sábado, 10 de julho de 2010

Coisas que mudam, coisas que não mudam

O desktop do meu computador estava um caos absoluto e foi hoje o dia em que eu resolvi me irritar e gastar um tempo fazendo nele uma limpeza daquelas - o que significou, na prática, uma boa geral em todas as minhas pastas de trabalho, estudos, fotos, coisas domésticas, etc. Pois numa pasta de textos aleatórios encontrei o que escrevi há, imagino, uns dois anos e pouco para meu novo perfil do Orkut. Quando comecei o blog, resolvi deixar apenas o link lá no espaço destinado ao perfil, mas como gostava do que tinha escrito sobre mim mesma acabei guardando o texto - e esqueci. Hoje encontrei, reli e gostei de novo:

Já escrevi num "about me" antigo que eu era uma dona da verdade atormentada pelas dúvidas. Em outro escrevi que era uma virginiana típica que não acredita em horóscopo. Daí saí do Orkut, pensei um pouco na vida e voltei. Continuo, contudo, convencida de que as contradições e incertezas fazem parte da vida e dão uma certa graça a ela. Como li outro dia no livro de um francês porreta, as certezas são biodegradáveis. Ou seja, se tenho certeza de uma coisa hoje, amanhã tudo pode se transformar - aquela certeza antiga muda e vira outra coisa. Não que eu seja indecisa ou volúvel. Acho até que sou bem decidida e firme. Mas é que percebi que o movimento faz parte da vida. Li em outro francês porreta que a gente pode sim mudar de opinião, desde que mantenha os princípios. Legal isso. Acho que poder mudar é uma das grandes graças da condição humana. Esses são os pensamentos básicos que têm me norteado ultimamente. Fora isso, sou alguém bem convencional, que vai diariamente de casa pro trabalho, do trabalho pra casa, e que nos sábados se dá ao luxo de dormir até depois das nove. Tento almoçar diariamente com minha mãe e sempre saber como estão meus irmãos. Não tenho irmãs, mas tenho amigas leais que compensam qualquer falta que eu poderia sentir disso. Cuido bem dos meus cachorros e acho que o zelo que tenho com eles pode indicar que eu serei uma boa mãe, se um dia o for. Sei que à primeira vista passo a imagem de sisuda ou fechada - herdei isso de meu pai - mas também sei que geralmente sou fácil de conviver - embora em alguns casos haja uma linha amarela bem definida a não ser cruzada. Tenho defeitos como ser meio direta demais às vezes (muitas, talvez) e exigir demais das pessoas. Sou atrapalhada com chaves - a do carro sou capaz de perder dentro da minha própria bolsa, e isso também herdei do seu Egídio. Já não herdei dele a capacidade de arrumar direitinho as compras de supermercado no porta-malas. Todos os dias, aliás, penso no meu pai. E também tenho saudades do tempo em que só se bebia coca-cola aos domingos - era só 1 litro para cinco pessoas. Hoje não bebo mais coca-cola por opção minha, salvo com finalidades medicinais - ou seja, em casos de ressaca extrema, o que tem sido bem raro. Mas em compensação bebo muito café. Preto, forte e sem açúcar - no máximo com açúcar mascavo, quando é café coado. Tenho procurado andar mais de cabelo solto. Mas o comprimento me incomodou um pouco: passei a tesoura. O reumatologista sempre me diz que não devo usar salto, mas não consigo deixar minhas botas e meus tamancos de lado. Assim como raramente saio de casa sem meus três anéis de prata prediletos - um deles veio parar no meu dedo anular direito há 12 anos, num arquipélago do Atlântico. Adoro internet, vejo meus emails a cada três minutos e também passaria mal sem tv a cabo. Ainda quero voltar a Noronha e ir a Cuba, além de molhar os pés no Oceano Pacífico - o ponto exato ainda não decidi. Pretendo fazer doutorado e sei que preciso abandonar o sedentarismo - mas para ambos ando sem tempo. Meus hábitos saudáveis se restringem basicamente a comer arroz integral e beber bastante água - ando com garrafinha na bolsa. Acredito na ciência mas acho que ela não dá conta de explicar muitas coisas essenciais. Acho que o tempo é uma invenção humana. Outro dia um amigo me disse que eu fiquei melhor com o passar do tempo, essa entidade, mas confesso que fiquei pensando se ele estava sendo irônico - coisa de gente que tem problema de auto-estima. (Pensei em perguntar, e agora perguntei.) Quase sempre estou com fome e provavelmente a resposta será positiva quando me oferecerem uma boa cerveja - desde que o contexto seja favorável. Bom, eu sempre disse que não gostava de perfis enormes do tipo "livro aberto", mas agora estou aqui persistindo nessa verdadeira epístola sem fim. Sabe como é, mudar de opinião, rever conceitos, desmontar certezas, encontrar novos paradigmas... todas essas coisas nas quais eu tenho pensado me levaram a isso. Lembra?

[Vale observar que algumas coisas importantes de fato mudaram: abandonei o sedentarismo; tentei dois doutorados, não consegui, então resolvi esperar mais um pouco para dar esse passo e enquanto espero vou fazer outro mestrado; tenho bebido coca-cola mais do que deveria, mas em compensação nem mascavo uso mais no café - é só cowboy mesmo; tenho alternado os três anéis de prata antigos com os vários que ganhei de presente de hunny; não corto o cabelo desde aquela época, fiz luzes californianas e estou adorando minha cabeleira lisa e dourada.]

[Olhando bem de perto, dá pra dizer que esse textinho é a carta de Pero Vaz de Caminha do meu blog. ;) ]

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quality sunday

Semana passada, num texto da aula de inglês, a turma ficou em dúvida quanto à expressão "quality time". O professor Aldy explicou que se trata de uma expressão que não tem uma tradição direta para o português - seria "tempo de qualidade", mas ninguém fala isso. Mas o sentido é fácil de entender: "quality time" é aquele tempo bem aproveitado que se passa ao lado de pessoas queridas ou consigo mesmo. Como na frase em questão: "We both have very demanding jobs, so weekends and holidays are the only times we can have some quality time together". É aquele tempo em que namorado e namorada, marido e mulher, pai e filho, filho e mãe, amigos, compadres, passam realmente juntos. Simples de entender.

Bom, então ontem eu voltei pra casa pensando que tive realmente um quality sunday: acordei às 5h da manhã para trabalhar na prova de ingresso da instituição onde trabalho; me apresentei às 7h10 e ao meio-dia estava saindo; busquei minha mãe em casa e botamos o assunto em dia durante um almoço delicioso e ensolarado no Ribeirão da Ilha, com direito a ostras, tainha, Heineken 600, sorvete Amoratto e café expresso; fizemos uma visita surpresa e igualmente deliciosa para os Fontinha Oliveira (intimidade é uma merda, tu liga e diz "oi, estão em casa?", "estamos", "ah, tou indo aí com a mãe"', "ótimo, vou passar um café!"), onde além do café tinha família reunida, bolo de cenoura, bruschettas do Maurício e até uma lavação grátis e inusitada do meu carro sempre sujo; mãe devidamente deixada em casa no fim da tarde, analisamos brevemente meu tricô (que foi aprovado por ela) e em seguida fui pra academia (sim, domingo), antecipando meu treino de segunda, já que de antemão eu sabia que teria que faltar em função do trabalho; durante a série de novos exercícios, telefonema de hunny dizendo que estava saindo do trabalho (ele também estava convocado para a prova de ingresso, mas em período integral); terminei meu treino, tomei um banhão e fui ao encontro de hunny, para botarmos o assunto em dia entre chopinhos e um ma-raaavilhoso hambúrguer de picanha. Na volta pra casa, uma lua cheia de dar nojo pendurada no céu e o prenúncio de uma semana cheia de tarefas. Tomara que todas deem tão certo quanto o meu domingo.

sábado, 26 de junho de 2010

Mais um revival dos anos 90

Podem falar mal da televisão em linhas gerais, mas eu adoro as boas surpresas que o zapping pode proporcionar. Explico.

Ontem, depois das nove da noite, lá estava eu aplicada na minha malhação. No treino novo tenho que fazer 35 minutos de atividade aeróbica com batimentos de até 145. Empolerei-me no transport (aqueles aparelhos que são meio uma bicicleta, meio uma corrida) e pluguei meus fones de ouvido ao monitor de tv (na minha academia cada equipamento de aeróbico tem sua própria tv, o que é muito legal).

Zapeando, tirei obviamente da novela da Globo e passei pelos principais canais de séries, entrevistas, etc. Na HBO2 me deparei com um programa do Elvis Costello, tipo uma Oprah do rock, no qual os entrevistados da vez eram Bono Vox (antes de se quebrar - hehe) e The Edge. Sou fã meio desnaturada, mas sou fã. Fiquei por ali. Algumas impressões:

1) Permitam-me ser tiete, mas adoro a voz do Bono either singing or talking. Tanto ele quanto Edge falam um inglês muito bonito - sem aquele forte acento dos irlandeses, mas classudo e bem pronunciado - a ponto de ser facilmente compreendido por quem estuda um pouco como eu.

2) Momento bonitinho: Bono comenta que começou a namorar a atual mulher, Ali, sua companheira há 30 anos e mãe de seus quatro filhos, no mesmo mês em que formou o U2 com os três amigos. "Foi um mês em que as coisas deram certo pra mim". Não é fofo?

3) Costello pergunta sobre alguma música da banda que eles julgam ter sido "injustiçada" pelo mercado (não foi bem esse o termo, mas a ideia é essa). Edge menciona "Faraway, so close", do álbum Zooropa, de 1993, feita para a trilha do filme de mesmo nome, de Wim Wenders - uma alegoria maluca de anjos que zelam pelas pessoas na Terra, até que um deles resolve "cair" e se tornar humano. Acho estranho que seja uma música pouco badalada, porque é uma das minhas prediletas. No clipe, Bono & cia. representam anjos tais como os do filme e chegam a se deparar com Natassja Kinski - a "anja" Raphaela do filme, no-jeeeeeenta de tão linda.

4) Àquela pergunta clichê "quais os segredos para ser uma grande banda por tanto tempo", The Edge apresenta uma resposta bem Edgar Morin: a soma dos quatro músicos em si não representa nada, é o que surge da relação que torna a banda uma grande banda. O todo é mais que a soma das partes. Isso vale pra tanta coisa. Parece óbvio, mas é legal pensar nisso depois de tanto tempo com a ciência cartesiana nos reafirmando que um mais um é dois e pronto.

5) No fim das contas fiquei um pouco além dos meus 35 minutos no exercício, para assistir ao programa até o final. Quando desliguei, observei que nas tvs em volta o pessoal estava assistindo à novela da Globo ou aos reprises dos jogos da Copa. Fiz meus alongamentos pensando que, claro, cada um sabe de si e nada contra quem prefere a novela ou o futebol. Mas saber usar o controle remoto também pode ser um ato de inteligência.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Junho, 22



E hoje as homenagens vão para o piá berrão que há 32 anos chegou para ocupar o quinto assento na Brasília do seu Egídio e acabou ocupando também um pedaço enorme do meu coração. Cheers!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lacrimejei



Saramago chorou quando assistiu à versão cinematográfica de "Ensaio sobre a cegueira", do diretor brasileiro Fernando Meirelles. E não foi de raiva...

Só reiterando...

... que o sistema de comentários do Blogger continua em pane. Aparecem comentários que não consigo publicar, e outros são publicados mas não estão no contador. Weird.

José Saramago

Soube da morte do Saramago por um telefonema de minha mãe, enquanto eu estava na academia hoje de manhã - em tempos dessa chatice de Copa do Mundo eu mal ligo a TV, e hoje excepcionalmente saí de casa sem nem ter ligado o computador. Well. Gostei muito da ideia expressa pelo Gustavo Gitti no blog Papo de Homem, sobre o polêmico escritor português de quem sou fã incondicional: "Ele mostrou que um ateu pode ser muito mais humanista que um religioso". Compartilho dessa opinião e mais uma vez tenho a cara de pau de fazer minhas as palavras do Gitti. Vejam o que ele diz sobre Saramago aqui.

Numa breve busca aqui no blog, percebi que falei em Saramago em quatro posts: este, este, este e este. Espero que o Caderno, linkado ali do lado, não seja tirado do ar pela família. Sempre gosto de voltar aos textos lúcidos, irônicos e muitas vezes doces do velhinho. Que, finalmente, vai ter que se entender com Deus! =)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Não tem milagre

Cinco meses e meio depois de voltar para a academia, chegou a hora da verdade: na última quinta-feira fiz a minha segunda avaliação física, daquelas que além de registrar o peso total mede também percentual de gordura, flexibilidade, condicionamento físico, etc. Eu estava com receio porque afinal de contas tinha passado quatro dias na serra, mergulhada em sopas de agnolini e capeletti, atolada em pães caseiros com natinha e geleias... enfim. E os tintos - ah, os tintos. Mas o resultado foi excelente: melhora na flexibilidade de modo geral - com exceção dos pés, afinal eu sou uma doente do pé; redução acima da meta do peso total; redução importante do percentual de gordura (foram três quilos só de banha perdidos); aumento da massa magra; manutenção do peso muscular; melhora importante do condicionamento físico. O melhor resultado não aparece explicitamente na avaliação: minhas tendinites se foram, o que meu médico associa diretamente à atividade física regular e orientada. Então pra quem diz que academia é caro, que é chato, que é perda de tempo, eu digo: vale a pena, dá resultado e pode, sim, ser divertido. Tem coisa mais divertida que se sentir bem?

[E faço a propaganda sem contrangimento nenhum: esta é a melhor academia que já frequentei. Ambiente excelente, equipamentos novos, profissionais competentes e atenciosos. Recomendo fortemente.]

sábado, 12 de junho de 2010

Junho, 12


E as homenagens de hoje vão para o moço bonito que há pouco mais de um ano me puxou pra dentro dos seus olhos de ressaca e desde então enche minha vida de alegria todos os dias.
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[Dá pra perceber que depois que publiquei o post linkado ali em cima a gente acabou se encontrando, né?]

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Friday I'm in love


Pra embalar uma véspera de dia dos namorados que começa com chuvinha e friozinho, um som do The Cure dos tempos em que eu flanava pelo campus da UFSC dentro de meus All Star - e não é que os anos 90 já são retrô?



I don't care if monday is blue
Tuesday is grey and wednesday too
Thursday I don't care about you
It's friday I'm in love

Monday you can fall apart
Tuesday, wednesday break my heart
Thursday doesn't even start
It's friday I'm in love

Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate

I don't care if monday is black
Tuesday, wednesday heart attack
Thursday never looking back
It's friday I'm in love

Monday you can hold your head
Tuesday, wednesday stay in bed
Oh thursday watch the walls instead
It's friday I'm in love

Saturday wait
And sunday always comes too late
But friday never hesitate

Dressed up to the eyes
It's a wonderful surprise
To see your shoes and your spirits rise
Throwing out your frown
And just smiling at the sound
And as sleek as a shriek
Spinning round and round
Always take a big bite
It's such a gorgeous sight
To see you eat in the middle of the night
You can never get enough
Enough of this stuff
It's friday I'm in love

I don't care if monday is blue
Tuesday is gray and wednesday too
Thursday I don't care about you
It's friday I'm in love

Mondays you can fall apart
Tuesdays wednesday break my heart
Thusrday doesn't even start
It's friday I'm in love

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Quando notares estás à beira do abismo (3)







Conhecemos também o canyon Índios Coroados (fotos abaixo), que é bem pequeno comparando com os outros. E literalmente dormimos na beira do canyon Malacara (acima), na fofíssima pousada Morada dos Canyons. Pra nossa sorte, o vento doido que bate por lá não levou nossa casinha para o reino de Oz.







E mesmo quando estava nublado o visual era impressionante - como nesse mirante aí, na Serra do Faxinal.

Quando notares estás à beira do abismo (2)




O canyon Itaimbezinho é o arroz de festa daquela região: belíssimo e consideravelmente acessível, além de ter em sua volta uma estrutura de parque razoavelmente montada. Quando chegamos estava super nublado e chovendo fino, mas pra nossa sorte o tempo abriu no meio da tarde e ficou liiiiindo!






Quando notares estás à beira do abismo



Na região dos canyons é assim: o vivente anda, anda, anda, e de repente se vê numa situação parecida com a da praga de Cartola. Só que aqueles abismos ninguém cavou com os próprios pés: eles foram formados com o trabalho lento e paciente da água dos rios e do vento, ao longo de anos e anos e anos. Sorte nossa e das nossas retinas.




E se até eu cheguei a refletir sobre o sentido da vida sentada na beira daquele buraco de 7,8 quilômetros de extensão e 900 metros de altura, me digam: o que teria pensado lá o Maurício?

[Confesso que eu estava pensando em como seria bom beber uma cerveja depois de subir aquela pirambeira toda...]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Só uma palhinha


São mais de mil fotos do feriadão nos canyons do Sul do Estado. A semana começou corrida e ainda não tive aquele tempo pra editar imagens, reduzir e postar. Escolhi agora rapidinho essa aqui, no canyon Fortaleza, que sozinha responde às três principais perguntas sobre a viagem: 1) sim, estava frio mas tinha sol (e o que era esse céu azul?); 2) sim, é lindo; 3) sim, estava ótimo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um feriado meio la vie en rose





Sensato como sempre, meu amigo Gastão ponderou: que graça tem passar o feriado numa casinha na beira de um buraco?

E, como sempre, levei em consideração o que ele diz. Então vou ver qual é, e na volta eu respondo.

[Esta foto é surrupiada do site da pousada - a casinha onde vamos ficar, com o cânion Malacara ao fundo.]

Programa legal nesta segunda

O blog Mãe de Cachorro, da querida Ana Corina, promove na próxima segunda-feira um evento bem legal para mães e pais de cachorros em geral - ou mesmo para quem não pode cuidar de um bichinho em casa, mas tem vontade de colaborar para seu bem-estar de outras maneiras criativas. É um workshop com o publicitário Tiago Ferigoli, mentor do projeto "Vira-latas: os verdadeiros cães de raça". Eu vou! Mais informações aqui.

sábado, 29 de maio de 2010

O bom filho à casa torna

A casa até mudou um pouco desde que passei por lá pela primeira vez, na graduação, entre 1990 e 1995.

Mas tudo bem. Eu também já não sou a mesma.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não, não vou estar tendo interesse. Obrigada

Nos últimos três dias eu devo ter recebido umas seis ligações do banco Itaú me oferecendo cartão de crédito. A pobre criatura do outro lado da linha (sempre uma diferente) se esmera na simpatia, me chama de senhora Ana, começa a explicar que o cartão tem mil e uma vantagens. E eu canso de repetir que não tenho interesse em comprar o produto deles. Hoje de manhã tive que apelar e interrompi a ladainha da moça gerundista:

- Olha, desculpa te interromper, mas como é teu nome mesmo?
- Fulana, senhora Ana.
- Bom, Fulana, então eu vou aproveitar que esta ligação está sendo gravada e vou te explicar novamente o que eu já expliquei para teus outros cinco colegas esta semana: eu não tenho interesse em comprar esse produto, já tenho cartão de crédito e não tenho renda que justifique ter mais um. Eu gostaria que se possível você acrescentasse isso aí no sistema para que ninguém mais do Itaú me telefone oferecendo esse cartão, certo? Assim vamos poupar o meu tempo e o tempo de vocês.
- Mas senhora Ana, eu entendo, mas eu estou explicando para a senhora que além de todas as vantagens do cartão Itaú, ao aderir à nossa proposta a senhora vai estar recebendo totalmente de graça uma camiseta Nike oficial da seleção brasileira!

Emudeci. Sei que é grosseria, mas me flagrei estando desligando na cara da moça.

[E com isso, este post inaugura um novo tag: haja saco]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobrevivente

E embora eu tenha tido a sorte de me incomodar pouquíssimo com o temporal medonhento de ontem, durante a madrugada de ventania foi impossível não lembrar o perrengue por que passei há pouco mais de um ano, quando outra chuva dessas que a gente ainda enquadra como fora do normal provocou, pela primeira vez em 30 anos, uma enchente na minha casa. Recorri ao arquivo do blog e confesso que consegui dar umas risadas com os posts - este e este. E vale dizer que não, eu não voltei pra terapia depois daquilo tudo.

Em outro planeta




Parece mentira, mas ontem à noite eu praticamente não vi chuva. Saí da UFSC às 19h30 abaixo de uma garoa muito fina, abasteci o carro num posto da Trindade e vim direto para o Norte da Ilha praticamente sem ligar o limpador de pára-brisa. O vento estava muito forte a ponto de balançar o carro, mas chuva, mesmo, era pouquíssima. Quando cheguei em casa dei de cara com um galho imenso caído bem em frente ao portão da garagem. Levei um susto, mas logo constatei que tanto a casa quanto os meus cachorros estavam inteiros - eles, tadinhos, juntinhos na caminha que preparei no fundo da garagem ao sair, imaginando que seria um dia de muito frio e umidade.

Ventava muito e pelo Twitter - que ferramenta maravilhosa! - eu ficava sabendo que a situação na região central ia se encaminhando para o caos. Muitos bairros ficaram sem luz, alagamentos, desabamentos, gente sem saber como voltar pra casa. As rajadas de vento eram muito fortes por aqui e minha preocupação, evidentemente, era com mais quedas de árvores, já que são muitas aqui ao meu redor. Mas felizmente meu transtorno ficou só naquele pedaço de galho no meio do caminho.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tá ficando chato

Alô, experts: alguém tem ideia de como resolver o problema dos comentários do Blogger? O Painel me avisa que tem comentários a moderar, mas quando clico neles não aparece nada... =/

Se eu desativar a moderação será que isso se resolve?

domingo, 16 de maio de 2010

Meus bochechudos



Lola e Fidel curtiram a caminha que arrumei pra eles no escritório - ficamos todos juntos, eles na preguiça, eu estudando. Não são uns amores?

E lá vem elas



Elas demoram um monte a crescer, mas já posso dizer que tenho pequenas physalis no quintal - olha só a diferença entre o estágio das flores, um mês atrás, e agora. Vamos ver quando as casquinhas vão se abrir para mostrar as frutas amarelinhas.
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[O tag love ali embaixo se deve ao fato de as mudinhas terem sido presente que ganhei de hunny... sabe como é. Ah, l'amour... ]

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E tudo acabou bem

São Francisco e São Longuinho resolveram conspirar a nosso favor. Explico.

Resolvi dar uma volta na vizinhança para saber se alguém poderia ter perdido uma pinscher (do post ali embaixo). Por sugestão da Silvana, minha vizinha mais próxima em todos os sentidos, fui ao mercadinho do Ronaldo para colocar um cartazinho informando que tinha encontrado a cachorrinha.

Nem precisei gastar o durex, porque o Guilherme, que mora a umas cinco quadras da minha casa e era o dono da fujona, tinha passado lá um pouco antes, aos prantos. Os pedreiros que estão fazendo obra na casa dele chegaram bem cedo para trabalhar e por descuido deixaram os cachorros fugir - além da pinscher, um pastor alemão e um labrador. Guilherme resgatou os grandes, mas a pequena safada pirulitou-se e resolveu se esconder no mato gelado e úmido da frente da minha casa.

Feitos os contatos, um Guilherme nervosíssimo, ofegante, aliviado e extremamente agradecido resgatou sua pequena fujona, que escapou ilesa de virar chiclete na boca dos meus boxers. E eu ganhei a amizade de mais um vizinho.
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E se alguém aí se emocionou com a hipótese de a pequenininha ter sido abandonada, como acontece com tanta frequência na nossa cidade, que tal adotar um amigo canino ou felino que realmente passou por maus bocados e hoje precisa de um lar? Neste final de semana tem duas boas oportunidades, organizadas por gente muito séria que se dedica com muito amor a cuidar dos bichinhos e encaminhá-los para donos responsáveis. Clique aqui para dar uma olhada.

Hóspede


Essa coisinha minúscula estava passando frio num terreno cheio de mato aqui perto de casa. É uma pinscher fêmea, extremamente dócil e aparentemente saudável. E miudinha: não pesa nem 2kg. Estou tendo algum trabalho para convencer Lola, Fidel e Sebastiana de que ela não é Fandangos, então preciso encontrar um novo lar urgente para minha hóspede. Quem quiser conhecer a mocinha, deixe um comentário aí ou escreva para ana.luckman@gmail.com. Passar o recado pra frente também já ajuda!


sábado, 8 de maio de 2010

Deu tilt

Faz alguns dias que tenho recebido notificações de comentários postados aqui no blog, mas quando venho no painel de controle para moderar não aparece nada. Provavelmente é urucubaca do Blogger. Então só pra avisar: se alguém comentou e depois não viu seu comentário publicado, não é nada pessoal, ok? Sugiro tentar de novo ou me mandar um e-mail. Gracias.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A tree called life


E já que o papo anda meio arbóreo, bom dia pra todo mundo com um poema de E.E. Cummings no qual tropecei hoje de manhã.
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I carry your heart with me

I carry your heart with me (I carry it in
my heart) I am never without it (anywhere
I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)

I fear no fate (for you are my fate, my sweet) I want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (I carry it in my heart)







[If you can't read this, tem uma tradução livre aqui. Sim, é o blog da série Brothers and Sisters, que eu a-doooooooro. A imagem é do www.sxc.hu.]

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Felicidade dá em árvore?



Apreciadora dedicada de plantinhas fofas e seus simbolismos, minha mãe não demorou muito a me presentear com um casalzinho de árvores da felicidade alguns dias depois que deixei de morar com ela, lá pros idos de... 2001. Eram as duas no mesmo vaso. Reza a lenda em torno dessas arvorezinhas que uma é o macho, outra a fêmea, e que elas devem ser cultivadas sempre juntas. Outro aspecto importante da superstição é que elas devem necessariamente ser ganhas de presente, como manifestação do desejo de boa sorte e felicidade da parte de quem presenteia.
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As minhas duas são essas aí (pessimamente fotografadas com o celular na luz baixa e alaranjada da sala da minha casa). A da direita é a remanescente do casalzinho original - de folhinhas compridas, não sei se macho ou fêmea. A da esquerda, de folhinhas redondas, está comigo há cerca de um ano. Sua similar original foi acometida por um surto de colchonilhas - um insetinho redondo que até é simpático na aparência, mas na verdade é um parasita que se alimenta da seiva da planta. E a minha arvorezinha pegou esse troço. Só a das folhas redondas. A outra, nem tchuns.
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Mãe fez de tudo para resolver: plantou em outro vaso, passou produtos para matar os bichinhos, nada deu certo. E finou-se a primeira arvorezinha. Mas reza a lenda que elas devem estar sempre em casal, e mãe persistiu, tentou me dar outras duas ou três desde então. Mas a das folhas compridas parecia estar destinada a ser uma árvore solteira: as das folhas redondas sempre morriam.
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Até que ela - a árvore das folhas compridas - ficou uma temporada sozinha na sala, em seu vaso. Crescendo, bonitinha, forte, mas sozinha. Ano passado mãe veio com uma mudinha nova, feita a partir de uma árvore da espécie das folhas redondas que tem no jardim do prédio dela - uma mudinha com história, portanto. Compramos vasos iguais para tentar um approach entre o novo casal - a mudinha nova em um, e a arvorezinha antiga no outro. Posicionei-as ao lado da minha TV, no aparador da sala, onde elas recebem claridade da rua mas não pegam sol direto.
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No início, a das folhas compridas estranhou: murchou, perdeu folhas, ficou meio pálida - acho que estava com medo do novo relacionamento. Enquanto a das folhas redondas se fixava na terrinha boa e botava mais e mais brotinhos novos.
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Mas foram só alguns dias assim. Hoje meu parzinho de árvores da felicidade é, posso dizer, um casal perfeito. Nada como encontrar a cara-metade, não é mesmo?
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[Observação: a tartaruga da coleção Procurando Nemo, em cima da TV, foi presente do querido Fred no meu aniversário, há três anos; já a da prateleira foi comprada no Projeto Tamar da Praia do Forte, na Bahia, a long long long time ago. Além de plantinhas, também curto tartarugas, sabia?]

terça-feira, 4 de maio de 2010

Matação

Meu mano Maurício admite hoje no Vida de Frila que desconfia que seu blog está em crise. Entendo, porque também não ando muito assídua no meu. Já comentei ali embaixo que muitas vezes começo a escrever um post, no meio do caminho acho sem graça e deleto. E não é só isso: ontem faltei à academia e hoje matei a aula de inglês na maior cara de pau. Deve ser alguma coisa na conjunção astral, Maurício...

[Vale observar que eu estava para deletar este post quando resolvi publicá-lo. É crise, é crise.]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais uma história escabrosa

Quase não consegui engolir meu delicioso café da manhã quando li no DC Online mais uma história repugnante de maus tratos contra cães logo aqui pertinho. E o pior: atrocidades cometidas dentro da corporação que tem por obrigação fazer cumprir a lei. Vergonhoso. Algumas observações:

1) Sem querer dar uma de Polyanna, o fato de a história vir a público significa que a consciência em relação a esses absurdos está, sim, aumentando. Porque foi um policial quem se encarregou de fazer a denúncia, em primeiro lugar. E também pelo espaço dado pelo jornal e pela TV para o assunto. Tomara, contudo, que as investigações caminhem e os desalmados sejam punidos com rigor.

2) Essencial, portanto, o papel das ONGs protetoras como fiscais desse processo. Muita gente acha esse povo meio enfadonho, mas eu tenho o maior respeito por quem se dedica a essa causa. Só lamento que muitas vezes haja tanta competição entre as próprias ONGs.

3) Não consigo entender como alguém consegue querer simplesmente "se livrar" de um cão, seja ele pastor, vira-lata ou extraterrestre. Quem convive com cães sabe o quanto eles são amoráveis. É muita falta de alma.

4) Cães são amoráveis, mas é claro que dão trabalho. Aqui em casa tenho meus três. Dois grandes e uma média - que nem por isso é menos traquinas (neste exato momento está ela lá, toda linda e cheirosa depois do banho, latindo compulsivamente no portão para sei lá o quê). Todo mês é ração (porque eu ainda não consegui entrar na onda da comida natural, já que não tenho feito comida nem pra mim...), banho, repelente de parasitas; periodicamente é vermífugo, vacina; veterinário sempre que necessário. E eu sou mãe solteira, ou seja, banco os três sozinha. Racionalmente eu não seria uma pessoa dona de três cães, mas a vida me conduziu a isso e cuido dos três com muito amor. O dinheiro e o tempo que eu gasto com eles é investimento. Digo mesmo que não consigo imaginar minha vida sem eles. Cada lambida no cotovelo que ganho da Lola me faz lembrar disso, todos os dias. E cada pelinho branco novo que percebo aparecer no focinho dela (Lola é uma boxer e já está com quase 8 anos) me deixa com o coração apertado porque isso me lembra que provavelmente ela já passou da metade da sua vida, e em mais alguns poucos anos teremos que nos separar. Então não consigo entender como diabos alguém consegue simplesmente mandar matar seu cachorro. Não consigo. E lacrimejo pensando nisso.

5) Também não consigo deixar de vislumbrar no binônio adoção responsável + castração a medida mais inteligente para evitar que esse tipo de problema se perpetue. Não sou militante de ONG, mas faço discurso pró-castração pra todo mundo que tem cachorro, seja de raça ou vira-latas. Meus três são castrados e entendo que fazer isso foi um bem para eles e para a espécie deles. Se alguém me fala em adotar um bichinho, logo recomendo procurar as ONGs que abrigam tantos e tantos que precisam de adoção. Acho que é no trabalho formiguinha que se vai conseguindo mudar. Bom, e quem sou eu pra falar disso? Muitas das minhas convicções a esse respeito surgiram a partir da leitura diária e da amizade com a Mãe de Cachorro Ana Corina, de quem falo de vez em quando aqui no blog. Acho o trabalho dela - independente, responsável , obstinado e educativo - digno de prêmio. Se você se importa com os bichinhos, mesmo não tendo um, vá lá: http://www.maedecachorro.com.br.

Pronto. Agora dá licença que vou lá ver por que a Sebastiana está latindo. =)

sábado, 24 de abril de 2010

Um quintal lá no fundo



Um sambinha preguiçoso para o decorrer de um sábado de chuva passado quase todo na horizontal. Chega quase a dar saudade da Bahia...

[Vale mencionar que a música é composição da MM com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown]

sábado, 17 de abril de 2010

E não é que pegou?



Minhas mudinhas de physalis mencionadas aqui não só pegaram bem, como também cresceram um monte e viraram lindas plantinhas. Já estão cheias de flores - ou seja, acho que muito em breve vou poder postar aqui as fotos da colheita.


[A flor não é uma graça? Parece bobagem, mas eu acho linda!]

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tudo em menos de 15 segundos

Trânsito chutadinho pela SC-401, na altura do morro do Cacupé, num trecho com curva em S, descida, sem acostamento. O garoto que ia logo à minha frente numa CG, pela pista da esquerda, perdeu o controle da moto e começou a encostar os pés no chão, meio que pedalando desesperado, tentando estabilizar o guidon. Pneu dianteiro furado. Pelo retrovisor vi que o Audi com placas da Argentina que vinha logo atrás de mim estava a uma distância segura; liguei o pisca alerta e reduzi bastante a velocidade. O Audi entendeu o contexto, também reduziu e ligou o pisca, chamando a atenção dos carros que vinham em seguida. Com isso o garoto conseguiu controlar a moto até a descida do morro, indo primeiro para a pista da direita e parando, com segurança, no acostamento que começava alguns metros adiante. Pelo retrovisor pude confirmar que ele não tinha sido atropelado, nem caído. E lembrei dos dias difíceis que passamos em fevereiro, quando, numa derrapada besta com sua Suzuki Marauder, meu irmão levou uma pancada feia na cabeça. Ficou algumas horas desacordado e tantas outras desmemoriado. Já eu lembro muito bem de cada minuto daqueles dias. Tirei os olhos do retrovisor e segui meu caminho, olhando em frente e pedindo silenciosamente que São Cristóvão, São Francisco, Nossa Senhora das Dores, minha mãe Iemanjá e São Harley-Davidson protejam sempre o André, o menino da CG e todos os outros motoqueiros das estradas desse mundo. Amém.

domingo, 28 de março de 2010

Such a beautiful thing




Mal tive 15 diazinhos de férias forçadas e minha vida já voltou ao normal - ou seja, uma correria danada. Mas nem acho que seja por isso que este blog anda assim meio às traças. Ando tão focada em minhas coisas, preocupada em fazer tudo bem direitinho como sempre, que muitas vezes começo a escrever um post, acho bobagem e desisto. Talvez eu esteja numa fase meio introspectiva.

Mas para que o marasmo bloguístico não me domine por completo, vou sugerir aqui a leitura um texto muito legal do Gustavo Gitti - do blog Não 2, Não 1, linkado ali do lado. Ontem a Neidinha tuitou o link para esse texto, reli e de novo terminei o post com um sorrisinho bobo - e lembrando que, ao final na primeira leitura, fiz exatamente o que está escrito lá no final. Gosto especialmente do primeiro twit: "Antes de lhe contar que ela era sua namorada, ele perguntou pelo seu nome" (que me lembra muito aquela do Drummond: "Antes de te conhecer eu já te amava"). Coisas de quem está numa fase muito in love e reaprendendo - talvez aprendendo, na verdade - como é bom namorar, com todas as letras.



[Recomendo também uma navegada geral pelo blog do Gitti, cheio de textos inteligentes - e masculinos, que incrível! - sobre relacionamentos.]
[Imagem do sxc.hu]
[Sorry everybody, mas o título do post vem de uma música melosa dos Bee Gees]



sexta-feira, 12 de março de 2010

Ele me conhece

Eu aqui vagabundeando em Curitiba, de férias, enquanto meus dois irmãos tocam suas vidas em ritmo normal - Mano dando mil aulas de violino, viajando semanalmente a Campinas para uma aula de mestrado e com todos os compromissos com a orquestra, que incluem concertos fora da cidade durante o final de semana; André descascando um frila com deadline para domingo e trabalhando normalmente - ou seja, freneticamente - na editoria de economia da Gazeta.

Hoje à tarde dei mais uma boa pernada pelo centro da cidade e fui novamente ao shopping Estação, onde já tinha feito ontem umas comprinhas na Arezzo (promoção arrasadora) e na Levi's (para o namorado). Desta vez me dediquei a fuçar em alguns bons sebos que ficam pelo caminho e acabei voltando ao Estação, onde garimpei alguns itens legais e baratinhos de papelaria na Kalunga.

Chegando em casa, entrei no GTalk e me preocupei em avisar o André que tinha chegado. O diálogo:

mim: oi, cheguei
André: oi
André: e estavas onde mesmo?
mim: fui ao centro e no shopping estação de novo.
André: ah. quantos pares?

Hahaha

Pena que a grana é curta, e as malas, pequenas demais. Porque as promoções no comércio de Curitiba realmente são uma tentação...

Muitas perninhas, muitos bracinhos. Muita tristeza




Para nós, leitores e admiradores, a perda do Glauco é a súbita interrupção de um dos trabalhos mais inteligentes do cartunismo brasileiro. Eu, particularmente, sou fã incondicional do taradíssimo Geraldão, da não menos tarada dona Marta e dos dilemas matrimoniais do Casal Neuras (acima). Além do conteúdo hilário, também gosto muito do traço tosco que ele inventou, chego a chutar que meio inspirado no Henfil, com aquele monte de perninhas e bracinhos desenhados simulando o movimento das personagens.

A extensa obra do Glauco vai ficar perpetuada em tudo o que ele já tem publicado e nas prováveis muitas re-re-re-republicações que certamente já estão sendo organizadas, com todos os méritos que ele merece. Mas o que me entristece mais do que a perda intelectual é imaginar o tamanho do drama que a família dele vivenciou durante os momentos de violência a que foi submetida, e que teve um desfecho tão trágico. Glauco, cidadão brasileiro trabalhador e pai de família, e seu filho são mais duas vítimas dessa violência urbana cruel que ninguém consegue entender.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lévy rocks! \m/

De férias forçadas, resolvi dar um pulo em Curitiba para uma xeretada básica nos meus dois irmãos. Fresca que sou, aproveitei a megapromo da TAM e comprei passagens de avião, ida e volta, mais barato do que ônibus. Mas o transporte aéreo nunca foi tão enrolado na história desse país: meu voo que deveria ir primeiro a Guarulhos e depois a Curitiba foi parcialmente cancelado porque o aeroporto de Brasília (sempre Brasília) ficou fechado algumas horas... daí me colocaram num voo Florianópolis-Congonhas para depois seguir à sempre elegante e agradável capital paranaense onde mora parte do meu coração. Com isso, é claro, passei algumas horinhas tomando chá de banco em aeroporto.

Mas, precavida que sou, tomei o cuidado de incluir um livro na bagagem de mão - o que me faria inclusive resistir à tentação de gastar dinheiro nas sempre caras livrarias de aeroporto. Fucei rapidamente na estante do escritório e vi meu exemplar novinho em folha de "Cibercultura", de Pierre Lévy, um livro que já não é tão novo (a primeira edição é de 1997), mas que ainda apresenta algumas reflexões extremamente instigantes a respeito de nosso mundo hiperconectado. Durante meu mestrado trabalhamos um pouco esse autor na disciplina Seminários de Pesquisa, mas eu só comprei o livro no ano passado e acabei injustamente deixando-o encostado na pilha de próximas leituras.

Um trechinho logo do início:

Aqueles que denunciam a cibercultura hoje têm uma estranha semelhança com aqueles que desprezavam o rock nos anos 50 ou 60. O rock era anglo-americano e tornou-se uma indústria. Isso não o impediu, contudo, de ser o porta-voz das aspirações de uma enorme parcela da juventude mundial. Também não impediu que muitos de nós nos divertíssemos ouvindo ou tocando juntos essa música. A música pop dos anos 70 deu uma consciência a uma ou duas gerações e contribuiu para o fim da Guerra do Vietnã. É bem verdade que nem o rock nem a música pop resolveram o problema da miséria ou da fome no mundo. Mas isso seria razão para "ser contra"?

Enquanto jornalista, roqueira, profissional da área de educação a distância, blogueira ocasional, tuiteira recém-deslumbrada e apaixonada por meu smartphone, imagino que essa leitura descompromissada do Lévy será bastante produtiva. Até porque, apesar de todos esses meus desvios de caráter, eu continuo uma apaixonada pelos livros - essa mídia tão antiquada, ainda insubstituível.

[Vale lembrar um efeito nefasto da cibercultura sobre meu corpicho: estou tratando outra crise ultrasevera de bursite com tendinite, desta vez no ombro esquerdo. E meu próximo sonho de consumo agora é o teclado ergonômico novo da Microsoft.]

quinta-feira, 4 de março de 2010

Na tendência



Sebastiana nunca fica mais do que meia hora com os enfeitinhos que a moça do banho insiste em colocar nela - ainda mais quando eles são do tipo maria chiquinha, que têm elástico e apertam os pelinhos das orelhas. Mas, antenada que é, desta vez ela curtiu os lacinhos verde flúor e já faz quase 24 horas que eles estão incólumes. Lola mantém seu laçarote rosa no pescoço e Fidel, sua gravata cinza clássica. Todos muito chics.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quase pedindo arrego

Talvez ainda baixe o santo e eu conte tudo aqui em detalhes, mas por ora só consigo dizer que fazia muito, muito tempo que eu não tinha uma semana tão cansativa.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ele, de novo

Maurício encontrou mais um defeito no George Clooney. Veja aqui.

Só falta a grade

Hoje faz 25 dias que bati meu carro na SC-401. No mesmo dia o guincho enviado pela seguradora levou o pobre Cliozinho guerreiro para a oficina - era um final de tarde de domingo, chovendo pra caramba. Dos quatro carros envolvidos, foi ele o menos avariado. O seguro autorizou o conserto: refizeram o pára-choque, desentortaram o capô (que sofreu danos realmente sutis), trocaram o radiador e o condensador (este último, depois de uma argumentação inderrubável de hunny). Mas eu continuo sem carro porque falta a grade da frente. O carro já poderia ter saído da oficina há uns dez dias, mas falta a meleca da grade. O moço responsável me informou agora por telefone que a peça estava em falta na Renault, que eles encomendaram e que ainda deve levar mais uns dias pra chegar. Só posso deduzir que todas as moças do mundo que têm um Clio resolveram bater o carro de frente. Que outro motivo poderia haver para uma peça de plástico faltar de maneira tão irremediável?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O verdadeiro LFV

Numa sala com quatro mulheres, foi divertidíssimo passar adiante e ler em conjunto esse primor de texto do professor Luis Fernando Veríssimo, publicado na Zero Hora de hoje. É engraçado perceber que, assim como as mulheres, homens despeitados também são implacáveis com seus oponentes - mesmo que este seja um inatingível galã de cinema. Leia o mesmo texto colocando no lugar de George Clooney nomes como Chico Buarque ou Jude Law, guarde as devidas proporções... e ele vai continuar genial.

[E o melhor de tudo: com tanto texto fraquinho e metido a engraçadinho que circula na Internet com autoria atribuída ao Veríssimo, percebo o quanto é bom ler, de fato, um Veríssimo.]

*

O verdadeiro George Clooney

Longe de mim querer difamar alguém, mas acho que no caso do George Clooney o que está em jogo é a autoestima da nossa espécie, os homens que não são George Clooney. Todas as nossas qualidades e todos os nossos atributos, físicos e intelectuais, desaparecem na comparação com o George Clooney. As mulheres não escondem sua adoração pelo George Clooney. O próprio George Clooney nada faz para diminuir a idolatria e nos dar uma chance. Fica cada vez mais adorável, cada vez mais George Clooney. E se aproxima da perfeição. É bonito. É charmoso. É rico. É bom ator. Faz bons filmes. Está envolvido com as melhores causas. E que dentes! Não temos defesa contra esse massacre. Só nos resta a calúnia.

Os dentes são falsos. Ali onde elas veem pomos da face irresistíveis e um queixo decidido, há, obviamente, botox. Ele tem pernas finas e desvio no septo. É solteiro, portanto, claro, gay. Tem casa num dos lagos italianos, o que já é suspeito, e dizem que anda pelos seus chãos de mármore depois do banho de espuma vestindo um longo caftan bordado e sendo borrifado com perfumes florais pelo seu amante filipino Tongo, enquanto seu amante italiano, Rocco, prepara a salada de rúcula completamente nu. George Clooney bate na mãe todas as quintas-feiras. É extremamente burro. Só leu um livro até hoje e não lembra se foi O Pequeno Príncipe ou O Grande Gatsby. Nos filmes em que faz personagens mais reflexivos, contratam um dublê para as cenas dele pensando. Foi ele que propôs a demolição da Torre Eiffel porque já era mais que evidente que não encontrariam petróleo no local. E sua sovinice é lendária. Levou nadadeiras quando visitou Veneza, para não gastar com táxi.

É notório, em Hollywood, o mau hálito do George Clooney. Quando ele fala em algum evento público, as primeiras três fileiras do auditório sempre ficam vazias. Atrizes obrigadas a trabalhar com ele têm direito a um adicional por insalubridade, em dobro se houver cenas de beijo. Outra coisa: a asa. Não adiantam as imersões em espuma na sua banheira em forma de cisne, nem os perfumes florais borrifados, o cheiro persiste. Sabem que George Clooney e suas axilas se aproximam a metros de distância, e muita gente aproveita o aviso para fugir.

Além de tudo, tem seborreia e é republicano.

Passe adiante.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Porque hoje é 26 de janeiro...

...é um bom dia para reler Drummond:

Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

["Campo de flores" foi publicado por Carlos Drummond de Andrade no livro "Claro Enigma", de 1951.]

domingo, 24 de janeiro de 2010

Na leveza

A estrutura poderia ser um pouco melhor, com o palco virado para o mar - pequeno detalhe que garantiria visibilidade para a grande maioria do público. Mas encarei, e adorei, o pocket show que Lenine, meu pernambucano número 1, fez hoje à tardinha na praia Brava, dentro do Floripa Tem. Geralmente sou meio avessa a shows de graça por causa da muvuca, ainda mais num local de acesso complicado como a Brava, mas hunny e eu planejamos estrategicamente tanto a ida quanto a volta e nos demos bem. Conseguimos chegar meio perto do palco, mas desisti de disputar espaço com os garotos suados e bêbados que sorviam vodca ruim direto da garrafa possivelmente desde o meio-dia. Nos resguardamos então na sombra do posto salva-vidas, de onde dava para ver a banda a uma certa distância e beber umas skóis mezzo geladas.

A música do Lenine sempre me emociona e vê-lo de perto mais uma vez foi um privilégio. Fiquei lembrando das outras vezes em que o vi ao vivo: há muito tempo, só com violão, num boteco da Lagoa que nem existe mais [nessa ocasião eu conversei com ele depois do show e constatamos que nossos olhos têm a mesma cor de burro quando foge]; depois, no teatro do CIC, na época do álbum "Na pressão"; e há dois anos, no Floripa Music Hall, com o show "Acústico". Sempre é uma experiência memorável. Gosto muito da atual banda dele, em especial do baixista Guila com suas madeixas - hoje, providencialmente presas, com aquele calorão.

[E o melhor de tudo foi olhar pro lado e perceber que estou cercada só de quem me interessa...]

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Revendo Hitchcock

Daí a Kim Novak olha pro James Stewart e diz: "Only one is a wanderer. Two together are always going somewhere".

Tudo bem que na história ela é a grande picareta, mas gostei da frase.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pecadinho da semana

Estava no supermercado na segunda à noite e o potinho piscou pra mim. Foi do freezer pra minha cestinha, pra sacola, pro porta-malas do carro e, finalmente, pro meu freezer. Só na terça à noite lembrei dele. Oh my god. Nem comi inteiro, só umas colheradas. E já sei que hoje vou ter que duplicar o tempo de esteira na academia...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Control cê, control vê

Faço minhas as... minhas próprias palavras do ano passado: eu sou um ser de outro planeta e detesto o Planeta Atlântida, pelos motivos que descrevo aqui. Todos continuam valendo.

E como o que é ruim sempre pode, sim, piorar, uma terrível atualização em relação a 2009: esse ano, oh my god, tem Ivete. De resto, tudo na lesma lerda. A tal dupla de sertanejo universitário, esse gênero estranho, também vai estar lá. A cerveja ainda é Nova Schin e o refrigerante oficial ainda é Pepsi. O local ainda é aquele descampado. Na TV ainda dizem que vai ser do caralho. Nada muda. Nem meu humor.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um tabefe na cara, com luva de pelica

Eu aqui mal-humorada, ranheta e me sentindo a criatura mais rastejante sobre a terra por ter dado uma batida de carro no final da tarde de domingo, no percurso inocente entre a casa da minha mãe e a minha. Me sentindo injustiçada porque quem causou o acidente foi o senhor nativo de um país vizinho (sem preconceito) que resolveu, do nada, parar sobre a pista, mas como eu fui o último dos quatro carros que se engancharam atrás do Peugeot do dito cujo, a responsabilidade pelo acidente, até provem o contrário, é minha. Daí chego esta manhã com meu carro alugado pelo seguro e venho ao escritório para saber notícias do carro, que foi levado de guincho para a oficina e será consertado pelo seguro, cuja franquia eu vou me arrebentar pra pagar, mas vou pagar. E, na internet, vejo a notícia de que a dona Zilda Arns, uma das brasileiras mais admiráveis que conheço, que mais se doaram pelos pobres do meu país (e dos outros países também), morreu no terremoto do Haiti. Abri algumas fotos da catástrofe e minha mãe imediatamente começou a chorar ao meu lado, pela tristeza pela qual está passando aquela gente e pela perda da dona Zilda, a quem ela conheceu pessoalmente e mantinha/mantém gigantesca admiração. De um minuto pro outro fiquei morrendo de vergonha: meu super problema é só uma batidinha de carro. Perdão, pessoas do mundo, por minha mesquinharia.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Vênus foi adotada!

A boa notícia da semana é a adoção super bem-sucedida da Vênus. A Ana Corina conta aqui como foi. Best wishes!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Campanha

Lendo hoje o blog da Regina e suas impressões sobre a Paraíba, ainda antes de tomar café, lembrei de uma das (muitas) coisas que sempre como na Bahia e que aqui no Sul não tem nem pra remédio: sorvete de cajá. Oxe, afe maria, se a Kibon faz sorvete de cajá e vende no Nordeste, porque os pobrezinhos mortais do Sul não podem desfrutar dessa delícia? Quando estive no sul da Bahia, no início de dezembro, era de lei: sorvetinho de cajá artesanal, duas bolas bem servidas num cascão, era o que arrematava as aventuras e comilanças do dia antes de voltar pra pousada. Hunny não conhecia, mas amou e aderiu. Acho que será ele o primeiro signatário da minha campanha: ô, dona Kibon, manda sorvete de cajá pra nós!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pequeno manual de sobrevivência

Problema 1: o que fazer quando se chega em casa e tem um gambá morto na cama dos cachorros, na varanda?

Hipótese A) O namorado não está na sua casa

Procedimento: Prenda os cachorros vândalos dentro de casa. Na área de serviço, pegue um saco de lixo de 50 litros. Na casinha de ferramentas, encontre duas enxadas. Dirija-se ao gambá. Pobrezinho. Abra o saco de lixo e posicione-o o mais próximo possível do gambá. Com as duas enxadas, faça uma pinça gigante e com cuidado junte o pequeno cadáver e coloque-o no saco de lixo, bem no meio. [Nesse movimento eu percebi que o gambá ainda respirava, ou seja, tal qual os exemplares de A Era do Gelo, estava fingindo de morto. Então joguei-o com o saco aberto no terreno da esquina. Acho que ficou bem.]

Hipótese B) O namorado está na sua casa

Procedimento: chame o namorado.

...

Problema 2: o que fazer quando, ao chegar em casa morrendo de fome, uma barata trêmula [que caiu numa das 860 iscas de veneno espalhadas pela casa] perambula pela cozinha?

Hipótese A) O namorado não está na sua casa

Procedimento: monitore a barata até que ela, em seu perambular trôpego, se posicione em algum local onde você possa, sem riscos, tascar-lhe uma borrifada de Raid [longe de louças, frutas e dos potes dos cachorros]. Isso pode levar tempo suficiente para você ligar o notebook, verificar o e-mail, fuçar no Orkut dos amigos e dar uma lida rápida no G1. Quando a dita cuja se aproximar da porta da rua, tasque uns 10 segundos de Raid na filhadaputa, usando a mão direita; com a esquerda, tão logo o jato cesse, meta-lhe uma vassourada. Pronto, é só varrer a nojenta, recolher com a pazinha (aquela com cabo de 1,5m) e jogar na lixeira.

Hipótese B) O namorado está na sua casa

Procedimento: chame o namorado.

...

Hoje aconteceu isso tudo aqui em casa. E o namorado NÃO ESTAVA.

Isso é glamour?

E por falar na invasão de celebridades a Florianópolis, em especial a Jurerê Internacional - que, para quem não sabe, fica aqui do ladinho de onde eu moro -, uma amiga que se encorajou a passar o réveillon numa daquelas festas autoproclamadas chics sofreu uma grande decepção. Ela - bonitona como sempre - e um grupo de amigas se organizaram em setembro para comprar convites para a tal festa, que ia ter ceia, DJ, champã, fogos e tudo o mais. Olhando o valor absoluto dá até pra dizer que pagaram meio carinho, mas muito pouco comparando o preço com o valor pelo qual os convites estavam sendo vendidos na véspera do ano novo, algo em torno de seis vezes mais.

Well. E no meio daquele furdunço todo que virou o outrora aprazível balneário de Jurerê horas antes da virada do ano, lá foi ela e seu grupo de amigas para a festa. Pra estacionar, cinquentão - em cima da areia. E todas elas de salto. Alguma mulher sobre a face da terra vai a uma festa bacana sem salto? Então por que diabos o peão mandou as moças estacionarem na puta que o pariu, em cima da areia? As pobres meninas passaram os últimos minutos de 2009 fazendo exercício para panturrilha na areia. Não, ninguém merece.

Na entrada, os paparazzi de plantão à espera de celebridades armaram seus equipamentos quando viram o grupo de moças bonitas e de branco se aproximando da porta de entrada. Como nenhuma era atriz da globo, algum grosseirão disse "não, não é ninguém". Como assim, não é ninguém?

Resumindo a ópera, de acordo com o relato da minha amiga a festa até estava bacana, com exceção da comida horrível - lentilha crua e carne dura -, da falta de infraestrutura para quem afirmou que iria servir uma ceia - elas tiveram que comer num balcão, em pé, e só com garfos, porque facas eram proibidas no recinto - e dos vândalos chics que resolveram brigar, lançando champanhe uns sobre os outros, numa espécie de batalha entre camarotes. Sorry, pessoas chics, mas isso não é glamour.

Brincadeirinha de casal

Todo final/início de ano as revistas de fofocas e colunas de cidades provincianas se esmeram para mapear onde os famosos estão passando as festas. Florianópolis, mais do que nunca, ficou cheia daquelas celebridades que a gente lê o nome e fala "tá, mas é quem, mesmo? Ah, sim, aquela menina que fazia Malhação há uns 30 anos". E haja foto daquele bando de gente pseudoimportante posando com caras, bocas, coxas, bundas, peitorais e bíceps para as fotos. E o pior é que não adianta o pobre leitor não querer saber desse tipo de coisa: os sites de notícias destacam quem está onde (e pegando quem) em suas páginas principais. O pobre leitor simplesmente tem que engolir.

Então não consigo deixar de achar engraçada essa nota que está hoje entre as mais lidas da coluna amarela da Globo.com, com fotos do casal de atores espanhois Javier Bardem e Penélope Cruz brincando de apertar a bunda um do outro durante um banho de mar em Fernando de Noronha. Eles podem até ser belos, mas são donos de uma beleza possível, atingível, sem afetações deliberadas. E, enquanto casal, mostram que celebridades também são gente como a gente - sem, contudo, chegar ao nível da Luana Piovani...



[Isso não tem importância nenhuma, mas Javier Bardem e Penélope Cruz são os protagonistas de dois filmes do Almodóvar de que gosto muito: ele, como o ex-policial paralítico no desconcertante "Carne trêmula", e ela como a filha abusada pelo pai e rejeitada pela mãe em "Volver". A cena em que ela encontra a mãe supostamente morta escondida embaixo da cama - 'pero que estás a hacer ahí, mamá?' - mereceria todos os prêmios].

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

É isso aí


Um 2010 com muita paz, amor, alegria, saúde e prosperidade para todos nós!


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um calor da peste há três dias

E agora, finalmente, choveu.

[Estranho imaginar que eu ficaria feliz com chuva, mas fiquei.]

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Papai Noel sem rosto

Não se preocupem, porque o título do post não anuncia nenhum texto crítico ao consumismo mordaz desta época. A ideia é só contar que o enfeite de porta fofo, barato e novinho que eu comprei para este ano - uma meia de feltro com um bonequinho de Papai Noel de cara bem rechonchuda - foi devidamente transformado em brinquedo pelos meus três amados cachorrinhos no mesmo dia em que foi pendurado. Isso foi antes de eu viajar, e o extermínio de mais este enfeite de porta me fez perder o pique com decorações de Natal este ano.

Mas ontem me curei. Depois de um dia ultrasobrecarregado, que envolveu reunião de trabalho bem cedo, saída com a família, supermercado, salão (eu também mereço uma pet shop) e até batida de carro (nada grave), isso tudo abaaaaixo de uma chuuuuuuva chatééééésima, entrei no clima total: passava um pouco das 22h quando fui para a cozinha fazer pudim de leite. Enquanto o dito cujo assava, embrulhei os presentinhos que vou levar hoje para a family na casa de mamy, desencaixotei os enfeites de Natal e coloquei todos em seus devidos lugares. O que sobrou do enfeite estraçalhado - só a meia - ficou no corredor. Montei minha mini-árvore de moça solteira (daquelas de 50cm de altura) com bolinhas e laços vermelhos, outros enfeitinhos dourados, ao lado do menino Jesus (não é exatamente um presépio, mas é a intenção), com muitas luzinhas, tudo sobre a mesinha antiga de madeira que pertenceu a minha bisavó. E pronto, como num passe de mágica minha casinha ficou com cara de Natal e cheiro de pudim assando.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Vênus precisa de um lar!


Ana Corina é uma pessoa tão absolutamente fantástica e generosa que, mesmo no turbilhão familiar dessa perda tão sofrida, ainda consegue manter a lucidez e iniciar campanha em busca de uma nova família para a Vênus. Chorei muito hoje por essa amiga querida. E, se posso ajudar remotamente de alguma maneira, é mandando o recado pra frente: Vênus é uma cachorra maravilhosa, mestiça de dobermann, portanto ótima para guarda, e merece/precisa de um novo lar amoroso - de preferência, onde possa reinar absoluta no quintal. Os contatos da Ana estão ali no cartazinho.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Pode me dar os parabéns

Dois anos depois da primeira crise de artrite reumatoide, finalmente voltei a malhar. Agora, aqui.

[E é esse o retorno possível à academia, já que as tentativas em outro sentido - o doutorado - não deram certo. Em 2010 tem mais.]

Vale a pena reclamar? Claro que vale!

Foi borrifar a amostrinha no antebraço, esperar uns segundinhos, sentir a fragrância e decretar: Be Delicious, da marca Donna Karan, seria meu próximo must have perfumístico. E aproveitando uma providencial viagem de hunny à hidrelétrica de Itaipu, a trabalho, no final de novembro, pedi que ele procurasse tanto o Be Delicious quanto o Romance, da Ralph Lauren, lá pros lados da tríplice fronteira, onde o comércio desse tipo de coisa sempre bomba. Bola dentríssimo: ele encontrou os dois, em vidros de 100 ml, a preços excelentes, no Free Shop da Argentina. Eba!

Mas ao abrir as caixas, uma frustração: o Ralph Lauren estava perfeitinho, mas o Donna Karan tinha vazado. Hunny ficou hiper aborrecido, pois tinha tomado muito cuidado no transporte e mesmo assim aconteceu uma coisa dessas. Abrimos a embalagem e percebemos que, além de cerca de 30% do líquido ter se perdido, a válvula vaporizadora estava travada. Ou seja, mesmo que eu quisesse usar o perfume que sobrou, não conseguiria. Oh my god.

A perspectiva mais próxima de retorno de hunny a Itaipu é o final do próximo semestre letivo. Esperar até lá seria inviável. Então entrei no site da Donna Karan e, como empresa séria que se preze, encontrei lá um formulário no link Contact us. Agradeci ao cosmos por ter viabilizado meu retorno aos estudos de inglês, com ênfase em redação, e contei o que tinha acontecido, pedindo orientações sobre como proceder. Uma hora depois recebi por e-mail uma mensagem pedindo desculpas pelos transtornos e orientando que eu mandasse um e-mail e a cópia da nota fiscal de compra do produto para um determinado endereço eletrônico, ainda da empresa em Nova York. Foi o que fiz. Estava meio cética quanto a receber um perfume novo, mas fiquei impressionada com a agilidade nos retornos.
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Mais uns dias depois, eu estava verificando o e-mail no netbook de hunny, lá na sacadinha da minha pousada na Bahia, quando recebi outra mensagem, desta vez de uma empresa do Rio de Janeiro, que representa a marca Donna Karan no Brasil. Pediram que eu encaminhasse o produto com defeito por Sedex, com uma carta relatando os problemas ocorridos. Pediram também que eu enviasse a nota do Sedex para eles reembolsarem a despesa de envio. No pé do e-mail estavam copiados todos os e-mails encaminhados por mim e também as mensagens enviadas dentro da empresa organizando as providências.

Mandei o pacote com tudo o que eles pediram na sexta-feira da semana passada. E hoje, uma semana depois, o perfume novo chegou, perfeito e intacto. Estou me sentindo a cliente mais respeitada do mundo - mesmo sabendo, e eles também sabem, que absolutamente não sou uma potencial consumidora do imenso leque de produtos chiques da marca Donna Karan. Pro meu bico, só o perfume mesmo, e comprado no Free Shop. Mas, pelo menos em relação a ele, conseguiram me fidelizar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Encontro com uma querida conterrânea

Hunny e eu gostamos muito de cerveja e, sempre que podemos, experimentamos novidades. Pois lá na Bahia, desta vez, a única diferente com que nos deparamos foi uma tal de Nobel - bem meia-boca, padrãozinho pielsen daquelas que fazem o estilo gosto-da-maioria (aguadinha e clarinha). Ficamos felizes, portanto, quando num boteco mais bacana encontramos nossa amiga de Blumenau no cardápio. É bom ver bons produtos de Santa Catarina ganhando as boas mesas país afora. Prosit!

Mais do meu bichim











Diz aí se ele não está sorrindo?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Tina, a fera fofa

Uma personagem especial desses nove dias na Bahia foi a Tina, essa linda gatinha amarela da foto, que é a mascote da pousada onde ficamos. Quando chegamos ela estava esperando filhotinhos, e o pessoal da pousada já estava preocupado com a demora no nascimento. No segundo dia ela foi operada - os quatro bebês estavam mortos. Responsavelmente, os donos aproveitaram a cirurgia para castrá-la. E no dia seguinte ao procedimento ela voltou à sua rotina de pegar sol no jardim, estatelar-se nas poltroninhas da recepção e fazer dengo com os hóspedes.

E então a equipe da pousada passou a ter mais uma importante tarefa na sua rotina diária: dar antibiótico e anti-inflamatório para a Tina, procedimento normal em qualquer pós-cirúrgico. O problema é que a Tina é um gato, e gatos parecem recorrer aos seus antepassados mais selvagens e indomáveis quando se veem forçados a fazer algo que não querem - como engolir uma seringa com leite misturado a gotinhas amargas.

Eis que um belo dia estávamos hunny e eu indo tomar café quando o Flávio - um dos funcionários, suíço engraçadaço e gente boa - comentou que eles estavam tendo dificuldades para dar a medicação para a Tina. Hunny se ofereceu para ajudar e não teve outra: ela tomou o remédio todinho, sem desperdício, graças ao eficiente método de imobilização de felinas ariscas (hehe) especialmente desenvolvido por ele. E então, sempre pela manhã e no início da noite, quem estivesse de plantão na pousada - e nos cuidados com a Tina - nos esperava chegar para dar o remédio a ela.

Na manhã em que fomos embora, Virgínia, outra das donas, confessou: agora não sabemos como vamos fazer para ela continuar tomando o remédio. Bom, se ela oferecesse mais uma semaninha de estadia na faixa, eu ajudaria a medicar todos os gatos do Arraial. Facinho, facinho.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

No Sul da Bahia


Diária de um paliozinho com ar-condicionado e autorização da locadora pra ir um pouco além da civilização: 60 reais.

Garrafinha de água mineral sem gás na vendinha da aldeia pataxó a caminho de Caraíva: 2 reais.

O abraço do bichinho mais fofo do mundo: não tem preço.

[Tenho outras mais de 30 fotos com ela, mas até reduzir tudo pra postar... oxe. Deu preguiça.]

domingo, 29 de novembro de 2009

Chuchu, vou me mandar


...ah, eu vou pra bahia
talvez volte qualquer dia...
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[Esta pessoa está de férias. O notebook também. Então, o blog também. See ya.]

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Eu acredito

Os duendes têm brincado muito comigo ultimamente. Explico.

1) Quando já tinha dado minha lapiseira Pentel por perdida, depois de procurá-la em todas as bolsas e até perguntado pros colegas de inglês se eu por acaso não a teria esquecido na sala e alguém encontrado, deparei-me com a dita cuja no meio da minha agenda. Andei agarrada nela durante dias e nem notei (ninguém manda andar com agenda gorda).

2) Outro dia, saindo de casa, eu andava feito uma barata tonta por todos os cômodos da casa procurando a chave do carro. Até que Santa Claudete perguntou "dona Ana, não é essa chave que está no seu bolso de trás?" Se bem que perder chave do carro, convenhamos, não é novidade pra mim.

3) Essa semana fui ao Floripa Shopping fazer as unhas e almoçar. Saí meio em cima da hora e simplesmente não encontrava o carro. Achei que tinha ficado então no piso de baixo. Desci. Não achei. Voltei pro piso onde eu estava antes e lá estava ele, no exaaaaato lugar onde eu tinha estacionado. Socorro.

4) Hoje cedo, na aula, busquei na bolsa um prendedor de cabelo, que sempre guardo no mesmo bolsinho onde ficam os documentos do carro. Achei o prendedor, mas os documentos não estavam lá. Eu lembrava nitidamente de ter pego a carteirinha de couro de manhã, ao fazer a transferência dos cacarecos de uma bolsa pra outra. Revirei a bolsa inteira, e nada dos documentos. Desencanei e pensei positivo pra que não acontecesse nada nos trajetos que ainda deveria fazer ao longo do dia, até que chegasse em casa. Depois do almoço, fui escovar os dentes e - tcharam! - estavam eles lá, os documentos do carro, lindamente arrumadinhos na carteirinha de couro, dentro da minha nécessaire.

5) Em compensação, às vezes o que eles aprontam é legal: encontrei duas notas de R$ 20 dobradinhas no canto da carteira, esquecidas ali desde não sei quando.

De qualquer maneira, vou perguntar ao homeopata se não é o caso de aumentar a dose de Nux vomica.

domingo, 22 de novembro de 2009

Antes do sol

Não tenho saudades da época em que fiquei com dois empregos e por isso precisava acordar todos os dias às 5h30 - não por causa dos trabalhos em si, que eram realmente ótimos, mas porque, para uma pessoa dorminhoca como eu, madrugar é algo muito difícil.

Hoje, em pleno domingo, acordei na hora em que muita gente deve estar chegando em casa porque vou passar o dia inteiro no vestibular da instituição onde trabalho. De antemão sei que vai ser um dia cansativo, mas a única coisa importante mesmo é que já comprei minhas havaianas e fiz estoque de filtro solar a um bom preço. Em 9 dias estarei matando um pouquinho dessa saudade da Bahia que me deixa tronxa. Oxe!

Bom domingo pra todo mundo!

[Parece que o dia vai ser cinzento, mas se alguém quiser ver um sol lindo nos olhinhos do Otávio, clica aqui.]