Pois não é que existe mesmo o Dia do Homem? Confesso que quando vi referência a essa data na vitrine de uma loja de perfumes, achei que fosse uma invenção do comércio para ter um "dia" a comemorar em julho.
Pois não é. E mesmo que me digam que essas datas comemorativas são só balela, desculpa para o comércio vender, que todo dia é dia das mães, ou da mulher, ou das crianças, eu sempre acho que esse tipo de invenção social serve, sim, para que se discutam questões importantes relativas aos celebrados da vez. Hoje, os homens.
Eu defendo que os homens merecem, sim, um dia de homenagens. Porque apesar de, de fato, ainda vivermos numa sociedade majoritariamente machista no pior sentido que isso posso ter, eu aqui num décimo de segundo consigo pensar em um bocado de homens maravilhosos com quem tenho e tive o privilégio de conviver. Homens corretos e íntegros, dedicados às suas mulheres, namoradas e companheiras, amorosos com os filhos, integrados com suas famílias. Trabalhadores competentes, amigos leais, irmãos unidos, filhos presentes. Homens que conseguem fazer das inegáveis diferenças entre os gêneros uma soma, e não uma subtração. As famílias do século 21 são sem dúvida bem diferentes daquelas da época dos nossos pais e avós, e penso que se chegamos a isso é porque não só as mulheres, mas também os homens mudaram e estão mudando.
Então os homens merecem, sim, uma homenagem hoje, e grande parte da minha motivação vem da grande evidência que se está dando hoje na mídia a esses casos escabrosos de extrema violência cometida por homens (e garotos) contra mulheres. Torço para que a justiça seja feita nesses e em tantos outros casos que nós sequer tomamos conhecimento. Saber da existência de homens capazes de cometer esse tipo de atrocidade só me faz dar mais valor e querer abraçar os homens maravilhosos com quem tenho o privilégio de compartilhar a vida.
Há alguns anos, uma querida amiga anunciou que o bebê que esperava era um menino. Comentei: que bom! É ótimo que as mulheres de nossa geração eduquem meninos. Então mando uma singela homenagem também para todas as mulheres da minha geração que estão desempenhando com maestria esse papel de mães (e boadrastas) dos homens do futuro, em especial as do Lauro, do Xavier, do Miguel, do Bruno, do Lucas, do outro Lucas, do Mateus, do Theo, do Igor...
4 comentários:
Os amigos também ajudam nessa formação. Esse teu sobrinho, mesmo que emprestado, só nos dá orgulho.
Na Antropologia muitos garantem que tradição cultural é passada para as crianças por quem teve mais contato com eles. A mãe, na maior parte das vezes. Isso inclui o machismo, que é incutido nos filhos sem que a mulher se dê conta (ou até propositalmente). Ilustra isso o caso do Marrocos. Quando lá morreu o rei, o príncipe que o sucedeu quis acabar com a mutilação genital nas mulheres. Não conseguiu, devido a resistências das próprias mulheres.
A política do "solto meu bode, mas prendo minha cabrita" é bem difundida, tanto lá, como aqui.
Eu também acho, Ana, não consigo comprar discursos do tipo "são todos iguais". Acho que há os ótimos desde sempre e os que precisam evoluir. E a hora de cada um sempre chega. Um dia quero ser mãe de um menino, se a vida me permitir. Admiro os filhos das minhas amigas, já falei isso pra Kátia. E como a tendência do ser humano é melhorar, fico feliz por minha filha, que terá excelentes opções. Seus amigos, os filhos dos meus amigos e os meninos da escola são todos muito diferentes do que eram os meninos da minha época, bem melhores. Ainda sobre os homens, cabe dizer que deveriam cuidar mais de sua saúde, da alma também. Não é à toa que o Ministério da Saúde está em campanha pela prevenção para eles. Alguns raros machões por aí acham bichice fazer exames preventivos e não largam os maus hábitos. Uma pena.
O que é o corporativismo, hein? Em pleno Dia do Homem a pessoa consegue ir desvirtuando o negócio e termina fazendo uma homenagem às mulheres!
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