é melhor isso do que gambá. Quando eu chego em casa e tem gambá morto, afe, é um horror.]

Lagoinha, a missão


Maurício deu uma insistida para que eu integre a expedição combinada para dia 10. Não sei se terei joelhos para tanto. De qualquer forma, aproveitando a insônia, vai mais uma fotinha feita no dia 27, pra animar a galera. Tomara que o tempo abra.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

...e o selo Mãe de Cachorro vai para...


...o Dauro, a Regininha, a Aline, a Giorgia, o Frank, a Marie e o Caio.
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Este é o selo Mãe de Cachorro!
Você o recebeu como homenagem por seu amor aos animais e ao usá-lo em seu site/blog, passará a fazer parte da família Mãe de Cachorro, uma confraria de pessoas do bem e que fazem a diferença para um mundo melhor para humanos e animais.

Nem todos são propriamente mães ou pais de cachorro, mas são amigos queridos que eu sei que amam os bichos!
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[Querem saber mais? Cliquem aqui.]


Quem disse que acabou?

Fim de ano sempre é uma comilança, uma bebelança e uma festança para a maioria das pessoas que conheço. Só que para a maioria das pessoas que conheço esse circuito termina depois do Réveillon. Aqui em casa não. Porque no dia 3 de janeiro é aniver da mami. E o aniver da mami sempre é comemorado com festa. Amanhã, portanto, lá vamos nós de novo. Haja fígado. E abraço. E gargalhada.

[A gente finge que reclama, mas é uma delícia. A foto foi feita em 2007, quando dona Conceição soprou 60 velinhas e a festa foi uma megaprodução que teve até camiseta.]

Familiares incompatíveis

Otto é o cãozinho dachshund da minha mãe. E Gisa é a gatinha do Mano e da Jaque, meu irmão mais velho e minha cunhada. Depois de passar alguns dias comigo e a mãe aqui em casa, hoje Otto voltou para seu apê, onde Mano, Jaque e Gisa continuam em férias até amanhã. Todos os cuidados para que o canino e a felina fiquem separados são tomados com rigor. Mas, há pouco, alguns segundos de descuido fizeram com que eles ficassem frente a frente. Furdunço. Otto ignorou a pata machucada e saiu correndo atrás da Gisa. Que, por sua vez, triplicou de tamanho e riscou uma caixa inteira de fósforos enquanto batia em ricochete com as quatro patas pelas paredes do apartamento. Sobrou pra mim a tarefa de segurar a Gisa (tenho talento para conter gatos ariscos) enquanto o Mano mandava o Otto sair do quarto. Juntei-a pelas axilas. Ela esperneou. Minha linha da vida da mão direita ganhou uns oito centímetros, atravessando o pulso. Espero que, em pleno 2 de janeiro, isso seja um bom sinal.

Back to Frogville

Primoroso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E foi-se 2008

Tou com uma preguiça danada de fazer balanço do ano que passou. Resumidamente: passei por uns perrengues brabos que me derrubaram, mas levantei sozinha ("esse remédio universal que é o trabalho", como diz o Saramago), reencontrei minha alegria e minha leveza e posso dizer que a maior parte do ano foi movida a coisas boas (apesar das ruins que sempre se permeiam com as boas). Muito boas. Gente nova, trabalho novo. As pessoas fundamentais que ficaram. O valor de tudo o que eu tenho. E a retomada dos projetos (eu não vivo sem projetos). O blog e as amizades bacanas que dele decorrem. A terapia (não, eu não quero alta). Depois de alguns anos me sentindo num marasmo, parece que em 2008 as coisas aconteceram de forma super acelerada. Cheguei a me assustar com isso algumas vezes. Mas adorei. Espero que 2009 tenha tanto movimento quanto 2008. E tantas surpresas. Boas, é claro.

Mania feia

Rangaceira boa, bebida idem, música idem. Vestido novo, galera bacana. Mas ontem aconteceu de novo: sono incontrolável e saída à francesa direto para o berço. Me disseram que a festa rolou até quase quatro da manhã e que as sobremesas estavam maravilhosas. Que bom que sobrou um pouquinho.

Dois pontinhos

Reza a lenda familiar que foi meu avô Zeca o primeiro da família a se casar com uma moça de origem não-alemã. Então ele era um Lückmann (com dos enes mesmo) que se uniu a uma Ferreira de Souza. E entre os primos do meu avô tem alguns Nienkötter, Lehmkul (nessa grafia tenho dúvida) e Loch. Já pelo lado da minha mãe, meu avô Martins, que morava na Lagoa, casou-se com minha avó Abreu, que morava no Rio Tavares. E pelo que minha mãe conta, há um ramo de parentes com sobrenome Veras. É uma misturança danada de nomes que revela uma misturança danada de sangues. Por isso é que eu digo que sou uma perfeita vira-latas, embora em função das normas patriarcais do registro civil eu carregue o sobrenome de origem alemã - que na verdade eu acho que é a minha menor parte. Herdei inclusive o erro de registro do meu pai - lá em 1944 o escrivão bobeou e seu Egídio, o primogênito do meu avô, virou um Lückman com um ene só. Ao longo do tempo teve outras diferenças de registro, como por exemplo o pessoal do tio Norberto, irmão do meu avô, que é Lüchmann. Lembro até que há na família quem defenda que o nome original é assim mesmo, com cê-agá, e que o cê-ká é que é equivocado. Anyway, meu nome ficou como ficou e mesmo não sendo propriamente complicado, na maioria das vezes preciso soletrá-lo - laranja, uva, caqui, kiwi, maçã, abacaxi, nêspera. Ok, nêspera é meio pesado, pode ser nectarina também. E com dois pontinhos em cima do u, por favor. Apesar da reforma ortográfica.