A última vez em que o encontrei pessoalmente foi no ano passado, durante a prova do Ironman Brasil em Jurerê. Eu passeando, ele trabalhando como sempre, com o inseparável colete de fotógrafo e uma tonelada de equipamentos. Tínhamos deixado de conviver diariamente quando me desliguei do jornal, em abril de 2006, e nessa ocasião em que nos vimos rapidamente ele também tinha recém-saído da empresa, que estava em processo de aquisição pela RBS. Então nos esbarramos e nesses poucos segundos de contato, além das perguntas de praxe que trocam dois ex-colegas que não têm grande intimidade - onde estás trabalhando, como vai a vida, etc. -, ele lembrou de abordar um assunto que era recorrente em nossas conversas de redação: os cachorros.
Dificilmente alguém diria que aquele cara com jeitão marrento, sotaque carioca, criador e adestrador de pitbulls, é um franciscano da melhor estirpe. Aliás, dificilmente alguém diria que os pitbulls do Mega são aqueles anjos dóceis e educados. Lembro bem de um plantão de sábado que eu estava coordenando. Quando voltou da pauta, antes de identificar o material, Mega chegou para mim discretamente: "Ana, estou com o Iron lá dentro do carro. Tudo bem se eu trouxer ele aqui pra dentro, só enquanto eu baixo meu material?" Respondi que por mim tudo bem, já que eu sabia que o Iron é adestrado e muito obediente. Consultamos as outras poucas pessoas do plantão, e o Iron ganhou passe livre. Ainda lembro da cena surreal: o Mega trabalhando num iMac colorido, na mesa dos fotógrafos, com aquele pitbull gigante (os cachorros dele são muito bem-cuidados) deitado aos seus pés, em cima de um tapetinho.
Já em outra ocasião, estou eu chegando para mais um dia de expediente normal de meio de semana. Passando pela mesa dos fotógrafos, Mega me chamou para contar que ele e o Vilmar (o motorista cujas histórias renderiam um livro) tinham presenciado o atropelamento de uma cachorrinha vira-latas na Via Expressa, a caminho de uma pauta. Quem atropelou não fez nada, mas eles pararam o carro e o Mega foi para o meio da rodovia resgatar a pobrezinha, que estava machucada e assustada, mas sem fraturas aparentes. Eles a deixaram na casa de uma senhora que morava nas redondezas e foram para a pauta. Pois quando ele me chamou, depois de contar a história, ele disse "Ana, eu não consigo parar de pensar naquela cachorrinha. Acho que vou lá buscar". Ele só precisava verbalizar isso. Terminou de identificar suas fotos, entrou no carro e foi ao encontro daquele serzinho esquálido preto-e-branco. Voltou todo empolgado com o quinto elemento de sua matilha - que já era composta por quatro pitbulls - no porta-malas. Depois de receber os cuidados necessários e o carinho dele e da mulher, Isabelle (também, obviamente, cachorreira de carteirinha), a Nina se transformou numa vira-latas saudável e encorpada, bem parecida com os irmãos de raça. Sempre que perguntava sobre como ela estava, ele me respondia: "Ana, aquela cachorra me ama". Claro, né? Óbvio que ama.
Durante o período em que convivemos profissionalmente, os cachorros sempre eram assunto. Ele é bom adestrador e me deu um monte de toques legais sobre como botar um pouco de disciplina na minha matilha mimada. Lembro de como estava triste ao contar que uma das pitbulls tinha morrido. E quando nos revimos muito rapidamente naquele dia de Ironman, nossas matilhas continuaram sendo a razão de nossa empatia - mais do que a profissão em comum.
Então é estranho lembrar dessas e de outras histórias e imaginar que hoje esse cara de coração grande, apenas dois anos mais velho que eu, está sofrendo as sérias conseqüências de um AVC, numa UTI de hospital. Como bem disse o Magoo em algum lugar, tomara que essa esteja sendo apenas mais uma das brincadeiras do Mega. E que logo ele possa estar de novo brincando com seus cachorros no quintal da casa que ele construiu para viver perto do mar, ao lado da sua Isabelle.
...porque aquilo que eu penso hoje pode se transformar e virar uma outra coisa amanhã ou depois de amanhã
sexta-feira, 10 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
Eu florida alegre e faceira. E daí??
Adorei esse texto da Cris Guerra. Desnecessário dizer que deve ser lido com bom humor, ok?16 ou 17 coisas que você precisa saber sobre uma pessoa tatuada.
1. Não, ela não quer falar sobre isso.
2. Sim, ela teve coragem. Ao contrário de você, que está pensando em fazer uma tatuagem há 14 anos.
3. Não, ela não se arrependeu.
4. Ela é tatuada, não tatuadora. E não quer dar a você todas as dicas de como, onde, quando e que desenho tatuar.
5. Cuidado com perguntas do tipo “Você trabalha com tatuagem?” se não quiser ouvir respostas do tipo “Sim, eu não tiro a tatuagem para trabalhar”.
6. A não ser que pinte um clima, não saia botando a mão.
7. Não, ela não é um outdoor, nem um pássaro, nem um avião. Pessoas tatuadas não gostam de ser assistidas como se fossem um filme. Nem de ser observadas e avaliadas como num programa de calouros. Evite dar voltas em volta dela, olhando de cima a baixo.
8. Pode parecer estranho, mas, não, ela não quer chamar atenção. Pode parecer ainda mais estranho, mas as tatuagens são desenhos dela para si mesma, não para os outros. E têm muito mais a ver com o que ela quer dizer para si mesma do que para o mundo.
9. Perguntas do tipo “E essa aqui, o que significa?” só significam uma coisa: você é um chato. Gostaria de ouvir perguntas do tipo “O que significa o seu cabelo chanel?”
10. Proibido fotografar, filmar, tocar ou comer no recinto.
11. Não, ela não quer pensar em um desenho para você tatuar.
12. Sim, ela respeita se você achar ridículo. Mas nem tudo precisa ser dito. Ou ela será obrigada a opinar sobre o seu enorme brinco de pena.
13. Doeu, sim. Mas o que dói mesmo é esse seu olhar de turista.
14. Sim, ela já sabe que você é louco pra fazer uma, mas nunca teve coragem. A pergunta é: “E daí?”
15. Não, ela não tem tatuagem onde você está imaginando.
16. Sim, ela trabalha num lugar muito democrático. Ou usa terno e gravata.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Era uma vez um carinha sorumbático
Descobri essa gracinha de vídeo nos favoritos do Orkut de dois amigos. Impossível não ficar com um sorrisinho bobo no final.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Um pequeno delito
Meu vidrinho novinho de pimenta Tabasco teve a tampinha misteriosamente perdida na noite de Réveillon. Ela foi então substituída de improviso por um pedacinho de papel alumínio todo amarrotado. Que, além de ter um aspecto feio, precisa ser substituído toda hora porque alguém sempre amassa aquele papelzinho e joga fora. Esse pequeno problema foi resolvido com um pouquinho de cara de pau durante uma pausa na caminhada de domingo na Ilha do Mel. Eu, que nunca consegui roubar chocolate nas Americanas e nem copo em bar lotado, deleguei a tarefa delituosa ao Douglas, que a executou prontamente e na maior elegância. Terminada a deliciosa porção de iscas de pescada (que foi o motivo para virem à mesa dois vidrinhos de Tabasco, um da Garlic e outro da tradicional), pedimos a saideira e a conta. A tampinha de um dos vidros foi sutilmente colocada num canto da mesa entre nossos bonés e óculos. Quando a garçonete veio recolher as coisas, levou os dois vidrinhos sem notar que um deles estava sem tampa. Bingo. Meu vidrinho de pimenta já está pela metade, mas já não faz feio quando vai à mesa. Será que vou ser cobrada por isso no juízo final?[Lição: a partir de agora, além dos araminhos de saco de pão, vou também começar a colecionar tampinhas de pimenta Tabasco. Pra garantir.]
domingo, 29 de março de 2009
And the world goes round
you're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
you stick around now it may show
I don't know, I don't know
[Pode parecer incrível, e peço perdão por isso a todos os meus amigos músicos, mas só agora, com quase 37 anos, descobri "Abbey Road", que passou a semana inteira no cd do carro. Antes tarde do que nunca.]
I don't know, I don't know
you stick around now it may show
I don't know, I don't know
[Pode parecer incrível, e peço perdão por isso a todos os meus amigos músicos, mas só agora, com quase 37 anos, descobri "Abbey Road", que passou a semana inteira no cd do carro. Antes tarde do que nunca.]
quinta-feira, 26 de março de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Semana curta
Fim de semana prolongado é uma delícia, ainda mais quando se dá um jeito de esticar o feriadão que iria só até segunda para a terça-feira de manhã. Mas o efeito inverso disso (não vamos dizer que é um efeito negativo, mas apenas uma consequência inevitável de três dias e meio sem se preocupar com porra nenhuma) é a semana curta que vem em seguida. Cair na real de novo é um processo quase doloroso - daquelas dores que se sente com um sorrisinho nos lábios, já que a preocupação com o volume de tarefas acumuladas e coisas para dar conta nos âmbitos profissional e doméstico vem junto com a recordação de outras coisas como o edredom branquinho e cheiroso da pousada. Enfim. Mas o que eu queria dizer mesmo por enquanto é que só vou poder contar da caminhada de mais de 10 quilômetros entre praias e costões (sim, eu consegui transpor costões!!), da pousadinha fofa, da comida maravilhosa, da reposição da tampinha do meu vidro de pimenta, das ampolas de Original pelas quais pagávamos R$ 7 achando tudo lindo, dos belos dias de sol, das noites de céu cintilante cheias de estrelas cadentes e do encerramento disso tudo ao lado dos meus dois queridos irmãos quando eu receber o cd com as 417 fotos desses três dias e meio. Porque nem tudo é assim tão fácil: a câmera e o cartão de memória ficaram em Curitiba com seu legítimo dono, que está providenciando o envio daqueles mais de 500 mega por Sedex. É um deja vu de tempos atrás, quando tínhamos que mandar revelar filmes nos laboratórios fotográficos. Oh my god, que ansiedade...
sexta-feira, 20 de março de 2009
Um post saideiro
Quando escrevi o post abaixo eu estava na recepção da Clínica Santa Helena, como acompanhante da minha mãe - que precisou fazer um procedimento meio chatinho que demandou internação-dia. Chegamos na clínica hiper cedo para a internação e em torno das 8h ela entrou. Ficamos lá na cadeirinha da recepção eu e o note, fuçando na Internet e rabiscando coisas (inclusive o post sobre a Ilha do Mel).
Nesse tempo entraram na clínica várias mamães a caminho de dar à luz seus pimpolhos - um baita movimento, tanto de algumas em trabalho de parto natural quanto de outras com internação marcada para cesariana. Uma das que estavam esperando para cesária chegou com o marido, a mãe e a irmã; esperou um pouco até ser internada, foi internada, ganhou o bebê. O pai desceu todo orgulhoso mostrando fotos e videozinhos na máquina digital. E minha mãe continuava lá dentro.
Comecei a ficar meio preocupada, porque afinal de contas dona Conceição já teve problemas com anestesia. Fui me informar no balcão e disseram que estava tudo bem, ela já iria para o quarto.
Aliviada, comecei a achar graça do inusitado da situação: enquanto a maior parte das mulheres naquela recepção eram mães esperando seus bebês, eu era o único bebê esperando sua mamãe. Coisas da vida.
A propósito, estamos aqui eu e ela agora no apartamento da clínica. Correu tudo bem e logo vamos pra casa. Agora sim, este é o último post antes da minha sonhada folga no feriado. Inté!
Nesse tempo entraram na clínica várias mamães a caminho de dar à luz seus pimpolhos - um baita movimento, tanto de algumas em trabalho de parto natural quanto de outras com internação marcada para cesariana. Uma das que estavam esperando para cesária chegou com o marido, a mãe e a irmã; esperou um pouco até ser internada, foi internada, ganhou o bebê. O pai desceu todo orgulhoso mostrando fotos e videozinhos na máquina digital. E minha mãe continuava lá dentro.
Comecei a ficar meio preocupada, porque afinal de contas dona Conceição já teve problemas com anestesia. Fui me informar no balcão e disseram que estava tudo bem, ela já iria para o quarto.
Aliviada, comecei a achar graça do inusitado da situação: enquanto a maior parte das mulheres naquela recepção eram mães esperando seus bebês, eu era o único bebê esperando sua mamãe. Coisas da vida.
A propósito, estamos aqui eu e ela agora no apartamento da clínica. Correu tudo bem e logo vamos pra casa. Agora sim, este é o último post antes da minha sonhada folga no feriado. Inté!
Que venha o feriado, então
É fácil chegar lá: saindo de Floripa, segue-se pela BR-101 no sentido Norte até Garuva, onde se entra à direita na direção de Guaratuba, já no Paraná; de Guaratuba pega-se a balsa até Caiobá (onde meu tio Beto já teve um apê) e de lá segue-se de carro costeando o litoral até o Pontal do Paraná, onde fica o carro. Daí é só pegar o barquinho e seguir para a ilha pela baía de Paranaguá, numa travessia que geralmente permite o avistamento de enormes navios entrando e saindo do porto lá longe. Meia horinha e pronto.Uma das recomendações para quem quer passar alguns dias descansando e curtindo as praias bacanas da Ilha do Mel, onde só se anda a pé, é levar na bagagem apenas o essencial. Eu sempre costumo exagerar na mala, mas desta vez estou me esmerando para realmente levar só o que precisa ser levado. Foi um pouco sofrido resolver isso, mas o notebook vai ficar em casa. Entonces, hasta la vista, babies, e até terça-feira!
quarta-feira, 18 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
O lado doce da vida rural
Jardineiro a cada três semanas para manter limpos os 1000 metros quadrados de terreno gramado: 100 reais.
Cinco tanques de álcool por mês para garantir o deslocamento diário médio de 50 quilômetros entre casa e trabalho: 350 reais.
Colher acerolas gigantes no pé e preparar um suco fresquinho para o café da manhã de sábado com o namorado: não tem preço.
Cinco tanques de álcool por mês para garantir o deslocamento diário médio de 50 quilômetros entre casa e trabalho: 350 reais.
Colher acerolas gigantes no pé e preparar um suco fresquinho para o café da manhã de sábado com o namorado: não tem preço.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Seis de miopia, dois de astigmatismo
No meio do corre-corre treslouquecido da semana que enfim vai terminando (assim como o verão...), uma notícia que me deixou deveras felizinha: meu oftalmologista constatou hoje que meus graus de miopia e astigmatismo têm se mostrado estáveis nos últimos dois exames. Com isso, eu posso colocar nos planos para 2010 a cirurgia corretiva. Acho que acordar de manhã e conseguir ler os números do rádio relógio sem precisar catar os óculos antes deve ser algo que não tem preço.[Eu não nasci de óculos e detesto usá-los. Uso lentes de contato desde os 15 anos. Mas eu até apareço em público lá uma ve z ou outra com meus óculos indie de acetato.]
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