quinta-feira, 16 de julho de 2009

Três décimos de segundo de sofrimento

Hunny e eu temos em comum algo que pode ser sintoma de transtorno obsessivo-compulsivo: nos bares, botecos e afins que frequentamos, gostamos de ocupar sempre a "nossa" mesa. É assim no Botequim, onde foi nosso primeiro papinho com chope, quando ainda éramos colegas de instituição que se conheciam de vista e só trocavam "ois" meio envergonhados no corredor; é assim no Sushiyama, onde sempre reservamos a mesma mesa baixinha e passamos horas recostados nas almofadas, nos empapuçando de salmão jungle (receita nossa feita com sashimi de salmão, raiz forte, shoyo e cebolinha verde); e tem sido também assim no Iega, o pé-limpo-familiar tradicionalíssimo da Carvoeira que fica na esquina da rua da minha mãe, onde costumamos fazer balanços parciais da semana comendo aquele pastelzinho de camarão dilíça com Original geladinha servida pelo Ferreira.

Pois no Iega a "nossa" mesa tem sido uma na área interna do bar, lá no cantinho, na janela, onde ficamos abrigados do vento e apreciando os carros que voam a lombada da frente da padaria, na Romualdo de Barros. Quando a gente chega juntos o Ferreira já vai indo até aquela mesa com o cardápio, mesmo sabendo que o pedido será sempre rigorosamente o mesmo (será que isso também é TOC?).

Normalmente levamos sorte e encontramos a tal mesa desocupada, por mais cheio que o bar esteja. Mas ontem foi diferente. Combinamos de nos encontrar lá - ele estava em casa e eu, na minha mãe. Cheguei primeiro e notei que, embora o bar estivesse vazio, tinha um casal na nossa mesa - os dois lado a lado, ela na janela. Como não estava chovendo nem muuuito frio, resolvi esperá-lo numa mesinha na área externa, apreciando o movimento do entorno das 19h. Minutos depois ele me encontra, com uma expressão de espanto misturada com alívio e humor (sim, isso é possível). Eu nem tinha reparado: a moça do casal que ontem resolveu ocupar a "nossa" mesa estava com um casaco rosa da Adidas, idêntico ao que hunny me deu no dia dos namorados. Quando ele chegou no bar, olhou para a "nossa" mesa à minha procura e se deparou com a moça, de cabelo liso-comprido-escuro como o meu, com um casaco igualzinho ao meu, tascando um beijaço no cara.

Três décimos de segundo depois um dos garçons mais novos disse a ele que eu o estava esperando na mesa da rua. Quando me encontrou, ele ainda estava um pouco vermelho, mas felizmente já estava dando aquele sorriso bonito que nunca aparece nas fotos.


[Taí o casaco. Mas essa sou eu.]

5 comentários:

Ana Corina disse...

hahaha Tadinho! Sou amicíssima do Ferreira e de toda a família da ex-esposa dele. Diz pra ele que és minha amiga. Ele é o MELHOR garçom do mundo, né? Beijooo.

Rafaela disse...

Hahahahah!!!!

Deve ter tido quase um ataque do coração!!! Eu teria tido.

Já pensou, beijando outro e ainda com o presente do dia dos namorados... Eu morria na hora!!! :)

Beijos aos dois!
Rafa

Tati disse...

Hahahahahahahahah.
Acho q imaginei exatamente a cara q ele fez. =o)

Ontem eu e Fred fomos no Ponte 100. Bem mais tarde do q vc e hunny foram pro Iega (sei disso pq te liguei, lembra?). Já tava muuuuuito frio e chuva chaaaata, de novo.
Não temos a "nossa mesa", claro. Mas foi bem legal ir lá tomar uma Original e dividir um cheeseburguer com batata-palha, sem milho e sem ervilha. ^^

E um dos assuntos tb foi TOC. Coincidência nada a ver, né? Heheheheheh

Beijos pra todo mundo.
E um ótimo final de semana. Provavelmente de frio e chuva pra quem fica. =oP

MALU, SIMPLES ASSIM disse...

Hahaha, essa é boa! Ainda bem que não foi na boca. O meu honey já fez pior: uma vez beliscou uma mulher na bunda achando que era eu... quem manda não ter modos, hehe.
Bjs.

Tati Besc disse...

Oi Ana! faz tempo q nao comento aqui, mas continuo acompanhando o teu blog e dou boas risadas. Um beijo, saudade de vc!