Pois ontem resolvi encarar. E percebi que a experiência de assistir a esse filme é muitíssimo semelhante à experiência existencial de quem escolhe ter cachorros como membros da família e amá-los como tal. Porque se de fato no final do filme a gente fica triste e chora quando Marley adoece e se vai (o cinema estava cheio e realmente a sala inteira fica fungando), durante 95% da projeção a gente dá gargalhadas com as traquinagens do fanfarrão e se enche de ternura com a doçura que transborda naquela relação humanos-canino. Minha relação com meu irmão-cão e meus filhotes é assim também, numa experiência dilatada. E felizmente ainda está na fase da alegria e da ternura.
Chorei, é verdade, mas não propriamente pelo Marley, e sim pensando no quanto vai ser difícil ter que resolver colocar os meus queridos para dormir, quando chegar a hora deles. Mas confio que isso vá acontecer só quando for a hora mesmo, e que será de maneira ética e confortável. Confio também - isso é o mais certo de tudo - que nossa família estará unida e se apoiando quando esse momento difícil chegar, assim como já aconteceu quando, anos atrás, tivemos que autorizar a eutanásia do nosso velho gato Giba - o monstro felino que aterrorizava as visitas e, assim como os atuais cachorros e a atual gata, nos trouxe verdadeiras caçambas de diversão enquanto nos deu o privilégio de sua companhia.
Quando voltava para casa, dirigindo sozinha pela SC-401, perto da meia-noite, a lua crescente brilhava e refletia nas nuvens fofas de algodão. Percebi que uma delas não era uma nuvem, e sim meu querido Basquiat, o mequetrefe dos mequetrefes, no céu dos cachorros, sorrindo para mim.
[Escolhi para este post uma linda foto do Otto, feita pelo André, em homenagem ao cãozinho mais idoso da minha família - ele já está com quase 10 anos e barbinhas brancas. E cada vez mais convicto de que, sim, ele é uma pessoa.]
10 comentários:
Adorei este post. Fui assistir a esse filme na semana passada. Só quando já estava quase no final, me deu um gelo. Só naquela hora caiu a ficha de que a vida do Marley seria mostrada até o fim. Eu, que já tinha chorado em outras cenas, saí de lá com os olhos vermelhos.
Já chorei muito por gatos e cachorros. Ano passado, perdemos o Bagé (nome dado em homenagem à cidade natal do doberman bobão, que não assustava nem uma mosca). Mesmo morando tão longe, ele sempre era assunto nos telefones para a minha mãe, assim como hoje em dia a Mima também é.
Beijos.
Rafaela
Oi Ana,
não acho que o pensamento de não ter mais animais de estimação por ser tão insuportavelmente doloroso vê-los partir seja amargurado ou racional. Acho que é mais uma proteção e um comentário irrefletido, daqueles que a gente sabe que já nasce morto. Algo como "nunca mais bebo tequila" depois do porre, ou "nunca mais quero saber de homem", depois do divórcio difícil.
Meu pai mesmo, que de amargurado e racional tem 0% no corpo, é um dos que solta a pérola vez ou outra e mesmo assim não hesitou em adotar a cadelinha que o vizinho disse que ou matava, ou abandonava. E agora lá está meu velho, apaixonadíssimo pela sua filha canina, mesmo tem ter planejado ter novamente um animal pra chamar de seu.
Particularmente, o que mais gostei no filme foi a mensagem de que o Marley era família. Mesmo ele sendo sapeca (e eu nem achei tanto, para um cão enorme criado dentro de casa), seus pais humanos não desistiram dele.
Claro que chorei que me acabei pensando em todos os cães no mundo que sofreram, sofrem e sofreram, todos os que não tiveram ou terão uma morte assim digna nem uma vida assim rodeada de amor e cuidados.
Mas o filme é como você falou, muito mais risadas que choro, só que ainda assim, de novo não, obrigada.
Beijo e que nenhum dos teus filhos precise ser sacrificado...
ps.: Minha Moira está com câncer nos ossos e posso te dizer sem amargura ou racionalidade nenhuma e sim tomada pelo sentimento de dor e pavor com a possibilidade do sofrimento e da eutanásia dela: mais de uma vez eu mesma já pensei, beijando aquele focinho gigante que amo tanto, que não quero mais nenhuma filha depois que ela se for, porque nenhuma será a minha MomocaJamantaGalegaPincesaDaMãeEdoPai e só de pensar o quintal sem ela, linda e forte fazendo guarda, toda exibida pra mamãe, dói demais.
é muito triste mesmo, ana... torço por ela. um beijão pra vocês!
eu não sou muito de bichos, mas entendi de uns tempos pra cá por que algumas pessoas são. de qq jeito, vim "defender" (não que ele tenha sido atacado, hehe...) o giba... vc sabe que eu tinha uma simpatia grande por ele e ele nunca me aterrorizou? levei muitos pelos dele pra casa na minha roupa, hehehe...
Por que só a Cris e o Lauro vão gostar do filme? E eu, sou tão insensível assim? (Verdade seja dita, inclua-me fora dessa). :)
Ah, Maurício, tu também vais gostar, é claro... mas acho que os dois é que vão dar aquela choradinha básica. =)
beijo
Eu não sabia que Marley morria no final!
Pronto. Estragou a surpresa.
=-*
Tá, Caio. Sorries múltiplos. Mas Capitu traiu ou não traiu? hahaha
bjo
Também vi o filme o comentei em meu blog (http://oggibrahim.blogspot.com). O cinema inteiro chorou no final.Tinha gente aos soluços. Parabéns pelo blog.
Vi o Basquiat no Centro hj...perdido tb. Não pude parar o carro pra catar. :((( Mas era ele, igualzinho. Até o jeitinho de andar em zigzag.
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