quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um tabefe na cara, com luva de pelica

Eu aqui mal-humorada, ranheta e me sentindo a criatura mais rastejante sobre a terra por ter dado uma batida de carro no final da tarde de domingo, no percurso inocente entre a casa da minha mãe e a minha. Me sentindo injustiçada porque quem causou o acidente foi o senhor nativo de um país vizinho (sem preconceito) que resolveu, do nada, parar sobre a pista, mas como eu fui o último dos quatro carros que se engancharam atrás do Peugeot do dito cujo, a responsabilidade pelo acidente, até provem o contrário, é minha. Daí chego esta manhã com meu carro alugado pelo seguro e venho ao escritório para saber notícias do carro, que foi levado de guincho para a oficina e será consertado pelo seguro, cuja franquia eu vou me arrebentar pra pagar, mas vou pagar. E, na internet, vejo a notícia de que a dona Zilda Arns, uma das brasileiras mais admiráveis que conheço, que mais se doaram pelos pobres do meu país (e dos outros países também), morreu no terremoto do Haiti. Abri algumas fotos da catástrofe e minha mãe imediatamente começou a chorar ao meu lado, pela tristeza pela qual está passando aquela gente e pela perda da dona Zilda, a quem ela conheceu pessoalmente e mantinha/mantém gigantesca admiração. De um minuto pro outro fiquei morrendo de vergonha: meu super problema é só uma batidinha de carro. Perdão, pessoas do mundo, por minha mesquinharia.

3 comentários:

Fiona disse...

Ai, Anita. Também fiquei super triste com a catástrofe. No geral!

Também lamento pelo seu carro. Chato, né? Cada um com seus problemas. E com seu tamanho. Mas ainda bem que o seu tem jeito.

beijooo

Anônimo disse...

Uma pena essa catástrofe no Haiti, que vitimou tantos e especialmente a Zilda Arns. Uma grande perda realmente.

Larissa disse...

Ana, é complicado mesmo...!
Fiquei muito triste com a morte dela também....
Mas fique sossegada, pois de maneira alguma você é mesquinha, problemas são relativos. É claro que as coisas que aconteceram lá são graves, mas dentro de nossas vidas temos dramas também, por mais que não abalem aos outros, à uma comunidade ou coisa assim...

grande beijo p vc!