Meu trabalho fica a cerca de 25 quilômetros da minha casa. E um dos lugares mais lindos que conheço - e que tem significados afetivos muito fortes para mim - fica a apenas 11 quilômetros do meu doce cafofo. Rumo norte. Só que uma imensidão de água nos separa, e isso aumenta deverasmente a distância. Justamente por essa distância alargada é que eu vou para lá muito menos do que gostaria. Já para o trabalho, eu vou todo dia. Sem escolha.
Pois no último sábado rolou: juntei cinco amigos sangue bom e lá fomos nós, a bordo da escuna Vento Sul, para um mergulho livre na Ilha do Arvoredo - na parte onde essa prática é permitida, já que lá é uma Reserva Biológica.
Fazia uns bons três ou quatro anos que não ia visitar essa minha vizinha tão delicada. A água estava meio fria, mas mais transparente do que a média. E foi nesse dia que nadei com a tartaruga-de-pente mais take it easy que já conheci. Nem em Abrolhos, onde elas se reúnem em grandes grupos para devorar suas algas no meio do arquipélago, encontrei exemplares tão mansinhos quanto aquela de sábado - carinhosamente batizada de Gertrudes por um dos risonhos integrantes de meu grupo.
Quem mergulha sabe a emoção de ver um animal como esses nadando tranqüilamente. E quem me conhece sabe que as tartarugas são meus bichinhos prediletos. Portanto, coração bombando, ficamos eu e ela - ela elegante e confortável, eu totalmente desengonçada e desfavorecida pela minha ausência de nadadeiras como as dela - deliciosamente passeando juntas e nos observando durante alguns longos minutos.
Um amigo meu outro dia definiu a sensação de mergulhar como aquela que se sente quando se volta para casa depois de muito tempo. Pois comigo não é totalmente assim. Eu sou muito pé no chão, sou de elemento terra, e tenho a perfeita noção de que na água eu sou visita. Mas posso dizer que sou o tipo de visita com liberdade para abrir a geladeira. Vou lá, abro a geladeira, vejo o que tem de bom e lindo e volto para a terra-casa feliz da vida. Definitivamente, preciso mergulhar mais. Bom projeto para 2009. E 2010, 2011, 2012...
[A foto foi feita pelo Alan quando estávamos chegando no Arvoredo. A fissura para pular na água era tanta que ninguém teve paciência para bater foto de ninguém com os paramentos típicos dos voyeurs subaquáticos. Mas tudo bem. Com esse post vão beijos para o Alanzinho, a Tati, o Douglas, o Marcelo e a Viviane, meus alegres companheiros de aventura, além de beijos mais que especiais para o querido capitão Zé Luís e seus gentis marinheiros, que nos conduziram e orientaram com toda segurança e conforto. Embora eu não tenha levado o bolo. Que há de vir.]
5 comentários:
Anita,
ficastes tantos anos assim sem ir a esse lugar lindo, mesmo estando tão pertinho de ti? A primeira sensação que tive quando vi essa foto - além de achar o paraiso - foi de que a agua deveria estar gelada. Nesses casos eu só salto na água gritando histericamente, na esperança de amenizar o frio. Tenho horror a agua fria, mas depois que encaro, sair de lá é um longa historia!! Quanto tempo dura o passeio ate chegar na ilha?
Fi, de fato a água estava friazinha (aqui não é como no nordeste...). Na hora que a gente pula dá aquele sustão, mas depois fica ótimo. Mesmo eu estando com roupa curta de neoprene, chegou uma hora que tive que sair porque eu batia queixo (faltou dizer isso no post: enquanto eu e a tartaruga nadávamos juntas, eu batia queixo de frio). Mas daí a gente sai da água, esquenta um pouquinho no sol e depois pula de novo. Fica nessa vida ruim.
O fato de ter mar entre a ilha que eu moro e a menorzinha torna os 11 quilômetros uma distância real bem maior do que seria por terra. O tempo pra chegar lá varia com as condições do mar. Naquele dia estava bom, acho que levamos pouco mais de uma hora para chegar. Na real o percurso é tão gostoso que a gente mal sente. Embora quem tem labirinto mais sensível acabe mesmo é se sentindo mal com as ondas grandes do mar aberto... e viva o dramin. No nosso grupo duas meninas ficaram enjoadinhas, mas sem maiores danos.
Bora pra Floripa, mulher!!!
beijos!
Muito legal mesmo o post, Ana! A gente faz coisas demais por obrigação e de menos por diversão, né? Não existe deadline para o lazer... :-)
Bjs.
Ana, acho que tem mais umas fotos aí que vc podia publicar. Não mata a gente de curiosidade!
bj
Malu, essa tua frase final vai pro msn!! =D
Ita, minha linda amada, vamos com calma...
beijos!
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