
Encontrei essa flor estranha ontem no meu quintal. Ela tem, tranquilo, uns 50cm de diâmetro. Abriu no início da noite e hoje pela manhã já havia murchado. Será que tem algo a ver com o perigeu?
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã

Ela errou as letras, trançou as pernas, perdeu as entradas, esqueceu os nomes dos músicos da banda, saiu do palco várias vezes, pediu arrego para os backing vocals, contemplou distraidamente suas cutículas e não disse nem olá nem tchauzinho. Ainda tem seu vozeirão, mas a impressão que tenho é que para Amy Winehouse a decadência é irreversível. Fiquemos, pois, com seus dois únicos álbuns e as poucas lindas músicas que ela conseguiu produzir. Melhor deixá-la em paz com seus problemas e suas paranoias, chorando no chão da cozinha.
Espero, claro, morder a língua.


É o quarto ano que percebemos a presença deles aqui, sempre bem cedinho e nos finais de tarde, comendo as sementes do ipê-amarelo (como já registrei nesse, nesse e nesse posts). Mas só nos últimos meses é que constatei que, embora a presença dos adoráveis papagaios-brasileiros na árvore do meu quintal seja sazonal - é primavera, sementes maduras, lá estão eles, não tem erro - eles passam o ano todo sobrevoando essa área. Bem cedo eles vêm lá do lado do manguezal de Ratones, onde, imagino, tenham seus ninhos, e voltam pra casa final de tarde. Voam sempre em duplinhas e muitas vezes batendo o maior papo - tanto que aprendi a identificar o barulhinho deles durante seus trânsitos. Algumas vezes param para descansar ou discutir o melhor lugar pra ir (são barulhentos quando querem, afe), em três ou quatro pares, nos eucaliptos do terreno ao lado.
Este ano eu já os tinha visto algumas vezes, sempre avisada pela Sebastiana, que fica emputecida quando eles jogam os restos das vagens no chão e late ritmadamente aquele seu latido que só quem conhece pra saber o transtorno que é (mas é um latido que, incrível, eu aprendi a amar). Descabelada, de óculos, havaianas e pijama, fui para o meio da rua para fotografá-los em melhor ângulo, aproveitando a bela luz deste dia ensolarado. Vale a pena pagar esse mico. Um deles era mais exibicionista: estava lá no alto da árvore, totalmente exposto, e nem tchuns pra mim enquanto eu o fotografava. O outro era mais low profile e preferiu se manter camuflado, misturando sua cor com a das folhas da jaqueira, que fica atrás do ipê.
Quem tem cachorro ou não, gosta deles ou não, não importa: todos devem estar atentos ao risco da leishmaniose visceral, doença que foi detectada recentemente em Florianópolis. É um foco isolado, mas isso não quer dizer que quem mora no outro lado da cidade esteja imune - muito pelo contrário.