sábado, 10 de janeiro de 2009

E que o Chico Buarque de Hollanda e o Caetano Veloso nos resgatem

Essa conversa me fez lembrar aquela música do Caetano que eu adoooooro - "A língua":

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores e furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E QUEM HÁ DE NEGAR QUE ESTA LHE É SUPERIOR??????
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala, Mangueira!! Fala!!

Flor do lácio sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode esta língua?

Vamos atentar para a sinxaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas, cadê?
Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque do Hollanda nos resgate
E xeque-mate
Explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã, ímã, ímã, ímã
Ímã, ímã, ímã, ímã
Nomes de nomes
Como Scarlett Moon, De Chevalier
Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé e Maria da Fé e Arrigo Barnabé

Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode essa língua?

Incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer azevedo
E o recôncavo e o recôncavo e o recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria

Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
Será que ele está no pão de açúcar?
Tá crowd, brô
Você e tu
Lhe amo
Qué que eu te faço, nega?
Bate ligeiro!

Nós canto-falamos como quem inveja negros que sofrem horrores nos guetos do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem

Deixa os portugais morrerem à míngua

Não sei se é porque ando muito bem-humorada, ou porque é o ano do sol, ou porque estamos na era de aquário ou porque já faz um tempinho que passei dos 30. Não sei se ando take it easy demais ou se estou deixando de ser uma virginiana crítica e exigente. Mas não consigo me aborrecer com a reforma ortográfica. Juro que li Pollyanna e não gostei. Mas acho que o fato de todo mundo agora ter dúvidas pode ser uma coisa boa para a nossa língua. Pensa bem, gente: quem aqui tinha 100% de certeza sobre tudo antes da reforma? Será que boa parte da inteligência, ou do caminho para o aprendizado, não reside justamente na dúvida? Eu acho que sim. Acho que só é inteligente e só aprende quem sabe fazer perguntas. Vai fazer 14 anos que me formei em Jornalismo e há um pouco mais do que isso trabalho escrevendo meus próprios textos, lendo, lendo e lendo horrores. E também editando textos escritos por outros - o que é uma grande responsabilidade. E querem saber? Embora eu ache que conheço a língua portuguesa um pouco melhor que a média, eu sempre tive muitas dúvidas. Sempre trabalhei com manuais e gramáticas ao alcance da mão. E sempre que alguém me chama no msn pra perguntar se "assessor" é com dois esses duas vezes ou com cê na primeira vez, e faz isso com certa vergonha, eu repito: o problema é não ter dúvida. Ter certeza de tudo é meio chato. E a nossa língua também é uma metamorfose ambulante. Né, Regininha?

[Claro, quem quiser ficar indignado e reclamar, fique indignado e reclame. Mas eu não pretendo gastar energia com isso.]

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Dias melhores virão


A previsão é de mais um final de semana de chuva em Frogville. Com isso, Dauro [o não-organizador da parada] acaba de anunciar que nosso passeio para a Lagoinha será mais uma vez adiado. Vai então mais uma fotinha daquele lugar nojento - pra gente não esquecer como é um dia de sol.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Lola, Fidel, Sebastiana, Otto, Gisa, Basquiat, tantos outros... & Eu

Minha atitude inicial em relação ao filme "Marley & Eu" foi parecida com a daquelas pessoas amarguradas e racionais demais que dizem "ah, eu não quero ter cachorro porque a gente se apega ao bichinho e é muito triste quando ele morre". Relutei um pouco para encarar - como o filme é baseado no livro, todo mundo sabe que no final da história o cão-protagonista, o labrador Marley, morre de velho. Eu que sou mãe de três e irmã de um que já está velhinho achava que seria triste demais.

Pois ontem resolvi encarar. E percebi que a experiência de assistir a esse filme é muitíssimo semelhante à experiência existencial de quem escolhe ter cachorros como membros da família e amá-los como tal. Porque se de fato no final do filme a gente fica triste e chora quando Marley adoece e se vai (o cinema estava cheio e realmente a sala inteira fica fungando), durante 95% da projeção a gente dá gargalhadas com as traquinagens do fanfarrão e se enche de ternura com a doçura que transborda naquela relação humanos-canino. Minha relação com meu irmão-cão e meus filhotes é assim também, numa experiência dilatada. E felizmente ainda está na fase da alegria e da ternura.

Chorei, é verdade, mas não propriamente pelo Marley, e sim pensando no quanto vai ser difícil ter que resolver colocar os meus queridos para dormir, quando chegar a hora deles. Mas confio que isso vá acontecer só quando for a hora mesmo, e que será de maneira ética e confortável. Confio também - isso é o mais certo de tudo - que nossa família estará unida e se apoiando quando esse momento difícil chegar, assim como já aconteceu quando, anos atrás, tivemos que autorizar a eutanásia do nosso velho gato Giba - o monstro felino que aterrorizava as visitas e, assim como os atuais cachorros e a atual gata, nos trouxe verdadeiras caçambas de diversão enquanto nos deu o privilégio de sua companhia.

Quando voltava para casa, dirigindo sozinha pela SC-401, perto da meia-noite, a lua crescente brilhava e refletia nas nuvens fofas de algodão. Percebi que uma delas não era uma nuvem, e sim meu querido Basquiat, o mequetrefe dos mequetrefes, no céu dos cachorros, sorrindo para mim.


[Escolhi para este post uma linda foto do Otto, feita pelo André, em homenagem ao cãozinho mais idoso da minha família - ele já está com quase 10 anos e barbinhas brancas. E cada vez mais convicto de que, sim, ele é uma pessoa.]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Good vibes

Barulho esquisito dentro de casa antes ainda de o despertador tocar. Fui averiguar achando que se trataria de alguma nova traquinagem canina. Um pardal pequenininho tinha entrado em casa e estava se esborrachando na janela do quarto do meio. Consegui encurralá-lo num cantinho da vidraça (meio difícil porque tem grade), segurei com cuidado em uma mão (ficou quietinho, o coraçãozinho tum-tum-tum), abri a porta da sala e soltei. Ele foi direto para a minha pitangueira predileta. Dizem que esse tipo de coisa é sinal de boa sorte. Tou achando que é mesmo.

[E já que acordei meia hora mais cedo, bom dia pra todo mundo. Partirei para mais um lindo dia de tarefas e de sol. Hoje, sem direito a prainha.]

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma quase não-venda

O infortúnio da Aline com seus óculos escuros - especificamente a situação em que o produto que ela quer está na loja, mas na caixa, e por isso inacessível - me fez lembrar um quase-infortúnio que passei na compra de uma Melissa. Eu provei alguns modelos e me apaixonei pela Doc Dog, que estava na vitrine. A 36 ficou apertada, a 37 ficou perfeita, quanto é, quero levar a verde. "Ah, mas eu não posso te vender essa porque ela ainda não está no sistema. Nem devia ter ido para a vitrine". Meu mundo caiu. Por sorte não sou do tipo barraqueira, olhei pra vendedora rindo e disse que estava me sentindo num filme do Woody Allen: um produto na vitrine, provado e aprovado, e ela não ia fazer a venda? Rapidinho se deu um jeito: ela registrou a venda com outro modelo do mesmo preço e depois, quando o modelo que eu levei estivesse no sistema, ela simularia uma troca. Que bom que a menina foi hábil - até porque no fim das contas eu levei duas Melissas. Acho que o vendedor da Aline podia tomar umas aulinhas com ela...

Matracas

Tati passou uma semana viajando.
Aproveitamos a manhã livre e combinamos uma praia.
Meu livro não saiu de dentro da bolsa.
E eu me atrasei pro trabalho.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Mais livros


Aproveitei a dica quentíssima da Adri e comprei hoje os Contos Completos da Virginia Woolf. O preço normal da edição (Cosac Naify), com capa dura e projeto caprichadíssimo, é de quase R$ 70, mas na Siciliano está por R$ 26. Eu namorei um monte esse livro na época do Natal, mas como estava meio caro deixei pra depois. Bola dentríssimo. Fiquei tão feliz que resolvi comemorar almoçando um combinado de salmão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Nós e os livros

Prosseguindo com a brincadeira iniciada pelo Rogerinho e encaminhada pelo Maurício...

1. Livro que marcou sua infância: os infantis do Monteiro Lobato, como "Reinações de Narizinho", "A Chave do Tamanho" e todos os outros (que inclusive preciso resgatar na casa da minha mãe)
2. Livro que marcou sua adolescência: "1968 - O ano que não terminou", do Zuenir Ventura, que li no segundo ano do segundo grau.
3. Autor que mais admira: Virginia Woolf
4. Autor contemporâneo: José Saramago
5. Leu e não gostou: sofri uma decepção especial com "On The Road", do Jack Kerouac. Persisti até o fim e não entendi por que é tão incensado. Achei a história simplória e o texto, pobre. Mas ainda pretendo dar uma segunda chance a ele.
6. Lê e relê: "Rota 66" e "Abusado", do Caco Barcellos, e "A Sangue Frio", do Truman Capote.
7. Mania: sublinhar a lápis os trechos de que gosto mais.

Passo a bola pra frente: André, Marie e Aline.

Agora vai

Passados os festejos intensos, começo o ano planejando uma dieta de desintoxicação à base de arroz integral e suco de laranja. E o retorno à academia. E o firme propósito de só admitir chopinhos e happy hours nos dias de sexta a domingo.

[Dilema: se pintar um convite irrecusável, como recusar? Oh my god.]

Traquinagens caninas

Quando cheguei em casa ontem, depois da festa de aniver da mami, parecia que tinha nevado no meu quintal. Meus queridos filhotes resolveram antecipar o Dia de Reis e desmontar por conta deles a decoração de Natal. O alvo foi o fofo Papai Noel de pelúcia que era o enfeite da porta. Está morto e enterrado. Deus o tenha.

[Mas admito que é melhor isso do que gambá. Quando eu chego em casa e tem gambá morto, afe, é um horror.]

Lagoinha, a missão


Maurício deu uma insistida para que eu integre a expedição combinada para dia 10. Não sei se terei joelhos para tanto. De qualquer forma, aproveitando a insônia, vai mais uma fotinha feita no dia 27, pra animar a galera. Tomara que o tempo abra.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

...e o selo Mãe de Cachorro vai para...


...o Dauro, a Regininha, a Aline, a Giorgia, o Frank, a Marie e o Caio.
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Este é o selo Mãe de Cachorro!
Você o recebeu como homenagem por seu amor aos animais e ao usá-lo em seu site/blog, passará a fazer parte da família Mãe de Cachorro, uma confraria de pessoas do bem e que fazem a diferença para um mundo melhor para humanos e animais.

Nem todos são propriamente mães ou pais de cachorro, mas são amigos queridos que eu sei que amam os bichos!
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[Querem saber mais? Cliquem aqui.]


Quem disse que acabou?

Fim de ano sempre é uma comilança, uma bebelança e uma festança para a maioria das pessoas que conheço. Só que para a maioria das pessoas que conheço esse circuito termina depois do Réveillon. Aqui em casa não. Porque no dia 3 de janeiro é aniver da mami. E o aniver da mami sempre é comemorado com festa. Amanhã, portanto, lá vamos nós de novo. Haja fígado. E abraço. E gargalhada.

[A gente finge que reclama, mas é uma delícia. A foto foi feita em 2007, quando dona Conceição soprou 60 velinhas e a festa foi uma megaprodução que teve até camiseta.]

Familiares incompatíveis

Otto é o cãozinho dachshund da minha mãe. E Gisa é a gatinha do Mano e da Jaque, meu irmão mais velho e minha cunhada. Depois de passar alguns dias comigo e a mãe aqui em casa, hoje Otto voltou para seu apê, onde Mano, Jaque e Gisa continuam em férias até amanhã. Todos os cuidados para que o canino e a felina fiquem separados são tomados com rigor. Mas, há pouco, alguns segundos de descuido fizeram com que eles ficassem frente a frente. Furdunço. Otto ignorou a pata machucada e saiu correndo atrás da Gisa. Que, por sua vez, triplicou de tamanho e riscou uma caixa inteira de fósforos enquanto batia em ricochete com as quatro patas pelas paredes do apartamento. Sobrou pra mim a tarefa de segurar a Gisa (tenho talento para conter gatos ariscos) enquanto o Mano mandava o Otto sair do quarto. Juntei-a pelas axilas. Ela esperneou. Minha linha da vida da mão direita ganhou uns oito centímetros, atravessando o pulso. Espero que, em pleno 2 de janeiro, isso seja um bom sinal.

Back to Frogville

Primoroso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E foi-se 2008

Tou com uma preguiça danada de fazer balanço do ano que passou. Resumidamente: passei por uns perrengues brabos que me derrubaram, mas levantei sozinha ("esse remédio universal que é o trabalho", como diz o Saramago), reencontrei minha alegria e minha leveza e posso dizer que a maior parte do ano foi movida a coisas boas (apesar das ruins que sempre se permeiam com as boas). Muito boas. Gente nova, trabalho novo. As pessoas fundamentais que ficaram. O valor de tudo o que eu tenho. E a retomada dos projetos (eu não vivo sem projetos). O blog e as amizades bacanas que dele decorrem. A terapia (não, eu não quero alta). Depois de alguns anos me sentindo num marasmo, parece que em 2008 as coisas aconteceram de forma super acelerada. Cheguei a me assustar com isso algumas vezes. Mas adorei. Espero que 2009 tenha tanto movimento quanto 2008. E tantas surpresas. Boas, é claro.

Mania feia

Rangaceira boa, bebida idem, música idem. Vestido novo, galera bacana. Mas ontem aconteceu de novo: sono incontrolável e saída à francesa direto para o berço. Me disseram que a festa rolou até quase quatro da manhã e que as sobremesas estavam maravilhosas. Que bom que sobrou um pouquinho.

Dois pontinhos

Reza a lenda familiar que foi meu avô Zeca o primeiro da família a se casar com uma moça de origem não-alemã. Então ele era um Lückmann (com dos enes mesmo) que se uniu a uma Ferreira de Souza. E entre os primos do meu avô tem alguns Nienkötter, Lehmkul (nessa grafia tenho dúvida) e Loch. Já pelo lado da minha mãe, meu avô Martins, que morava na Lagoa, casou-se com minha avó Abreu, que morava no Rio Tavares. E pelo que minha mãe conta, há um ramo de parentes com sobrenome Veras. É uma misturança danada de nomes que revela uma misturança danada de sangues. Por isso é que eu digo que sou uma perfeita vira-latas, embora em função das normas patriarcais do registro civil eu carregue o sobrenome de origem alemã - que na verdade eu acho que é a minha menor parte. Herdei inclusive o erro de registro do meu pai - lá em 1944 o escrivão bobeou e seu Egídio, o primogênito do meu avô, virou um Lückman com um ene só. Ao longo do tempo teve outras diferenças de registro, como por exemplo o pessoal do tio Norberto, irmão do meu avô, que é Lüchmann. Lembro até que há na família quem defenda que o nome original é assim mesmo, com cê-agá, e que o cê-ká é que é equivocado. Anyway, meu nome ficou como ficou e mesmo não sendo propriamente complicado, na maioria das vezes preciso soletrá-lo - laranja, uva, caqui, kiwi, maçã, abacaxi, nêspera. Ok, nêspera é meio pesado, pode ser nectarina também. E com dois pontinhos em cima do u, por favor. Apesar da reforma ortográfica.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Som do Gil, voz da Gal

Não encontrei o áudio... se alguém tiver, me manda?

Quando a gente tá contente
Tanto faz o quente, tanto faz o frio, tanto faz
Que eu me esqueça do meu compromisso
Com isso ou aquilo que aconteceu dez minutos atrás
Dez minutos atrás de uma idéia já deu
Pra uma teia de aranha crescer e prender
Sua vida na cadeia do pensamento
Que de um momento pro outro começa a doer

Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá
Lááááááá
Lálálálá-lá-lá-lá

Quando a gente tá contente
Gente é gente, gato é gato
Barata pode ser um barato total
Tudo que você disser deve fazer bem
Nada que você comer deve fazer mal
Quando a gente tá contente
Nem pensar que está contente
Nem pensar que está contente a gente quer
Nem pensar a gente quer, a gente quer
A gente quer, a gente quer é viver

[Feliz 2009 pra todo mundo!]